
Capítulo 17
Começando com o Nível SSS: Eu Ganho Uma Nova Habilidade a Cada Transmissão ao Vivo.
Tradutor/Revisor: miggigibe
Um calafrio percorreu a espinha de Kyle no instante em que ele se virou.
Não conseguia ver uma figura clara, mas havia algo ali, desprendendo-se da parede escurecida. Era uma criatura alta e anormalmente magra, facilmente com mais de dois metros de altura, com a forma fantasmagórica e distorcida.
Kyle só conseguia distinguir sua silhueta.
A criatura permanecia imóvel, mas ele não conseguia dizer onde a cabeça terminava ou onde os membros começavam.
— Saia daí!
Um empurrão repentino o fez cambalear para o lado. Kyle atingiu o chão e rolou, o ar sendo arrancado de seus pulmões. Só então percebeu o quanto havia se aproximado daquela coisa.
S-sistema? Sua respiração ficou rasa. Que diabos eu estava fazendo agora há pouco?
[Isso é um carniçal, hospedeiro. Um ser que se alimenta das emoções humanas dominantes e manipula suas vítimas de acordo com elas. Você sentiu curiosidade. Ele o atraiu para mais perto.]
— Merda…
Sua garganta ficou seca.
Layena já havia entrado em combate.
De onde estava caído, Kyle conseguia ver formas tênues e retorcidas se estendendo do corpo da criatura. Pareciam tentáculos sombrios, chicoteando na direção das costas de Layena. Ela girava com sua lâmina curta, desviando cada golpe com precisão afiada.
[Hospedeiro, esta entidade se origina da dimensão conhecida como Knull. Ela supera um pesadelo em força e possui autoridade sobre criaturas mais fracas. No seu nível atual, o confronto direto não é recomendado.]
Kyle engoliu em seco e assentiu para si mesmo.
Eu não estava planejando lutar contra essa coisa de qualquer forma.
Sem desperdiçar mais um segundo, ele entrou em um beco próximo, colocando distância entre si e o monstro atrás dele.
Layena grunhiu enquanto deslizava para trás na ponta dos pés, então impulsionou o corpo contra o chão para escapar do golpe que vinha em sua direção.
CLANG!
O tentáculo esmagou o asfalto no ponto onde ela estivera um instante antes. A rua rachou, e um miasma escuro vazou para fora, corroendo o concreto.
Os olhos dela se estreitaram.
Um carniçal forte. Preciso ser precisa.
Carniçais eram classificados como ameaças de estágio dois, especialmente quando encontrados sozinhos. Para alguém de grau um como ela, aquele era um oponente à altura. Um verdadeiro teste.
Assim que confirmou que nenhum civil estava observando, Gênese irrompeu de seu corpo. Uma onda afiada de energia ondulou pelo ar ao seu redor.
As câmeras de vigilância já deveriam ter acionado um alerta. A comandante e a unidade de reforço provavelmente estavam a caminho.
Até lá, aquela luta era dela.
O rosto sem feições do carniçal se contorceu.
Uma fenda negra e vazia se alargou em algo semelhante a um sorriso, como um abismo se abrindo.
Layena abaixou a postura e avançou.
Ela disparou contra a criatura em uma velocidade vertiginosa.
O carniçal respondeu no mesmo instante. Dezenas de tentáculos sombrios avançaram contra ela de todos os ângulos.
No meio da corrida, Layena se viu diante de mais de vinte membros pontiagudos como lâminas. Talvez não a matassem de imediato, mas um único golpe certeiro atravessaria carne e osso.
Seu olhar se afiou.
Ela calculou cada trajetória em uma fração de segundo.
Então se moveu.
Esquerda.
Direita.
Abaixar.
Girar.
Saltar.
Layena deslizou entre os golpes com precisão fluida, cada movimento curto e controlado. Anos de experiência em campo guiavam seus passos, apesar da pouca idade.
Um tentáculo passou perto demais. Ela o desviou com a lâmina curta. Outro veio em direção às suas costelas. Layena o rebateu e continuou avançando sem perder o impulso.
Passo após passo.
Golpe após golpe.
Ela encurtou a distância.
Sua marcha em direção à criatura desumana nunca desacelerou.
SHING.
Um único tentáculo disparou contra ela como uma flecha solta, mirando diretamente sua testa.
Layena inspirou com força e inclinou a cabeça no último instante possível.
O golpe desviou.
Em vez de perfurar seu crânio, afundou em seu ombro.
Ela grunhiu, os joelhos se dobrando levemente com o impacto.
O carniçal soltou uma risada aguda e distorcida.
