
Capítulo 105
Começando com o Nível SSS: Eu Ganho Uma Nova Habilidade a Cada Transmissão ao Vivo.
Tradutor/Revisor: miggigibe
Era um espaço vasto, com um teto escuro de onde vários ventiladores grandes e luminárias pendiam sobre o salão aberto.
Quatro grandes arenas ocupavam os quatro cantos. No centro, erguia-se uma cúpula enorme, enquanto nas laterais havia várias instalações: um suporte de armas, um bebedouro, uma geladeira, uma máquina de lanches e alguns outros equipamentos essenciais.
Não havia como negar.
O lugar era bem cuidado.
— Este lugar está muito além do alcance de qualquer sensor de Gênese. Nenhum sistema de vigilância consegue alcançá-lo, e ninguém tem autoridade para me questionar sobre ele. Então, este é seu novo parquinho.
Kyle ergueu as sobrancelhas.
— Você mandou construir algo assim em Montclair? Mas por quê?
Blake apoiou as mãos na cintura antes de responder:
— Isto costumava ser uma base de treinamento para nossas tropas estacionadas na cidade. Elas foram realocadas agora, então eu venho a este armazém sempre que tenho tempo livre.
Certo…
A família Astortia tinha sua própria força militar privada. É claro que teriam instalações assim para o próprio pessoal.
— Então você quer que eu treine aqui, já que não vou ser rastreado, hein? — Kyle murmurou, cruzando os braços.
Para falar a verdade, ele preferia combate real, aprender por meio de batalhas de verdade.
Ainda assim, para testar suas habilidades e entender seus poderes, aquele lugar era ideal.
— Se quiser, posso mandar acrescentar algumas coisas. Ah, há alvos no depósito. Coloque-os onde preferir — Blake disse, apontando para a porta ao lado do bebedouro.
Blake, é claro, sabia que seu irmão era arqueiro e que sua habilidade após o despertar permitia que ele empunhasse um arco mítico.
Não era incomum que pessoas manifestassem armas ou equipamentos de Gênese durante o despertar, mas ter algo tão alinhado à preferência pessoal era raro.
— Entendido.
Kyle assentiu enquanto caminhava até o suporte de armas.
Felizmente, vários arcos e conjuntos de flechas estavam organizados ali com cuidado. Ele tinha sentido mais falta de um arco convencional do que imaginava.
Blake o deixou explorar por um tempo antes de falar de novo:
— Agora, que tal começarmos?
Kyle franziu a testa, surpreso.
— Como assim? Você vai me treinar ou algo do tipo?
Em vez de responder, Blake foi até o depósito e voltou com algo nas mãos.
Era uma manopla de metal, equipada com uma longa placa preta. O interior era acolchoado para dar conforto a quem a usasse.
— Vista isto — Blake disse, entregando-a.
— O que é isso? — Kyle perguntou, confuso.
Ele enfiou a mão dentro da manopla, mas nada aconteceu.
— Agora use Gênese — Blake instruiu.
Kyle soltou um suspiro baixo.
Deveria contar?
Bem, Blake descobriria em breve de qualquer forma.
Sem pensar demais, ele invocou a Aquilla.
No mesmo instante, um arco dourado se formou em sua mão. Suas extremidades eram levemente curvadas, e a arma inteira irradiava um brilho intenso que deixou Blake encarando-a, com os lábios ligeiramente entreabertos.
Ao mesmo tempo, a manopla zumbiu e se apertou ao redor da mão de Kyle. A tela preta se acendeu, exibindo três barras ascendentes.
— O quê…? — As sobrancelhas de Blake se ergueram em choque evidente. — Como isso é possível?
Kyle coçou a cabeça.
— Você vai me explicar logo que diabos é isso?
Blake soltou o ar, firmando-se antes de falar:
— Esta ferramenta é usada para treinar o controle da Gênese. Está vendo essas barras? Quando chega à quinta barra, ela libera um choque curto, mas forte, na sua mão.
Os olhos de Kyle se arregalaram.
— O quê?
Ele olhou para a manopla presa firmemente ao seu braço.
Blake continuou:
— Normalmente, quando alguém usa Gênese básica para ativá-la, nem uma única barra acende…
Seu olhar permaneceu em Kyle enquanto murmurava:
— Você realmente tem uma quantidade absurda de Gênese.
— Esquece isso e tira essa coisa de mim. Eu não gosto desse tipo de treinamento.
Blake revirou os olhos.
— Kyle… se você pretende acelerar seu treinamento no Mundo Etéreo e não quer ser esmagado, esta é a melhor forma de treinar.
Sua voz ficou mais pesada.
— Você pode intimidar e exterminar residentes de Knull com sua Gênese avassaladora, mas eles são a única ameaça que vai enfrentar?
Kyle ficou em silêncio.
Certo…
Sua Gênese instável já havia lhe causado problemas. Ele não queria se esgotar em uma luta menor e acabar indefeso, exausto demais até para levantar o braço.
E, em breve…
Uma certa ruiva viria farejar seus rastros.
Contra ela, apenas ter uma Gênese forte não seria suficiente.
Respirando fundo, disse:
— Certo, me diz. Como faço essa coisa funcionar?
Blake deu um passo mais perto e ajustou algumas configurações no dispositivo. Logo, as três barras brilhantes diminuíram até a tela ficar vazia.
— Calibrei de acordo com sua frequência atual — Blake explicou. — Agora, até a menor flutuação na sua Gênese vai ser detectada. Se cair, você verá barras vermelhas. Se subir, aparecerão barras verdes.
Kyle assentiu.
