
Capítulo 116
Começando com o Nível SSS: Eu Ganho Uma Nova Habilidade a Cada Transmissão ao Vivo.
Tradutor/Revisor: miggigibe
— Por que eu sempre encontro você em um shopping? Você é do tipo que gasta dinheiro quando está triste ou feliz? — Kyle Astortia perguntou enquanto caminhava ao lado da garota que ele tinha evitado até poucos dias atrás.
— Eu tinha algumas roupas para comprar — Layena disse, um pouco constrangida.
Da última vez em que se encontraram, também tinha sido em um shopping, e Kyle acabou ajudando-a a tratar um ferimento.
— E você? Também está aqui — ela retrucou, estreitando os olhos.
— Sim, vim comprar um presente para o pai da Amanda. É aniversário dele hoje.
Layena se perguntou se já tinha ouvido falar disso, mas não tinha certeza.
— Como estão seus ferimentos agora? — ele perguntou em um tom mais baixo.
Layena assentiu.
— Melhores. A organização tem tecnologia avançada que cura até ferimentos fatais em poucos dias, então o que eu tive foi só um arranhão.
Kyle soltou uma risada seca.
— Eu não chamaria aqueles ferimentos de arranhão. Na verdade, eu teria dito para você ficar em casa e descansar por um tempo. Mas, pensando bem, não somos tão próximos para eu te dar esse tipo de conselho.
— Mas você pode… — Layena murmurou baixinho, a voz mal chegando até ele.
Eles ficaram em silêncio por um momento antes de Kyle falar de novo.
— Já que você quer comprar roupas e eu preciso procurar um presente, vamos…
— Vamos juntos. Eu posso ajudar — ela ofereceu.
Na verdade, Layena não era boa com lugares cheios e muitas vezes se perdia no movimento. Ter alguém que conseguia passar pelas pessoas com tanta facilidade tornaria tudo mais simples.
— Você quer vir comigo? Embora eu não saiba se vou conseguir te ajudar depois.
Layena balançou a cabeça.
— Eu não teria pedido mesmo. Preciso comprar roupas íntimas, entende.
Kyle ficou surpreso, quase errando o passo.
— Meu Deus, Layena… você realmente não hesita, não é? — ele disse com um sorriso sem jeito.
Ela piscou, confusa.
— Eu deveria? Quer dizer, todo mundo usa roupa íntima… ou você não usa?
— Cof, vamos deixar esse assunto de lado e ir para o quinto andar. Acho que vamos encontrar algo bom para presente lá — ele disse, mudando rapidamente de assunto, sem a menor vontade de continuar aquela conversa.
Sério, quanto mais interagia com ela, mais aquela aura misteriosa que Layena vestia como uma segunda pele começava a se desfazer.
Ela era do tipo direta, alguém capaz de dizer a verdade com o rosto calmo, mesmo que estivesse dando a notícia da morte de alguém.
Kyle preferia pessoas assim. O que quer que estivesse na mente delas, seus lábios transmitiam sem filtros.
Sem muita conversa, os dois pegaram o elevador até o quinto andar. O lugar não estava lotado demais, mas havia gente suficiente para encher o elevador e empurrar Layena e Kyle para um canto.
A maioria eram estudantes que tinham acabado as aulas e ido até ali para relaxar e passar o tempo.
Layena acabou bem no fundo, com as costas pressionadas contra o painel de vidro.
Kyle ficou de frente para ela, uma mão apoiada acima de sua cabeça para evitar esbarrar nela.
Parada daquele jeito, Layena notou algo que sempre soubera, mas só agora percebia de verdade.
Ele era alto. Muito alto.
Praticamente cobria todo o corpo dela, sua sombra caindo sobre Layena.
O olhar dela deslizou para o braço dele, o mesmo que a erguera naquele dia.
Não havia como negar. Ele tinha um físico forte, e seus olhos carregavam uma presença escura e dominante.
No geral, Kyle tinha o corpo e a aura de alguém mais velho, alguém confiável.
— Pega leve, cara.
Kyle estalou a língua quando mais pessoas entraram no segundo andar. Os dois rapazes mais próximos foram empurrados contra suas costas.
Ele ajustou o equilíbrio, apoiando-se com o antebraço em vez da mão. Seu corpo se aproximou mais do dela, o rosto se inclinando um pouco.
