
Capítulo 16
Começando com o Nível SSS: Eu Ganho Uma Nova Habilidade a Cada Transmissão ao Vivo.
Tradutor/Revisor: miggigibe
Layena correu em direção à estação o mais rápido que suas pernas permitiam.
Não era do feitio da Comandante suspeitar de algo tão incomum sem provas concretas. Ela não era uma mulher que agia apenas por instinto.
Os sensores de Gênese instalados por todo o setor eram de altíssimo nível. Eles conseguiam suportar a presença de vários caminhantes noturnos de grau um ao mesmo tempo, até mesmo alguém como a própria Layena, sem sequer oscilar.
Apenas caminhantes noturnos de grau ascendente eram capazes de interferir neles. Alguém no nível de Blake Astortia ou da própria comandante possuía pressão suficiente para danificar aqueles sistemas.
Mas Blake Astortia estava gravemente ferido.
E a Comandante não estava nem perto do local.
Isso deixava apenas uma possibilidade.
Um caminhante noturno de alto grau não registrado?
Não.
Aquilo parecia improvável.
A organização monitorava indivíduos desse calibre sem exceção. Em tempos tão caóticos como aqueles, nenhum caminhante noturno poderoso deixaria sua jurisdição de forma imprudente para interferir em outro território.
Para qualquer pessoa por quem passasse, Layena não seria mais do que um borrão, rápida demais para que alguém sequer percebesse que ela havia cruzado seu caminho.
À medida que se aproximava do local, Layena também sentiu.
A concentração de Gênese que vinha do beco era assombrosa.
Aos seus olhos, era como se um sol estivesse nascendo daquela rua estreita. Por um instante, ela considerou enviar uma mensagem pedindo reforços.
Porque aquilo… não era algo que ela esperava encontrar.
Ainda assim, decidiu inspecionar a área primeiro e só então contatar a base.
Quando se aproximou do beco, seus passos vacilaram.
Sua mente mal conseguiu acompanhar o desaparecimento repentino daquele brilho.
Uma quantidade insana de Gênese havia simplesmente…
— Desaparecido?
Layena franziu a testa.
O que tinha acabado de acontecer?
Mesmo assim, continuou se aproximando do beco e finalmente entrou na escuridão.
Seus olhos varreram a passagem estreita.
E lá estava ele.
Pela altura e pelo porte físico, parecia um garoto, mas o capuz e a máscara escondiam tudo. A luz fraca jogava a favor dele, engolindo qualquer traço que pudesse denunciá-lo.
Ele olhou para ela uma vez.
Então disparou em direção à outra extremidade do beco.
Layena soltou o ar e correu atrás dele, movendo-se muito mais rápido.
O que quer que tivesse sentido antes devia ter sido algum engano. Um caminhante noturno de elite jamais correria tão devagar.
— Aonde pensa que vai? — perguntou ela ao surgir na saída oposta do beco, bloqueando o caminho dele, os olhos estreitos.
Por um segundo, seus olhares se encontraram.
Olhos verde-escuros.
Ela já tinha visto aqueles olhos antes.
O garoto se abaixou e rolou para a esquerda.
Layena franziu a testa.
— Ei. Ei!
Ele não esperou.
Depois de chutar uma lixeira para o lado, como se já tivesse previsto aquele caminho, deslizou por uma pequena abertura no muro.
Layena estalou a língua e olhou para cima.
Arame farpado coroava o muro, tornando-o mais alto do que ela gostaria.
Grunhindo, ela disparou para a frente, saltou e aterrissou sobre uma caçamba de lixo. Dali, impulsionou o corpo por cima do muro com perfeição, sem que um único espinho a arranhasse.
Um vasto jardim se estendia diante dela, com a mansão erguendo-se na escuridão.
Layena procurou por ele, apenas para encontrá-lo já a meio caminho de outra passagem estreita, que levava para dentro da propriedade.
Os olhares dos dois se encontraram de novo.
Havia um brilho divertido nos olhos dele.
Tum.
Ela aterrissou com um rosnado baixo e examinou a área mais uma vez.
WOOF!
