
Capítulo 104
Começando com o Nível SSS: Eu Ganho Uma Nova Habilidade a Cada Transmissão ao Vivo.
Tradutor/Revisor: miggigibe
— Sim, eu te encontro em breve.
Dizendo isso, Kyle encerrou a chamada.
Jogando o celular para o outro lado da cama, permaneceu sentado, de olhos bem abertos, sem o menor vestígio de sono.
O que acabara de ouvir foi o bastante para afastar qualquer sonolência.
Pelo que entendeu, a mulher que vinha caçá-lo era conhecida por seus métodos pouco ortodoxos de investigação, métodos que muitas vezes beiravam o jogo sujo para descobrir a verdade. E, quando formava uma convicção, nunca permitia que sua presa permanecesse livre.
No momento, nem mesmo Veronica sabia o que o Ministério Central queria de Kyle. Se pretendiam recrutá-lo ou simplesmente trancá-lo em algum lugar, ainda havia motivo para preocupação.
Mas, independentemente da intenção deles, Kyle não tinha a menor intenção de ser capturado.
Nem por Ava.
Nem por ninguém.
Durante a conversa, Kyle também informou a Veronica que havia outra pessoa que sabia de seu segredo.
Veronica ficou levemente surpresa, pois já tinha suspeitas sobre a relação entre Kyle e Blake. Ela havia presumido que, assim como os outros dois membros da família, Blake não se dava bem com Kyle e o havia forçado a confessar.
Kyle garantiu que estava tudo bem e que aquilo era melhor assim.
— Embora eu não possa compartilhar essa informação sobre Ava com Blake…
Kyle sabia que não podia contar a ninguém, não importava o quanto confiasse nessa pessoa quando o assunto envolvia Veronica. Não apenas porque ela havia pedido que ele mantivesse segredo, mas também porque aquilo soaria absurdo demais.
Uma comandante de repente se aproximar de um completo zé-ninguém, descobrir seu segredo e então se tornar próxima o bastante para arriscar o próprio cargo a fim de ajudá-lo.
Sim.
Aquilo precisava continuar em segredo.
— Haa… Isso é problemático.
Não era apenas Ava que o preocupava, mas também a atenção repentina que havia atraído. As coisas estavam prestes a sair do controle.
— Amanda, isso foi imprudente da sua parte.
Amanda suspirou ao ouvir a voz do pai vindo da porta.
Ela tinha acabado de sair do banho e estava prestes a dormir quando ele chegou.
— Pai… eu só não gosto de dormir em lugares desconhecidos.
Hades soltou um suspiro baixo.
— Mas você poderia pelo menos ter avisado. Seus superiores se preocupam com você.
Amanda abriu um sorriso sem jeito.
— Vou pedir desculpas a eles amanhã.
Hades sorriu de leve enquanto se aproximava da filha.
Ele a cobriu com o lençol e apoiou a mão sobre sua cabeça antes de dizer:
— Descanse bem. Amanhã, você terá algumas pessoas para conhecer.
Amanda já estava sonolenta demais para entender direito as palavras dele e apenas murmurou em resposta.
Hades piscou, surpreso.
— Então você… concorda, certo?
Não houve resposta.
Amanda já havia adormecido pensando em Kyle.
Hades retirou a mão devagar e deu um passo para trás.
Ao sair do quarto, virou-se para a esquerda, onde sua esposa esperava com uma expressão ansiosa.
Com um sorriso de canto, ele ergueu o polegar.
A mulher comemorou em silêncio, radiante.
Finalmente, a filha deles estava pronta para seguir em frente.
[Madrugada, 04h36]
Kyle acordou atordoado, com o alarme ainda vibrando ao lado do travesseiro.
Coçou a cabeça, depois o lado do corpo, antes de finalmente se virar para o relógio.
Por que diabos estava acordado tão cedo se nem tinha aula?
[Seu irmão pediu que você o encontrasse às cinco, hospedeiro.]
A tela do sistema cintilou diante de seu rosto.
Kyle estreitou os olhos para ler o texto, a irritação subindo em seu peito.
— Até parece que eu vou obedecer às ordens dele.
Dizendo isso, jogou-se de volta na cama e puxou o edredom por cima do corpo.
