Começando com o Nível SSS: Eu Ganho Uma Nova Habilidade a Cada Transmissão ao Vivo.

Capítulo 19

Começando com o Nível SSS: Eu Ganho Uma Nova Habilidade a Cada Transmissão ao Vivo.

Tradutor/Revisor: miggigibe


Logo cedo, um jovem disparava pelas ruas silenciosas, indo em direção à parte mais isolada da cidade, onde quase ninguém passava.

Ele quase se chocou contra um poste diante de um prédio abandonado, mas conseguiu se equilibrar no último segundo.

Sem reduzir o ritmo, atravessou as portas quebradas e entrou na construção abandonada como se alguém estivesse esperando por ele lá dentro.

O interior estava silencioso.

Poeira cobria o chão. Teias tomavam os cantos. Não havia sinal de vida.

Ele não hesitou.

Seguiu direto até a parede da sala de estar e parou diante de uma estante alta, coberta por camadas de sujeira. À primeira vista, não parecia nada além de sucata esquecida.

Mas não era por isso que ele estava ali.

Ethan estendeu a mão e inclinou um livro específico na terceira prateleira.

Um ronco baixo vibrou sob seus pés.

A estante inteira deslizou para o lado, revelando uma parede de metal reforçado que destoava completamente do ambiente deteriorado.

Uma esfera vermelha, embutida perto do centro, o escaneou da cabeça aos pés.

Após uma breve pausa, brilhou em azul.

A porta mecânica se abriu ao meio.

Ethan entrou correndo sem pensar duas vezes.

Por fora, o prédio parecia uma ruína de um andar, esquecida pelo tempo.

Por baixo dele, no entanto, havia uma ampla instalação subterrânea.

Os pisos polidos reluziam sob a luz artificial. O teto se erguia alto, sustentado por vigas reforçadas. Agentes se moviam às pressas pelos corredores, focados e determinados.

Ethan ignorou todos e seguiu direto para a ala médica.

— Layena?! — chamou ao entrar na enfermaria, atraindo imediatamente a atenção das enfermeiras e dos funcionários próximos.

Uma garota de cabelos negros, sentada ereta sobre uma cama, revirou os olhos.

— Pare de gritar, Ethan.

Ethan correu até o lado dela, com o rosto pálido.

— O que aconteceu? Você está ferida?

A voz dele tremia levemente.

E a preocupação em seus olhos dizia tudo.

Então uma voz calma surgiu à esquerda.

— Você está exagerando, Ethan.

Ethan se virou de imediato e, por instinto, endireitou a postura.

Uma mulher de cabelos prateados se aproximava.

Um tapa-olho cobria seu olho esquerdo, e uma tatuagem semelhante a vinhas se enroscava pelo pescoço pálido. Apesar da hora cedo, ela vestia um terno formal ajustado. A calça escura destacava suas pernas longas, e a camisa estava perfeitamente passada, embora alguns botões superiores permanecessem abertos. Logo abaixo da clavícula, uma cicatriz de batalha marcava sua pele.

Mas nada disso era o que realmente chamava atenção.

Era a presença dela.

Pesada.

Afiada.

Exigindo cautela.

O próprio ar parecia se contrair ao redor dela.

Ela estava entre os doze caminhantes noturnos de grau especial da nação.

A comandante da base.

Veronica Steelglade.

A única sobrevivente e atual líder do clã Steelglade, um dos três grandes clãs ao lado do clã Astortia.

— Comandante… — Ethan murmurou, a voz agora visivelmente mais firme.

Veronica estreitou os olhos.

— Você não deveria estar aqui, Ethan. Há uma operação se aproximando e uma equipe que depende de você.

Ethan abaixou a cabeça.

— Peço desculpas por quebrar o protocolo ao visitar a base, Comandante. Mas não é normal Layena se ferir.

Veronica murmurou em concordância.

— Você está certo. Mas isso ainda não lhe dá autoridade para ignorar as regras.

Ela balançou a cabeça, cruzou os braços e se virou para Layena.

— Então? Você se lembra do que aconteceu ontem?

Com isso, Ethan percebeu que Layena ainda não havia enviado seu relatório.

Layena soltou o ar devagar.

— Deixando de lado o fato de um carniçal ter aparecido perto de uma área tão populosa, o que mais me incomodou foi o comportamento do majin. Ele não reagiu à presença do carniçal.

Ethan ficou rígido.

Layena havia enfrentado um carniçal sozinha.

Havia recrutas que sequer conseguiam suportar a aura de uma criatura daquelas, e ainda assim ela havia confrontado uma por conta própria.

Como esperado, ela é forte… e inegavelmente linda.

Ele forçou esses pensamentos para longe quando a comandante continuou:

— E quanto à anomalia que você deixou escapar?

Ethan franziu a testa ao ver Layena virar o rosto, claramente frustrada consigo mesma.

— Não entendi. Que anomalia? — perguntou ele.

Veronica respondeu com calma:

— Um caminhante noturno não identificado. Layena tentou capturá-lo ontem e foi completamente superada.

As sobrancelhas de Ethan se contraíram.

— Ele machucou você?

Layena revirou os olhos.

— Você não precisa se preocupar com isso.

Ela olhou de volta para Veronica e abaixou a voz.

— Comandante… aquele indivíduo era estranho. Em um momento, parecia um humano comum. Não havia nenhum traço de Gênese ao redor dele. No instante seguinte… irradiava uma presença comparável à sua.

Aquilo fez várias pessoas na sala olharem para Layena, e os olhos de Ethan se arregalaram levemente.

— Alguém comparável à Comandante? E nem sequer está registrado?

Layena não repetiu o que disse, mas o silêncio que veio em seguida foi resposta suficiente.

Veronica permaneceu calada por um instante antes de falar:

— Seja quem for, ele conhece muito bem aquela região da cidade. Usou deliberadamente ruas com cobertura mínima de vigilância. Em certo ponto, perdemos completamente o rastro dele.

Ethan deu um pequeno passo à frente.

— Pelo menos pode nos dizer qual região era?

— Ethan — Veronica o interrompeu com firmeza, o olhar ficando frio —, esse não é um assunto no qual você deva se envolver.

Ela entendia os sentimentos dele por Layena e sabia exatamente até onde ele poderia ir em nome dela.

A mandíbula de Ethan se tensionou.

— Se eu ao menos soubesse a localização, poderia manter minha equipe em alerta. Só por precaução.

Veronica soltou o ar e balançou a cabeça.

— Concentre-se na missão que recebeu, Ethan. Deixe isso comigo.

Com isso, virou-se e foi embora, já pensando em como rastrearia a anomalia e descobriria sua identidade.

Ethan se virou para Layena. Seu olhar demorou nas bandagens enroladas ao redor do ombro e da lateral do corpo dela.

— Cuide-se. Vou visitar você mais tarde.

Layena o encarou com seriedade.

— Guarde sua energia. Esta missão é importante. Como não vou participar dela, você terá que cuidar de tudo sozinho.

Um sorriso fraco tocou os lábios dele.

E você diz que não se importa mais comigo…

Afastando aquele pensamento, ele respondeu:

— Não se preocupe. Eu vou resolver. Você se concentre em se recuperar direito.

Um instante depois, Ethan foi embora.

Mas, assim que deu as costas a ela, o calor em seu olhar desapareceu.

Seus olhos ficaram frios.

Então alguém ousou ferir Layena…

Ethan não sabia quem era a anomalia.

Mas, no instante em que o encontrasse, já sabia exatamente o que faria.

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