
Capítulo 89
Começando com o Nível SSS: Eu Ganho Uma Nova Habilidade a Cada Transmissão ao Vivo.
Tradutor/Revisor: miggigibe
Kyle estava sentado sobre o telhado saliente da entrada, observando tudo se desenrolar com atenção afiada.
Hmm… não há dúvida. Aqueles lampejos são fendas.
[De fato, hospedeiro. E o fato de conseguir vê-las sem usar o Olho de Deus significa que devem ser de grau elevado.]
Aquela percepção o deixou inquieto. Havia pelo menos quatro lampejos em seu campo de visão, o que significava que quatro monstros de grau carniçal poderiam surgir. E, pelo que ele se lembrava, eles possuíam autoridade para comandar todos os residentes de Knull de nível inferior.
Aquilo não seria uma horda descontrolada.
Seria um massacre calculado.
Kyle desviou o olhar para Amanda, que parecia estar no meio de uma discussão com Layena. Ainda assim, suas respostas eram leves, curtas, quase contidas.
Ele não conseguia ouvir os detalhes, mas, pelo que podia perceber, o homem estranho que havia aparecido há pouco não era uma figura comum. Na verdade, provavelmente era o responsável pela interrupção dos sinais de celular.
Isso é um PEM?
[Algo semelhante, mas mais avançado, hospedeiro.]
Kyle ficou surpreso.
Esse tipo de equipamento não é de nível militar?
[Sim, hospedeiro. No entanto, devido à intensificação dos conflitos internos no país, há uma grande possibilidade de o Corpo de Supressão Paranormal ter desenvolvido tecnologia no mesmo nível da segurança nacional. Se não superior.]
Está dizendo que roubar do Corpo de Supressão Paranormal é simples assim?
[Isso… o sistema não saberia responder.]
Kyle murmurou, intrigado.
Ele estava ansioso para ver como as coisas se desenrolariam dali em diante.
— Precisamos adormecer todos e reuni-los em um único lugar — disse Layena, chegando a uma decisão que normalmente nem teria considerado.
Ethan assentiu.
— Parece ser o melhor curso de ação. Convencê-los a deixar as instalações levaria tempo demais.
Se um jovem qualquer começasse a gritar de repente que uma horda de monstros chegaria em algumas horas… soaria como algo saído direto de uma fantasia adolescente ou de um pesadelo ruim.
Sem o apoio de uma organização, medidas extremas eram tudo o que restava.
— Eu tenho dispersores de gás sonífero no meu quarto — acrescentou Hannah. — Trouxe por recomendação da comandante. Parece que ela estava certa.
Todos haviam levado equipamentos para aquela missão, sabendo o quanto as coisas podiam sair do controle rapidamente. Mas ninguém havia pensado em levar dispersores de gás sonífero…
Ninguém, exceto a comandante.
Ethan deu a ordem:
— Clara, Hannah, vocês duas vão usar esses dispersores. Todas as pessoas dentro do resort precisam ser colocadas em segurança na sala mais protegida disponível.
Clara e Hannah trocaram um olhar antes de Hannah assentir.
— Vamos cuidar disso.
Sem dizer mais nada, as duas entraram no resort, os olhos afiados e a mente trabalhando sem parar.
Clara falou:
— Como vamos reunir todo mundo? Eles vão estar nos quartos, e os dispersores não vão cobrir uma área tão grande.
Hannah respondeu com calma:
— Vá fechar todas as janelas que encontrar. Sele o lugar o mais rápido possível. E, quando terminar…
Ela se virou para Clara.
— Acione o alarme de incêndio. Isso vai trazer todo mundo para fora.
Clara abriu um sorriso.
— Sempre pronta para uma pegadinha, não é?
Hannah revirou os olhos e a empurrou de leve para longe.
Enquanto isso, seguiu em direção ao próprio quarto para pegar o equipamento necessário.
Aquilo precisava funcionar.
— O que devemos fazer agora? Ficar aqui parados sem fazer nada? — Amanda perguntou, de braços cruzados.
A fonte de sua irritação era o homem de bigode, que naquele momento piscava para ela com um sorriso nojento.
Se não fosse pela barreira, Amanda já teria arrancado o rosto dele fora.
Desgraçado.
— Uma barreira com esta força não poderia ter sido conjurada de longe — disse Layena, mantendo a compostura apesar do caos. — Quem a conjurou deve estar por perto.
