Começando com o Nível SSS: Eu Ganho Uma Nova Habilidade a Cada Transmissão ao Vivo.

Capítulo 93

Começando com o Nível SSS: Eu Ganho Uma Nova Habilidade a Cada Transmissão ao Vivo.

Tradutor/Revisor: miggigibe


Kyle ouviu o grito vindo dos fundos do resort.

Algo terrível devia ter acontecido para aquela vadia berrar tão alto. E, se aquilo tivesse acontecido por causa de Ethan, Amanda também não estaria a salvo.

Isso bastou.

Ele abandonou toda a hesitação e vestiu seu moletom de sempre. Já havia previsto que isso poderia acontecer, então voltara ao próprio quarto para pegá-lo mais cedo.

Em seguida, cobriu o rosto com a máscara e abriu a janela.

Respirando fundo, disse:

— Me ajuda, sistema. Use o Olho de Deus e acha eles.

[Tem certeza disso, hospedeiro?]

Dessa vez, Kyle não hesitou.

— Sim… e comece a transmissão também.

Já que estava sendo arrastado para aquilo, poderia pelo menos dar algo para seus espectadores assistirem.

[Olho de Deus ativado.]

[Entrando ao vivo…]

Ele ignorou a enxurrada de comentários que apareceu no mesmo instante.

Em vez disso, concentrou-se na floresta densa abaixo e na névoa espessa que se enrolava entre as árvores.

— Parece que estou encarando uma nuvem.

Exatamente como a história descrevera, ele mal conseguia enxergar o chão da floresta.

[SnakeQueen entrou.]

[SnakeQueen olha para você com uma expressão entediada.]

As sobrancelhas de Kyle se ergueram levemente.

Quem agora?

Desde que começara a transmitir pelo sistema, cada vez mais pessoas vinham aparecendo.

Mas ele não tinha interesse algum em entreter ninguém naquele momento.

Kyle pisou no beiral do telhado e avançou. Sua visão se aguçou sob o Olho de Deus. A névoa afinou, o chão da floresta surgiu diante dele, e então…

Duas figuras.

Uma delas era Clara.

O pânico estava estampado em seu rosto enquanto ela olhava ao redor.

— ETHAN!!

Então ela estava procurando por ele.

Amanda não estava em lugar nenhum, e isso apertou algo no peito de Kyle. Ela não estava na linha de frente. Da última vez que ele vira, Layena estava lutando sozinha.

Preciso olhar ao redor—

Seus pensamentos foram cortados quando uma voz fraca chegou até ele, seguida por uma figura familiar surgindo atrás de uma árvore.

Ethan.

Ferido e cambaleante.

Kyle estreitou os olhos, o Olho de Deus ainda ativo.

E, com aquela visão que tudo enxergava, a verdade se tornou óbvia.

Aquilo não é o Ethan…

Por baixo da ilusão, ele viu a forma real.

Um homem mais alto e mais largo, parecido com o sujeito protegido pela barreira, aquele que havia usado o PEM.

Ainda assim, Clara caminhava até ele sem desconfiar.

Ele a havia enganado.

— Venha.

Kyle ergueu a mão e invocou seu arco.

Ao puxar a corda, uma flecha dourada se formou. Ele não esperou a Gênese se reunir por completo.

Soltou.

Shlieek!

Booooom!

A flecha perfurou o impostor e explodiu no impacto, sem lhe dar tempo de reagir, nem sequer de gritar.

O corpo dele foi arremessado para trás e bateu contra uma árvore. Sua cabeça tombou, e a ilusão que sustentava aquela máscara começou a desaparecer devagar, revelando seu rosto verdadeiro.

Clara não percebeu.

Ela já havia se virado.

Os olhos dos dois se encontraram.

E, no instante seguinte—

— Hã?

Kyle ergueu o braço por instinto, pronto para atacar, mas ela já estava perto demais.

Dhak!

A palma dela atingiu seu peito.

A força o lançou para trás, fazendo seu corpo bater contra a janela.

— Guh…

Um gemido dolorido escapou de seus lábios quando suas costas colidiram com força.

[Hospedeiro!]

Ele ergueu o olhar.

Clara estava ali, encarando-o com fúria. Seus olhos vermelhos estavam arregalados, trêmulos, cheios de lágrimas.

— C-como você ousa… — A voz dela tremia de raiva.

Aos olhos dela, o culpado pelo estado de Ethan estava bem diante de si.

Aquele bastardo renegado.

Ela é rápida demais… use o Olho de Deus.

Kyle puxou a corda de novo.

Mas, antes mesmo que conseguisse erguer os braços—

Ela se moveu.

Seus reflexos não conseguiam acompanhar o que seus olhos viam. Mesmo com o Olho de Deus, seu corpo não conseguia reagir a tempo.

— Tsc!

Ele estalou a língua.

Tarde demais.

A mão dela se fechou ao redor de sua garganta.

— Você vai morrer hoje. Ousou tocar em quem não devia e—

— Ahh!

As palavras dela foram cortadas por um grito.

A mão de Kyle atingiu a articulação do cotovelo dela com precisão brutal. O impacto forçou o braço de Clara a se dobrar, quebrando o aperto. No mesmo movimento, ele lançou os dedos para a frente.

