Começando com o Nível SSS: Eu Ganho Uma Nova Habilidade a Cada Transmissão ao Vivo.

Capítulo 118

Começando com o Nível SSS: Eu Ganho Uma Nova Habilidade a Cada Transmissão ao Vivo.

Tradutor/Revisor: miggigibe


Layena ficou completamente em silêncio. Sabendo que sua irmã mais velha estava prestes a chegar a Montclair, ela não assumiu uma postura de combate ao ver aquele rosto.

A ruiva se recostou no assento, um sorriso se espalhando por seus lábios enquanto o canino afiado brilhava à mostra.

Ela olhou para Layena de cima e perguntou:

— Está em um encontro? Eu não esperava que você fosse ficar tão… indisciplinada só porque eu não estava por perto.

Desta vez, Layena não ficou quieta, embora tenha desviado o assunto.

— Por que você está aqui?

— Você já não sabe? A bagunça que você e seus amiguinhos causaram… estou aqui para limpar.

— Fico feliz que esteja ciente do seu dever. Então por que está aqui? — Layena perguntou, de braços cruzados.

— Pfft, tentando agir toda arrogante e confiante? — Ava Klaus disse, com a postura relaxada e a diversão ainda presente em sua voz.

Então seu olhar se afiou.

— Você pode estar morando sozinha agora, pode ter criado um nome para si aqui, mas não se esqueça… aos meus olhos, ainda é aquela rata que se escondia debaixo da cama.

A garganta de Layena se moveu. Seu rosto permaneceu calmo, inalterado, mas dentro de sua mente fragmentos do passado começaram a emergir.

A mesma garota que agora tinha dificuldade para se expressar já havia chorado em voz alta, implorando por ajuda. Naquela época, ninguém ouviu. Ninguém escutou seus gritos, nem o terror que ela suportava todos os dias.

Foi apenas quando finalmente foi aceita na Academia que ela se sentiu verdadeiramente viva, com uma centelha de esperança se acendendo dentro dela.

Esperança de uma vida real, não do inferno que Ava e sua madrasta a tinham forçado a suportar.

E agora, justo quando estava tendo um bom dia, justo quando começara a sorrir e até pensara em fazer um amigo, a própria pessoa que encarnava aqueles dias sombrios apareceu diante dela.

— Olá.

A voz grave cortou o silêncio quando uma bandeja pousou sobre a mesa.

Ava murmurou e olhou para o homem parado diante dela, que a encarava de cima com uma expressão vazia.

— Esse é o meu lugar.

Ela sorriu.

— Ah? Mas estou no meio de uma conversa com a minha irmã.

Kyle murmurou em leve surpresa.

— Você é irmã dela? Peço desculpas. Pelo rumo dessa conversa, parecia mais uma valentona barata de escola procurando confusão.

O sorriso de Ava vacilou por um breve instante antes que ela respondesse:

— Você estava ouvindo a conversa dos outros? Isso é bem grosseiro, cara.

Kyle puxou uma cadeira de uma mesa próxima e se sentou diante das duas.

— Se alguém está deixando minha amiga desconfortável, é claro que vou me preocupar.

Layena se sobressaltou com aquelas palavras e olhou para ele pelo canto dos olhos.

Ele disse que ela era sua amiga.

— É mesmo? — Ava disse com um sorriso enviesado, seu olhar se deslocando para Layena, que permanecia sentada de cabeça baixa. — Bem, espero que ela seja uma boa amiga e não abandone você em encontros. Ela tem o péssimo hábito de quebrar promessas, sabe.

Kyle assentiu de leve.

— Pelo que vi, Layena é a amiga mais honesta que eu tenho.

Desta vez, Layena ergueu os olhos diretamente para ele, sem mais esconder o olhar.

A expressão de Ava se contraiu quando a irritação ardeu dentro dela.

Olha só para ela, toda animadinha.

Com um bufo suave, Ava disse:

— A gente se vê por aí, Kyle.

Ela estendeu a mão, mas Kyle balançou a cabeça.

— Ah, desculpe. Preciso comer, e não estou com vontade de lavar as mãos de novo.

Ele fez uma reverência educada em cumprimento.

Não estava prestes a lidar com aquela confusão de rastreador outra vez.

Ava estreitou os olhos para o jovem. Ele já estava no alto de sua lista de suspeitos. Depois daquilo, ela o observaria de perto.

Sem dizer mais nada, levantou-se e foi embora.

Layena finalmente soltou o ar que vinha prendendo havia tempo demais.

Kyle ocupou o assento à sua frente.

— Umm… Layena.

Ela ergueu os olhos, as sobrancelhas levantadas.

— S-Sim…

— Me dê sua mão.

Layena piscou, surpresa, e ergueu a mão, apenas para perceber.

Ela estava tremendo.

Não de forma sutil. Sua mão estava tremendo de verdade.

Ela tentou manter o rosto calmo, mas seu corpo se recusava a obedecer.

— Deixe eu segurar por um instante — Kyle disse, envolvendo gentilmente as duas mãos dela nas suas e as esfregando de leve. — Não fique tensa. Só relaxe.

A voz dele a guiou.

Kyle tinha notado Ava no instante em que ela entrou. Os cabelos ruivos flamejantes combinavam com a imagem que Veronica Steelglade lhe enviara mais cedo.

Veronica também havia mencionado, de passagem, que Layena não se dava bem com o resto da família. E, vendo como ela ficou rígida e inquieta na presença daquela mulher, Kyle percebeu que a situação era muito pior do que imaginara a princípio.

— Desculpe se o modo como tratei ela te chateou, mas eu senti que… ela estava te deixando desconfortável.

Layena balançou a cabeça.

— Não estou chateada… e você está certo. A presença dela me faz mal.

Kyle soltou um suspiro baixo. Como ele não entenderia o que era ter sangue ruim com a própria família?

Sua relação com os pais sempre fora amarga, cheia de dor e lágrimas. Quando pensava na infância, tudo que vinha à mente era um espaço escuro e sufocante, junto com as expectativas esmagadoras que eles colocavam sobre ele.

Então, sim, à sua própria maneira, ele a entendia.

— Obrigada… me sinto melhor… — Layena murmurou, então acrescentou em voz baixa: — Você ainda pode segurar minha mão? Por favor?

Kyle soltou o ar antes de assentir.

Para confortá-la, passou para a cadeira ao lado dela e segurou delicadamente sua mão por baixo da mesa.

Olhando para Layena, ele disse:

— Se quiser falar sobre isso, pode falar. Eu sou um bom ouvinte. E, se não quiser, podemos só aproveitar a refeição.

Layena deu um sorriso discreto. A máscara dela finalmente rachou quando seus lábios se curvaram, e ela perguntou baixinho, quase suplicante:

— Podemos falar sobre isso depois?

— Eu entendo — ele assentiu, pegando uma batata frita com a mão livre. — Vamos, coma antes que elas fiquem completamente moles… embora já pareçam meio mortas.

Layena soltou uma risada baixa, e o som de sua risada arrancou um pequeno sorriso dele.

Quem diria que a princesa de espinhos da universidade conseguia sorrir assim?
assim?
im?
assim?

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