Começando com o Nível SSS: Eu Ganho Uma Nova Habilidade a Cada Transmissão ao Vivo.

Capítulo 57

Começando com o Nível SSS: Eu Ganho Uma Nova Habilidade a Cada Transmissão ao Vivo.

Tradutor/Revisor: miggigibe


Quanto tempo havia passado? Ele não conseguia se lembrar. Ainda assim, Kyle sabia que mais de um dia já havia se passado.

Continuava preso dentro da caixa cinzenta, sempre esperando outro monstro aparecer para que pudesse matá-lo.

Como apoio, havia recebido apenas um bastão simples de madeira para se defender, junto com sua Gênese.

O sistema não podia ajudá-lo, e usar o Olho de Deus ou qualquer outra bênção estava fora de cogitação. Fazer isso apenas destruiria sua rede de segurança.

Ele não estava preocupado com o tempo gasto ali. O sistema já o havia informado sobre a diferença no fluxo temporal entre aquele espaço e o mundo real.

Nesse sentido, ele estava seguro.

Mas aquela segurança não significava nada naquele momento.

Uma criatura de pouco mais de um metro saltou contra ele, selvagem e implacável, mirando em sua garganta para rasgá-la.

— Merda, morre, desgraçado! — Kyle rosnou, o desespero vazando em sua voz enquanto golpeava a cabeça da criatura com o bastão.

A criatura desviou com facilidade, a velocidade aumentando de forma antinatural, antes de cravar os dentes no pulso dele.

— Ah, merda! — Kyle gritou, exausto e frustrado demais para pensar com clareza.

Ele agarrou a criatura pelo pescoço e a arrancou de seu braço, deixando o pulso ensanguentado e dilacerado pelas mordidas.

A Gênese já havia começado a agir, costurando a carne e fechando os ferimentos, mas Kyle não deu atenção a isso.

Girou sobre o calcanhar, tomou impulso e esmagou o rosto da criatura contra o chão.

TUM.

A cabeça da criatura quicou contra a superfície com o impacto.

Kyle não parou. Cravou o pé nas costas dela, prendendo-a no chão.

A criatura se debatia violentamente, torcendo o corpo em uma tentativa desesperada de se libertar.

Kyle limpou o sangue do nariz, os olhos ardendo em vermelho enquanto se inclinava para frente e agarrava os braços que se agitavam.

Pressionando ainda mais com o pé, ele puxou.

— Ahhhhhh!

Com um rugido gutural, Kyle arrancou com toda a força que tinha.

Os dois braços se desprenderam.

Sangue escuro jorrou, músculos se rasgando enquanto respingos se espalhavam pelo chão.

TUM.

Kyle lançou os membros decepados para o lado e caiu de joelhos sobre a criatura que ainda gritava. Agarrando-a pelos cabelos, puxou sua cabeça para cima.

— Foi mal, cara… você escolheu a hora errada.

Sua mandíbula se apertou.

Ele esmagou o rosto da criatura contra o chão outra vez.

Um som úmido de carne rasgada e ossos se partindo ecoou.

Ele não parou.

Uma vez. Duas. Três.

De novo e de novo, até a criatura parar de se mexer.

Kyle expirou fundo antes de se erguer.

Seu corpo estava encharcado de sangue, mas, por baixo dele, não restava um único arranhão.

A Gênese ainda envolvia seu corpo como um manto silencioso, sempre pronta para defendê-lo de qualquer perigo que aquele mundo pudesse oferecer.

Quando Kyle começou a esperar por outro adversário, uma voz ecoou:

— Você se saiu bem.

O espaço ao redor se distorceu e, mais uma vez, ele se viu diante da mulher familiar.

— Aquilo… foi uma experiência horrível — ele murmurou, à beira de golpeá-la.

— E fico feliz que tenha aproveitado tanto — ela respondeu, como se não tivesse ouvido uma palavra do que ele disse.

Aleda se aproximou e inclinou a cabeça.

— Sua reserva de Gênese é… extraordinária. Você sobreviveu trinta e oito horas dentro daquela câmara, e a Ausência dentro dela ficou mais pura a cada hora que passava. Ainda assim, nem uma única vez o seu Membro Dourado vacilou. Estou impressionada.

Kyle piscou, pego de surpresa.

— Trinta e oito horas? …por que eu não estou cansado nem com fome?