— Então preciso treinar garantindo que ela não chegue à barra máxima… ou levo choque.
Blake assentiu de leve.
Ele hesitou por um momento antes de acrescentar:
— Vou te mostrar isto, mas não use a menos que seja uma emergência.
Ele segurou o pulso de Kyle e apontou para um padrão.
Dois toques perto da base, depois um no meio.
No mesmo instante, a manopla afrouxou e se abriu.
Kyle a pegou antes que caísse e assentiu em compreensão. Estava prestes a perguntar se havia uma forma de removê-la em caso de emergência.
No momento, ele não conseguia controlar completamente quando sua Gênese disparava de forma selvagem, e a última coisa que queria era ter o braço constantemente eletrocutado por algo com que ainda não sabia lidar.
Kyle respirou fundo e colocou a manopla de volta.
Virando-se levemente, puxou a corda do arco.
Vamos ver o quanto minha situação é ruim de verdade.
— Vice-comandante?
Layena pareceu surpresa quando o homem entrou na enfermaria.
Ela tentou se levantar e bater continência, mas ele ergueu a mão rapidamente, sinalizando para que ficasse à vontade.
Hannah podia ter sofrido o ferimento mais grave, mas Layena carregava a maior quantidade de feridas. Suas reservas de Gênese estavam quase esgotadas depois de lutar contra aquelas criaturas por tanto tempo.
— Como está se sentindo agora? — Timothy perguntou, puxando uma cadeira e se sentando a uma pequena distância.
— Eu… estou melhor agora. Devo estar totalmente recuperada dentro de um dia.
Layena estava principalmente exausta, e a antiga ferida em seu flanco ainda ardia. Fora isso, não sentia nada que pudesse limitar seus movimentos.
Timothy soltou um suspiro baixo.
— A Comandante não sabe que vim aqui para te contar isso, mas também não acho que ela ficaria tão irritada.
As sobrancelhas de Layena se ergueram levemente.
— O que foi, senhor?
Será que é sobre Kyle?
Timothy fez uma pausa por um instante antes de finalmente dizer:
— Layena, quero que tire alguns dias de folga e faça uma viagem para descansar.
Ela piscou, surpresa, mas, antes que pudesse questioná-lo, ele acrescentou:
— Porque não quero que sua irmã cause problemas para você.
O corpo de Layena ficou imóvel.
Memórias invadiram sua mente.
Memórias amargas, daquelas que ela desejava esquecer, mas que estavam gravadas fundo demais para desaparecer.
E, no centro de todas elas…
Grande parte do motivo pelo qual Layena nunca teve um lugar dentro da própria família atendia por um nome: sua irmã mais velha, Ava.
Havia quatro flechas em sua mente, cada uma podendo ser conjurada com um simples pensamento.
A primeira era a explosiva: Detroit.
Ela detonava ao contato e era a flecha em que Kyle mais havia confiado durante a batalha.
Depois vinha a flecha rastreadora, uma que obedecia ao seu comando e conseguia alterar a trajetória no ar. Kyle a havia chamado de Tracer.
Essa era difícil de controlar por causa da falta de prática.
A terceira flecha vinha em seguida.
Ela criava a ilusão de múltiplas flechas, confundindo o inimigo e tornando impossível saber de qual delas desviar.
Kyle a havia chamado de Mirage.
Não era tão exigente de usar, embora exigisse um ajuste cuidadoso dos níveis de Gênese.
E, por fim, a quarta: Eclipse.
Kyle ainda não a compreendia completamente, mas, se sua suposição estivesse correta, essa flecha podia interromper fluxos de energia dentro de uma certa área por um tempo limitado.
Se ela suprimia Gênese, Ausência ou as duas coisas, ele ainda precisava descobrir.
Foi por isso que decidiu começar por ela.
Respirando fundo, puxou a corda do arco.
Blake já havia posicionado os alvos e permanecia em silêncio ao lado, observando o irmão pensar antes de agir.
Uma flecha prateada e escura se formou enquanto Kyle tensionava ainda mais a corda, os músculos se contraindo.
Clink.
Uma barra na manopla se acendeu.
Depois outra.
Em poucos segundos, uma terceira surgiu.
Kyle soltou o ar devagar e, no instante em que a quarta barra se acendeu, disparou a flecha contra o boneco de treinamento.
Dooooom!
Uma cúpula de partículas prateadas irrompeu no impacto.
Kyle arfou quando a Aquilla começou a tremer em sua mão. Ela resistia à energia que agora irradiava do ponto de impacto.
Ele se virou para Blake.
— Usa sua habilidade. Qualquer coisa. Rápido.
Blake piscou, surpreso, mas assentiu rapidamente, pegando um machado no suporte próximo.
Imbuiu-o com Gênese e se preparou para arremessá-lo contra outro alvo, mas—
— O quê?
Ele congelou, encarando a própria mão.
A Gênese não estava respondendo como deveria.
Seu olhar se deslocou para Kyle, e Blake assentiu com firmeza.
— Funcionou.
Kyle se permitiu abrir um breve sorriso, mas então o sistema falou.
[Hospedeiro, que tal verificar a eficiência da flecha com o Olho de Deus?]
Se o sistema estava sugerindo aquilo, então tinha alguma coisa errada.
Ele obedeceu.
Virando-se para o alvo, ativou o Olho de Deus, e o relatório apareceu instantaneamente diante dele.
[Alcance: 10 metros]
[Eficiência: 7%]
[Há um grande potencial oculto na flecha, hospedeiro. Você precisa concentrar mais Gênese, mas manter o fluxo linear.]
Hmm… isso vai ser difícil.