Um cão avançou contra ela, forte e veloz, claramente treinado como cão de guarda.
Layena praguejou em voz baixa.
Sem uma plataforma para saltar de volta por cima do muro, não teve escolha a não ser se jogar na mesma passagem.
Ela disparou, rolou e deslizou de cabeça pela abertura.
O pânico repentino causado pelos latidos turvou seus pensamentos por um instante.
Quando emergiu pela metade, viu o garoto outra vez.
Parado ali.
Segurando uma lata de lixo cheia sobre a cabeça.
— Não, guh!
Ela ergueu um braço, mas foi inútil.
Lixo molhado e podre despencou sobre ela, encharcando seu rosto e seus cabelos com um fedor sufocante.
Croc.
Uma dor explosiva atravessou seu tornozelo quando os dentes do cão afundaram nele.
Layena gritou e virou a cabeça na direção do garoto, ódio ardendo em seus olhos.
Foi então que viu.
Ele fez uma breve reverência, quase educada, em pedido de desculpas, antes de se virar e sair correndo.
Layena estalou a língua outra vez, sentindo um gosto azedo e repulsivo na boca. Então puxou a perna com força suficiente para fazer o cão cambalear para trás.
Aproveitando o momento, deslizou para fora e limpou o lixo do rosto com as mãos.
Aquilo foi muita sacanagem…
Enquanto corria pelas ruas silenciosas em direção à sua casa, Kyle soltou um longo suspiro. O ar noturno queimava seus pulmões, mas não tanto quanto a lembrança daqueles olhos lavanda encontrando os seus.
Ele a conhecia.
Ela era da sua universidade.
Mas, com certeza, não era alguém que esperava encontrar ali. Ainda assim, aquilo não foi a única coisa que o surpreendeu.
No instante em que a garota apareceu, o sistema o alertou.
[Caminhante noturna.]
[Ameaça elevada.]
Aquilo foi o suficiente.
Kyle soube que precisava correr.
E foi exatamente o que fez, confiando não em poder, mas em familiaridade. Havia passado bastante tempo vagando por aquelas ruas, cortando caminho por becos, memorizando becos sem saída e mapeando rotas de fuga por tédio e necessidade.
Kyle tinha um passado de fugas.
Mais de uma vez, fora obrigado a desaparecer antes que as coisas ficassem feias. Ele não era do tipo que comprava brigas sem motivo, mas também não era do tipo que abaixava a cabeça. Se houvesse chance de vencer, ele aproveitaria. Se não houvesse, iria embora.
Não era idiota o bastante para deixar o orgulho matá-lo.
E, naquela noite, esse instinto o havia salvado.
Ele balançou a cabeça, tentando controlar a respiração.
Estava prestes a perguntar ao sistema quanto tempo restava para a missão quando…
— Você realmente teve coragem de jogar lixo na minha cara.
Kyle congelou.
A voz fria cortou a rua vazia.
Seu corpo inteiro ficou rígido. Por uma fração de segundo, até seus pensamentos pararam.
Devagar, virou a cabeça.
Lá estava ela.
Braços cruzados.
Postura relaxada.
Olhos afiados o bastante para talhar carne.
Mesmo à distância, sua presença pesava sobre ele como uma força invisível.
Perigo.
Kyle inspirou com cuidado, forçando o coração a desacelerar. Seus olhos examinaram os arredores sem que ele movesse a cabeça.
A rua era larga.
Aberta.
Sem becos.
Sem obstáculos convenientes.
Os postes piscavam acima, expondo tudo.
Não havia prédios próximos o bastante para escalar. Nenhuma passagem estreita por onde se espremer. Até sua própria casa ainda estava longe.
Aquela rota tinha apenas uma saída.
Para a frente.
E ela estava atrás dele.
Foi então que a garota estremeceu.
Toda a aura dela mudou, e seus olhos se arregalaram.
Um calafrio percorreu a espinha de Kyle quando ele sentiu o ar ao redor deles mudar de repente.
Nesse momento, o sistema o alertou:
[Uma fenda apareceu, hospedeiro! É sua chance de escapar!]
À sua esquerda, ele viu.
A morte.