— Porque a Gênese esteve trabalhando dentro de você o tempo inteiro — ela explicou com calma. — Naturalmente, você vai sentir algum cansaço quando relaxar, mas não será nem perto do que deveria sentir.

Kyle murmurou baixo e olhou para a própria mão. Não havia marcas, mas ela tremia de leve. Seu corpo estava exausto, mas sua mente ainda parecia não ter percebido isso.

— Você se saiu bem, Kyle — ela disse. — Acredito que agora entenda como é quando seu corpo opera continuamente com Gênese.

A figura dela pareceu oscilar.

Ou talvez fosse a visão dele que estivesse falhando.

Kyle não conseguia dizer se ela estava desaparecendo… ou se era ele quem estava perdendo a consciência.

Ainda assim, não hesitou e perguntou de imediato:

— Espere… então, da próxima vez que eu enfrentar um habitante de Knull, devo evitar usar uma bênção e confiar só no meu Membro Dourado?

Aleda deu de ombros de leve.

— Você pode confiar no próprio corpo, mas, sim, eu sugeriria que não se jogasse de cabeça em um inferno só para testar isso, certo?

— Ah… e quando vamos ter outra… sessão…

Seus olhos começaram a pesar, e seu corpo balançou, instável.

Aleda ficou genuinamente surpresa. Mesmo depois de tudo que havia suportado nas últimas quarenta horas, ele ainda estava ansioso por outra sessão.

Ele é resistente… e não foge da dificuldade, ela admitiu em silêncio antes de responder.

— Eu chamo você — ela disse. — Até lá, descanse bem e continue fazendo o que já vinha fazendo. Isto é, claro… suas lives.

E, com isso, Kyle perdeu a consciência.


Amanda estava sentada em seu quarto, vestida com uma camisola rosa que lhe dava uma aparência delicada, quase de boneca.

Sua pele ainda guardava o rubor suave do banho, os ombros levemente avermelhados, e os cabelos úmidos grudavam de leve em seu pescoço.

Ela se acomodou no banco e encarou o próprio reflexo no espelho.

Kyle era um caminhante noturno.

Toda vez que esse pensamento surgia, uma tempestade de emoções se agitava em seu peito.

Não havia dúvida de que, até pouco tempo atrás, ele era completamente normal. Ela não havia sentido nem um vestígio de Gênese nele.

Mas, pensando bem… mesmo hoje, sentada tão perto dele, também não tinha sentido nada.

Será que isso significava que ele havia despertado há muito tempo e simplesmente atuava por conta própria?

Não… aquilo não fazia sentido.

Amanda estivera envolvida demais na vida pessoal dele para que Kyle conseguisse esconder algo assim.

Sim, soava hipócrita, mas Amanda se permitia esse egoísmo quando o assunto era Kyle.

Ela sabia, sem sombra de dúvida, que ele não tinha ligação com o Mundo Etéreo até pouco tempo atrás.

E ainda assim…

O que ela vira hoje—

Ela sabia que não estava enganada.

E, já que ele havia escolhido mostrar aquilo a ela… isso significava que Kyle já sabia que ela também era desperta?

— Kyah! — ela soltou um gritinho, abraçando a si mesma em puro deleite.

Aquilo não significava que ela não precisava mais se esconder?

Uma parte racional dela entendia que Kyle estava trilhando um caminho perigoso. Mas agora ela poderia caminhar ao lado dele, mesmo que aquele caminho acabasse levando os dois à ruína.

Ela não precisaria mais guardar segredos dele.

Eles poderiam viver felizes… para sempre.

Poderiam caminhar até o altar, trocar votos, ter filhos… ah… talvez ela desmaiasse só de pensar nisso.

— Kyle… eu quero tanto ver você agora… — ela murmurou, desabando sobre a penteadeira.

Mas, na faculdade, ele ainda era cauteloso perto dela. Amanda não conseguia entender o motivo, mas, mesmo naquele dia, Kyle havia falado com ela em segredo e a chamado para o terceiro andar justamente para permanecer longe dos olhos dos outros. E eles também não podiam conversar sobre aquilo por telefone… então quando?

— Acho que… Kyle vir nessa viagem é inevitável…

Ela só precisava mantê-lo escondido de Layena e dos outros. Talvez pudesse se trancar com ele em algum porão ou algo assim.

Ehehe… isso parece tão romântico.

De repente, ela tinha uma nova fantasia para alimentar naquela noite.

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