
Capítulo 103
Começando com o Nível SSS: Eu Ganho Uma Nova Habilidade a Cada Transmissão ao Vivo.
Tradutor/Revisor: miggigibe
— O que você vai fazer com o corpo? — Kyle perguntou ao ver Blake carregando o cadáver até o carro.
Blake explicou:
— Como sua casa é cercada por sensores de Gênese, vou registrar a ocorrência como uma invasão comum e dizer que eu, por acaso, estava aqui. Naturalmente, não posso mostrar o rosto desse homem, ou ainda mais suspeitas recairiam sobre você.
Kyle murmurou em entendimento.
Dois dos três irmãos haviam participado de prender os caminhantes noturnos no resort e, se não fosse por Kyle, todas aquelas pessoas teriam morrido antes do nascer do sol.
Então, se o Corpo de Supressão Paranormal descobrisse que o terceiro veio atrás de Kyle logo em seguida, isso só faria ainda mais suspeitas recaírem sobre ele.
O melhor era que o cara de bigode desaparecesse.
Blake fechou a porta e sacudiu o casaco.
Estranhamente, nem uma gota de sangue havia caído em sua camisa.
Experiência de trabalho?
Blake voltou para dentro, e a primeira coisa que fez foi lavar as mãos.
Kyle ofereceu uma toalha a ele.
Enquanto enxugava as mãos, Blake olhou ao redor e disse:
— Já não está na hora de você se mudar? Isto aqui é pequeno demais.
Kyle franziu a testa.
Sentia que já tinha tido aquela conversa antes.
— É o suficiente para mim — respondeu. — Mas você tem razão. Vou me mudar, não porque é pequena, mas por causa de todos esses sensores.
Blake murmurou, pensativo.
— Se o que você disse é verdade e Layena confirmou para eles que o caminhante noturno renegado não é você, então não vão monitorar seu novo endereço com sensores. Então, sim, vou transferir dinheiro para você. Até o fim desta semana, encontre um bom lugar e se mude para lá.
— Às vezes, você não deveria só mandar dinheiro. Podia fazer algo a mais por mim — Kyle disse, cruzando os braços.
— Quer que eu carregue caixas para você? — Blake sugeriu.
Kyle revirou os olhos.
— Esquece.
Ele sabia muito bem como aquele desgraçado responderia se dissesse sim.
Blake abriu um sorriso discreto antes de dizer:
— Você tem alguns dias de folga, certo? Esteja pronto amanhã, às cinco da manhã.
Kyle murmurou, surpreso:
— Mas por quê?
Blake não respondeu.
Apenas saiu da casa.
[No mesmo dia, madrugada, 00h20]
Pelo corredor da base, um homem conhecido por todos caminhava com passos longos.
Aqueles que cruzavam seu caminho batiam continência e se afastavam para lhe dar passagem.
O vice-comandante da base chegou ao gabinete de sua superiora e deu uma batida firme na porta.
Depois de esperar alguns segundos, girou a maçaneta e entrou no escritório.
— Desculpe a interrupção, Comandante.
— Timothy… qual é o assunto? — Veronica perguntou, ainda analisando a resposta que havia recebido da sede central sobre a notificação vermelha emitida contra a Equipe Delta.
O homem de cabeça raspada informou:
— Acabei de receber outro e-mail do quartel-general central sobre o oficial designado para a investigação.
— Investigação? — Veronica franziu a testa e ergueu o olhar. — O incidente no resort?
O homem assentiu.
— De fato, Comandante. No entanto, parece que o Comando Central escolheu caçar o caminhante noturno renegado em vez de investigar o surgimento anômalo das fendas.
Veronica zombou.
— Claro.
O que aconteceu naquele resort estava longe de ser normal.
Como era possível que alguns criminosos estivessem presentes exatamente no momento em que aquelas fendas apareceram? E, como se soubessem que os residentes de Knull logo começariam a sair delas, vieram preparados com barreiras e PEMs.
E quanto ao surgimento repentino de quatro fendas de uma vez?
Veronica não conseguia se lembrar da última vez em que vira algo assim acontecendo tão longe de uma ponte.
Ao redor de uma ponte, a Ausência sempre permanecia potente e densa. Portanto, o surgimento de várias fendas era comum. Mas aquele local ficava a cerca de duzentos quilômetros da ponte mais próxima.
