
Capítulo 82
Começando com o Nível SSS: Eu Ganho Uma Nova Habilidade a Cada Transmissão ao Vivo.
Tradutor/Revisor: miggigibe
Veronica estava um pouco tensa enquanto andava de um lado para o outro em seu escritório.
Já estava perto do anoitecer quando recebeu uma mensagem — ou melhor, um relatório — de Amanda. Uma denúncia formal contra o homem que comandava a equipe dela.
A denúncia envolvia Kyle, e era isso que tornava o assunto pessoal para Veronica.
Ela estava bem ciente do conflito entre Ethan e Kyle.
A ambição de Ethan de formar uma aliança com os Maylith havia deixado de ser uma simples tentativa e se transformado em obsessão. E, para concretizá-la, ele enxergava apenas uma pessoa como obstáculo.
Kyle.
Ver Kyle se aproximando de Amanda novamente devia ter levado aquele bastardo loiro ao limite, fazendo-o quebrar uma das regras mais básicas: usar Gênese para vantagem pessoal.
Formalmente, um caso como aquele justificaria uma investigação e uma advertência. Mas o interesse de Veronica estava em algo mais profundo. Algo mais severo.
Ela prolongaria o caso o máximo possível e garantiria que a notícia se espalhasse por todos os cantos.
Para Ethan, mais do que uma ferida física, o que realmente o encurralaria seria o julgamento social. Ser repreendido por todos doeria muito mais do que uma suspensão temporária de sua credencial.
Mas, antes disso, ela precisava avisar Kyle.
E foi o que fez.
Veronica havia falado com ele mais cedo, e Kyle garantira que ficaria bem sozinho.
Ainda assim, ela não podia fazer muita coisa sobre o que acontecia lá fora. Não havia muitos recursos que pudesse usar naquela região, e envolvimento demais de sua parte só levantaria suspeitas.
Por isso, precisava agir com cuidado.
— Por que Layena ainda não respondeu? — Veronica franziu a testa ao verificar as mensagens.
Layena havia lido o relatório, mas não tinha dito uma palavra.
Como oficial sênior, Layena parecia ser a melhor pessoa para lidar com a situação, mesmo que tecnicamente estivesse abaixo de Ethan em cargo.
Pedir isso a Amanda teria sido demais. Sob o pretexto de dar um aviso, ela provavelmente tomaria medidas extremas. Então, sim, Layena era a escolha mais segura.
No entanto, ela ainda não havia respondido.
Bzz.
O celular vibrou uma vez.
Veronica o pegou no mesmo instante, os olhos se arregalando levemente ao ver que Kyle havia mandado mensagem.
Ela não hesitou e abriu a conversa.
Kyle: [Ei, estou atrapalhando?]
Ele perguntou, acrescentando um emoji de sorriso sem graça.
Os ombros dela relaxaram um pouco ao ver aquilo. Ele estava preocupado com algo tão trivial.
Eu: [Não, pode falar. Aconteceu alguma coisa?]
Ela esperava que não.
Mas—
Kyle: [Sim… mas, na verdade, não é sobre o Ethan.]
Veronica franziu a testa.
Eu: [Me conte.]
Kyle: [Layena veio falar comigo agora há pouco… e estava agindo meio estranho. Não sei dizer se ela estava estranha mesmo ou se só era o jeito dela, mas parecia hesitante. Disse que veio pagar pelas coisas que eu dei a ela durante a parada.]
Veronica murmurou, surpresa e preocupada ao mesmo tempo.
O que Layena poderia ter feito para deixar Kyle inquieto?
Então Kyle acrescentou, chegando ao verdadeiro problema:
Kyle: [Ela pegou meu celular, me pagou e, quando devolveu, tocou na minha mão… e agora, pensando bem, acho que fez isso de propósito. Quando os dedos dela roçaram nos meus, senti uma pontada forte no indicador.]
Veronica ficou imóvel, o olhar baixando.
Eu: [Havia algo mais específico nessa pontada? Você vê alguma marca?]
Kyle: [Não, nada que eu consiga ver. Mas queimou como picada de vespa… depois passou.]
Uma breve pausa veio em seguida.
Kyle: [Pode rir se quiser, mas eu já vi filmes suficientes para saber que isso não pode ser coincidência.]
Veronica não conseguiu rir.
Seus pensamentos já estavam girando rápido demais.
Então respondeu:
Eu: [Me dê um minuto. Vou perguntar a alguém.]
Kyle: [Por favor, tome cuidado. Se você for específica demais, Ethan ou Layena podem ligar isso a mim e perceber que você está me ajudando. Foi por isso que não liguei. Talvez eu só esteja sendo paranoico.]
