Começando com o Nível SSS: Eu Ganho Uma Nova Habilidade a Cada Transmissão ao Vivo.

Capítulo 84

Começando com o Nível SSS: Eu Ganho Uma Nova Habilidade a Cada Transmissão ao Vivo.

Tradutor/Revisor: miggigibe


Algo estava prestes a acontecer, e era por isso que os estudantes tinham sido instruídos a se apresentar no saguão dentro de uma hora. Então, decidimos nos separar por enquanto e nos encontrar mais tarde.

— Kyle… eu não quero ir.

Amanda se agarrou ao meu braço, a voz quase falhando. Claramente, ela se sentia da mesma forma que eu. Eu também não queria me afastar dela. Não depois de termos nos reencontrado depois de tanto tempo. Ainda havia coisas demais não ditas, desculpas demais e segredos demais esperando para vir à tona.

Mas…

— Se a gente faltar, os professores só vão nos separar ainda mais e nos encher de tarefas em lugares diferentes. É melhor obedecer por enquanto. E não é como se o que quer que eles tenham planejado fosse durar a noite inteira. Depois do jantar, podemos nos encontrar de novo.

Tentei convencê-la.

Amanda olhou para mim, os olhos grandes.

Aquele era um olhar perigoso demais para ser apontado na minha direção.

Com uma voz suave, ela perguntou:

— Promete que não vai mais me ignorar…? Eu tenho medo de que tudo o que temos agora desapareça quando cada um for para o seu lado.

Abaixei seus braços com cuidado.

Meus ombros afundaram levemente.

Eu tinha achado que era a pessoa mais machucada depois de tudo o que aconteceu, mas Amanda… ela era diferente. Quase paranoica. Queria apagar qualquer possibilidade de algo nos separar outra vez.

Levantei as mãos e as coloquei sobre seus ombros novamente. Inclinei-me um pouco, encontrei seu olhar e falei em voz baixa:

— Você conhece meu limite, Amanda. Eu consigo tolerar qualquer coisa, menos traição. E agora eu sei que você leva o que temos a sério. Então eu prometo, pela minha vida, que nada vai nos separar outra vez.

Segurei a nuca dela com uma das mãos e pressionei um beijo profundo em sua testa.

Senti o corpo de Amanda relaxar sob meu toque, seus lábios se abrindo em um suspiro suave.

Pouco depois, nós nos separamos.

Os garotos tinham recebido quartos no primeiro andar, então segui para lá. Eu nem tinha conferido quem seria meu colega de quarto…

Qualquer um, menos certo cara.

No caminho, senti meu celular vibrar.

Peguei o aparelho e vi uma mensagem de Veronica.

Veronica: [Posso ligar?]

Pisquei, surpreso.

Fui para um canto mais silencioso e liguei para ela primeiro.

Veronica atendeu no mesmo instante.

Veronica: [Alô?]

— Sim… o que aconteceu? — perguntei, um traço de preocupação surgindo em minha voz.

Ela não ligaria daquele jeito por nada.

Veronica: [Acabei de ligar para Layena… perguntei de que lado ela estava em relação às alegações de Ethan e então… ela me contou tudo.]

Meu peito apertou, mas permaneci em silêncio, deixando-a continuar.

Veronica: [Ethan a convenceu de que você é o caminhante noturno renegado. Ele usou os relatórios vagos de Amanda sobre o renegado e o fato de você ter liberado uma quantidade tão absurda de Gênese naquela época… tudo se encaixou. Layena acreditou nele. Ela até tentou me convencer. Então, sim, você estava certo em desconfiar. Layena, movida pela suspeita, plantou um rastreador em você.]

Mordi o lábio inferior, meus olhos varrendo os arredores enquanto meus pensamentos disparavam.

Então tinha ficado tão óbvio assim…

Até alguém como Ethan havia percebido.

E, se eu fosse pego, Amanda seria arrastada junto comigo, rotulada como cúmplice por me ajudar a ficar escondido.

Não.

Eu não podia deixar isso acontecer.

Depois de alguns segundos de silêncio, perguntei:

— Que tipo de rastreador é esse?

