
Capítulo 80
Começando com o Nível SSS: Eu Ganho Uma Nova Habilidade a Cada Transmissão ao Vivo.
Tradutor/Revisor: miggigibe
Qual era a impressão de Layena sobre Ethan?
Até aquele momento, ela havia interagido com ele várias vezes, tanto nos tempos de academia, quando ele ainda era cadete, quanto depois, quando passou a fazer parte da equipe dele.
Ethan havia sido nomeado líder apesar da diferença de grau entre eles, e Layena não tinha problema algum com isso. Ela sabia que lhe faltavam qualidades essenciais a um líder, sendo a principal delas a capacidade de se comunicar bem com os outros.
Ela não era boa nisso.
Por isso, Ethan, como capitão, havia sido prontamente aceito por ela e pelo restante da equipe.
Durante as missões, Layena observou como ele lutava, como falava e como se comportava em diferentes situações. A partir dessas observações, concluiu que Ethan era uma pessoa bastante emocional, alguém que agia por instinto em vez de se apoiar no pensamento racional.
Sua dedução se mostrou correta mais uma vez quando leu a mensagem da comandante naquele dia.
A mensagem vinha acompanhada de um relatório detalhado enviado anteriormente por Amanda.
O relatório descrevia claramente o que Ethan havia feito mais cedo, no início de toda aquela confusão.
Layena sabia que havia algo acontecendo entre Amanda, Ethan e Kyle. Mas não esperava que as coisas escalassem ao ponto de Ethan estar disposto a quebrar regras.
A comandante também havia acrescentado uma mensagem, e era exatamente por isso que Layena estava ali agora, perto da recepção, depois de pedir que Ethan fosse encontrá-la.
Felizmente, ele não a fez esperar muito. Layena esperava que ele demorasse mais, já que os quartos dos garotos ficavam a uma boa distância da recepção.
Ainda assim, lá estava ele.
— Você me chamou? — perguntou ele com um sorriso, tentando estabilizar a respiração.
— Não precisava vir correndo — disse ela, os olhos deslizando para o cabelo ligeiramente desalinhado dele.
— Não foi nada. Bom, vamos para algum lugar onde possamos conversar?
Ethan gesticulou na direção da área de descanso.
Layena aceitou o convite. Aquela conversa seria melhor longe das pessoas que passavam.
Quando chegaram à área de descanso, Ethan puxou uma cadeira para ela.
Depois perguntou:
— Quer que eu traga alguma coisa para você?
— Ethan… acredito que você saiba por que pedi para vir aqui — disse Layena, de braços cruzados.
Ethan já sabia.
Eles não eram próximos o bastante para que ela o chamasse em particular e aceitasse ficar a sós com ele sem motivo.
— É sobre o que aconteceu no ônibus? — perguntou ele com calma, sentando-se diante dela.
— Responda, Ethan.
Layena encontrou o olhar dele diretamente e foi direto ao ponto.
— Você usou Gênese para trancar Kyle naquela cabine?
O relatório afirmava claramente que, como não havia tranca capaz de prender alguém dentro da cabine, Ethan tinha usado Gênese para derreter a maçaneta, impedindo Kyle de sair.
Layena se sentia dividida, embora ainda tendesse um pouco a acreditar que aquilo pudesse ser um mal-entendido. Ethan podia ser emocional, mas quebrar regras por causa de um conflito pequeno não parecia algo que ele faria.
Ou talvez ela não estivesse sendo crítica o bastante?
— Sim. Eu usei Gênese para prendê-lo lá dentro.
Então aquela parte dela que duvidava estava certa.
Layena se recostou na cadeira.
— Espero que esteja preparado para enfrentar as consequências. Este assunto será levado adiante assim que voltarmos.
Ethan assentiu em silêncio, sem oferecer explicação alguma.
Layena franziu a testa.
— Você não parece muito arrependido pelo que fez. É assim que você realmente é?
Um sorriso discreto tocou os lábios de Ethan. Ele manteve a cabeça baixa enquanto murmurava:
— Você acha que eu faço as coisas sem motivo?
Layena soltou um murmúrio baixo, incentivando-o a continuar.
Ethan olhou para a esquerda, as mãos apoiadas no próprio assento.
