
Capítulo 72
Começando com o Nível SSS: Eu Ganho Uma Nova Habilidade a Cada Transmissão ao Vivo.
Tradutor/Revisor: miggigibe
Havia trezentos estudantes no terceiro ano, e metade deles seria levada naquela viagem. O restante seria enviado para outro local em algumas semanas, para um treinamento semelhante.
Algumas matérias eram obrigatórias e compunham uma parte significativa da nota final. Então, sim, aquela viagem contava para a avaliação final.
Kyle não sabia exatamente o que deveria fazer durante a viagem, mas, pelos fragmentos que conseguia lembrar, eles veriam vários monumentos e relíquias do passado.
Com base nisso, talvez os estudantes precisassem preparar anotações sobre como enxergavam a influência da história no presente, ou algo parecido.
Bem, ele tinha algumas pessoas a quem poderia pedir ajuda, então não estava tão preocupado. Por isso, seguiu para a universidade.
Quando chegou pouco antes das sete, encontrou três ônibus grandes esperando na frente do campus. Os estudantes já haviam começado a se reunir, e os professores também estavam presentes, vestidos de forma mais informal que o normal.
Enquanto avançava, avistou Amanda no meio da multidão.
Os olhos dela se iluminaram no instante em que o viu. Ela fez um aceno pequeno e discreto, tomando cuidado para não chamar atenção. Kyle apreciou aquilo, retribuindo o gesto com um leve assentimento antes de seguir até a professora.
— Kyle Astortia, presente, professora — ele disse.
A mulher se virou para ele, os olhos se estreitando.
— Não é necessário chegar em cima da hora todas as vezes.
Kyle inclinou a cabeça de leve.
— Da última vez que conferi, ainda faltavam dez minutos.
Ela balançou a cabeça.
— Vá para a fila. Vamos partir em breve.
Kyle assentiu e se juntou aos outros. Na verdade, não havia ninguém específico de quem pudesse se aproximar, nenhum grupo ao qual pertencesse.
Ele se dava bem com algumas pessoas, claro, mas eram mais colegas ocasionais do que amigos de verdade.
Uma sensação tênue se arrastou sobre ele, como se alguém estivesse observando.
Ele se virou.
Um grupo de rapazes estava a uma curta distância e, no meio deles… estava ele.
O cãozinho dourado que só sabia latir: Ethan.
Enquanto os outros riam e conversavam, o olhar de Ethan permanecia fixo em Kyle, afiado e inabalável, como se Kyle tivesse roubado algo precioso dele.
Soltando uma risada baixa, Kyle voltou a olhar para frente e perguntou ao sistema:
Você consegue dizer quantos caminhantes noturnos há ao meu redor?
Estava curioso sobre aquilo havia algum tempo. Tanto o sistema quanto Veronica afirmavam que caminhantes noturnos eram raros, mas ele continuava esbarrando neles.
E, exatamente como esperava, mesmo naquele grupo—
[Seis, hospedeiro.]
Kyle murmurou, surpreso.
— Consegue me dizer quem são?
[Olhe ao redor, hospedeiro. Você verá.]
Kyle fez exatamente isso.
E, assim como o sistema dissera, aqueles com Gênese fluindo pelo corpo carregavam um brilho tênue, sutilmente diferente dos demais.
Não ficou surpreso ao encontrar Hannah e Clara entre eles. Considerando a frequência com que ficavam perto de Amanda e Ethan, era fácil ligar os pontos.
Mais afastada, parada sozinha, estava a garota que ele reconhecia, irradiando um brilho dourado esmagador. Facilmente a mais forte entre todos eles.
Layena.
Então havia Ethan. A Gênese dele era instável, oscilando e se agitando sem controle. Kyle revirou os olhos ao pegá-lo encarando de novo. Até que ponto aquele cara conseguia ser sinistro?
Kyle desviou o olhar para outra figura.
A garota cercada por várias outras pessoas.
Ainda assim, assim como Ethan, os olhos dela continuavam se desviando na direção dele. Mas, diferente daquela hostilidade afiada, os dela carregavam algo completamente diferente.
Nervosismo… e afeto.
Kyle não conseguiu evitar um sorriso quando os olhares dos dois se encontraram.
