
Capítulo 15
Começando com o Nível SSS: Eu Ganho Uma Nova Habilidade a Cada Transmissão ao Vivo.
Tradutor/Revisor: miggigibe
O quarto estava mergulhado em silêncio.
As cortinas balançavam suavemente enquanto uma brisa leve entrava pela fresta estreita da janela.
Abaixo da janela havia uma cama pequena, e sobre ela uma bela mulher no início dos vinte anos dormia profundamente.
Seus longos cabelos negros se espalhavam pelo travesseiro como uma flor escura em plena floração. Ela usava apenas uma calça de treino justa e uma blusa branca fina que repousava levemente sobre o corpo, dando-lhe uma aparência ao mesmo tempo delicada e discretamente sedutora.
Sua respiração era lenta e regular.
O quarto ao redor estava vazio, exceto por um único armário, uma lâmpada fraca e uma mesa pequena. Nenhum relógio era permitido ali. Nenhum alarme. Nada que interrompesse o sono dela.
Então, um zumbido fraco perfurou a quietude.
Os olhos dela se abriram de imediato.
Íris lavanda fluorescentes cortaram a escuridão enquanto ela encarava o vazio à frente.
Sem se mexer muito, estendeu a mão para a pequena gaveta ao lado da cama e retirou a fonte do incômodo.
Um celular.
Não.
Dois celulares.
Um era para o mundo exterior, colocado no modo silencioso naquela hora.
O outro era diferente.
Apenas uma pessoa podia entrar em contato com ela por meio dele.
[Comandante]
Ela permaneceu imóvel por um instante antes de atender.
— O que aconteceu?
A voz dela era firme, composta, sem qualquer traço de sonolência.
[Layena, onde você está?]
— Em casa.
[Já passou da meia-noite.]
— Tecnicamente, ainda estou de plantão.
[Vá para a estação ferroviária. Uma perturbação foi detectada.]
O olhar de Layena se aguçou.
— Uma fenda apareceu?
[Não confirmada. Mas os sensores detectaram uma grande concentração de pesadelos perto dali, e nenhum caminhante noturno foi registrado no local.]
Ela passou as pernas para fora da cama, a expressão ficando séria.
— Comandante, normalmente não questiono seu julgamento, mas isso não poderia ser resolvido por outra pessoa? Sou uma caminhante noturna de grau um. Meus subordinados devem ser suficientes para cuidar de um aglomerado de pesadelos.
[Seus subordinados não conseguirão lidar com o que está acontecendo.]
Layena congelou.
A Comandante raramente exagerava.
Se dizia que seus subordinados não conseguiriam lidar com aquilo, então havia algo errado.
[Muitos pesadelos já desapareceram. Mas os sensores de Gênese quase não detectam nada. Eles estavam instalados a quase um quilômetro e meio do local.]
Layena franziu a testa.
— Então alguém está matando pesadelos sem usar Gênese?
[As câmeras do beco mostram um indivíduo brandindo o que parece ser uma barra de metal, provavelmente enfrentando os pesadelos, mas a emissão de Gênese é… assombrosa.]
— Assombrosa de que forma?
[É semelhante ao surto de Gênese registrado mais cedo, perto da terceira ala.]
O olhar de Layena escureceu.
Ela havia ouvido falar daquele incidente. Um surto repentino perto do hospital, seguido de um sinal de Ausência desaparecendo quase rápido demais para ser rastreado.
Se aquele indivíduo estivesse relacionado a isso…
— Entendido. Vou para lá agora.
— Haa… haa…
A respiração de Kyle saía aos arrancos, as costas pressionadas contra a parede enquanto sangue escorria da ferida em seu braço.
Outro pesadelo caiu de cima.
Os dentes serrilhados da criatura afundaram no antebraço dele antes que Kyle pudesse reagir.
— Desgraçado!
Ele arremessou o braço contra a parede com força brutal.
SPLAT!
O crânio da criatura estourou como um tomate esmagado.
[+3 Pontos de Alma.]
Um segundo pesadelo avançou pela esquerda.
Kyle girou o corpo, enfiou a barra de metal direto no abdômen dele e o ergueu do chão antes de arremessá-lo contra a parede oposta.
[+5 Pontos de Alma.]
Então o mundo oscilou.
[Duração do Olho de Deus: 3 minutos e 12 segundos.]
As bordas da visão dele tremeluziram, mas os pesadelos não diminuíam.
Eles continuavam surgindo, rastejando pelas frestas e pelo ar, como se emergissem da própria morte.
Kyle sabia que não conseguiria continuar assim.
Desative o Olho de Deus.
[Comando aceito.]
No mesmo instante, o pesadelo que se lançava contra ele se dissolveu em fumaça.
O beco ficou vazio.
Silencioso.
Apenas Kyle permaneceu ali, a única presença viva na escuridão.
Ele cambaleou até a mochila e desabou sobre ela, puxando o ar em inspirações irregulares.
Seu corpo doía.
Os braços tremiam.
Os pulmões pareciam em chamas.
Antes, seu corpo estava acostumado ao movimento constante. Arco e flecha, piano, treino físico, competições… durante anos, Kyle havia seguido uma rotina rígida.
Agora, estava enferrujado.
Muito enferrujado.
— Sistema… quantos pontos eu consegui?
[Depois de eliminar uma quantidade considerável de pesadelos, o hospedeiro recebeu 156 Pontos de Alma.]
[Total de Pontos de Alma atual: 161.]
Kyle fechou os olhos.
Ainda faltavam quase quarenta pontos.
E a duração do Olho de Deus estava quase no fim.
— Não posso mais continuar.
O corpo dele estava no limite.
Além disso, nem todos os pesadelos davam cinco pontos. Alguns concediam apenas um Ponto de Alma, e o sistema já havia explicado que entidades mais fracas forneceriam apenas frações de ponto.
Só tenho três minutos restantes de Olho de Deus.
Isso não seria suficiente.
— Quanto tempo falta para a missão?
[5 horas e 19 minutos.]
Kyle abriu os olhos.
Estava completamente ferrado.
Se fosse para casa agora, não havia como reunir quase quarenta pontos em dezenove minutos depois de a habilidade reiniciar.
Ou havia?
Sistema, se eu descansar por cinco horas, quanto tempo vou ter para completar a missão depois que o Olho de Deus voltar?
[Com a duração restante atual, o hospedeiro pode obter os pontos restantes em aproximadamente onze minutos depois de acordar.]
[No entanto, recomenda-se que o hospedeiro durma. Seu corpo está perto do colapso. O sistema notificará o hospedeiro quando ele recuperar a consciência.]
Kyle ponderou.
Será que realmente conseguiria fazer isso?
Foi então que uma voz desconhecida veio do fim do beco.
— Ei, você. Pare bem aí.