
Capítulo 81
Começando com o Nível SSS: Eu Ganho Uma Nova Habilidade a Cada Transmissão ao Vivo.
Tradutor/Revisor: miggigibe
Layena franziu a testa.
— O que quer dizer com “nós mesmos”?
Seria melhor que a base estivesse ciente de um assunto como aquele.
Caminhantes noturnos renegados eram tão raros que eram tratados como anomalias, uma fonte de instabilidade.
Sim, uma grande parte dela ainda se recusava a acreditar que o renegado fosse Kyle. Layena estava convencida de que Ethan dizia tudo aquilo por causa de seu rancor pessoal contra ele.
No entanto, Ethan havia plantado uma dúvida incômoda em sua mente ao juntar peças que nem mesmo a inteligência central parecia ter descoberto.
Por fim, Ethan revelou por que havia sugerido uma investigação pessoal.
— Eu sei que isso talvez te irrite, mas sinto de verdade que alguém na base… alguém com poder dentro da base está tentando proteger Kyle. É por isso que, apesar de todo o caos causado pelo renegado, esse assunto ainda está sendo tratado como uma fenda de grau comum.
Layena não podia negar aquilo, mas também não conseguia aceitar a ideia de haver um infiltrado dentro da organização.
Com a testa franzida, perguntou:
— Se você não confia na organização, por que está me contando tudo isso?
Ethan abriu um sorriso discreto, os olhos calorosos.
— Porque eu confiaria minha vida a você. Você é alguém que eu deixaria protegendo minhas costas em uma luta. É por isso que nem Clara nem Hannah sabem disso.
Layena ficou em silêncio diante daquelas palavras.
Ela não tinha certeza do que havia feito para conquistar a confiança dele. Tinha sido algo durante as missões? Não conseguia se lembrar.
Descruzando os braços, perguntou:
— Então o que você sugere? E, se estiver pensando em interrogar Kyle, saiba que—
— Não, eu não vou chegar a esse ponto, Layena. Relaxe — ele a interrompeu.
Balançando a cabeça, acrescentou:
— Estou sugerindo algo mais seguro. Um jeito de reunir provas.
Então tirou algo do bolso.
Parecia um pequeno botão de metal, muito menor que um botão comum.
Os olhos de Layena se arregalaram.
— Como você conseguiu isso?
O que Ethan segurava era um rastreador de alto grau, projetado para se alojar na corrente sanguínea de uma pessoa e permitir que quem o controlasse rastreasse o alvo por pelo menos quarenta e oito horas.
Por causa do tamanho reduzido, o dispositivo não conseguia durar mais que isso, tornando-se inútil depois de dois dias. Ainda assim, como não exigia nenhum procedimento para ser implantado no corpo do alvo, até essa limitação era aceitável.
Ethan balançou a cabeça.
— Não se preocupe com isso. Só plante isto no Kyle. Vai permitir que rastreemos os movimentos dele o tempo todo… e também detectar se ele usar Gênese.
Quando a Gênese fosse ativada, o sensor captaria as ondas de energia fluindo pelo corpo e identificaria o uso dela no mesmo instante.
Layena mordeu o lábio inferior.
Aquilo era uma violação de privacidade.
Se fosse pega, seria punida com a mesma severidade que Ethan. Não havia dúvida quanto a isso. Estaria indo contra as próprias regras que sempre seguira, independentemente da situação.
Ainda assim, depois de tudo o que Ethan havia dito, não conseguia negar que havia uma forte possibilidade de ele estar certo.
Deixando todo o resto de lado.
A enorme onda de Gênese detectada pelos sensores havia vindo diretamente da casa de Kyle. Só isso já tornava as coisas muito mais complicadas.
Ethan se inclinou para a frente, baixando a voz até um sussurro.
— Layena… não custa tentar. Se nossa suspeita estiver errada, ninguém nunca vai saber. Mas imagine se eu estiver certo. E se Kyle for mesmo aquele que causou destruição, quebrou regras… e humilhou você?
Layena não se moveu nem reagiu.
Ela não era alguém que agia por rancor.
Ainda assim, quanto mais ouvia, mais plausível aquilo começava a parecer.
— Por que você mesmo não fez isso? — perguntou, erguendo levemente as sobrancelhas.
Ethan abriu um sorriso amargo.
— Bem, Kyle está desconfiado de mim o bastante para nem me deixar chegar perto dele.
Layena quase disse: E de quem é a culpa?
Mas se conteve, forçando o foco de volta ao assunto em questão.
Seu olhar caiu sobre o chip do tamanho de um grão de arroz, e ela soltou um suspiro baixo.
No fim, pegou o rastreador, fazendo um brilho de satisfação passar pelos olhos de Ethan.
Mas acrescentou com firmeza:
— Eu preciso de acesso total ao rastreamento deste dispositivo.
Ethan assentiu sem hesitar.
— Claro. Não quero que meus sentimentos pessoais atrapalhem a avaliação. É melhor que você cuide disso.
Layena não disse nada.
Por que sentia que iria se arrepender daquilo?
[Ponto de vista de Kyle]
— Sim? — perguntei. — O que você queria dizer?
Ser chamado de repente para conversar, só para ver a pessoa ficar encarando o nada… sim, era estranho.
Ela não ia se declarar só porque eu dei alguns suprimentos médicos e um lanche para ela, certo?
Por fim, Layena ergueu o olhar e respirou fundo.
Lá vem.
— Eu não tenho seu número. Queria te mandar o dinheiro que devo.
Então era isso.
Algo que provavelmente não precisava de todo aquele suspense, mas tudo bem.
Balançando a cabeça, respondi:
— Tudo bem, sério. Foram cinco lumir, não foi? Se eu me lembro bem. Acho que um filho da família Astortia consegue bancar isso, né? Ahaha…
Estranho.
Certo, mudando de assunto.
— Tem mais alguma coisa?
Ótimo trabalho, eu.
Conseguindo deixar tudo ainda mais desconfortável do que já estava.
Ela suspirou.
— Não. Eu me sentiria culpada se aceitasse tantos favores seus sem retribuir.
Então, em voz mais baixa, acrescentou:
— E, se eu não pagar agora, talvez hesite em pedir ajuda no futuro.
Então… você está planejando depender de mim agora?
Por favor, não.
Eu não preciso de metade da universidade me encarando com ódio.
Sem querer prolongar aquilo, eu disse:
— Você pode só escanear e pagar. Aqui.
Peguei o celular, abri o aplicativo de pagamento e mostrei para Layena.
Ela, de fato, pegou meu celular antes de tirar o dela.
…Bem, ela não ia sair correndo com ele nem nada assim.
Certo?
Ela escaneou o código com o celular e, um instante depois, recebi a confirmação do pagamento.
Depois de guardar o próprio aparelho, devolveu o meu com as duas mãos.
Peguei o celular de volta e, por um breve momento, os dedos dela roçaram nos meus.
— Ai—
Um som involuntário escapou de mim quando senti uma pontada aguda sob o dedo.
— O que aconteceu? — ela perguntou, piscando com os olhos arregalados.
Franzi a testa e virei a mão.
Não havia nada ali, embora eu tivesse sentido como se uma agulha tivesse perfurado minha pele.
Ergui o olhar para ela antes de dizer:
— Não é… nada.