
Capítulo 85
Começando com o Nível SSS: Eu Ganho Uma Nova Habilidade a Cada Transmissão ao Vivo.
Tradutor/Revisor: miggigibe
No ônibus, Nathan havia se sentado bem ao lado de Layena e Kyle.
O motivo de ele ter se apresentado a Kyle mais cedo era porque Amanda o fizera perceber que talvez ele fosse invisível demais na turma.
Você é o Kory, certo? ela havia dito.
Não, moça. Eu não sou o Kory.
Mas não foi isso que ficou martelando em sua cabeça.
Outra coisa o pegara desprevenido.
Até então, Nathan via Kyle como alguém no mesmo nível que ele. Alguém que não se importava com os outros e se mantinha afastado dos alunos mais influentes, apesar da própria origem.
Mas, no ônibus, a forma como Kyle encheu Ethan de porrada deixou uma impressão profunda nele.
E, quando foram designados para o mesmo quarto, Nathan soube que aquela era sua chance de aprender alguns movimentos e finalmente lidar com aquele grandalhão de uma vez por todas.
No entanto…
— Desculpa, não vou ensinar nada — disse Kyle, direto, erguendo a mão em recusa.
— Ah, mas por quê? Quer dizer, eu posso te pagar se você quiser.
— Haa… você acha que dinheiro resolve tudo?
Kyle olhou diretamente nos olhos dele antes de acrescentar:
— Existe algo mais importante que dinheiro, até mais importante que artes marciais, quando se lida com caras assim.
Kyle olhou diretamente nos olhos dele antes de acrescentar:
— Coragem.
Nathan puxou o ar com força.
— O-o que quer dizer?
Kyle deu de ombros.
— De que adianta ter força se você não tem coragem de usá-la? Mesmo que saiba lutar, de que adianta se não vai usar isso para proteger sua namorada?
O olhar de Nathan ficou pesado.
— Como você pode dizer isso? Como pode me chamar de covarde?
Kyle franziu a testa.
— O fato de você deixar sua namorada lidar com tudo sozinha e ainda não ter enfrentado esse cara já diz o bastante.
Nathan ficou em silêncio.
Por mais duras que aquelas palavras soassem, eram verdade.
Ele havia permanecido calado todo esse tempo, deixando Terry resolver tudo sozinha só porque ela dizia que conseguia.
Nem uma única vez encarou aquele bastardo nos olhos, enganando a si mesmo ao acreditar que as coisas se resolveriam sozinhas algum dia.
Mas, depois de ouvir Kyle, Nathan foi obrigado a encarar o que realmente vinha fazendo até então.
Foi obrigado a encarar a própria covardia.
— Entendi — disse ele depois de um momento de silêncio. — Eu vou resolver isso sozinho.
Kyle abriu um sorriso fraco antes de dizer:
— Não importa o tamanho do cara, ninguém continua de pé se você acertar atrás dos joelhos de surpresa. Quando ele cair, coloque tudo o que tiver nos chutes. Toda a sua raiva, toda a sua força.
Nathan assentiu.
Ele resolveria aquilo naquela noite.
Kyle soltou um suspiro baixo enquanto se levantava da cama.
— Vou tomar banho.
Eles tinham sido instruídos a se apresentar no saguão dentro de uma hora, e metade desse tempo já havia escapado durante a conversa.
Hora de se preparar.
Kyle tirou um conjunto de roupas da mala, escolhendo algo grosso e confortável, já que ali era mais frio do que na cidade.
Pegando uma toalha, seguiu para o banheiro.
No instante em que entrou, um calor suave o envolveu, um contraste forte com o frio do lado de fora. O banheiro era muito mais refinado do que ele esperava para uma viagem escolar.
Azulejos lisos de mármore se estendiam pelo chão e pelas paredes, veios discretos atravessando a superfície como riachos congelados. Um grande espelho cobria quase toda a parede acima da pia, com as bordas iluminadas suavemente, lançando um brilho branco e limpo pelo ambiente.
Ao lado, uma divisória de vidro separava a área do chuveiro, onde uma ducha cromada pendia do alto, como um convite a um banho demorado e agradável.
Um aroma sutil de linho fresco pairava no ar, limpo e calmante.
Kyle colocou as roupas sobre a bancada seca, pendurou a toalha ao alcance da mão e então se virou para o chuveiro.
Agora precisava tomar cuidado.
Por quê?
Porque, se a água ficasse quente demais e começasse a machucá-lo, o Membro Dourado reagiria sozinho, e isso alertaria Layena imediatamente.
Isso não podia acontecer.
Ele girou os registros do chuveiro devagar, abrindo a água quente e a fria apenas o suficiente para deixar o fluxo correr. Em vez de entrar de imediato, estendeu a mão sob a água, testando com cautela. A temperatura oscilou entre fria e morna enquanto ele ajustava, os dedos permanecendo ali até ter certeza de que havia se estabilizado em algo equilibrado.
Só quando ficou satisfeito ele soltou um suspiro baixo.
Então, finalmente, entrou no banho.
A água morna caiu sobre ele, confortável, exatamente como precisava. Sem picos repentinos, sem desconforto.
[Hospedeiro, você tem uma excelente consciência situacional. Muito bem.]
Kyle soltou uma risada baixa.
— Bem, é minha vida que está em jogo. Claro que eu vou tomar cuidado.
Ele não demorou muito ali.
Ao sair, pegou a toalha e secou a umidade do corpo. Depois, vestiu-se.
Nada chamativo.
Apenas uma camisa preta bem ajustada, combinada com uma calça preta de barra curta. Kyle colocou a camisa por dentro com cuidado, deixando o visual mais formal do que casual, como se estivesse se preparando para algo importante, não apenas uma reunião.
Calçou sapatos pretos elegantes, cuja superfície refletia a luz de leve, e foi até o espelho.
Pegando o secador, passou-o pelos cabelos, guiando os fios para o lugar com facilidade praticada até que assumissem um visual limpo e marcante.
Kyle olhou para Nathan e perguntou:
— Você não vai se arrumar?
Nathan assentiu.
— Sim. Me dá alguns minutos. Vamos juntos? — perguntou.
Kyle assentiu e se sentou na cama.
— Só não demora.
Ou certa garota ia acabar batendo à porta.
Nathan assentiu e correu para o banheiro.
Kyle suspirou e pegou o celular.
E foi então que viu uma mensagem de um número desconhecido.
Junto da mensagem, havia uma foto.
A foto havia sido tirada de cima e mostrava uma garota de sutiã preto e meia-calça. As bochechas dela estavam coradas, mas seus olhos brilhavam com malícia.
A mensagem dizia:
[Estou usando preto hoje. E você?]
Kyle corou violentamente.
Amanda!