
Capítulo 102
Começando com o Nível SSS: Eu Ganho Uma Nova Habilidade a Cada Transmissão ao Vivo.
Tradutor/Revisor: miggigibe
— Desde quando você começou a encher a geladeira de verdura? — Blake perguntou, observando as prateleiras agora cheias de vegetais frescos em vez de comida enlatada e caixas de pizza.
— Não está vendo? Estou voltando à forma — Kyle respondeu, lançando um olhar para o próprio reflexo no espelho do outro lado da cama.
Blake revirou os olhos.
— Vamos ver quanto tempo isso dura.
Ele pegou um pacote de macarrão e começou a cortar os vegetais.
— Espero que ninguém além da Amanda saiba sobre essa sua pequena identidade secreta — Blake acrescentou, cortando os vegetais com facilidade praticada.
Kyle suspirou.
— Bem… existe uma boa chance de Layena ter descoberto também durante o incidente.
Blake parou e olhou por cima do ombro, encarando-o.
— Então eu sou a terceira pessoa a saber? Nesse ritmo, daqui a pouco um estranho saberia antes do seu próprio irmão.
Kyle ficou quieto.
Ele nem tinha planejado contar a Blake…
Mas e se tivesse que admitir que alguém de fora descobriu a verdade antes dele?
Bufando, disse:
— Nesse ritmo, todo mundo vai acabar descobrindo mais cedo ou mais tarde.
Blake voltou sua atenção para a bancada.
— Se você continuar bancando o herói espalhafatoso, sim.
Kyle abriu um sorriso.
— Você ficou sabendo? Eu desci o cacete neles e dominei o campo de batalha inteiro.
— E, no processo, chamou a atenção do Ministério Central também.
— Por que você sempre foca nas partes negativas?
— Porque glória não dura. Prisão, sim.
Kyle revirou os olhos.
— E depois fica se perguntando por que eu não contei?
Blake soltou uma risada baixa e colocou o macarrão na panela, deixando-o cozinhar.
Depois de um momento de silêncio, perguntou:
— Então qual exatamente é a sua habilidade? E quanto você realmente sabe sobre seus poderes?
Kyle se inclinou para trás, apoiando o peso nas mãos.
— Eu consigo usar um arco mítico que dispara flechas sem parar, desde que eu tenha Gênese. E sei bastante coisa sobre o Mundo Etéreo.
Veronica e Amanda haviam explicado o bastante sobre como as coisas funcionavam do outro lado da sociedade.
No mínimo, ele entendia os perigos e as brechas que podia explorar.
— Me diz uma coisa. Como eu nunca percebi que a mãe, o pai ou até você eram… sobrenaturais? — Kyle perguntou, observando as costas de Blake.
Vê-lo usando um avental por cima da roupa formal era estranhamente divertido.
Kyle tirou uma foto em silêncio e a enviou para Corella.
— Porque, antes de ser treinado para empunhar uma arma, eu fui ensinado a escondê-la — Blake respondeu. — Não só dos outros, mas de você também. É uma lei fundamental em todo o mundo manter pessoas não despertas longe do Mundo Etéreo.
— Então onde você treinava? — Kyle perguntou.
Blake nunca saía muito. Era sempre de casa para a escola, e depois direto de volta para casa, exatamente como ele.
— Instrutores vinham até a mansão — Blake disse. — Existe um porão lá.
De repente, ele olhou por cima do ombro, o olhar afiado.
— Nem pense em ir lá.
Voltando-se para a bancada, continuou:
— É ali que o clã cultiva pesadelos durante o ano inteiro. Eles são alimentados com humanos e fortalecidos ao longo do tempo.
Kyle ergueu uma sobrancelha.
— Dá mesmo para deixar pesadelos mais fortes?
Blake assentiu, avaliando o quanto seu irmão realmente sabia.
— Sim. Eles crescem se alimentando de emoções negativas. Criminosos são ideais, já que carregam emoções negativas o bastante para fazer os pesadelos ultrapassarem os limites normais.
Kyle soltou um murmúrio baixo.
— Então as prisões centrais devem ser um paraíso para eles.
— Não — Blake respondeu. — Oficiais do Departamento de Proteção Civil purificam essas áreas regularmente. Se um pesadelo cresce demais, pode se tornar uma ponte temporária e abrir uma pequena fenda.
Kyle assentiu, absorvendo a informação.