Olhando nos olhos de Layena, ele murmurou:
— Só um momento. Sei que deve ser desconfortável.
Ela balançou a cabeça. Erguendo os olhos lavanda para encontrá-lo, disse baixinho:
— Eu me sinto segura.
Kyle ficou em silêncio.
O quê…?
Logo chegaram ao andar desejado, e Kyle abriu caminho pela multidão com facilidade, criando uma passagem para os dois.
Ao saírem do elevador apertado, Kyle soltou um longo suspiro.
— Devíamos ter ido de escada.
Layena não respondeu. Já estava examinando o andar, procurando uma loja onde pudessem encontrar um presente.
Kyle ficou curioso ao vê-la olhar ao redor com tanta atenção.
— O que você está procurando?
Layena piscou, surpresa, antes de responder:
— Não viemos comprar um presente? Não estou vendo nenhuma loja…
— Layena… — Kyle sorriu e apontou para trás de si. — Estamos parados bem na frente de uma.
Layena se encolheu, os olhos se arregalando quando percebeu a grande loja de antiguidades bem à frente do elevador.
Ela ficou em silêncio, desviando o olhar com nervosismo.
Kyle mal conteve uma risada ao ver o quanto ela era adorável. Era óbvio que, apesar de vir ali com frequência, Layena nunca explorava o lugar de verdade e simplesmente ia embora assim que terminava o que precisava fazer.
Até no elevador ela tinha sido empurrada de um lado para o outro sem perceber, com uma reação tão vazia que quase o fez querer levar a mão à testa.
— Layena… você é realmente péssima com ambientes cheios, não é? — ele disse enquanto abria a porta da loja para ela.
Ela assentiu com honestidade.
— Eu não saio muito. Até recentemente, costumava pedir roupas pela internet, mas raramente serviam direito… então precisei sair e comprar pessoalmente.
— Eu entendo isso — Kyle disse, então ficou quieto.
Layena olhou para ele, claramente curiosa, mas Kyle já tinha começado a examinar a loja, que exibia uma grande variedade de antiguidades e itens colecionáveis.
— Você sabe o que comprar? — ela perguntou baixinho, acompanhando o tom baixo que todos na loja pareciam seguir.
— Bem… ele coleciona copos. Estou procurando algo único para dar de presente.
Layena murmurou em entendimento.
— Copos… de beber?
Kyle assentiu. Se Amanda Maylith tivesse contado sobre a comemoração mais cedo, ele teria ido a Fortis procurar uma loja adequada de cristais e copos finos. Agora, precisava encontrar algo único ali.
— Posso ajudá-los? — alguém se aproximou com um sorriso educado.
Kyle se virou para ela.
— Esta é a coleção completa de copos de vocês?
A mulher assentiu.
— Sim, e temos mais algumas peças premium na seção interna. Com base no seu orçamento, posso recomendar algo adequado.
Kyle pensou por um momento.
— Algo em torno de dois mil lumir?
A expressão da vendedora mudou na hora. Seu olhar ficou levemente frio quando ela respondeu:
— Então é melhor escolher nas prateleiras de baixo. Tudo aqui é feito à mão e é único. Por esse preço, você não conseguirá pagar nada da seção interna…
Clang.
Algo de repente atingiu o chão e se estilhaçou.
Os olhos da mulher se arregalaram quando ela se virou para Layena, fúria brilhando em seu rosto.
— O que você está fazendo?!
Sem dizer uma palavra, Layena pegou outro copo e o jogou para trás.
— Sua…!
A vendedora avançou furiosa em sua direção, apenas para ser interrompida por uma voz vinda de trás.
— O que está acontecendo aí, Linda?!
Um homem se aproximou deles, vestido em um terno caro, provavelmente o gerente ou o dono.
Ele olhou para os cacos no chão antes que Linda explicasse às pressas:
— Essa garota acabou de quebrar dois copos da nossa prateleira superior.
— Ah, e vou quebrar o resto também — Layena murmurou.
Antes que alguém pudesse reagir, ela passou a mão por trás dos cinco copos restantes e os empurrou para a frente.
Clang. Clang.
Cada peça finamente trabalhada se estilhaçou no instante em que atingiu o chão.
Kyle apenas ficou parado ali, com os lábios entreabertos e os olhos arregalados.
O que há de errado com essa garota?