Veronica: [É principalmente um rastreador de localização, mas consegue detectar Gênese se ela for usada ativamente. Se tem algum lado bom, é que ele se destrói em dois dias. Então, aconteça o que acontecer, não use Gênese pelos próximos dois dias. Depois disso, o rastreador será inútil. E, se Layena não encontrar nada, você será descartado como suspeito.]

Fiquei em silêncio.

Ela estava certa.

Como Layena já havia envolvido Veronica, aquilo não ficaria escondido por muito tempo. E, quando minha inocência fosse provada, ela limparia meu nome oficialmente. O Corpo de Supressão Paranormal recuaria, e toda a atenção sobre mim desapareceria.

Perfeito.

— Então meu trabalho é ficar longe de perigo… — murmurei.

Então meus olhos se arregalaram.

Merda… eu estou ferrado.

Eu havia esquecido completamente do Membro Dourado.

Se alguém me atacasse, ele começaria a reparar o dano instantaneamente usando Gênese. E pior… se Ausência entrasse em jogo, uma barreira de Gênese seria ativada sozinha.

E, no instante em que isso acontecesse… seria como anunciar para o mundo inteiro:

Estou aqui. Venham me pegar. Me tranquem.

Veronica: [Kyle?]

Ao ouvir a voz dela, soltei o ar devagar e perguntei:

— Você tem certeza de que o rastreador vai se destruir em quarenta e oito horas?

Veronica: [Sim… quase certeza.]

Balancei a cabeça, outro suspiro longo escapando.

Então, pelas próximas quarenta e oito horas, eu só precisava garantir que não me machucaria.

Certo…

Nada muito difícil.


Quando entrei no meu quarto, senti uma onda de alívio ao perceber que o maldito Ethan Lockhart não estava lá dentro.

Se fôssemos obrigados a dividir um quarto, eu tinha certeza de que só um de nós sairia vivo.

Minha frustração com ele já havia se transformado em raiva fazia tempo. Ainda assim, eu não queria criar problemas desnecessários, principalmente considerando a complicação envolvendo a família dele, então decidi evitar qualquer contato.

— Você é o Kyle, certo?

A voz veio de um garoto de óculos da minha turma.

— Não pergunta como se fosse nossa primeira conversa, Nathan — falei, tirando os sapatos antes de me jogar na cama.

A cama era surpreendentemente confortável.

— H-hum… desculpa. Achei que você talvez tivesse esquecido de mim, então estava pensando em me apresentar de novo.

Abri um sorriso sem graça, encarando o teto.

— Eu não sou um cara popular, sabe. Só mais um solitário… como você.

— Ah… mas eu tenho uns amigos…

— …

Certo.

Mais uma vez, fui lembrado de que ser solitário neste mundo era praticamente um crime.

Revirando os olhos, virei para o outro lado.

Não havia sentido em tentar ser simpático.

— H-hum… — ele chamou de novo.

Por que ele parecia estar pedindo permissão para existir?

— O quê? — perguntei, virando-me de volta.

Nathan abriu um sorriso rígido.

— V-você pode me ajudar?

Murmurei, desconfiado.

— Com o quê? Precisa de dinheiro ou algo assim?

Ele balançou a cabeça rapidamente.

— N-não, não é isso. Na verdade… hum… eu quero que você me ensine a lutar.

Fiquei em silêncio.

Do que diabos ele estava falando?

— Por quê? — perguntei, deixando escapar um pouco de deboche. — Tentando arrumar mais amigos?

…Sim, essa última parte doeu um pouco.

— Hum… na verdade…

Ele hesitou, então forçou as palavras para fora:

— Tem um cara perseguindo minha namorada. Ele é insistente. Mesmo depois de ela rejeitá-lo, ele não desiste.

Minhas sobrancelhas se ergueram.

— Você tem namorada?

Ele levantou o olhar.

— Bem, se até alguém como você consegue arrumar uma—

— Seu filho da puta, eu vou te matar.

Arremessei um travesseiro direto no rosto dele.

Nathan falhou em pegar.

— Gah! Desculpa! Eu só falo as coisas com sinceridade quando fico nervoso—

— Ligue para sua família e se despeça. Você morre hoje.

Levantei-me e o prendi numa chave de pescoço.

Ele se debateu.

— Gaaah! Desculpa! Foi só uma piada!

Tarde demais.

Nesse ritmo, eles realmente poderiam acabar recolhendo um cadáver deste quarto.

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