Começando com o Nível SSS: Eu Ganho Uma Nova Habilidade a Cada Transmissão ao Vivo.

Capítulo 83

Começando com o Nível SSS: Eu Ganho Uma Nova Habilidade a Cada Transmissão ao Vivo.

Tradutor/Revisor: miggigibe


Levou algum tempo, mas Amanda acabou se acalmando. Eu conseguia perceber que ela vinha segurando aquilo havia bastante tempo. Ela não era alguém que se abria com facilidade, principalmente sobre coisas tão próximas do coração.

Uma das muitas coisas sobre ela com que eu conseguia me identificar.

Entreguei meu lenço a ela.

— Está se sentindo melhor agora? Quer que eu pegue algo para você beber?

Amanda soltou uma risadinha.

— Kyle… eu não vou ficar desidratada por causa disso.

Sorri.

— Bem, não é sempre que eu vejo você chorar assim.

Segurando sua mão com cuidado, perguntei:

— O que exatamente aconteceu no seu aniversário? Eu percebi que era algo sério, já que você não conseguiu chegar a tempo.

Ela assentiu de leve.

— Na nossa equipe… só Layena tem experiência lutando contra uma criatura de grau carniçal. É algo muito difícil, Kyle. Assustador também. Se algum dia você encontrar uma… apenas corra, está bem?

Abri um sorriso impotente.

Eu deveria contar que já lutei contra uma antes?

Não… ela só ficaria preocupada.

Então fiquei quieto e ouvi.

— Layena não estava por perto — ela continuou —, e nós tivemos que evacuar um hospital inteiro da zona vermelha. A influência do monstro já tinha começado a se espalhar. Talvez você tenha visto a notícia sobre o Hospital Tuebang ter sido isolado por causa de um suposto surto infeccioso.

Pisquei, surpreso.

— Sim… eu ouvi algo sobre isso.

Amanda assentiu.

— É assim que funciona. A organização para a qual eu trabalho manipula as notícias para que o público geral nunca tenha sequer um vislumbre do que realmente existe lá fora.

Assenti, entendendo.

Ela voltou a olhar para mim, os olhos brilhando de curiosidade.

— Quando você despertou a Gênese?

Por um momento, apenas encarei Amanda.

Então ergui seu queixo e beijei sua bochecha macia uma vez… duas… três.

— Mmaah! Kyle… — ela soltou um gritinho, derretendo em meus braços.

Ah… aquilo era bom.

Como se eu estivesse sentindo falta de algo havia dias. Algo vital. Algo de que eu precisava só para respirar direito.

E agora, finalmente, tinha voltado.

— Eu despertei há pouco tempo — falei em voz baixa. — Você deve ter ouvido sobre aquela onda repentina de Gênese vindo da minha casa. Fui eu.

Estranhamente, não senti nenhuma hesitação ao contar aquilo.

Mesmo depois de me convencer de que Amanda havia me traído, de que eu nunca mais poderia confiar nela… as palavras que eu escondia de todos os outros saíam tão facilmente perto dela.

Eu estava sendo um idiota apaixonado?

…Quem se importa?

Eu não queria mentir para ela.

— Hm? Então, como caminhante noturna, isso me torna sua veterana agora? — ela perguntou, aproximando-se mais, com a empolgação clara no rosto.

Abri um sorriso.

— Sim, torna. Então você vai ter que me guiar por esta selva de aventuras, veterana. Vou depender de você o tempo todo.

Eu sabia reconhecer quando alguém ficava sem graça.

Também sabia reconhecer quando alguém ficava convencida.

Naquele momento, Amanda era as duas coisas.

Estufando o peito, com as bochechas tingidas de vermelho, ela disse:

— Não se preocupe, meu querido novato. Esta irmã mais velha nunca vai sair do seu lado. Pode depender de mim o quanto quiser.

Balancei a cabeça.

Ela nunca mudava.

E eu amava tudo nela por causa disso.

Amanda se encostou em mim outra vez, nossos dedos se entrelaçando como se aquilo fosse a coisa mais natural do mundo.

E talvez fosse.

Parecia instintivo, como se nunca tivéssemos terminado, como se não tivéssemos passado dez dias separados.

— Kyle — ela chamou baixinho, o tom ficando mais baixo. — …Você está encrencado?

