
Capítulo 92
Começando com o Nível SSS: Eu Ganho Uma Nova Habilidade a Cada Transmissão ao Vivo.
Tradutor/Revisor: miggigibe
— O que torna um carniçal mais perigoso do que outros monstros não são apenas suas habilidades mágicas, mas a autoridade que ele possui para fazer aquelas criaturas irracionais, que vocês consideram bucha de canhão, agirem de forma ordenada. E você sabe o que acontece quando até um bando de ratos começa a se coordenar e focar em uma única presa.
Essas eram palavras que Layena havia ouvido de muitas pessoas, incluindo a comandante.
E, naquele momento, estava experimentando o significado delas em primeira mão.
Carniçais haviam aparecido.
Dois deles.
E agora, as mesmas criaturas que antes se jogavam contra ela e eram massacradas começaram a se coordenar, esperar e atacar quando ela menos esperava.
— Guh! — ela grunhiu ao arrancar a presa do morcego que acabara de morder seu ombro.
Respirando fundo, canalizou trovão e desviou da maça que vinha em direção ao seu torso.
O minotauro não ficou parado em confusão. Virou-se rapidamente sobre os pés enormes.
Layena estalou a língua, contendo o impulso de atacar por trás quando outro majin saltou no momento exato, pronto para interceptá-la.
Ela abaixou o corpo, os dedos roçando o chão.
Crepitação.
Relâmpagos irromperam, envolvendo as duas criaturas que lutavam de costas uma para a outra. Mas Layena não conseguiu carbonizá-las, pois um guincho agudo cortou o ar, e algo mergulhou contra ela vindo de cima.
— Tsc.
Ela saltou para o lado, mas as garras do corvo rasparam em seu ombro já ferido.
Layena começou a formar uma lança de trovão condensado para abatê-lo, apenas para sentir seus pés afundando no solo. Ao olhar para baixo, viu várias toupeiras de terra escavando rapidamente, puxando-a para baixo.
Ela tentou saltar, mas—
— Ahh!
Um touro se chocou contra ela, arremessando-a para longe em uma velocidade assustadora.
Se não tivesse reagido rápido, seus pés teriam permanecido presos sob o chão, e o impacto teria torcido seu corpo em algo grotesco.
— Dói… — ela murmurou, segurando o abdômen.
Conseguia sentir algumas costelas fora do lugar, e sua boca tinha mais gosto de sangue do que de saliva. A antiga ferida que sofrera quando lutou contra o carniçal havia se aberto de novo e sangrava sem parar.
Layena ergueu o olhar.
Mais de duzentos majins estavam diante dela, mas nem todos atacavam.
Apenas os mais fortes avançavam, golpeando em turnos para desgastá-la.
Especialmente agora que estava sozinha.
Ela respirou fundo.
Precisava fazer aquilo.
Aquelas eram vidas de pessoas que não faziam ideia do que estava acontecendo lá fora. Ela havia recebido o papel de salvadora, o título de caminhante noturna, porque confiavam nela com essa responsabilidade.
Sua comandante confiava em suas habilidades.
E Layena preferia morrer a permitir que essa confiança vacilasse.
Crepitação.
— Chega de medir forças. Agora é vencer ou morrer.
A presença de Layena se carregou por completo.
Seus olhos assumiram um azul fraco, seu corpo foi cercado por um brilho suave, e a Gênese passou a operar com eficiência máxima.
Os carniçais ao longe a encararam e enviaram quatro monstros em sua direção.
Os dois lobos avançaram primeiro, a intenção clara.
Matar.
Layena não esperou. Disparou para a frente, seu movimento deixando uma pós-imagem tênue, e golpeou com as duas mãos. Duas lâminas enormes de trovão atravessaram os lobos, partindo-os ao meio.
Sangue jorrou dos majins caídos, mas hesitação nunca fez parte da natureza deles.
Mais criaturas vieram em seguida.
O touro avançou direto contra ela, enquanto o corvo circulava acima, esperando para atacar no instante em que ela tentasse saltar.
No entanto, Layena não estava contando com truques para lidar com o perigo.
