
Capítulo 88
Começando com o Nível SSS: Eu Ganho Uma Nova Habilidade a Cada Transmissão ao Vivo.
Tradutor/Revisor: miggigibe
— Qual é a pressa de repente? — Amanda perguntou enquanto saía às pressas do salão, ainda muito relutante.
Ela queria passar pelo menos aquela noite com Kyle. Mas agora era obrigada a seguir aquelas pessoas.
— Se você não tivesse esquecido o celular no quarto, saberia o motivo de toda essa pressa — Clara a repreendeu, os olhos estreitados.
Os professores não estavam por perto, nem os outros estudantes, já que quase todos haviam ido jantar. O dia tinha sido longo, e eles nem tinham tido tempo para fazer uma refeição de verdade.
Por isso, ninguém as impediu de sair do salão.
Nem impediu Amanda de perguntar:
— Sim, eu sou irresponsável. Mas, em vez de me culpar, alguém pode me dizer qual é exatamente a situação?
— Você vai descobrir — Layena falou, silenciando Amanda.
Nenhuma delas disse mais nada, e finalmente saíram do resort.
— Nem nos sete infernos… — Clara murmurou baixinho, os olhos se arregalando diante da cena.
Todos pararam no mesmo instante.
O relatório sugeria um aumento repentino de Ausência.
Mas “aumento repentino” não era suficiente para descrever o que estavam enfrentando.
Quatro fendas.
Quatro delas haviam surgido diante deles.
Todas pulsavam, amadurecendo até o ponto de expelir monstros.
— Isso é um desastre… se elas começarem a expelir monstros… todos aqui vão morrer — Ethan murmurou.
Hannah e Clara sentiram o coração afundar.
Elas só haviam lidado com uma fenda de cada vez. E, na única ocasião em que enfrentaram duas fendas ao mesmo tempo, precisaram de reforços imediatos do Corpo.
Layena estalou a língua.
— Parem de entrar em pânico.
Sua voz cortou a tensão. De repente, ela puxou algo do cinto e se aproximou da fenda.
Era um dispositivo usado para medir o nível de Ausência de uma fenda.
Com base no nível, eles saberiam como reagir.
Uma fenda levava tempo para se desenvolver, então Layena sabia que ela e os outros não precisavam entrar em pânico de imediato.
Geralmente, fendas surgiam em locais isolados devido à incompatibilidade entre Gênese e Ausência.
No entanto, quatro delas haviam aparecido ali, tão perto de uma instalação onde cerca de quatrocentas pessoas estavam hospedadas.
Aquilo só podia significar uma coisa.
— Fenda de grau um — ela murmurou assim que apontou o dispositivo para a fenda e viu a faixa de Ausência oscilar entre oito e dez.
Uma fenda de grau um significava que um demônio do nível de um carniçal sairia dali.
Não um.
Quatro.
E, junto deles, centenas de majins.
Por causa da quantidade e da presença daqueles monstros, eles certamente conseguiriam sobrepujar a Gênese emitida pelos hóspedes.
Não havia como estimar números com precisão, mas uma coisa era inegável.
Todas aquelas fendas seriam demais para eles lidarem sozinhos.
As pessoas dentro do resort…
Todas estariam em grave perigo.
— Contatem a base — Layena ordenou. — Precisamos de reforços. Com urgência.
Os poucos fios de esperança de que a situação ainda pudesse estar sob controle foram cortados sem piedade quando ouviram Layena falar em reforços.
Todos sabiam o quanto ela detestava pedir ajuda.
E, se a primeira coisa que ela sugeria depois de avaliar a situação era reforço, então a situação tinha chegado ao nível vermelho.
— Vou contatar a comandante — Hannah falou primeiro, pegando o celular.
— Devo contatar as autoridades e tentar evacuar o lugar? — Amanda perguntou, a preocupação evidente.
Ela precisava levar Kyle para longe dali.
Ethan mordeu o lábio.
Aquilo era complicado.
Sem a intervenção do Departamento de Proteção Civil, seria quase impossível convencer as autoridades a evacuar o resort.
Ele não sabia quanto tempo as fendas levariam para amadurecer, mas não podia esperar para ver. As forças que sairiam dali seriam demais para eles enfrentarem.
Confiança era uma coisa.
Aquilo era loucura.