Direto nos olhos dela.

Clara cambaleou para trás, cega.

Kyle não queria machucá-la demais, mas—

Dhak!

Seu chute acertou o abdômen dela.

O bastante para fazê-la cair.

— Hã?

Clara sentiu o equilíbrio sumir.

Através da visão embaçada, viu-o de pé acima dela, olhando-a de cima.

Ela xingou baixinho.

Tum!

Seu corpo atingiu o chão.

A dor se espalhou por ela. Cair de um andar de altura não era uma experiência agradável. Se não fosse pela camada de Gênese ao redor de seu corpo, ela teria desmaiado, ou pior, quebrado alguma coisa.

Clara estava prestes a se levantar e ir atrás dele quando—

— Clara? O que aconteceu com você?

Ela se virou.

Ethan caminhava em sua direção.

Ela piscou, atordoada.

— Ethan… se você está aqui, então…

Seu olhar se deslocou para a árvore.

Um homem estava caído ali.

Alguém que ela não reconhecia.

— Quem… diabos é aquele?

Ethan balançou a cabeça.

— Não faço ideia. Mas ele parece com aquele que bloqueou nossos sinais.

Clara agarrou a mão dele e se levantou, firmando o equilíbrio antes de murmurar:

— Então… a gente não deveria capturá-lo?

Ethan assentiu.

Mas, assim que deram um passo à frente, os dois congelaram.

Algo se aproximava.

Eles se viraram para a direita ao mesmo tempo.

A névoa densa engolia tudo, deixando apenas sombras em movimento.

Ethan ergueu a mão devagar.

Quatro bolas de fogo se acenderam, lançando uma luz tremeluzente sobre a névoa.

A bruma se abriu.

E o que viram fez a respiração dos dois travar.

Mais de cinquenta majins.

Todos os cercavam, sedentos por sangue.


O coração de Amanda martelava.

Ela havia curado Hannah, mas a condição da garota estava longe de estável. Sua respiração saía irregular, antinatural, como se cada inspiração raspasse contra algo quebrado por dentro.

— Hannah… consegue me ouvir?

Nenhuma resposta.

Amanda mordeu o lábio, obrigando as mãos trêmulas a permanecerem firmes enquanto pressionava uma toalha grossa sobre o ferimento, prendendo-a da melhor forma possível.

Teria que servir.

Os nanochips entrariam em ação em breve e fechariam a ferida.

Mas, até lá, Hannah estava frágil.

Mais um ataque, e ela não sobreviveria.

Amanda também não podia ficar.

Não enquanto Layena enfrentava um exército lá fora.

Ela se levantou, hesitando apenas por um instante ao olhar para trás.

Hannah estava deitada ali, pálida e imóvel.

Amanda fechou os punhos e se virou.

Queria encontrar Kyle.

Desesperadamente.

Mas não fazia ideia de onde ele estava.

Então fez uma escolha.

Voltar para a linha de frente.

Seus passos aceleraram, depois se transformaram em corrida. Os corredores passaram como borrões, enquanto os sons distantes de destruição ficavam mais altos a cada segundo.

Estrondos.

Rugidos.

Algo pesado desabando.

Algo gritando.

E então ela chegou à linha de frente.

E parou.

Seu coração afundou.

— Layena…

A palavra mal escapou de seus lábios.

A cena adiante era puro caos.

O chão estava rasgado, blocos de terra arrancados como se algo gigantesco tivesse cravado garras ali. Árvores jaziam despedaçadas, seus troncos partidos e em chamas, faíscas dançando violentamente no ar.

E, no meio de tudo aquilo—

Uma tempestade.

No centro dela, uma figura permanecia envolta por uma auréola furiosa de trovão.

Relâmpagos se enrolavam e chicoteavam ao redor dela, atingindo o chão em explosões erráticas, cada impacto enviando ondas de choque pelo campo de batalha. O ar crepitava, afiado e sufocante, pesado com o cheiro de ozônio e sangue.

Ao redor dela—

Um exército.

Mais de duzentos majins.

Suas formas grotescas se moviam e rosnavam, olhos brilhando de fome, corpos tremendo com violência mal contida.

E, bem no centro daquela tempestade, estava Layena.

Ela estava de joelhos.

Seu corpo balançava, mal conseguindo se manter ereto. Sangue manchava suas roupas, sua respiração era rasa, e sua força claramente estava no limite.

Parecia que até o simples ato de permanecer consciente era uma batalha que ela estava perdendo.

A garganta de Amanda se apertou.

Todos os quatro carniçais já haviam aparecido.

Eles se mantinham afastados do restante, a presença deles sozinha suficiente para distorcer o ar ao redor. Enquanto apreciavam o espetáculo, suas tropas continuavam avançando contra Layena.

O círculo estava se fechando.

E Layena…

Estava prestes a cair.

Cerrando os dentes, Amanda decidiu se jogar no caos e usar toda a sua força para ao menos abrir uma rota de fuga.

No entanto, no instante em que deu um passo à frente, uma mão pousou em seu ombro e a puxou de volta.

Os olhos de Amanda se arregalaram ao ouvir uma voz familiar chegar ao seu ouvido.

— Deixa comigo, amor.

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