
Capítulo 106
Começando com o Nível SSS: Eu Ganho Uma Nova Habilidade a Cada Transmissão ao Vivo.
Tradutor/Revisor: miggigibe
Anos atrás, uma ponte colossal se formou na agitada cidade de Tincot, situada no coração da nação e considerada uma das cidades mais populosas do mundo.
Naquela época, a tecnologia era muito menos desenvolvida, e administrar os dois mundos estava se tornando cada vez mais difícil.
Manter as pessoas longe da ponte e lidar com as fendas frequentes ao redor dela era uma tarefa assustadora, e a falta de pessoal sempre havia sido um problema.
Foi a primeira vez que o governo central ordenou uma ofensiva total contra os sentinelas da ponte e conseguiu derrubá-la.
Como a ponte ainda era recente, os danos ainda podiam ser contidos. No entanto, a tarefa estava longe de ser simples.
Os sentinelas que protegiam cada ponte eram muito mais fortes que carniçais, e conseguiam chamar reforços do outro lado.
Foi uma guerra impossível de esquecer.
Uma guerra que se tornou um pesadelo para muitos.
Vinte caminhantes noturnos de grau especial entraram na ponte.
Apenas quatro retornaram.
E, entre os quatro, estava Seraph Klaus, o patriarca da família Klaus, um homem que gravou seu nome na história como um dos caminhantes noturnos mais fortes de sua geração.
Seu nome era reconhecido no mundo inteiro, e carregava um peso que ninguém podia ignorar ou tratar levianamente.
Além de ser um caçador excepcional, Klaus também era um homem de família. Sua esposa esteve ao seu lado desde os dias em que ele não passava de um delinquente.
Por isso, como marido, ele era profundamente admirável.
Até se envolver com a irmã mais velha da própria esposa.
Um ano depois, daquele erro nasceu uma filha.
Uma filha chamada Layena.
— Você está bem, Layena? — Timothy perguntou, percebendo o silêncio repentino dela.
Layena assentiu devagar.
— Sim, estou bem, senhor.
Ela baixou os olhos, então murmurou:
— Eu sei que o senhor está preocupado comigo. Foi por isso que sugeriu essa pausa. Mas, com todo o respeito, Vice-Comandante, eu gostaria de permanecer aqui.
Timothy suspirou.
— É seu orgulho falando, Layena?
A garota de olhos lilases balançou a cabeça.
— Não, senhor. É meu dever. Sou a principal testemunha de todo o incidente, e faz parte do protocolo que a oficial que esteve no local se envolva na investigação.
Timothy apertou os lábios.
O que ela dizia era verdade.
Em algum momento, Amanda, Hannah e os outros haviam deixado o campo de batalha, restando apenas Layena.
Sem mencionar que Layena foi a única que viu aquela anomalia de perto.
Seu envolvimento naquela investigação era crucial.
Ainda assim…
— Você não precisa enfrentá-la. Eu conheço sua situação com sua família.
Layena abriu um sorriso fraco.
— Tenho muita sorte de ter superiores tão cuidadosos, Vice-Comandante. E é por isso que não me sinto ansiosa com a possibilidade de ela se aproximar de mim.
Layena havia vivido a pior fase de sua vida…
Uma fase em que descobriu diferentes formas de ferir a si mesma só para não acabar tirando a própria vida.
Então, agora, com tantas pessoas ao seu redor e todos os seus laços com a família Klaus cortados, ela estava em uma posição muito melhor para enfrentá-la.
Timothy soltou outro suspiro e se levantou devagar.
Aproximando-se dela, apoiou a mão sobre a cabeça de Layena e disse:
— Se as coisas ficarem difíceis, procure a comandante ou venha até mim. Você não está sozinha nisso, Layena.
Layena assentiu.
— Obrigada, senhor.
Bzzzt!
— Agh!
Kyle gritou, quase jogando a Aquilla para longe quando um choque percorreu seu braço inteiro. Não durou muito, mas aquele breve instante foi suficiente para sacudir o braço inteiro.
Ele havia atingido o limite pela segunda vez, e só havia se passado uma hora.
Estava falhando miseravelmente.
Toda vez que tentava se concentrar em mais poder e menos pressa, tudo desandava.
Concentrar-se exigia tempo, e, no instante em que demorava demais, sua Gênese se inflamava e o punia com um choque.
Fechar os olhos estava fora de questão.
Ele precisava continuar observando o medidor de barras.
— Agora você está pensando demais — Blake disse ao lado.
Ele vinha observando com paciência até então, mas finalmente decidiu intervir.
