Começando com o Nível SSS: Eu Ganho Uma Nova Habilidade a Cada Transmissão ao Vivo.

Capítulo 78

Começando com o Nível SSS: Eu Ganho Uma Nova Habilidade a Cada Transmissão ao Vivo.

Tradutor/Revisor: miggigibe


— Por favor, pai… eu prometo que vou fazer melhor da próxima vez. Por favor… pai.

Kyle aprendeu a implorar antes de aprender a ter esperança.

Nunca funcionava.

Nem uma vez.

Nem as lágrimas. Nem a voz trêmula. Nem as mãozinhas agarradas à manga do pai, como se pudesse se prender a uma misericórdia que simplesmente não existia.

O fracasso sempre terminava do mesmo jeito.

Clique.

— Ah—!

O grito escapou dele quando foi empurrado para a frente. Seu ombro bateu contra algo duro, e o impacto sacudiu seu corpo frágil antes que conseguisse se equilibrar.

Ele tropeçou.

O homem atrás dele não fez nenhum movimento para ajudar.

— Não existe desculpa para incompetência. — A voz de seu pai era fria, como uma sentença já entalhada em pedra. — Fique aí. Pense no que fez. E garanta que nunca mais vai repetir esse erro.

A porta se fechou.

Clique.

A escuridão engoliu tudo.

Não era apenas ausência de luz. Era algo espesso, sufocante, pressionando de todos os lados como se estivesse vivo. Kyle congelou, a respiração presa no meio da garganta, como se o próprio ar tivesse se tornado sólido.

— …P-pai?

Nenhuma resposta.

Nem mesmo um eco.

O silêncio era pior que gritos. Ressoava em seus ouvidos, agudo e vazio, até a própria respiração parecer alta demais.

Ele deu um passo.

Seu pé enroscou em alguma coisa.

Kyle foi lançado para a frente, as mãos se estendendo por instinto, apenas para bater contra uma parede que parecia perto demais. A dor subiu pelos braços com o impacto. Ele arfou, mas até aquilo parecia roubado… como se não houvesse ar suficiente para encher seus pulmões direito.

O espaço era pequeno demais.

Então veio o cheiro.

Úmido. Velho. Sufocante.

Madeira apodrecida, pano molhado, o odor azedo de esfregões e cantos esquecidos. Aquilo grudou em seu nariz, desceu por sua garganta e tornou cada respiração mais pesada que a anterior.

Algo roçou em seu tornozelo.

Kyle se assustou violentamente, um som quebrado escapando de seus lábios enquanto se arrastava para trás… apenas para bater em outra parede quase de imediato.

Sem espaço.

Não havia espaço.

Suas mãos avançaram às cegas, os dedos arranhando a escuridão, procurando qualquer coisa — uma borda, uma porta, uma fresta de luz —, mas não havia nada.

Apenas paredes ásperas se fechando sobre ele de todos os lados.

Não consigo respirar…

Seu peito apertou.

Um peso esmagador se instalou sobre ele, pressionando, espremendo, roubando o ritmo de sua respiração. Kyle tentou inspirar—

Mas o ar não veio.

Sua respiração ficou curta e irregular. Cada arfar exigia esforço.

— …Não… não…

A voz dele tremeu, rachando quando o pânico começou a se infiltrar, e as lágrimas escorreram por seu rosto. Seu coração batia com violência contra as costelas.

Algo estava observando.

Ele não conseguia ver… mas sentia.

Dos cantos.

Das paredes.

Logo atrás dele.

Kyle girou, as costas batendo contra a parede de novo enquanto suas mãos voavam até o peito, agarrando a camisa como se aquilo pudesse forçar seus pulmões a funcionar.

— Eu vou melhorar, eu prometo, eu vou—

As palavras desmoronaram em arquejos irregulares.

As lágrimas borravam o pouco que seus olhos conseguiam perceber na escuridão, mas isso não importava.

Não havia nada para ver.

Apenas a sensação.

As paredes se fechando.

O ar desaparecendo.

O silêncio pressionando cada vez mais, até seus pensamentos começarem a se partir.

Kyle escorregou pela parede, seu corpo pequeno se encolhendo sobre si mesmo, os joelhos puxados contra o peito como se pudesse ficar menor…

Pequeno o bastante para sobreviver àquele lugar.

Ele faria qualquer coisa.