Ethan examinou os arredores de imediato, mas, quanto mais olhava, mais sua confiança vacilava.
— Acho que sei onde eles podem estar — disse Amanda, lembrando-se de algo que havia ouvido mais cedo. — Lembram? O professor mencionou que a floresta ao redor do resort fica extremamente escura à noite por causa da névoa densa.
Com aquelas palavras, a expressão do homem de bigode vacilou.
Ethan percebeu a mudança no mesmo instante.
— Sim, você está certa, Amanda.
Layena continuou:
— Ethan, deixo isso com você. Sua habilidade será útil no escuro.
O peito de Ethan se estufou levemente. Saber que Layena confiava nele afiou sua determinação e clareou sua mente.
Falhar já não era uma opção.
— Vou capturar quem conjurou a barreira e nos libertar desta jaula — disse ele antes de disparar em direção à floresta.
Isso deixou Layena e Amanda na linha de frente, diante das fendas.
O homem protegido pela barreira falou:
— Vocês percebem o quanto isso é inútil? Não têm tempo para encontrar meus irmãos e remover as barreiras. E, mesmo que consigam, quando estas fendas amadurecerem, a pressão que elas irradiam vai deixar uma pilha de cadáveres para trás.
Amanda mordeu o lábio inferior.
Aquele imbecil estava mexendo com seus nervos.
Layena, porém, permaneceu calma.
— Não sei quantas pessoas vão sobreviver. Não sei se verei outro nascer do sol. Mas sei de uma coisa com absoluta certeza.
Ela deu um passo na direção dele antes de acrescentar:
— Você vai morrer. Vou arrancar seu coração e fazer você engoli-lo. Juro pelo meu nome.
O homem de bigode ficou em silêncio.
Seus lábios se contraíram antes que ele soltasse um riso de escárnio e desviasse o olhar.
Layena se virou para Amanda.
— Precisamos proteger as entradas do resort.
Amanda franziu a testa.
— Mas existem entradas demais. Como vamos cobrir todas?
Layena balançou a cabeça.
— Sinceramente, não sei. Mas precisamos tentar.
Os relatórios sugeriam que residentes de Knull dispersos poderiam aparecer pela área. No entanto, aquele ataque era claramente bem coordenado.
Ainda assim, Layena esperava que o caos chamasse a atenção dos caminhantes noturnos posicionados nas linhas de frente, onde uma fenda enorme já havia se formado.
Não acredito em quantas vezes já repeti essa palavra…
Esperança.
Não era algo que ela costumava alimentar.
Mas, naquelas circunstâncias, não tinha outra escolha.
— Hmm… isso parece sério — Kyle murmurou, os olhos fixos nas fendas tremeluzentes que logo se transformariam em uma fonte de caos.
[Hospedeiro, o sistema deve iniciar a transmissão?]
Do que você está falando? Você quer que eu transmita esse caos para as pessoas assistirem?
[Hospedeiro… seus espectadores estão ansiosos para vê-lo crescer por meio de batalhas cheias de adrenalina e sangue. Esta é sua chance de brilhar.]
Kyle abriu um sorriso torto.
Você já esqueceu do rastreador?
Se usasse Gênese, estaria acabado. Não podia se dar a esse luxo, a menos que a vida de Amanda estivesse em perigo.
Havia uma linha que ele não permitiria que ninguém cruzasse.
Mesmo que isso significasse sacrificar sua identidade secreta, que fosse.
[Hospedeiro, esta é uma boa oportunidade, não acha?]
Kyle murmurou baixo.
Por que você está soando tão suspeito? O que está planejando?
[Há uma grande chance de o caos se espalhar pela área. Sob tais circunstâncias, não seria surpreendente se alguns majins entrassem no resort e começassem a causar destruição nos quartos. Talvez um deles destruísse sem querer o rastreador guardado em um desses quartos…]
— …
Aquele desgraçado sorrateiro queria que ele invadisse o quarto de uma garota para roubar o maldito rastreador.
Embora… a sugestão não fosse nada ruim.
No entanto, para que isso acontecesse…
Eu preciso esperar. Quem sabe quanto tempo essas fendas vão levar para—
Ele se calou, em choque.
De repente, as fendas começaram a tremer e escurecer.
Agora, ele conseguia ver claramente o contorno das fendas.
[Hospedeiro, elas estão prestes a amadurecer.]
Lá vem a destruição.