Algo novo para aprender.
Blake aqueceu a frigideira, colocou um pouco de óleo e jogou os vegetais nela.
Enquanto os mexia, Kyle perguntou:
— Então a família Astortia não trabalha para o governo?
— Somos uma entidade independente — Blake respondeu com calma. — Não recebemos ordens diretas, mas mantemos alianças próximas com eles. Cada clã, como os Astortia ou os Maylith de Amanda, fica responsável por uma área específica. Dentro dessa zona, lidamos com fendas, cooperamos com o Corpo de Supressão Paranormal e fornecemos apoio militar se necessário.
— Nós temos uma força militar? — Kyle perguntou, surpreso.
— Não uma grande — Blake disse, ainda cozinhando —, mas treinamos alguns batalhões. Eles ficam posicionados em diferentes regiões de Fortis.
— Hmm… isso é bem legal, na verdade.
Kyle assentiu, impressionado.
Seu clã era muito mais influente do que imaginava.
Então algo fez sentido em sua cabeça.
— Espera… isso não significa que você sempre teve uma vantagem injusta sobre mim? Com suas habilidades sobrenaturais e tudo mais?
Blake sorriu de canto.
— Não. A Gênese não teve nada a ver com isso. Meus concorrentes é que eram incompetentes demais.
Kyle estreitou os olhos, já examinando o quarto em busca de algo para jogar naquele bastardo presunçoso.
— Enfim — Blake continuou, interrompendo Kyle no momento em que ele esticava a mão para pegar uma cadeira —, me conte sobre o ataque que você usou contra aqueles carniçais.
— Eu só despejei uma quantidade absurda de Gênese e apaguei todos eles — Kyle respondeu casualmente.
Blake parou por um instante.
— Deve ter exigido uma quantidade absurda de Gênese para derrubar quatro carniçais de uma vez.
Quando leu o relatório sobre o incidente no resort, ficou atordoado. Alguém não apenas havia eliminado quatro carniçais de uma só vez, como ainda tinha força suficiente para escapar depois.
Um caminhante noturno de grau especial poderoso talvez conseguisse sobrepujar múltiplos inimigos apenas com Gênese bruta.
Nem mesmo Blake tinha certeza de que conseguiria fazer aquilo, apesar de ser considerado um dos caminhantes noturnos mais fortes do continente.
E, ainda assim…
Alguém recém-desperto tinha feito exatamente isso.
Claro, Blake não tinha a menor intenção de dizer àquele pirralho o quanto aquilo era impressionante de verdade.
— Então não é exatamente sua habilidade, mas suas reservas de Gênese? — Blake pensou em voz alta.
— Sim. E não é o melhor jeito? Gênese é venenosa para eles. Eu só sobrecarrego até eles caírem.
Blake balançou a cabeça.
— Você sabe que isso não vai funcionar para sempre.
Ele soltou um suspiro.
— Gênese não deve ser usada de forma tão imprudente, não importa o tamanho da sua reserva. Você precisa de um controle melhor sobre ela. Caso contrário, um dia vai forçar demais o próprio corpo e acabar em estado vegetativo, incapaz até de lidar com um pesadelo pequeno.
Kyle abriu um sorriso torto.
— Você está inventando isso, não está?
Blake revirou os olhos e se virou para ele.
Segurando um ovo, disse:
— Quando você força seu corpo a liberar Gênese demais, seus Circuitos Arcanos sofrem uma pressão extrema.
Ele apertou o ovo na mão.
— Não preciso explicar o que acontece se essa pressão continuar aumentando.
Kyle bufou.
— Você nasceu com veneno na boca, não foi? Eu juro, no dia em que vir seu primeiro filho, não vai sorrir. Vai encarar o bebê como um projeto fracassado e dizer: “Hmm… defeituoso. Devolva e tente de novo.”
Blake balançou a cabeça e voltou a cozinhar.
Não demorou muito para terminar o prato e colocar a tigela diante do pirralho faminto.
Kyle praticamente babava ao ver a comida, o aroma rico fazendo seu estômago se contorcer de expectativa.
No instante em que a tigela tocou a mesa, ele atacou, devorando o macarrão sem se importar com o calor ou a pimenta.
Blake o observou em silêncio, um sorriso fraco surgindo em seus lábios.
Crescido e independente?
Tudo o que ele conseguia ver era o mesmo garoto de sempre, fácil de agradar.