— O que você quer dizer? — Kyle perguntou, abaixando os braços, o peito subindo e descendo em um ritmo pesado.
— Você está focando em coisas demais. É isso que está causando o fracasso.
Blake deu um passo mais perto, estendendo uma garrafa de água.
Kyle a pegou e girou a tampa.
Enquanto inclinava a garrafa para beber, Blake continuou:
— Eu entendo que você esteja com pressa para dominar seus poderes, mas, Kyle, nesse ritmo, você só vai demorar mais.
Quando Kyle abaixou a garrafa, ela estava vazia.
Ele soltou um longo suspiro.
— Explica.
Blake cruzou os braços.
— Preciso observar mais um pouco para entender completamente suas habilidades, mas, pelo que vi, você está tentando melhorar a eficiência para evitar o choque. Ao mesmo tempo, quer extrair o máximo de força do seu arco. Por causa de todos esses cálculos e da sua ansiedade para encontrar um meio-termo, você erra o ponto todas as vezes.
Blake colocou em palavras tudo o que havia observado, e Kyle teve que admitir que ele estava certo.
Não conseguir ampliar o alcance da Eclipse nem usar plenamente as outras flechas era frustrante.
Foi por isso que vinha tentando aumentar o poder de supressão da Eclipse.
Eclipse era uma de suas melhores ferramentas contra aqueles que logo viriam atrás dele.
Mas, com o potencial que havia desbloqueado até agora, aquilo não faria muita diferença.
E era isso que estava causando seu fracasso.
— Certo, faça uma coisa. Defina um objetivo menor. Algo mais simples.
Blake apontou para o alvo.
— Atire nele de novo e de novo. Não pense, não se concentre e não se preocupe com eficiência.
Kyle piscou, surpreso.
— Que flecha? Tipo—
— Não pense. Só atire — Blake disse, guiando-o na direção do alvo.
Kyle não o questionou mais.
Respirou fundo.
Puxando a corda, infundiu-a com Gênese e soltou uma flecha direto contra o alvo.
Formada de Gênese bruta, ela não tinha nenhum efeito especial. Atingiu o alvo e se dissolveu.
— Não deixe que ela se dissolva. Continue.
Kyle não parou.
Continuou puxando a corda de novo e de novo, sem deixar a Gênese se acumular demais, nem perdendo tempo mirando. Seu foco já estava preso ao alvo. Não precisava mirar.
Sete disparos.
Todos acertaram o centro.
Então mudou de direção e atirou em outro alvo.
Marcas profundas começaram a se formar na superfície de madeira, uma depois da outra, como se flechas invisíveis estivessem abrindo fendas estreitas em seu centro.
O corte se aprofundou, já alinhado com o alvo.
Kyle não se demorou.
Mudou a mira de novo.
De alvo em alvo, seu corpo se movia antes que o pensamento pudesse se formar.
A corda estalava.
Soltava.
Estalava outra vez.
Soltava de novo.
Cada flecha deixava uma marca mais afiada que a anterior.
Rachaduras fracas se transformavam em cortes limpos.
Cortes limpos se aprofundavam em sulcos.
A madeira começou a se estilhaçar.
Ele não parou.
Outra virada.
Agora, bonecos de treinamento.
A palha explodia a cada impacto, primeiro em rasgos pequenos, quase imperceptíveis.
Então os rasgos aumentaram.
Fios se romperam.
A palha se espalhou.
Seu ritmo não quebrou.
Puxar.
Soltar.
Puxar.
Soltar.
A Gênese já não tremeluzia.
Estava se tornando visível e mais densa.
Cada flecha permanecia por uma fração de segundo a mais antes de desaparecer.
A força aumentou.
Um disparo atravessou o peito do boneco, deixando um buraco limpo.
O próximo disparo.
O buraco se alargou.
Outro.
O torso inteiro se projetou para trás com o impacto.
Kyle deu um passo, virou e disparou de novo.
Sem respirações profundas.
Apenas flechas brutais.
O ar estalava a cada disparo.
A próxima flecha não apenas perfurou.
Ela detonou.
O boneco explodiu, palha e madeira se espalhando para todos os lados.
Kyle finalmente parou.
A explosão o pegou desprevenido…
Assim como o peso da própria respiração.
Ele olhou para si mesmo e percebeu que sua camisa inteira estava encharcada de suor.
Seu peito subia e descia, os braços tremendo levemente.
Então olhou para a manopla.
Nenhuma barra.
Virou-se para o irmão.
Blake estava ali, com um sorriso satisfeito.
Os ombros de Kyle relaxaram.
Ele tinha se saído bem.