
Capítulo 69
Começando com o Nível SSS: Eu Ganho Uma Nova Habilidade a Cada Transmissão ao Vivo.
Tradutor/Revisor: miggigibe
— Estou cheia — Veronica murmurou, recostando-se na cadeira com os olhos fechados.
Ela havia deixado os óculos de lado e comido tanto que sentia o corpo quente e o rosto corado.
Kyle sorriu com carinho.
— Fico feliz que tenha gostado.
— Gostado? Kyle… eu praticamente devorei tudo. Nem consigo lembrar a última vez que comi algo tão bom.
Kyle riu.
— Agora você está exagerando.
Veronica balançou a cabeça.
— Não, Kyle. Confie em mim, estava delicioso demais. Quero dizer, como você consegue comer qualquer outra coisa se cozinha tão bem?
Kyle deu de ombros.
— Talvez seja só comigo, mas, quando cozinho alguma coisa, começo a perder o interesse pela comida quando ela fica pronta. E, quando como, sinceramente nem sei dizer se está boa ou ruim.
Veronica sorriu para ele com ternura.
— Então confie no meu julgamento e saiba disso: estava maravilhoso. Eu me apaixonei pelo que acabei de comer.
Kyle retribuiu o sorriso.
— Fico feliz em ouvir isso.
Veronica piscou, surpresa, ao ver Kyle começar a lavar a louça. Ela se levantou depressa e disse:
— Não, deixe isso. Eu faço.
Ela se moveu para o lado dele, arregaçando as mangas.
Mas Kyle respondeu:
— É seu dia de folga, então só descanse.
Veronica resmungou:
— Vou morrer de culpa se você cozinhar e limpar também.
Kyle suspirou. Não havia muita coisa para limpar, então conseguiria cuidar de tudo com facilidade, mas fazê-la se sentar de novo parecia impossível.
— Que tal você secar a louça para mim? — sugeriu.
Ele se virou para ela e a viu segurando um pano seco. Com uma expressão sincera, ela disse:
— Estou preparada. Pode me passar.
Kyle quase riu do quanto ela parecia séria.
Começou lavando a frigideira, falando enquanto trabalhava:
— Me diga uma coisa, com que frequência você realmente fica em casa?
Veronica suspirou.
— Nem eu tenho muita certeza. Normalmente fico na sede, administrando a cidade, e às vezes sou chamada para outros assuntos.
Kyle murmurou antes de sugerir:
— Então, da próxima vez que estiver em casa e tiver vontade de comer comida caseira, é só me ligar. Eu trago para você.
Veronica soltou um suspiro baixo.
— Por mais tentador que isso pareça, você mora a quatro estações de distância. Não seria incômodo?
Kyle deu de ombros.
— Estou acostumado a viajar entre Fairmont e Fortis, então não se preocupe.
Mesmo ouvindo aquilo, e por mais tentadora que fosse a ideia de comer a comida caseira de Kyle com frequência, ela sabia que seria difícil pedir que ele passasse por esse trabalho tantas vezes.
Foi então que uma ideia cruzou sua mente.
Um sorriso surgiu em seus lábios, fazendo Kyle perguntar:
— O que foi? Tenho certeza de que você pensou em alguma coisa.
Veronica abriu um leve sorriso malicioso.
— Eu não quero que você fique viajando, e também não posso visitar você com frequência… então que tal eu comprar uma casa em Fairmont?
Kyle parou, piscando.
— Espera… sério?
Os olhos de Veronica se arredondaram.
— Você se importa?
Kyle pareceu assustado.
— Não, quero dizer… isso não é algo que você deveria perguntar para mim.
Inclinando a cabeça, voltou a se concentrar na pia antes de acrescentar:
— Mas… para falar a verdade, se você estiver em Fairmont, eu vou me sentir mais tranquilo.
Veronica ficou surpresa. Não esperava uma resposta tão sincera.
Ela caiu em silêncio por um momento. Os únicos sons na cozinha eram a água corrente e o tilintar suave da louça sendo colocada no lugar.
Depois de uma breve pausa, Veronica voltou a falar:
— Então vou visitar alguns lugares amanhã e me mudar até o próximo fim de semana.
