
Capítulo 10
Começando com o Nível SSS: Eu Ganho Uma Nova Habilidade a Cada Transmissão ao Vivo.
Tradutor/Revisor: miggigibe
Kyle não conseguia se lembrar da última vez que ouvira a mãe chorar.
E, no instante em que ela mencionou a palavra “hospital”, ficou claro que algo grave havia acontecido.
Ele correu o mais rápido que pôde em direção à estação de trem. Felizmente, o sistema ferroviário funcionava durante a noite, o que significava que conseguiria chegar a Fortis, a cidade central, em uma hora.
Depois de passar o cartão pelo leitor, entrou na estação subterrânea e olhou para a esquerda.
Ainda não havia sinal do trem.
Kyle olhou para o grande relógio pendurado em um dos pilares.
Ainda faltavam dez minutos.
Batendo o pé contra o piso da plataforma, esperou, com a impaciência crescendo a cada segundo.
Ele continuava olhando para o celular, quase esperando outra ligação de alguém da família.
Por um breve momento, pensou em ligar para o pai, mas descartou a ideia. O pai provavelmente estava preocupado demais para conversar naquele momento.
No fim, Kyle colocou o celular de volta no bolso e continuou esperando.
Seu irmão era empresário e consultor, uma figura bastante influente em Fortis.
A única explicação que Kyle conseguia imaginar para aquela situação era um acidente.
Claro, Blake era conhecido, mas não a ponto de se tornar alvo do submundo.
Ou será que Kyle simplesmente não sabia de nada?
Várias possibilidades passaram pela sua mente enquanto esperava o trem, cada uma aumentando ainda mais sua ansiedade.
Quando o trem finalmente chegou, Kyle entrou às pressas.
Pouco depois, a composição começou a se mover, e a paisagem do lado de fora se tornou um borrão conforme ganhava velocidade.
Kyle se sentou e tentou controlar os nervos.
Não havia muitas pessoas no vagão, e nenhuma delas demonstrava o menor interesse no rapaz ansioso sentado ali. Kyle não poderia estar mais agradecido. A última coisa que queria era alguém perguntando se ele estava bem.
À medida que os minutos passavam, seu celular vibrou de repente.
Na pressa de pegá-lo, quase deixou o aparelho cair, certo de que era um de seus pais ligando.
Mas, no instante em que seus olhos pousaram no identificador de chamada, seu humor azedou.
Amanda.
Sem hesitar por um segundo, Kyle recusou a chamada.
Bzzz…
Ela estava ligando de novo.
Estalando a língua, Kyle recusou mais uma vez e a bloqueou imediatamente.
Não queria que seu celular ficasse ocupado por motivo nenhum naquele momento.
O restante da viagem pareceu dolorosamente longo até o trem enfim parar.
Kyle saiu às pressas e subiu as escadas que levavam para fora da estação.
Do lado de fora, nem se deu ao trabalho de chamar um táxi. O hospital ficava a apenas uns quinhentos metros dali.
Depois de viver mais de dez anos naquela cidade, ele sabia exatamente quais atalhos o levariam até lá mais rápido.
Correndo por um beco mal iluminado e quase esbarrando em um carrinho de coleta, Kyle finalmente avistou o prédio imponente para o qual vinha correndo.
No instante em que entrou, o cheiro forte de antisséptico o atingiu, misturado ao choro distante de uma mulher ecoando pelos corredores.
Luzes brancas se estendiam pelo teto sem fim aparente, refletindo no piso polido por onde enfermeiras se moviam rapidamente entre os quartos. Em algum lugar mais adiante, monitores apitavam em ritmo constante, fazendo o aperto no peito dele piorar ainda mais.
Enxugando o suor da testa, Kyle se apressou até a recepção e disse, ligeiramente sem fôlego:
— Blake Astortia.
A enfermeira ergueu os olhos para ele, a expressão profissional, mas cautelosa.
— E você é?
Kyle franziu a testa.
Por que isso importa?
Ainda assim, depois de uma breve pausa, respondeu:
— Sou irmão dele. Kyle.
A enfermeira assentiu, pegou o telefone fixo e discou um número.
Kyle ficou parado ali, encarando as paredes estéreis, enquanto a incredulidade tomava conta dele. Estavam fazendo uma checagem de segurança. Quão importante seu irmão havia se tornado nos últimos anos?
A enfermeira falou em voz baixa, quase inaudível em meio ao barulho do hospital. Depois de alguns instantes, colocou o telefone de volta no gancho e olhou para ele.
— Terceiro andar.
— Número do quarto? — Kyle perguntou às pressas.
A enfermeira respondeu:
— Só vá até lá. Você vai saber.
Kyle estalou a língua, mas não discutiu.
Ela era mesmo enfermeira ou uma paciente fugida?
De qualquer forma, entrou no elevador e apertou o botão do terceiro andar.
Ding.
Quando o sinal soou e as portas metálicas se abriram, Kyle deu um passo apressado para fora, só para ser parado por um homem magro de meia-idade.
— Espere. Primeiro, preciso ver sua identidade.
Kyle retrucou antes que pudesse se conter:
— Por acaso eu vou me encontrar com o presidente? Por que vocês estão entrando no meu ca—
— Kyle.
Uma voz familiar veio da esquerda.
Virando-se, Kyle viu um homem mais velho caminhando em sua direção.
Ao contrário da postura composta de sempre, o homem parecia ter envelhecido vários anos. Seus cabelos grisalhos estavam levemente desalinhados, e os olhos estavam vermelhos, como se ele não tivesse dormido.
O patriarca do clã Astortia.
Mathew.
Ao se aproximar, ele disse ao homem que bloqueava o elevador:
— Ele está comigo.
O homem de meia-idade se afastou imediatamente, permitindo que Kyle finalmente saísse do elevador, cujas portas já apitavam, impacientes, por estarem bloqueadas.
Os dois se afastaram alguns passos do guarda.
Kyle não perdeu tempo.
— Como ele está?
Mathew entrelaçou as mãos atrás do corpo e respondeu com calma enquanto seguiam pelo corredor:
— Não está bem.
Depois de uma breve pausa, continuou:
— Várias costelas fraturadas, um joelho quebrado, vários dedos esmagados, sangramento interno e um ferimento grave na cabeça.
O peito de Kyle se apertou.
A ansiedade veio como uma onda, mas o choque foi ainda pior.
— Como isso aconteceu? Eu vi as notícias. Não apareceu nada sobre nenhum acidente grave.
Mathew parou e o encarou diretamente nos olhos.
Kyle percebeu um breve lampejo de hesitação antes que o homem balançasse a cabeça.
— Vá vê-lo. Ele está consciente, mas não consegue falar.
Kyle franziu a testa.
Por quê? Por que ele não podia me contar algo tão sério? Será que achava que eu não era responsável o bastante para saber por que meu irmão estava praticamente à beira da morte?
Reprimindo a amargura que subia em seu peito, Kyle caminhou até o quarto no fim do corredor.
Dois guardas estavam parados, um de cada lado da porta, mas, felizmente, não o impediram.
Respirando fundo, Kyle empurrou a porta.