Começando com o Nível SSS: Eu Ganho Uma Nova Habilidade a Cada Transmissão ao Vivo.

Capítulo 58

Começando com o Nível SSS: Eu Ganho Uma Nova Habilidade a Cada Transmissão ao Vivo.

Tradutor/Revisor: miggigibe


Cercada por incontáveis estrelas, uma figura solitária estava deitada no chão frio, ao lado de um riacho de águas correntes, com a expressão tomada por uma alegria inconfundível.

Vários gatinhos se reuniam ao redor dela, miando baixinho, limpando-se e esfregando a cabeça contra a mulher que normalmente os enchia de afeto e cuidado. Mas, naquele dia, ela estava ocupada demais para notá-los.

À sua frente, flutuava um orbe de luz, projetando a imagem de um jovem na casa dos vinte anos, profundamente adormecido em sua cama.

Mesmo depois de sete horas, ela não havia desviado o olhar. O sorriso em seus lábios nunca desapareceu, como se observá-lo fosse a maior alegria que já conhecera.

Então, um leve brilho cintilou atrás dela. No vasto espaço estrelado, outra figura surgiu.

Esta parecia mais jovem, uma mulher no fim da adolescência, de compleição atlética e pele mais escura que a de Freya.

Uma lança repousava firme em sua mão esquerda. Seus olhos se estreitaram quando ela falou, o tom afiado, mas controlado:

— Você está indo longe demais agora, Freya.

Sua voz não provocou reação alguma. A deusa permaneceu como estava, balançando os pés distraidamente enquanto observava o garoto com uma obsessão silenciosa.

Ser ignorada não agradou à portadora da lança. Com um movimento repentino, ela golpeou o chão com a arma. Um som metálico e agudo ecoou pelo espaço, e o orbe de luz se despedaçou até desaparecer.

Só então Freya se virou para olhar sua visita. Seus cabelos loiro-mel deslizaram suavemente sobre o ombro enquanto seus olhos oceânicos se suavizavam com calor.

— Arti… quando você chegou?

A mulher, Arti, conhecida formalmente como Artemis, a Deusa da Lua, franziu levemente a testa e endireitou a postura antes de falar com autoridade contida.

— Você continua violando as leis com cada vez menos consideração. Está manipulando uma devota por interesses egoístas.

Freya deixou as pernas longas e esguias caírem pela beirada dos degraus, balançando-as suavemente de um lado para o outro.

— Por que me acusa como se eu tivesse feito uma lavagem cerebral na minha querida Veronica? Ela já nutria sentimentos por Kyle. Eu apenas aticei um pouco as chamas.

Ela acrescentou uma piscadela brincalhona no final, o que só serviu para irritar ainda mais a Caçadora.

— Isso é impróprio, Freya. Quando ele descobrir a verdade, vai deixar de falar com você.

Freya soltou um leve escárnio.

— Eu sei exatamente como conquistar o perdão dele, querida. Você deveria se preocupar consigo mesma. Por que continua observando-o quando nega até os prazeres mais simples?

Os olhos de Artemis ficaram frios, sua voz firme e controlada.

— Eu respeito Kyle pelo que ele fez por mim. Meus sentimentos não se limitam ao desejo carnal que você busca com tanta avidez.

Freya revirou os olhos.

— Bem, ele certamente apreciaria um pouco de calor… mas, infelizmente, não posso estar lá com ele.

Ela soltou um suspiro suave, os dedos deslizando para coçar a cabeça do gatinho mais próximo, arrancando dele um ronronar baixo e satisfeito.

Artemis estreitou os olhos para Freya antes de falar em tom firme:

— Você entende que esse assunto será levantado no próximo solstício, não entende? Não podemos permitir que Kyle caia sob o escrutínio de todos, ou eles podem investigar mais fundo do que deveriam.

O calor nos olhos de Freya desapareceu no mesmo instante. O espaço ao redor escureceu enquanto sombras se infiltravam. A água corrente congelou por completo, e as estrelas acima se partiram em fragmentos flutuantes.

Seus olhos ficaram vermelhos, veias escuras surgindo nas bordas enquanto Freya falava em uma voz baixa e perigosa:

— Eu não vou permitir isso.

— Você não tem autoridade para impedir — Artemis respondeu sem hesitar. — Nem mesmo o velho poderia intervir de verdade se o conselho chegasse a um consenso.

Freya rangeu os dentes, a compreensão se assentando quando percebeu por que Artemis havia vindo.

A Deusa da Castidade deixou sua posição clara.

— Cesse sua interferência no plano mortal se deseja que ele tenha uma vida pacífica.

Freya desviou o olhar, estalando a língua com leve irritação.

— Eu apenas estava guiando-a…

Mesmo sem se virar, ela já conseguia imaginar a expressão de Artemis. Com um suspiro baixo, acrescentou:

— Mas tudo bem… vou parar por enquanto. Só não espere que eu pare de assistir.

Artemis hesitou por um breve instante antes de falar de novo, um traço de curiosidade escapando em sua voz normalmente controlada.

— Tenho bastante curiosidade sobre esse método que você obteve. Você o adquiriu no Cofre?

Os lábios de Freya se curvaram em um sorriso caloroso quando ela olhou por cima do ombro.

— Gostaria que eu compartilhasse com você, querida?

Artemis piscou, pega de surpresa, mas antes que pudesse responder—

— Minhas desculpas, mas não estou disposta a compartilhar o meu Kyle. Então pode ir embora.

Artemis cerrou os dentes, mas permaneceu em silêncio. Não havia sentido em insistir. O que quer que ligasse Freya a Kyle ia muito além de algo tão simples quanto vigilância visual.


— Ah…

Kyle despertou com um sobressalto.

Sua mente estava completamente em branco, e um zumbido agudo ecoava sem parar em seus ouvidos.

Ele balançou a cabeça e esfregou os olhos, forçando a clareza a voltar.

Quando seus sentidos se estabilizaram, murmurou:

— Sistema… quanto tempo eu apaguei?

[26 horas, hospedeiro.]

Kyle arregalou os olhos.

Agarrou o celular e, de fato—

Eram 6h36… mas não do mesmo dia.

Ele tinha dormido por um dia inteiro?

Que diabos… ele estava mesmo tão exausto assim?

[O Membro Dourado estava sustentando seu corpo, hospedeiro. No entanto, seu corpo ainda não se adaptou a sobreviver apenas com Gênese. O desgaste acumulado por sua inexperiência exigiu um descanso prolongado.]

Kyle gemeu.

— Perdi minhas aulas…

Ao rolar as mensagens no celular, viu várias notificações. Algumas eram de seu irmão, enquanto um número que ele não reconhecia havia perguntado se ele estava bem.

Por algum motivo, teve a sensação de que era Veronica ou Amanda.

Ele gemeu de novo. Aquilo estava uma bagunça.

Foi então que o telefone tocou.

Blake.

Kyle tossiu de leve, limpando a voz. Não podia deixar aquele desgraçado provocador perceber que tinha acabado de acordar. Então atendeu.

[Você morreu?]

Kyle soltou uma risada seca.

— Sim. Acabei de voltar do além porque meu querido irmão decidiu ligar.

[Seu humor morreu também. Enfim, estou indo aí com Corella. Limpe esse chiqueiro pelo bem da minha reputação.]

Kyle congelou.

Então olhou lentamente ao redor da casa.

É… definitivamente precisava de uma limpeza.

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