Suspirei, entendendo imediatamente o que ela queria dizer.

— Toda essa situação de renegado? Sim… estou tentando ficar fora do radar do sistema o máximo possível. Se eu for exposto, minha vida vai virar um inferno.

Um despertar tardio levantaria perguntas que eu não conseguiria responder.

Restrições de movimento.

Proibição de fazer lives.

Nenhuma liberdade para caçar do jeito que eu queria.

E ainda havia as coisas que eu carregava… coisas do tipo que fariam qualquer um desconfiar.

O Membro Dourado.

Minha situação.

Sim, eu tinha motivos de sobra para ficar longe das autoridades pelo maior tempo possível.

Senti Amanda se aconchegar contra meu peito, os olhos se fechando suavemente.

Passei um braço ao redor de seus ombros e sussurrei:

— Nervosa?

— Mmhm… só pensando.

Ela soltou um suspiro baixo antes de perguntar:

— E se a gente simplesmente sumisse um dia? Fosse para algum lugar bem longe de tudo isso… só nós dois?

Sorri, apoiando de leve a cabeça contra a dela.

— Isso parece mais tentador do que qualquer coisa… mas nós dois sabemos que não é possível.

Ela também sabia.

Por isso, não discutiu. Apenas ficou imóvel em meus braços.

Soltando o ar devagar, falei:

— Não se preocupe. Tudo vai ficar bem.

Eu não duvidava disso.

Não importava o que surgisse no nosso caminho, eu passaria por cima.

Porque agora… eu tinha um motivo forte o bastante para ser teimoso até o fim.


Layena estava sentada em seu quarto, obrigada a dividi-lo com alguém que sequer conhecia.

Felizmente, a garota ficava na dela, quieta e desinteressada de qualquer coisa que não fosse o próprio espaço.

Layena estava deitada na cama, com os olhos fixos no monitor de rastreamento.

O rastreador que havia implantado em Kyle.

Entre a dúvida e o dever, ela escolhera o dever. Mesmo que isso significasse arriscar sua licença, mesmo que significasse consequências que não poderia ignorar, havia dado aquele passo para capturar o caminhante noturno renegado.

Ethan parecia confiante.

E o raciocínio que apresentou havia sido suficiente para empurrá-la adiante.

Naquele momento, o sinal de Kyle piscava de forma constante no jardim dos fundos do resort, sem se mover.

Layena se perguntou se ele estava apenas aproveitando o silêncio da natureza.

Ele realmente parece uma pessoa diferente.

Mesmo quando estava entre outras pessoas, havia uma sensação de distância ao redor dele, como se vivesse um pouco à parte, envolto no próprio mundo.

Ele não era barulhento nem grosseiro. Falava quando era abordado e nunca recuava quando alguém cruzava um limite.

Homens como ele eram raros hoje em dia.

O que será que ele está fazendo…?

O pensamento mal havia se formado quando—

Bzz.

Seu celular vibrou.

Layena o pegou no mesmo instante, os olhos se arregalando no momento em que viu o identificador da chamada.

Sem perder um segundo, levantou-se e olhou para sua colega de quarto.

Então, sem dizer nada, saiu.

Seu passo acelerou enquanto avançava pelo corredor, e ela só parou ao chegar ao fim do saguão, onde não havia quartos por perto.

Só então atendeu a chamada.

[Você tem muita coragem. Ignorou minha mensagem e quase fez o mesmo com a minha ligação.]

Layena engoliu em seco.

Não havia como confundir.

A comandante estava furiosa.

Organizando os pensamentos, respondeu imediatamente:

— Peço desculpas, Comandante. Fui falar com Ethan pessoalmente depois de ler o relatório.

Um murmúrio baixo veio do outro lado antes que a pergunta surgisse.

[E então? O que você disse a ele? Que motivo ele deu para as próprias ações?]

Foi aí que Layena hesitou.

Ela raramente havia mentido na vida, especialmente para a mulher que admirava, aquela que via tanto como guardiã quanto como inspiração.

Seu olhar baixou para o rastreador em sua mão.

Então, sem pedir permissão, o rosto sorridente de Veronica surgiu em sua mente, junto da lembrança do dia em que ela a salvara, anos atrás.

Layena ficou ali, presa entre duas lealdades.

Incapaz de escolher.

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