Começando com o Nível SSS: Eu Ganho Uma Nova Habilidade a Cada Transmissão ao Vivo.

Capítulo 74

Começando com o Nível SSS: Eu Ganho Uma Nova Habilidade a Cada Transmissão ao Vivo.

Tradutor/Revisor: miggigibe


Layena queria agradecer a Kyle pelo que ele havia feito.

Ela tinha planejado se aproximar dele pela manhã, mas ele estava ocupado em uma ligação, então preferiu não interromper.

Dentro do ônibus, várias pessoas a convidaram para se sentar junto delas. Entre todas, porém, Kyle parecia a opção mais tolerável.

Ele era o tipo de pessoa que não parecia se importar com o mundo ao redor. Os outros falavam dele o tempo todo, não apenas por ele ter namorado Amanda até pouco tempo atrás, mas também por causa da família Astortia.

Ainda assim, havia algo curioso na forma como Kyle permanecia sozinho no meio da multidão, completamente indiferente ao que diziam sobre ele ou ao modo como o ignoravam.

Isso fazia dele uma companhia fácil de tolerar.

No passado, Layena não havia prestado muita atenção nele. Depois do dia anterior, porém, percebeu que havia algo em Kyle além do fato de ele pertencer à família Astortia.

E, como se confirmasse essa impressão, no instante em que ela se sentou ao lado dele, Kyle não perguntou nada.

Apenas colocou os fones de ouvido.

De fato, único à sua maneira.

Ainda assim, Layena queria agradecê-lo. Por isso, começou a pensar em como iniciar uma conversa.

Ela se recostou no assento, mas logo sentiu um olhar afiado sobre si.

Ao inclinar levemente a cabeça, olhou para a frente e encontrou um par de olhos azul-escuros fixos nela.

Amanda.

Não… não era exatamente um olhar de raiva. Amanda apenas a encarava, sem expressão, como se Layena tivesse cometido algo imperdoável.

Eles não tinham terminado ou algo assim? Então por que ela está fazendo essa cara?

Sério. Que garota problemática.

Balançando a cabeça, Layena decidiu ignorar aquilo e falou:

— Você não se importa se eu sentar aqui, não é?

Por sorte, o som nos fones de Kyle não estava alto o bastante para impedi-lo de ouvi-la.

Kyle tirou o fone direito.

— Não. Tudo bem.

Antes que ele pudesse colocá-lo de volta, Layena acrescentou rapidamente:

— E… obrigada por ontem. Você me ajudou de verdade.

Sinceramente, se ele não tivesse prestado os primeiros socorros no shopping, ela teria acabado causando uma cena. Ou andando por aí com a camisa manchada de sangue. Ou pior: teria precisado chamar alguém da base, algo que odiava fazer por motivos tão triviais.

Kyle respondeu em voz baixa:

— Não foi nada. Não se preocupe.

Então colocou o fone de volta e retomou a música.

Ele costumava preferir faixas lentas de lo-fi, principalmente em viagens como aquela. A música ajudava sua mente a se acalmar.

Layena não insistiu na conversa. Não queria parecer irritante. Ela também não era muito de falar, então, de certa forma, os dois combinavam nesse aspecto.

Fechando os olhos, recostou-se e decidiu descansar.

Ao redor, os outros estudantes continuaram conversando ou planejando o que fariam durante a viagem.

Naturalmente, alguns seguiram o exemplo de Layena e fecharam os olhos também. Alguns por causa de enjoo, outros simplesmente porque não estavam acostumados a acordar tão cedo.

Enquanto isso, Kyle travava uma conversa muito mais perigosa com o sistema.

Você está falando sério?

[De fato, hospedeiro. Mesmo que alguém se aproxime de você sem intenção hostil, caso essa pessoa possua Ausência, seu Membro Dourado reagirá. Portanto, tome cuidado para não entrar na zona vermelha.]

Hm… entendido.

O próprio sistema parecia preocupado com a possibilidade de Kyle ser arrastado para qualquer problema que estivesse prestes a acontecer naquela viagem.

Kyle lançou um olhar para a pessoa sentada ao seu lado.

Pelo que ouvira de Veronica, Layena era uma das cadetes mais sinceras, capazes e responsáveis do Corpo de Supressão Paranormal.

Ela havia se destacado em todas as áreas avaliadas durante o treinamento e nunca reclamara uma única vez do tratamento injusto que recebera durante o alistamento.

O que significava apenas uma coisa.

Justamente por ser tão comprometida com o dever, Kyle precisava manter distância dela.

— Ei, você.

Alguém parou de repente diante dos dois e chamou.

A voz não era dirigida a Kyle.

Layena abriu os olhos devagar e encontrou Amanda parada ali.

Amanda cruzou os braços.

— Vá se sentar com seus amigos… se é que você tem algum.

Layena estalou a língua. Então se moveu levemente para a esquerda, virou-se na direção de Kyle e fechou os olhos de novo, parecendo ainda mais confortável do que antes.

Amanda fechou a mão em punho, e toda a sua presença parecia avisar aos outros que era melhor manter distância.

Ainda assim, Hannah se aproximou e disse:

— Ei, não faça cena aqui. Vamos sentar em outro lugar.

Kyle também olhou para Amanda, suplicando em silêncio para que ela não começasse nada. Se aquilo saísse do controle ali, só traria problemas.

Amanda estalou a língua.

Ela queria se sentar ao lado de Kyle. Queria aproveitar aquela viagem com ele.

E agora aquela garota tinha tomado o lugar que deveria ser dela.

Droga.

Foi então que Hannah acrescentou:

— Vamos parar daqui a duas horas. Se quiser, você pode trocar de lugar nessa hora.

Amanda ficou imóvel por um instante e olhou para ela.

Certo. A professora tinha mencionado uma parada para quem pudesse ficar enjoado durante a viagem.

Mas, ainda assim…

Duas horas pareciam tempo demais.

Por um breve momento, Amanda teve a sincera vontade de usar aquelas janelas enormes para jogar alguém para fora. Mas, como Kyle havia pedido tão discretamente, mesmo que apenas com o olhar, ela se conteve.

Seus olhos deslizaram para o assento ao lado deles, onde um garoto estava sentado, encarando-a de olhos arregalados.

— Você é o Kory, certo? Pode sentar em outro lugar?

Pego de surpresa, o rosto do garoto ficou vermelho. Ele se levantou às pressas e cedeu o lugar.

Hannah suspirou ao ver como Amanda conseguia deixar alguém sem reação com tanta facilidade.

Talvez esse fosse o encanto de ser bonita.

Não que ela fosse saber.

Pouco depois, Hannah e Amanda ocuparam os assentos próximos a Kyle e Layena.

Mais à frente, Ethan observava tudo em silêncio.

Por dentro, porém, ele já havia assassinado Kyle sete vezes das formas mais brutais possíveis.

Kyle, sem saber o que se passava na cabeça dos outros, soltou um suspiro e se recostou no assento antes de fechar os olhos.

Ele também não tinha dormido muito bem na noite anterior. Então, já que tinha tempo, preferia descansar o máximo que pudesse.

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