Ela carregou o punho com trovão, Gênese envolvendo-o como uma tempestade contida. Até os carniçais ao longe e o homem de bigode protegido pela barreira conseguiram sentir a presença que ela estava acumulando.
Ela é mesmo a maior ameaça com que precisamos nos preocupar… pensou o homem dentro da barreira.
O touro continuou sua investida.
Tum! Tum!
Ao se aproximar de Layena, rugiu e abaixou a cabeça, pronto para esmagá-la com o crânio ossudo.
No entanto, não encontrou o torso dela, e sim algo muito menor.
E muito mais devastador.
Dooom!
O punho dela atingiu o touro, o braço completamente estendido, toda a sua força e todo o trovão explodindo no instante em que colidiram.
O pescoço do touro estalou para dentro antes que o corpo massivo desabasse e deslizasse na direção dela.
Layena saltou para evitar ser arrastada, apenas para sentir a ave gigante abrir as asas e mergulhar direto contra ela.
— Não duas vezes — murmurou, estendendo uma corda de trovão a partir da mão.
Khiieeek!
A criatura guinchou em fúria, as garras descendo para agarrar sua cabeça. Mas um estalo afiado de relâmpago veio em seguida, e o corvo foi partido ao meio num corte limpo. Com as garras estendidas, seu corpo havia ficado completamente aberto para o ataque de Layena.
Tum!
Outro majin caiu, esmagado pelo poder bruto dela.
Layena permaneceu ali, respirando pesado.
Aquele soco exigira muito mais do que imaginava. No entanto, os majins que enfrentava eram mais fortes que os comuns.
Em circunstâncias normais, ela teria aproveitado alguns instantes para recuperar o fôlego.
Mas a batalha estava longe de acabar.
— Hã?!
Ela arfou quando o chão sob seus pés se partiu de repente, afundando-a na terra até a cintura. Pior ainda, o solo ao redor dela começou a endurecer como cimento, prendendo-a no lugar.
— Rhaaa!
— Ghruuu!
— Ghughughu!
Layena congelou quando uma onda de rugidos e gritos subiu das feras avançando contra ela.
Ao erguer os olhos, eles se arregalaram em choque.
Todos os monstros que vinham esperando em silêncio até então estavam correndo contra ela de uma só vez, movendo-se sob um único comando.
Os carniçais haviam determinado que aquele era o melhor momento para se livrar dela.
Ferida.
Presa.
E quase sem energia.
O rosto de Layena empalideceu.
Como ela sobreviveria àquilo?
— Ethan?!
Do outro lado, Clara havia chegado ao local de onde tinha vindo o grito mais cedo.
Ela abandonara sua tarefa e correra direto para lá.
Para Clara, não havia nada mais importante que Ethan.
Seu papel, seu trabalho, sua responsabilidade…
Nada disso significaria coisa alguma se falhasse em proteger o homem por quem havia entrado no Corpo de Supressão Paranormal.
Ela olhou ao redor.
Conseguia ver a explosão, o chão chamuscado, mas não havia ninguém à vista.
Nenhum sinal de Ausência.
Nenhum sinal de Ethan.
— Ethan! — ela gritou, os olhos procurando por todos os lados. — Onde você está?!
A noite era escura e, como Amanda havia mencionado, ela mal conseguia enxergar qualquer coisa ao redor.
A névoa era densa, e até o movimento mais sutil de um inseto ressoava pesado em seus ouvidos.
— A-ajuda…
De repente, uma voz respondeu.
Clara girou sobre os pés no mesmo instante e o viu.
Ethan se apoiava contra uma árvore, a camisa encharcada de sangue e o rosto pálido.
— E-Ethan?
A voz dela tremeu enquanto avançava depressa em sua direção.
No entanto, antes que pudesse alcançá-lo—
Shlink!
Uma flecha cortou o ar e se cravou no peito de Ethan.
— Ethan, não! — Clara gritou.
Mas já era tarde demais.
Booooom!
A flecha explodiu e arremessou Ethan para trás.
Clara se virou no mesmo instante e olhou para o atacante.
— Hã?
Seus olhos se arregalaram quando o viu.
Aqueles olhos dourados.
Aquela máscara.
Aquele capuz.
Não havia dúvida.
Era o caminhante noturno renegado.