Nos vinte segundos seguintes, não houve movimento algum.
Mas, assim que os vinte segundos se passaram, o casulo começou a se mexer, contorcendo-se levemente.
Tum!
A cama era pequena, então a queda veio imediatamente.
Os olhos de Kyle se abriram de repente enquanto ele encarava o teto.
— Guh… por que eu não posso voltar a ser um recluso? — gemeu, empurrando-se lentamente para ficar de pé antes de se arrastar até o banheiro.
Depois de jogar água no rosto, respirou fundo.
Os últimos vestígios de sono desapareceram quando olhou para si mesmo no espelho.
Então um pensamento surgiu.
— Meus olhos ficam dourados quando uso o Olho de Deus?
[De fato, hospedeiro.]
Hã.
Ele não sabia disso.
Sem se demorar no assunto, escovou os dentes, tomou um banho rápido e vestiu roupas adequadas para se movimentar.
É claro, aquele idiota disciplinado provavelmente o faria passar por algum tipo de treino, o que era quase inútil agora que o próprio Kyle estava se tornando um verdadeiro entusiasta fitness.
[Hospedeiro, você perdeu sua sequência—]
— Cala a boca.
Em seguida, preparou uma vitamina rápida para si mesmo.
Bateu uma banana, algumas castanhas e até uma fatia de pão com leite, depois virou tudo de uma vez.
Sim.
Até que ficou bom.
Bzz.
Pontualmente, exatamente às cinco, seu celular vibrou.
Kyle o pegou no mesmo instante e ouviu a voz do outro lado.
Blake: [Saia. Estou esperando.]
Balançando a cabeça, Kyle terminou a vitamina e saiu de casa.
Um carro preto familiar estava estacionado do lado de fora, com Blake sentado lá dentro.
Era para eles correrem dentro daquilo?
Kyle balançou a cabeça, trancou a casa e caminhou até o carro.
— Para onde estamos indo? — perguntou ao entrar, percebendo que Blake estava vestido de forma parecida com ele, embora a roupa fosse de uma marca famosa.
— Coloque o cinto primeiro.
Assim que Kyle obedeceu, Blake ligou o carro e partiu.
Kyle não recebeu resposta, nem perguntou de novo.
Já estava acostumado demais com esse comportamento para se dar ao trabalho.
Em vez disso, pegou o celular e abriu a conversa com Amanda.
Ela havia mandado mensagem tarde da noite, mas ele já tinha adormecido naquela hora.
Quando abriu a imagem enviada por ela, inclinou discretamente o celular para o lado, garantindo que Blake não visse nem de relance.
A combinação de uma camisola rosa com aquela tiara de princesa era simplesmente injusta.
Ele queria vê-la daquele jeito pessoalmente.
Mas não.
Ela preferia privá-lo daquele espetáculo.
Pouco depois, o carro reduziu a velocidade e parou diante de um grande armazém.
Ele ficava nos arredores de Montclair, com trilhos de trem se estendendo atrás do prédio e nenhuma casa à vista.
Kyle já tinha ido para aqueles lados algumas vezes antes, principalmente para ficar sozinho e organizar os pensamentos.
— Venha — Blake disse, soltando o cinto e saindo do carro.
Kyle o seguiu, saindo também.
O armazém abandonado parecia ser o destino deles e, enquanto Blake caminhava até ele, Kyle o seguiu em silêncio, com a suspeita confirmada.
Mas, em vez de tirar alguma chave enorme para abrir o cadeado igualmente enorme, Blake girou o cadeado na mão com facilidade e pressionou o polegar contra um pequeno leitor na parte de trás.
Um zumbido mecânico respondeu no mesmo instante, como se o sistema tivesse reconhecido sua digital.
A metade superior do cadeado se iluminou com uma pequena tela.
Blake digitou alguns números e, com um clique, o cadeado se abriu.
— 3048. Memorize a senha. Já cadastrei sua digital, então você pode vir aqui sempre que quiser.
Com isso, Blake empurrou a porta do armazém.
Os olhos de Kyle brilharam quando ele olhou para dentro.
Aquilo…
Não era um armazém abandonado.
Aquilo era…
— …um centro de treinamento chato pra cacete.