— O que está acontecendo? — Hannah perguntou a ninguém em particular enquanto afastava o celular do ouvido e discava de novo.
Mas o resultado foi o mesmo.
— Não consigo conectar com a base — disse ela, para o choque dos outros.
— O que você quer dizer com isso? Ah… o que está acontecendo com o meu celular? — Clara franziu a testa ao ver o aparelho piscando, desligando e ligando como se estivesse com vírus.
Os outros também pegaram seus celulares.
Enquanto isso, Layena já observava os arredores.
— Tem alguém interferindo na rede — Ethan concluiu, quase rachando a tela do celular de frustração.
— Mas quem? As fendas não liberam ondas fortes o bastante para interromper nossos sinais — Clara perguntou, levantando uma questão que ninguém conseguia responder.
No entanto, Layena tinha um pressentimento.
— Tem alguém por perto… observando a gente.
Suas palavras chegaram não apenas aos membros da equipe, mas também àquele que causava a perturbação.
— Eheheh… Então vocês não são tão ingênuos assim.
Todos se tensionaram ao ouvir a voz e se viraram para o homem que surgiu atrás da fonte, com um sorriso alegre no rosto.
Ele usava uma bandana azul na cabeça e tinha um bigode loiro sobre o lábio superior.
Nas mãos, segurava algo parecido com uma prancha de surfe, só que em formato cilíndrico.
O objeto irradiava uma luz alaranjada, e um zumbido rítmico o envolvia como uma camada.
— Quem é você? — Ethan perguntou.
Mas, antes que sua pergunta pudesse ser respondida, alguém avançou diretamente contra o homem.
Crepitação.
Relâmpagos crepitaram na mão de Layena antes que ela lançasse a descarga contra ele.
Cling!
No entanto, o raio não tocou o homem.
Uma barreira translúcida, formada por vários prismas brancos, apareceu ao redor dele, fazendo o ataque ricochetear completamente.
Hannah ficou bastante chocada.
Não apenas porque Layena havia falhado, mas também pela falta absoluta de hesitação com que ela lançou aquele ataque.
— Ah, não, não. Esse não é um bom jeito de cumprimentar alguém.
O homem balançou a cabeça em desapontamento e cruzou os braços.
O cilindro não caiu, ainda zumbindo e causando a interferência no sinal.
Layena rosnou:
— O que você quer?
— A vida de vocês.
A resposta veio baixa, carregada de sede de sangue.
— Cortem as próprias cabeças, todos vocês, e eu prometo avisar a organização de vocês sobre a situação.
Um silêncio absoluto caiu sobre o espaço onde os cinco estavam.
Não era descrença.
Era uma compreensão fria e sombria se instalando no peito de cada um.
Aquele não era um ladrão comum.
Nem um criminoso qualquer.
Ele estava ali com uma única intenção.
Vê-los mortos.
Layena assumiu o comando:
— Um de vocês, corra o mais longe possível e tente contatar as autoridades.
Hannah olhou para Clara, e a garota de maria-chiquinhas assentiu no mesmo instante.
Ela tirou os óculos de sempre e os prendeu ao redor da cabeça.
Gênese a envolveu como lâminas finas, seu corpo começou a tremer levemente, e, quando estava prestes a disparar em uma corrida—
— Não, espere! — Ethan gritou de imediato, os olhos brilhando por um breve instante.
Clara rasgou a terra e a grama ao frear bruscamente antes de se virar para ele.
— O que aconteceu? — perguntou, a voz carregada de frustração.
Interromper uma arrancada depois de acumular impulso exigia muito mais do que os outros imaginavam.
Ethan ergueu a mão e apontou para a saída.
— Ali… tem alguma coisa nos cercando.
Todos seguiram a direção de seu olhar.
E lá estava.
Piscava de leve, apenas o bastante para revelar sua presença.
Outra barreira.
O rosto de Clara empalideceu.
Se uma barreira conseguia resistir ao ataque de Layena, então, se ela tivesse acertado aquilo com toda a força…
Ela estremeceu só de pensar.
— Eheheh… Muito bem, muito bem. Agora vocês entenderam a situação — disse o homem de bigode. — Vocês não estão apenas presos aqui comigo. Em breve, todas aquelas pessoas dentro do resort também ficarão trancadas aqui com esses monstros.
Layena cerrou os dentes.
Era um beco sem saída.