Começando com o Nível SSS: Eu Ganho Uma Nova Habilidade a Cada Transmissão ao Vivo.

Capítulo 20

Começando com o Nível SSS: Eu Ganho Uma Nova Habilidade a Cada Transmissão ao Vivo.

Tradutor/Revisor: miggigibe


Ver a si mesmo virar meme nunca era agradável.

E não era qualquer meme.

Era o meme do cara que foi traído enquanto brincava com dois blocos de montar.

Postagem após postagem inundava o fórum da universidade.

As pessoas o marcavam abertamente.

Alguém até criou uma figurinha com o rosto dele sobre o do boneco menor, sendo deixado de lado enquanto outro boneco, maior e mais chamativo, carregava Amanda para longe.

A imagem era dividida em duas partes.

De um lado, um boneco pequeno olhava para cima com os olhos arregalados. Do outro, um boneco maior oferecia flores a uma garota-boneca, com os nomes dos dois marcados por asteriscos acima da cabeça.

Kyle fechou a aba.

Aquilo doía?

Sim.

Ele ainda era humano.

Mas também já esperava por isso.

Aquela universidade tinha muitos alunos ricos. Gente entediada com acesso a tempo, dinheiro e crueldade.

Kyle também vinha de família privilegiada. Entendia a lógica.

Se você não era poderoso o bastante para impressioná-los nem miserável o bastante para ser ignorado, então era perfeito para virar entretenimento.

Ele recostou a cabeça na cadeira.

Não saiu do fórum.

Isso só confirmaria que as piadas tinham conseguido atingi-lo.

Depois de alguns segundos, abriu o celular e mandou uma mensagem ao representante da turma.

[Não vou para a universidade hoje.]

Depois de tudo o que havia acontecido, não havia a menor chance de ele ir à aula.

Mentalmente.

Fisicamente.

Não dava.

— Sistema?

[Sim, hospedeiro?]

— Eu sonhei com tudo aquilo?

[Não, hospedeiro. Você não sonhou.]

Kyle soltou o ar devagar.

Claro.

Se tudo aquilo fosse real, então havia uma coisa que precisava fazer.

Kyle pegou o celular e ligou para a mãe.

Depois de três toques, ela atendeu.

[Kyle?]

Sua voz parecia fraca.

— Mãe, a senhora está bem?

[Estou. Só um pouco cansada.]

— Desmaiou de novo?

Ela ficou em silêncio por alguns instantes antes de responder:

[Uma vez. Estou melhor agora. A enfermeira disse que eu estava desidratada, então administrou eletrólitos.]

Kyle fechou os olhos.

Enquanto ele dormia em paz, a mãe quase havia desmaiado outra vez no hospital.

A culpa o atingiu com força.

— E o Blake?

[Ele está estável.]

— O que o pai disse?

[Ele disse para você não se preocupar. Também pediu que evite aquela área perto da estação à noite.]

Kyle franziu a testa.

Foi ali que ele havia caçado.

O sistema comentou:

[Deve ser sobre o caos que você causou ontem, hospedeiro.]

Kyle ignorou.

— O pai disse por quê?

[Não. Só pediu para você não ir.]

Como esperado, seu pai evitou os detalhes.

Kyle suspirou.

— Mãe, a senhora também deveria voltar para casa e descansar.

[Você está soando como seu pai agora.]

— Então talvez ele esteja certo desta vez.

Ouviu um suspiro fraco do outro lado.

[Vamos transferir Blake para a residência principal em Fortis amanhã. Não é seguro para ele ficar no hospital por muito tempo. Há rumores de um batedor de carteiras rondando aquela área e… bem, não podemos correr riscos.]

Kyle quase soltou uma risada.

Batedor de carteiras.

Então aquela era a história que decidiram usar.

Mesmo assim, a notícia era boa.

Ele queria dar ao irmão o Elixir Vermelho que havia conquistado, mas o hospital era cheio de câmeras e funcionários demais. Seria melhor esperar até Blake ser transferido para um local mais privado.

A residência principal da família era perfeita.

— Eu vou.