Kyle respondeu:
— Não precisa ter pressa. Vá com calma. Posso visitar você de novo, caso queira… talvez até ajudar com a mudança.
Veronica riu.
— Por mais que eu adorasse isso, é melhor que não sejamos vistos juntos em público. Mesmo deixando os outros de lado, seu irmão seria o primeiro a bater na porta do meu escritório na segunda-feira de manhã.
Kyle riu.
— Verdade… você é uma figura conhecida demais no Mundo Etéreo. Ser associado a você chamaria atenção.
Veronica apoiou as mãos no balcão e se inclinou para frente, olhando para ele.
— Você se importaria… de se meter em problemas por minha causa?
Kyle deu de ombros.
— Eu geralmente não faço amigos, mas, quando faço, vou até o inferno e volto por eles.
Veronica sorriu de leve.
Ele simplesmente sabia o que ela queria ouvir.
Eles passaram a tarde conversando e compartilhando histórias. Veronica não tinha muito a contar, pois sentia que sua vida sempre havia seguido o mesmo padrão: lutar, sobreviver, subir.
Ainda assim, Kyle ouvia com interesse genuíno, seus olhos curiosos a incentivando a continuar. Por causa disso, Veronica se viu falando sem se cansar. Mal conseguia lembrar a última vez que havia conversado tanto, e Kyle apreciou cada momento daquilo.
Por volta das três horas, Kyle decidiu ir embora. Ainda precisava comprar algumas coisas para a viagem e se preparar para a transmissão ao vivo.
— Onde você transmite, aliás? Tentei procurar, mas não encontrei nada — Veronica perguntou.
Kyle riu.
— É um canal bem pequeno. Você não encontraria, a menos que esbarrasse nele por acaso ou soubesse o ID exato.
Veronica ficou curiosa.
— Pode me mandar o link? Vou assistir quando tiver tempo.
Kyle assentiu.
— Claro, mando assim que chegar em casa.
Eles chegaram à porta de entrada, onde ele calçou os sapatos e se preparou para sair.
Veronica falou outra vez:
— Você tem meu número, certo? Me ligue se alguma coisa acontecer. Mesmo que eu não consiga chegar a tempo, vou mandar alguém para dar apoio se as coisas derem errado.
Kyle assentiu, entendendo, antes de dar um passo à frente e puxá-la para um abraço breve.
— Obrigado por sempre cuidar de mim… além do meu irmão, você é a única pessoa que cuida de mim sem esperar nada em troca.
Veronica relaxou nos braços dele, os próprios braços pendendo frouxos ao lado do corpo enquanto fechava os olhos.
— Eu sempre vou te apoiar, então nunca hesite em pedir minha ajuda, está bem?
Logo se separaram, e Kyle assentiu.
— Sim, entendido. Nada de hesitar na hora de me aproveitar de você.
Veronica sorriu suavemente, então segurou a mão dele e apertou de leve.
— Cuide-se… e volte em segurança, está bem?
Kyle assentiu mais uma vez antes de sair.
Veronica permaneceu ali, parada, o coração ficando um pouco pesado.
Sim, ela estava preocupada com os habitantes de Knull, mas, mais do que isso, uma sensação inquieta permanecia dentro dela sobre o que poderia acontecer entre ele e Amanda.
Sabia que aquilo estava destinado a acontecer. Assim que Kyle descobrisse que Amanda era uma caminhante noturna e entendesse o motivo por trás de todas as mentiras dela, voltaria para ela.
Veronica tinha plena consciência do quanto ele era apegado àquela garota. E não era algo unilateral. Amanda também se importava profundamente com Kyle, a ponto de falsificar relatórios e ir contra os superiores por causa dele.
Eles combinavam de um jeito que Veronica não podia negar. Ela sabia disso… e não tinha nenhum lugar legítimo ali, tentando abrir espaço para si mesma no coração dele.
E, ainda assim, era como se alguém continuasse sussurrando em seu ouvido, insistindo para que não desistisse… dizendo que ela ainda tinha uma chance. Que poderia se tornar dele, talvez não da mesma forma que Amanda, mas ainda assim alguém importante. Alguém que ele não conseguiria substituir.
E, por causa daquela esperança frágil e tênue, ela não estava pronta para recuar.
Não quando se tratava dele.