— Layena… eu não vou negar que estava irritado com ele. Kyle tem um jeito de falar que consegue provocar qualquer um com facilidade.
Então ergueu os olhos para ela.
— Mas havia algo que eu queria confirmar. E, por isso, eu estava disposto a correr o risco.
Layena cruzou as pernas.
— Explique.
E Ethan explicou.
— Eu tenho uma suspeita há algum tempo, Layena. Você se lembra do clarão que eu relatei no terceiro andar? Aquele transbordando de Gênese? Eu sinto…
Ele fez uma pausa, soltou o ar devagar e acrescentou em voz mais baixa:
— …que quem causou aquilo foi Kyle.
— …!
Os olhos de Layena se arregalaram.
A atmosfera ficou imóvel, e seu olhar escureceu.
Aos poucos, aquela surpresa se transformou em frustração. Seu punho se fechou, tremendo levemente quando ela falou:
— Você entende o que está dizendo, não entende?
Inclinando-se para a frente, Layena baixou a voz até virar um rosnado.
— Você está sugerindo que Kyle é aquele caminhante noturno renegado?
Ethan não vacilou, apesar da mudança no tom dela.
— Se não sabemos quem causou aquilo e essa pessoa não apareceu nos registros, então a única suposição lógica é que quem criou aquele clarão é a mesma pessoa que interferiu na sua operação.
Layena estreitou os olhos.
Sim, estava frustrada. Mas perder a calma só significaria que ela havia permitido que outra pessoa influenciasse suas ações.
Ela não podia se dar a esse luxo.
Em voz baixa, perguntou:
— Que provas você tem?
Ethan deu de ombros.
— Na verdade, nenhuma. Mas pense bem. Nas duas vezes, a única pessoa que teve chance de ver o caminhante noturno renegado foi Amanda, e ela disse que não viu ninguém. Pelo que sei, Amanda não é incompetente a ponto de deixar passar sequer uma presença.
Layena franziu a testa.
O que ele dizia era verdade.
Amanda e ela própria eram as únicas que haviam estado perto daquele criminoso.
Enquanto Layena havia relatado todos os detalhes encontrados, o depoimento de Amanda tinha sido vago.
Sem mencionar que, se ela se lembrava corretamente, um oficial do Departamento de Proteção Civil havia relatado recentemente uma enorme onda de Gênese vinda da casa de Kyle.
Então, sim.
Uma parte dela não conseguia descartar a alegação dele de imediato.
Layena permaneceu em silêncio por um instante antes de falar:
— Então… você suspeitou que Kyle fosse o renegado e foi por isso que o trancou na cabine?
Ethan assentiu.
— Sim. E eu derreti completamente a maçaneta. Então, a menos que alguém tivesse força desumana, nem vários homens conseguiriam tirá-lo de lá. E, ainda assim, Kyle só levou alguns minutos para voltar ao ônibus depois de mim.
Layena cruzou os braços outra vez, mas agora não estava encarando Ethan com raiva. Seu olhar havia baixado, e suas sobrancelhas estavam franzidas em reflexão.
Ethan continuou:
— E aqueles golpes que ele deu em mim? Não vou dizer que apanhei de propósito, mas, Layena… você sabe o quanto eu sou resistente. Nós já treinamos juntos. Você acha mesmo que um humano normal conseguiria me fazer sangrar com um único golpe?
Layena hesitou.
Ela teria dito que não.
Por experiência própria, Ethan havia sido um dos poucos cadetes capazes de acompanhá-la fisicamente na época da academia.
E hoje… Kyle parecera irritado o bastante para quase quebrar os braços de Ethan usando pura força.
Layena foi obrigada a considerar algo em que nem havia pensado até poucos instantes antes. Mordeu o lábio inferior antes de erguer os olhos para ele.
— O que você pretende fazer quanto a isso? Relatar à base e deixar que investiguem?
Aquilo soou mais como uma sugestão.
O que Ethan havia apresentado era sério o bastante para que, se fosse relatado à comandante, Layena não ficasse em silêncio. Ela usaria todos os recursos disponíveis para vigiar Kyle mais de perto.
No entanto, Ethan tinha outra coisa em mente.
— Layena… vamos investigar isso nós mesmos.