[Fazer o quê?]

— Ver o Blake. Depois que ele for transferido.

[Ah.]

A voz da mãe ficou um pouco mais suave.

[Venha. Ele vai gostar de saber que você está por perto.]

— Tudo bem.

Após mais algumas palavras, Kyle encerrou a ligação.


Do lado de fora da casa dele, Amanda esperava.

Kyle geralmente saía para a universidade por volta daquele horário.

Ela não sabia se ele viria.

Ainda assim, queria vê-lo.

Tinha ouvido sobre Blake tarde da noite. Apesar de ainda estar de prontidão na universidade, pediu dispensa apenas para vir até ali.

Blake Astortia não era um caminhante noturno comum.

Ele era um dos mais fortes de Fortis, capaz até mesmo de desafiar a Comandante em batalha.

Aquilo significava que os ferimentos eram graves.

Do ponto de vista de Kyle, no entanto, o irmão havia sofrido um acidente, e os médicos não conseguiam ajudá-lo por motivos desconhecidos.

Será que ele estava bem?

Amanda olhou para a porta do apartamento dele.

Ela ainda hesitava entre bater ou não quando o celular vibrou.

Ethan.

Amanda franziu a testa e atendeu.

— Precisa de alguma coisa?

Depois de tudo o que havia acontecido, uma irritação havia criado raízes dentro dela.

A voz de Ethan veio do outro lado, fria e controlada.

[Kyle não apareceu na universidade.]

— E daí?

[Me diga que você não foi se encontrar com Kyle.]

Os dedos de Amanda apertaram o celular.

— Por que isso diz respeito a você?

[Temos uma missão chegando, Amanda. Se você continuar agindo assim, presa nesse seu joguinho amoroso…]

Ela encerrou a chamada.

Então encarou a porta outra vez.

Apenas alguns passos.

Era tudo o que a separava dele.

Mas, mesmo assim, faltou coragem para bater.

Afinal, Kyle havia pedido para ela nunca mais se aproximar dele.

Amanda abaixou a cabeça.

Se eu nunca tivesse despertado esta maldição…


Kyle estava sentado diante do computador, preparando-se para entrar ao vivo.

Ainda ontem, havia quase decidido encerrar o canal.

Agora, porém, estava ali de novo.

Não para fugir.

Não para desabafar.

Mas para exigir respostas.

— Será que alguém vai aparecer? — murmurou.

[Os patronos estão ansiosos para falar com você.]

Aquilo era assustadoramente tranquilizador.

Kyle respirou fundo, ligou a câmera, ajustou a máscara no rosto e apertou o botão para iniciar a live.

A transmissão conectou.

Kyle não transmitia jogos em alta. Não fazia desafios extremos. Não entrava em partidas de vida ou morte por dinheiro.

Ainda assim…

Cinco espectadores entraram imediatamente.

O chat explodiu.

WarHorse: [Você conquistou o campo de batalha! Meu irmão voltou!]

Myuri: [Kyleeeeee! Você está bem? Ficou ferido? Está com fome? Está triste? Quer um abraço?]

Ethara: [Bem-vindo de volta, Kyle. Seus olhos também ficaram bonitos.]

Tharos: [Kyle… me abraça.]

One-eyed: [Hoho… vejam quem apareceu. Como foi sua experiência ontem à noite?]

Ethara: [Isso não soou bem.]

Myuri: [Isso soou horrível!]

WarHorse: [Explique-se, velho!]

Kyle fechou os olhos por um instante.

O caos familiar.

Ele quase sentiu falta daquilo.

Quase.

Quando os abriu de novo, seu olhar estava firme.

— O que exatamente vocês são?

O chat ficou em silêncio.

Kyle continuou:

— Como conseguem transformar um cara normal como eu em um caminhante noturno? Como sabem tanta coisa sobre mim? Como conseguem mandar um sistema para a minha casa e enfiar uma habilidade nos meus olhos?

Ele se inclinou levemente para a câmera.

— Eu quero respostas.

Sua voz ficou mais baixa.

— Não piadas. Não enigmas. Respostas.

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