Começando com o Nível SSS: Eu Ganho Uma Nova Habilidade a Cada Transmissão ao Vivo.

Capítulo 73

Começando com o Nível SSS: Eu Ganho Uma Nova Habilidade a Cada Transmissão ao Vivo.

Tradutor/Revisor: miggigibe


Amanda estava dividida entre a empolgação e a frustração.

Ela havia conseguido entrar no mesmo ônibus que Kyle, mas estava quase no fim da fila. Havia uma chance bem real de outra pessoa ocupar o assento ao lado dele.

Só de pensar nisso, já ficava irritada.

Ao mesmo tempo, a ideia de passar sete longas horas com ele… sentada perto, segurando seu braço, talvez até despertando fragmentos do passado que compartilharam… parecia algo saído direto dos sonhos que ela tinha às três da manhã.

Claro, havia limites com os quais precisava tomar cuidado. Mas Amanda não se importava muito com o que os outros pensavam. Sim, Kyle vinha sendo cauteloso com a forma como interagiam em público, mas ela já não conseguia manter aquela distância.

Amanda nunca tinha escondido seus sentimentos por Kyle. Se as pessoas a vissem como teimosa ou grudenta, que fosse.

Mas e ele…?

Quando pisou nos degraus do ônibus, uma lembrança veio à tona.

Uma conversa da noite anterior.


— Se importa se eu ficar aqui?

Amanda se virou ao ouvir a voz e encontrou Blake parado ali, com uma taça de champanhe na mão.

Ela deu um sorriso discreto.

— Não precisa ser tão formal comigo, irmão. Mas… tem certeza de que deveria ficar tanto tempo em pé?

Blake abriu um leve sorriso de canto.

— O elixir que me deram restaurou meu corpo ao auge. Como fornecedora desses elixires, imaginei que você soubesse.

Amanda congelou, e sua expressão ficou rígida.

Blake balançou a cabeça, deixando o assunto morrer ali. Ele não era idiota. Não era difícil juntar as peças por trás daqueles elixires. Mas, se tanto seu irmão quanto aquela garota estavam tão determinados a esconder a verdade, ele não iria forçar.

A noite vibrava com as conversas das pessoas do lado de dentro e com o farfalhar suave da brisa pelo jardim.

As luzes prateadas davam ao lugar uma atmosfera calma, perfeita para quem sabia apreciar o silêncio.

Parado ao lado dela, Blake disse:

— Amanda… eu sei que as coisas não andaram bem entre você e Kyle ultimamente. Sinceramente, achei que vocês já teriam terminado quando eu acordasse.

Amanda baixou o olhar ao ouvir aquelas palavras.

Então ele também sabia.

Não era surpresa. Blake se importava profundamente com o irmão. Devia ter verificado como os dois estavam de tempos em tempos, e Amanda sabia muito bem o quanto devia ter afetado o comportamento de Kyle naqueles meses.

Após uma breve pausa, Blake continuou:

— Mas as coisas parecem melhores entre vocês agora. Como isso seria possível… a menos que Kyle soubesse por que você estava se afastando?

Os olhos de Amanda se arregalaram. Ela balançou a cabeça de imediato.

— Eu não contei nada a ele sobre o Mundo Etéreo.

Era tabu permitir que uma pessoa não desperta descobrisse aquele lado da realidade. Mais do que a regra em si, Amanda simplesmente não queria arrastar Kyle para algo perigoso.

Ela teve a impressão de que Blake tinha usado a habilidade dele naquele instante. Mas não estava mentindo, então não desviou o olhar.

Amanda nunca havia contado a Kyle nada relacionado ao Mundo Etéreo, por mais desesperada que estivesse para salvar o relacionamento dos dois.

Só que agora, mesmo sem ela ter dito nada, Kyle parecia saber de alguma forma.

E não só isso.

Ele havia se tornado parte daquilo.

No fim, Blake suspirou e disse:

— Eu só quero que ele viva em segurança. Longe de tudo isso. Kyle é gentil demais para o tipo de crueldade com que lidamos todos os dias.

Amanda percebeu que Blake estava preocupado com a proximidade repentina entre ela e Kyle. No fundo, ele provavelmente queria que ela mantivesse distância.