A presença dela mudou no mesmo instante. O fluxo de Gênese ao redor dela reagiu àquela breve troca, ondulando com emoção.
Então emoções realmente influenciam a Gênese, hein?
[De fato, hospedeiro.]
Kyle murmurou e começou a examinar a área de novo. Já havia identificado cinco pessoas capazes de usar Gênese, mas a sexta continuava escondida.
Vasculhou a multidão mais uma vez.
Nada.
Por fim, perguntou:
— Onde está?
[Olhe para o topo do prédio, hospedeiro.]
Kyle piscou, surpreso, mas seguiu a instrução. Ergueu o olhar em direção ao terraço.
E ali, ao lado do mastro da bandeira, estava uma figura solitária.
O rosto estava escondido sob um capuz, e fios prateados de cabelo balançavam suavemente ao vento.
Kyle se concentrou, e o Olho de Deus afiou sua visão até os detalhes se tornarem nítidos.
Ele a reconheceu.
Sem hesitar, pegou o celular e fez a chamada.
Lá em cima, a figura mascarada atendeu.
[Alô?]
Os lábios de Kyle se curvaram de leve.
— Peguei você, stalker.
[Eu… só estava verificando caso alguma coisa desse errado. Este campus treina nossos futuros oficiais, afinal.] Veronica respondeu, a voz sem a confiança habitual.
Kyle murmurou, cruzando os braços.
— É mesmo? Então você não veio aqui para me vigiar?
[Já que você está entre eles, também inspecionei os seus arredores.]
Kyle riu.
— Então por que está evitando olhar para mim enquanto diz isso?
[Você consegue ver isso com tanta clareza?!] ela deixou escapar, entrando em pânico enquanto arrumava o cabelo às pressas e apagava o cigarro meio queimado.
Kyle soltou uma risada baixa.
— Uma das minhas habilidades — murmurou antes de acrescentar: — Enfim, você não costuma dormir até tarde? Ficou tão preocupada com seus oficiais assim para acordar tão cedo?
[Hmm… na verdade… eu não dormi…]
Kyle franziu a testa.
— O quê? Por quê?
[Trabalho… Eu descansei bem durante o dia, então pensei em resolver algumas coisas à noite. Quando parei, já era de manhã.]
Kyle soltou o ar devagar.
— Você tem trabalho hoje?
[Tenho… algumas reuniões e relatórios para cuidar.]
— Então adie tudo que não for urgente e vá descansar — ele disse com firmeza. — Sério, eu não esperava que você fosse negligenciar sua saúde desse jeito. Comida e sono são as duas coisas das quais você não pode abrir mão.
Ele falava por experiência própria.
Houve uma época em que seu próprio horário de sono era uma bagunça. Dormia às duas, acordava às sete para as aulas, se arrastava pelo dia meio morto e depois desperdiçava a noite em jogos em vez de descansar.
Naquela época, parecia que sua vida estava escorregando para um abismo sem saída.
E tudo havia começado com algo tão simples quanto o sono destruído.
— Alô?
Sem ouvir nada do outro lado, Kyle chamou.
Ainda podia ver Veronica parada ali, os olhos suaves, curvados por um calor tênue enquanto ela murmurava:
[Continua me dando bronca…]
Kyle piscou, surpreso.
— Hmm?
A voz de Veronica veio baixa, quase frágil.
[Faz tempo que alguém não fala comigo desse jeito… que se importa o bastante para me dar bronca… então, por favor, continue só mais um pouco.]
Um peso se instalou no peito dele diante daquelas palavras. Outro lembrete do quanto ela era solitária, apesar de estar sempre cercada de pessoas.
Sua voz suavizou.
— Por enquanto, saia desse telhado e volte para casa. Diga ao seu assistente para cuidar das coisas até as onze. Até que horas?
[Onze.]
Ele assentiu.
— Ótimo. E nada de mexer no celular quando estiver na cama. Dormir significa dormir, entendeu?
[Sim, entendi.]
Um sorriso fraco surgiu nos lábios dele.
— Boa garota.
Por um breve instante, uma sensação estranha de familiaridade atravessou sua mente, como se já tivesse dito algo parecido a outra pessoa antes.
Mas, antes que pudesse pensar mais no assunto, a professora disse:
— Pessoal, formem uma fila. Estamos prestes a partir.