Qualquer coisa, menos continuar preso naquela escuridão.


— Huu…

Kyle soltou o ar devagar ao abrir os olhos e encarar a janela.

O ônibus já estava em movimento. Os estudantes tinham voltado para seus lugares.

Havia um motivo para Kyle nunca ter se sentido realmente vivo durante todos aqueles anos sob a tutela dos pais.

Eles sempre esperaram perfeição dele.

Como filho dos Astortia, nem mesmo ficar em segundo lugar era uma opção.

E, se algum dia falhasse em atender às expectativas deles, tudo o que o aguardava era medo e dor.

Blake sempre tinha sido o filho brilhante da casa.

Mesmo que Kyle passasse anos dominando algo na base da pura teimosia e esforço, Blake o superaria sem dificuldade, carregado por um talento natural.

E isso só piorava tudo.

Kyle sabia que era injusto o jeito como, às vezes, olhava para o irmão com ressentimento. Nunca quis machucá-lo. Na verdade, Blake o salvara em mais de uma ocasião.

Mas, quando uma criança se tornava um prodígio em tudo o que tocava, a outra estava destinada a se transformar no símbolo da decepção.

Hoje… o que Ethan havia feito o arrastou de volta para tudo aquilo.

Lembrou Kyle daquilo de que havia escapado.

Ele desenvolvera um medo profundo de espaços escuros e fechados. Tudo graças ao seu amoroso pai, que escolhera o método mais cruel possível para punir uma criança.

Sinceramente, alguns tapas ou tarefas extras teriam sido muito melhores do que ser trancado e deixado para apodrecer em um lugar onde nem ratos deveriam sobreviver.

Não foram muitas as coisas que Kyle aprendeu com o pai, mas havia uma lição que carregava com clareza.

Como não se tornar alguém como ele.

Kyle sabia que, se um dia tivesse um filho, jamais permitiria que ele passasse por algo sequer remotamente parecido com o que suportou.

— Kyle…

Seus pensamentos se romperam quando uma voz o chamou do lado esquerdo.

Ele se virou e viu Amanda.

Toda a última fileira estava vazia, exceto por ela.

— O que ele fez com você, Kyle? Você não costuma perder o controle desse jeito — ela perguntou em voz baixa, segurando a mão dele.

Kyle abriu um sorriso leve e provocador.

— Vai me odiar agora?

Amanda franziu a testa.

— Você sabe que isso não é possível. Eu só quero saber o que Ethan fez para te deixar tão furioso.

Amanda conhecia Kyle melhor do que qualquer pessoa.

Ela havia visto como ele lidava com as coisas.

Já tinham tentado intimidá-lo antes. Alguns por ciúmes, outros porque ele se recusava a bancá-los.

Kyle vinha de uma família rica, então sempre havia gente tentando se tornar “amiga” dele apenas para se aproveitar. Mas ele nunca dava abertura para esse tipo de pessoa, e isso o transformava em alvo de muitos.

Mesmo assim, Kyle nunca permitia que alguém o pressionasse a ponto de perder o controle.

O jeito dele de lidar com isso era simples.

Dizia algo tão afiado e constrangedor que calava a outra pessoa antes que a situação pudesse escalar.

E, mesmo quando a coisa virava briga, ele nunca era o primeiro a levantar a mão.

Por isso, o que aconteceu naquele dia naturalmente a surpreendeu.

Kyle soltou um suspiro lento e se recostou no assento.

Olhando pela janela, disse:

— Ele só reabriu algumas feridas que eu nunca quis que ninguém sequer olhasse.

O coração de Amanda ficou pesado.

— Você sabe que pode falar comigo, não sabe?

Kyle abriu um sorriso fraco antes de se virar para ela.

— Ah, é? A gente não terminou? Por que eu deveria contar minha história triste para uma garota qualquer?

Os ombros de Amanda relaxaram um pouco, mas a preocupação em seus olhos não desapareceu.

— Não foi assim que a gente começou? Dois estranhos encontrando conforto um no outro? A diferença é que, naquela época, eu era quem dependia de você… mas desta vez, por favor, dependa de mim, Kyle.

Kyle encarou aqueles olhos profundos em silêncio.

Se o pai dele havia sido a maldição de sua vida… então Amanda era a bênção que ele nunca mereceu.

Com um suspiro baixo, decidiu contar a ela.

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