Mas não havia hesitação alguma em seu coração.

Nada no mundo poderia impedi-la de seguir o caminho que a levava até ele.

Até o seu Kyle.


Amanda finalmente entrou no ônibus e passou os olhos pelos assentos. Havia vários disponíveis. Cada grupo tinha apenas cinquenta estudantes, enquanto o ônibus comportava mais de setenta.

Não demorou para encontrá-lo.

Perto do fundo, sentado sozinho.

Kyle.

Seus passos aceleraram enquanto ela seguia na direção dele—

— Amanda, venha aqui me ajudar com a folha do itinerário.

A voz da professora cortou todo o impulso dela.

Amanda estalou a língua.

— Mas nós já preparamos tudo dois dias atrás.

A mulher abaixou levemente a cabeça, olhando para ela por cima dos óculos.

— Você saiu correndo antes de terminarmos o relatório, lembra?

Amanda resmungou baixinho.

Certo.

Ela tinha ficado ansiosa demais para encontrar Kyle e não conseguiu se concentrar em terminar aquilo.

Agora estava dividida, como se o próprio corpo fosse se partir ao meio. De um lado, queria se juntar a Kyle com todas as forças. Do outro, se não terminasse o relatório naquele momento, seria arrastada pela professora e pelos outros assim que a viagem começasse.

E isso ela não ia suportar.

No fim, lançou um último olhar para Kyle e lhe deu um sorriso de desculpas antes de caminhar até o grupo de estudantes e a maldita professora.

Aos poucos, todos foram se acomodando em seus assentos.

Kyle não conseguiu evitar um suspiro ao ver Amanda se afastar. Às vezes, ela era tão expressiva que até um estranho conseguiria saber exatamente o que se passava em sua cabeça.

Mas aquilo também fazia parte do que a tornava bonita.

Amanda sempre tinha sido honesta com ele. Por isso, quando começou a esconder coisas, Kyle percebeu imediatamente.

Olhando ao redor, viu que a maioria dos estudantes estava sentada com seus grupos ou parceiros.

Havia três ônibus, e os estudantes podiam escolher livremente em qual entrar. Como o meio de transporte era o mesmo, todos naturalmente se agruparam e escolheram os assentos de acordo com as pessoas com quem queriam viajar.

Kyle, por outro lado, escolheu um lugar qualquer. Ele estava perto da frente quando entrou e não tinha ninguém com quem dividir o assento. Sim, queria que Amanda se sentasse ao seu lado, mas não conseguia simplesmente chamá-la.

— Hm?

Kyle murmurou, surpreso, quando o burburinho ao redor diminuiu de repente.

Ele tinha acabado de pegar o celular para verificar as notificações quando notou a mudança.

Inclinando a cabeça, olhou para a frente do ônibus e viu o motivo daquele silêncio repentino.

Parada ali, usando calça e uma camisa preta, estava possivelmente a garota mais conhecida da universidade, tanto por bons quanto por maus motivos.

Seus olhos lilases percorreram os assentos disponíveis.

— Você pode sentar aqui, Layena — ofereceu uma das garotas que costumavam interagir com ela.

A garota estava sentada com o grupo de Ethan e, naturalmente, Ethan ergueu os olhos para Layena, esperançoso de que ela talvez se sentasse perto dele.

No entanto, Layena ignorou o convite e passou direto.

Vários estudantes sentados sozinhos se remexeram, oferecendo espaço. Mas não era hesitação que guiava os passos dela. Layena já havia decidido onde queria se sentar.

— Hã?

— Com aquele cara?

— Sério? Com tanta gente aqui?

— Será que ele tem alguma coisa contra a princesa?

Sussurros se espalharam pelo ônibus enquanto Layena caminhava diretamente até Kyle e ocupava o assento ao lado dele.

Até Kyle ficou surpreso, principalmente porque havia vários lugares vazios, alguns completamente desocupados.

Ainda assim, não disse nada e colocou os fones de ouvido.

Layena era má notícia para ele. Kyle não havia esquecido o que Veronica lhe dissera: Layena estava naquela viagem para ficar de olho nele.

Por isso, pretendia manter qualquer interação com ela no mínimo possível.

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