— Kukukukukuku…
O som arranhava os ossos.
Layena zombou.
Gênese irrompeu de seu corpo, expandindo-se como uma maré fervente. Gelo se espalhou pelo tentáculo cravado nela, correndo por sua superfície em um instante.
O carniçal congelou no meio da risada.
Sua forma semelhante a um vazio tremeu.
Ele a encarou, imóvel.
Como se finalmente tivesse entendido.
O ferimento havia sido deliberado.
Um sacrifício calculado.
Ela queria terminar aquilo.
Sua lâmina se alongou, com luz se condensando ao longo do fio.
— Lança do Julgamento: Execução.
Sua voz era baixa.
Controlada.
Ainda assim, a autoridade contida nela esmagou o ar com mais força do que a risada do carniçal jamais conseguiria.
Uma luz dourada explodiu para a frente, perfurando o núcleo da criatura.
Uma fenda vertical perfeita atravessou toda a sua forma.
O carniçal ficou imóvel.
Seus membros afrouxaram.
Por um instante, tudo parou.
Então…
DOOOOM.
O corpo se rompeu em uma nuvem violenta de fumaça negra, explodindo para fora como uma bomba de fumaça.
A visão de Layena desapareceu em um instante.
Ela balançou a cabeça, tentando dissipar a fumaça.
— Que nojo— ghk!
Sua respiração foi interrompida.
Algo afiado perfurou sua lateral.
Layena olhou para baixo.
Uma lâmina forjada de sombras havia atravessado seu flanco por completo.
Seus olhos se estreitaram.
— Um… majin.
Com cerca de um metro e vinte de altura, envolvida em escuridão densa, a criatura estava diante dela, sorrindo. Sua boca se estendia de forma antinatural, rasgando o rosto em algo grotesco.
Layena estalou a língua e contra-atacou no mesmo instante.
Sua adaga cortou em direção ao pescoço da criatura.
Mas o majin desapareceu.
Ele reapareceu do outro lado dela, avançando com a lâmina outra vez. Dessa vez, Layena reagiu mais rápido, impulsionando-se contra o chão e girando para longe antes que ele pudesse perfurá-la uma segunda vez.
Ela aterrissou com força.
Cof.
O gosto metálico de sangue preencheu sua boca.
Seu ombro estava ferido.
Sua lateral sangrava sem parar.
Isso é inesperado.
Quando majins apareciam junto de carniçais, geralmente estavam sob a autoridade do carniçal. Controlados. Subordinados.
Mas aquele havia se escondido.
Até mesmo do carniçal.
Isso era anormal.
Layena pressionou a palma contra a lateral do corpo e soltou o ar com força.
— Isso vai ser desagradável…
A maioria dos majins era formada por criaturas ferozes e irracionais.
Aquele era disciplinado.
Sua postura era equilibrada. Seus movimentos eram econômicos. Ele não avançava às cegas.
Estava lendo seus movimentos.
Layena apertou o cabo da adaga e a ergueu outra vez.
Aquilo ia ser um problema.
Seus olhos se arregalaram.
O mesmo garoto de antes surgiu de repente entre ela e o majin.
E avançou direto contra a criatura.
— Não, espere— ah!
Ela tentou gritar para fazê-lo recuar.
Tarde demais.
Uma explosão ofuscante irrompeu do corpo dele.
Gênese detonou para fora com tanta força que Layena cambaleou para trás. Seu equilíbrio cedeu, e ela caiu sobre um joelho.
A pressão no ar mudou.
O majin avançou contra ele.
Layena mal conseguia acompanhar os movimentos dos dois através da distorção.
Cada golpe lançado pelo majin atingiu apenas o ar.
O garoto se movia com leveza.
Quase casualmente.
Como se estivesse brincando.
Então puxou uma simples barra de metal.
E golpeou.
O impacto estalou contra os braços estendidos do majin.
— KHRIEEEK!
A criatura guinchou.
Gênese inundava o corpo do garoto em ondas violentas. Qualquer coisa tocada por ela tremeluzia de leve, como se tivesse sido marcada por um fogo invisível.
O majin recuou, fumaça subindo do ponto de impacto.
Os olhos de Layena se arregalaram quando ela viu o majin tentando escapar pelas sombras.
No entanto, o garoto puxou a barra de aço para trás e…
SWISH.
CRACK.
A ponta afiada da barra atravessou não apenas o majin, mas também a parede, criando uma rachadura do tamanho de uma pessoa no concreto.
Layena permaneceu sentada ali, atônita diante daquela demonstração esmagadora de força.
Ela observou as costas dele com os olhos arregalados e murmurou baixinho:
— Quem… é você?