Dessa vez, Veronica sorriu.
Ela apreciava a cautela que ele demonstrava, mesmo sem conhecer o nível da tecnologia que o Corpo de Supressão Paranormal havia desenvolvido ao longo dos anos.
Eu: [Entendi.]
Depois de enviar a mensagem, ela saiu do escritório e seguiu em direção à unidade de suporte técnico.
[Ponto de vista de Kyle]
Suspirei ao ver Veronica ficar offline.
Provavelmente eu estava pensando demais. Podia ter sido qualquer coisa. Talvez um inseto tivesse me picado no exato momento em que Layena tocou na minha mão e, quando virei a palma, ele já tivesse ido embora.
Quer dizer, quais eram as chances de Layena começar a suspeitar de mim do nada e plantar um rastreador em mim?
Bem baixas.
Talvez menos de um por cento.
Mas eu sempre segui uma regra: prevenir é melhor do que remediar.
Então, sim, entrei em contato com a única pessoa que eu sabia que não riria de mim e realmente levaria aquilo a sério.
[Hospedeiro, se sua suspeita estiver correta, usar o Olho de Deus para avaliar seu corpo está fora de questão.]
O sistema parecia genuinamente preocupado.
Se Layena realmente tivesse colocado alguma coisa em mim, havia uma grande chance de ela ser alertada caso eu usasse minhas habilidades.
Então, por enquanto, eu precisava ter cuidado.
Nada de poderes, a menos que fosse absolutamente necessário.
— Kyle!
Uma voz me chamou por trás.
Virei-me e vi Amanda caminhando em minha direção com um sorriso.
A gente não deveria estar sendo discreto?
Bem… não havia ninguém por perto.
Assenti e fiz um gesto para que ela se sentasse.
Amanda soltou uma risadinha e se sentou perto, o ombro roçando no meu.
— Kyle — ela chamou baixinho.
— Hm? — Inclinei a cabeça na direção dela.
Ela balançou a cabeça.
— Não é nada… eu só gosto do fato de você responder quando eu chamo seu nome.
— …
Fiquei em silêncio.
Ultimamente, eu vinha evitando Amanda, e aquilo claramente a machucara mais do que eu tinha percebido.
Ela me olhou com hesitação.
— Eu estraguei o clima?
Balancei a cabeça e segurei sua mão.
— Você não estragou nada — falei em voz baixa. — E, sobre nós… vamos conversar.
Continuar arrastando aquele estado indefinido, em que não estávamos juntos, mas também não conseguíamos ficar separados, só machucaria nós dois.
Amanda me olhou com uma leve apreensão.
Mas havia também uma empolgação sutil em seus olhos.
— Bem, você claramente quer me contar alguma coisa, então pode falar.
— Sim… você está certa. Eu quero te contar uma coisa muito importante primeiro.
Ela respirou fundo, talvez tentando organizar os pensamentos antes de falar.
— Sobre o meu aniversário. Eu… nem consigo te dizer o quanto me arrependi do que aconteceu naquele dia. Eu me feri várias vezes tentando superar a culpa, mas não consegui.
Fiquei preocupado.
— Amand—
— Não, por favor, deixa eu falar primeiro — ela pediu, a voz tremendo levemente.
Apertei os lábios antes de assentir.
Amanda baixou o olhar antes de continuar:
— Eu cheguei muito tarde ao lugar… vi toda a decoração que você tinha preparado. Ouvi do gerente que você pediu para o bolo ser distribuído entre os funcionários.
Os ombros dela tremeram.
— E-eu… pedi um pedaço do bolo e levei para casa… acendi uma vela e coloquei uma foto sua ao lado… só para sentir que nós estávamos juntos naquele dia…
Eu não consegui ficar parado olhando para ela daquele jeito.
Meu braço envolveu seus ombros antes que eu a puxasse para um abraço.
Meu coração ficou pesado, e minha garganta se fechou quando a vi daquele jeito.
Ver Amanda vulnerável não era algo novo para mim, mas, dessa vez, ela parecia mais desamparada do que qualquer outra coisa.
E eu conseguia entender a situação dela.
Ela queria vir até mim.
Queria comemorar o aniversário comigo.
Mas as circunstâncias a impediram.
Só imaginar Amanda cortando o bolo sozinha no quarto fez meu peito apertar.
Vê-la tremendo e soluçando em meus braços…
Aquele sentimento que um dia eu tive por ela.
Aquelas emoções cheias de amor e cuidado.
Tudo aquilo só havia se tornado mais intenso.
Para mim, já bastava.
Agora, chega de separação.
Amanda é minha.
E eu não vou soltá-la pelo resto da vida.