
Capítulo 71
Começando com o Nível SSS: Eu Ganho Uma Nova Habilidade a Cada Transmissão ao Vivo.
Tradutor/Revisor: miggigibe
[Missão Diária:
Flexões: 50/50
Barras: 50/50
Polichinelos: 30/30
Corrida: 7 km/7 km]
[Ding! O hospedeiro manteve uma sequência de cinco dias.]
[Recompensa: Poção de Cura de Grau Médio x1
Poção de Camuflagem x1
Poção de Recuperação de Grau Baixo x1]
Kyle abriu um leve sorriso ao parar depois de terminar a corrida.
Fazia pouco mais de uma semana desde que começara sua rotina, mas seu corpo já parecia muito melhor do que naquela fase apática em que só sabia fazer uma coisa.
Chorar pela própria situação.
O sistema havia começado a adicionar variedade aos treinos, ajudando-o a fortalecer o tronco. Ainda assim, ele sabia que precisava de um treinamento mais equilibrado. Talvez entrasse em uma academia depois de voltar.
Não gostava muito de academias por serem sempre cheias demais, mas seu quarto também era pequeno demais para pensar em comprar alguns equipamentos.
Por enquanto, decidiu voltar para casa e se preparar para a viagem.
Os estudantes deveriam se apresentar às sete, e ainda eram apenas cinco e meia, então não havia motivo para pressa.
De volta ao quarto, conferiu o celular. Havia algumas mensagens de sua mãe, uma de seu irmão e várias de Veronica, que dizia não ter conseguido entrar na live apesar de tentar várias vezes.
— Hm?
Kyle franziu a testa. Aquilo não deveria ter acontecido. Ele havia mandado o link enquanto ainda estava ao vivo, então ela deveria ter conseguido entrar.
— Bem, mando o ID para ela quando eu voltar — murmurou, balançando a cabeça enquanto entrava no banheiro.
Depois de tirar a roupa, ele fez uma pausa. Não para ficar julgando a leve gordura na barriga ou nas laterais da cintura, mas porque queria testar uma ideia.
Em vez de girar o registro da direita para a água fria, girou o da esquerda.
Sss
Um silvo agudo escapou dele quando a água escaldante caiu sobre seu corpo nu, queimando como se estivesse sendo fervido vivo.
Ainda assim, ele não se moveu.
Permaneceu ali, punhos cerrados, dentes rangendo uns contra os outros.
O calor desceu sobre sua cabeça, pelo pescoço, pelas costas e pelo peito. Não demorou para a pele ficar vermelha, um lembrete claro de como ele sempre precisava ser preciso ao ajustar a temperatura.
Um minuto inteiro se passou antes que finalmente desse um passo até a frente do espelho.
Seus ombros estavam avermelhados, e algumas partes do pescoço estavam quentes e em carne viva. Seu corpo ainda irradiava calor, mas ele ficou imóvel, observando.
Então, devagar, um brilho dourado tênue se espalhou por sua pele.
O calor começou a desaparecer. Não como se estivesse sendo resfriado pela água, mas como se algo puxasse o calor para fora de seu corpo, drenando-o. A sensação era estranha, mas inegavelmente reconfortante.
Em segundos, a vermelhidão sumiu. A queimadura desapareceu.
Sua pele parecia intocada.
— Insano… — Kyle murmurou baixo.
O Membro Dourado era absurdamente poderoso.
Então ele voltou para debaixo da água quente.
A sensação de queimadura voltou, mas, desta vez, parecia… um pouco mais fraca.
Kyle fechou os olhos e cerrou os punhos enquanto o calor caía sobre ele. Sua pele queimou de novo, mas ele não se afastou. Suportou por mais tempo que antes e, logo, o Membro Dourado começou a responder mesmo sob o fluxo constante.
Parecia estar entre duas forças opostas.
A água tentava escaldá-lo, mas, antes que o dano pudesse se estabelecer, o brilho dourado o curava. A dor nunca desaparecia por completo, mas também nunca o dominava.