— Comandante, o principal motivo de preocupação é quem eles enviaram para essa caçada.
Os olhos de Veronica ficaram frios ao ouvir aquela palavra.
Mas ela entendeu por que Timothy havia formulado aquilo desse jeito assim que viu o perfil da oficial enviada para Fairmont.
— Ava… Klaus — murmurou ao ver uma ruiva sorridente na tela.
Ela a conhecia muito bem.
Não apenas porque Ava servia ao governo como parte da Equipe Alpha, mas também porque ela e Veronica haviam sido da mesma turma na academia.
Isso é problemático.
O simples fato de o Ministério Central ter escolhido alguém da Equipe Alpha indicava que eles consideravam o renegado uma questão de grande importância.
E isso também era compreensível.
Não era comum que um possível caminhante noturno de grau especial estivesse vagando sem registro.
Veronica apoiou o terminal sobre a mesa e perguntou:
— Layena sabe disso?
A expressão de Timothy mudou, apenas sutilmente, mas Veronica captou a amargura em seu rosto.
— Não, senhora.
Veronica assentiu antes de dizer:
— É inevitável que Ava se aproxime de Layena quando chegar aqui. Nosso objetivo deve ser mantê-la dentro dos limites.
Com um rosnado baixo, Veronica murmurou:
— Layena faz parte da minha unidade, e vou garantir que Ava entenda isso.
Timothy assentiu de leve, em aprovação.
Ele também não gostava que alguém mexesse com os oficiais da unidade…
No entanto, quando se tratava de Ava, as coisas inevitavelmente saíam do controle.
Depois de uma breve pausa, Veronica perguntou:
— Como os outros estão se recuperando?
— Hannah já está fora de perigo e se recupera bem. Em uma semana, deve estar totalmente recuperada. Ethan e Clara precisam de alguns dias. E Amanda… bem…
Ele contraiu a sobrancelha ao chegar naquela oficial em particular.
— Ela foi para casa, não foi? — Veronica perguntou, um suspiro exasperado já escapando de seus lábios.
Timothy permaneceu em silêncio, e aquilo bastou como resposta.
Balançando a cabeça, Veronica disse:
— Informe o pai dela sobre toda a situação e peça que a mantenha dentro de casa por enquanto. Sério, essa garota está ficando mais rebelde a cada dia.
Timothy bateu continência e logo saiu da sala.
Veronica se certificou de que a porta estava trancada antes de pegar o celular.
Já passava de meia-noite.
Ele devia estar cansado e já ter adormecido, certo?
Mas…
Será que custava tentar?
Hesitante, discou o número dele e levou o celular ao ouvido.
A chamada tocou por alguns segundos.
Ele não estava atendendo, então ela estava prestes a desligar, sem querer incomodá-lo.
Mas então—
Kyle: [Ei.]
A voz sonolenta dele ressoou do outro lado.
— Desculpa… eu te acordei? — perguntou.
Mas o sorriso feliz em seus lábios entregava que ela não estava tão arrependida assim.
Kyle: [Não. Eu só levantei para beber água e vi sua ligação. O que houve? Não conseguiu dormir?]
Veronica se recostou na cadeira.
— Ainda estou trabalhando.
Houve uma pausa. Provavelmente, ele havia olhado a hora antes de responder:
Kyle: [Por que você está trabalhando tão tarde? Está decidida a acabar com a própria saúde?]
Ela sorriu, impotente.
— Kyle… um incidente enorme aconteceu. Preciso fazer hora extra para lidar com as consequências.
Ele suspirou do outro lado.
Kyle: [Eles não conseguem resolver as coisas sozinhos? Tsc. Agora estou me sentindo culpado por ter arrastado a luta para lá e não ter levado aquilo para algum lugar isolado. Assim você não precisaria limpar a bagunça.]
Veronica baixou os olhos, a cabeça inclinando-se um pouco enquanto alguns fios prateados caíam sobre seu rosto.
— Por que você faria tanto por mim?
Kyle: [Quer ouvir a resposta honesta?]
Ela soltou uma risadinha e disse:
— Não… ou eu não vou conseguir dormir nem quando voltar para casa.
Kyle: [Hmm. Enfim, aconteceu alguma coisa?]
Veronica soltou outro longo suspiro.
Ela olhou para o terminal sobre a mesa, fixando-se na ruiva exibida na tela.
— Algo… está prestes a acontecer.