E, por causa daquele equilíbrio, Kyle começou a perceber algo.
Estava se acostumando.
É claro que aquilo não era suficiente para torná-lo imune ao calor. A água não era intensa o bastante para isso. Mas, ainda assim… revelava algo novo.
Um uso diferente do Membro Dourado.
Adaptabilidade.
Depois de passar vinte minutos no banheiro, finalmente saiu e vestiu uma camiseta folgada e shorts, já que ainda tinha que cozinhar um pouco.
Eles haviam sido instruídos a levar algo para comer no caminho, pois a viagem duraria sete horas.
Felizmente, Kyle já havia pensado no que poderia preparar para ser comido durante a viagem sem causar muita bagunça.
Sanduíches.
Primeiro, pegou quatro fatias de pão, pretendendo fazer dois sanduíches para si.
No entanto, parou.
Pensou por alguns segundos.
Amanda adorava seus sanduíches.
Sim, talvez ele não conseguisse falar com ela durante a viagem… mas, ainda assim, decidiu fazer alguns.
Agora, só restava torcer para que acabassem sentados juntos no ônibus.
Estalo.
O chicote atingiu a pele avermelhada dele outra vez, abrindo mais uma marca cruel em suas costas.
Ethan não se moveu. Permaneceu ali, calmo, como se corpo e mente existissem separadamente.
Respirando pesadamente, a mulher que segurava o chicote falou:
— Ethan… sabe por que vim acordá-lo desse jeito tão cedo?
A voz da Lockhart mais velha era afiada.
Ethan respondeu no tom habitual, como se não tivesse sido chicoteado e esbofeteado pela última hora.
— Não, mãe.
Thalia jogou o chicote de lado e pegou um tubo sobre a mesa. Enquanto aplicava o gel nos ferimentos dele, disse:
— Para que se lembre do seu dever nesta viagem. Você já me decepcionou vezes demais, mas esta é sua chance de compensar.
Ethan permaneceu em silêncio enquanto o gel frio se espalhava pela pele em chamas.
Thalia se aproximou, a voz caindo para um sussurro perto do ouvido dele.
— Durante essa viagem, você vai consertar sua relação com aquela garota. Quando voltar, espero um convite da família Maylith. Entendeu?
O aniversário do pai de Amanda estava a poucos dias de distância. Do jeito que as coisas estavam, havia uma grande chance de não serem convidados. A família Maylith só convidava pessoas próximas, não por cortesia. E, considerando o quanto as coisas haviam ficado tensas, havia toda a possibilidade de Amanda sequer considerar Ethan como convidado.
Ethan assentiu.
— Entendi. Vou fazer alguma coisa.
Thalia soltou um murmúrio baixo, recostando-se.
— Você disse isso da última vez também, e falhou. Essas punições leves parecem não estar funcionando mais.
Ethan estremeceu por uma fração de segundo, mas forçou a expressão a permanecer calma. Não daria a ela a satisfação de ver seu medo.
Thalia bateu um dedo contra o queixo.
— E aquela garota que costumava liderar antes de você? Aquela que trabalha com você… como era o nome dela? Layena, certo?
O corpo inteiro de Ethan ficou rígido. Ele se virou para ela, os olhos escurecendo.
— Mãe… não há necessidade de envolvê-la. Prometo que vou lidar com Amanda durante esta viagem. Eu juro que vou.
Todo mundo tinha uma linha que não podia permitir que fosse cruzada.
Ethan podia suportar qualquer coisa daquela mulher, qualquer punição, qualquer crueldade… mas, quando se tratava de Layena, não conseguiria ficar parado e assistir.
Thalia sorriu antes de dizer:
— Bem, eu não confio nem um pouco em você, querido filho, então mantenha isso em mente. Se falhar desta vez, não será só você. Outra pessoa também será arrastada para a sua bagunça.
Dando tapinhas no rosto dele, acrescentou:
— Agora pare de fazer essa cara e levante logo. Você tem uma herdeira para conquistar.
Deixando essas palavras para trás, a mulher saiu do quarto.