
Capítulo 112
Water Magician (WN)
Edição: Hullwill -> Halwill
O terceiro dia após deixarem Slanzewi.
Se tudo corresse bem, eles deveriam conseguir chegar à cidade de Halwill antes do anoitecer.
O rendido Sharfi estava posicionado no centro da caravana, onde Ryo e Ra se encontravam.
Sharfi tinha uma fina película de gelo ao redor do seu coração para protegê-lo da tatuagem amaldiçoada.
Foi por consideração de Gecko que seria melhor se Ryo, o criador da película de gelo, estivesse por perto.
Claro que essa 『consideração』 não funcionou da melhor forma para Sharfi.
Sharfi agora, logicamente, caminhava com as próprias pernas.
No entanto, ele estava coberto de gelo da cintura ao pescoço e, visto de longe, parecia ter sido empalado por um pilar de gelo.
Essa foi uma medida que Ryo tomou, principalmente 『por falta de opção』, para privá-lo da liberdade das mãos e evitar que fizesse algo ruim.
— Ei… Ryo-san. Não dá para fazer algo a respeito desta restrição de gelo? Deixando a aparência de lado, andar com os braços colados ao corpo prejudica meu equilíbrio e sinto que vou cair.
— Haa… quantas vezes você vai repetir isso? Não há como prever o que um assassino pode fazer com as mãos livres. É perigoso, não acha? Eu só o prendi dessa forma como último recurso. Na verdade, eu queria cobrir suas pernas, rosto e até sua boca com gelo. O corpo inteiro de um assassino é uma arma. E eu não sei onde você esconderia armas ocultas.
— Concordo. E nós ainda temos que caminhar ao lado de alguém tão perigoso… é difícil ser um aventureiro.
Sharfi reclamava, Ryo resmungava em retaliação e Ra concordava.
— Não, vocês me tiraram todas as armas que eu tinha… E, desse jeito, quando minha cabeça coça ou eu quero coçar o nariz, fica bem difícil porque não posso usar minhas mãos.
— Francamente……
Ryo resmungou e usou Magia do Atributo Água para criar uma máscara de gelo que cobria toda a cabeça de Sharfi, conectando-a à camisa de força de gelo que se estendia até o pescoço.
E ele ainda fez um trabalho mais detalhado.
— Pronto, aí está. Com isso, você pode coçar o topo da cabeça movendo apenas um pouco o indicador direito. Também pode coçar o nariz movendo de leve o indicador esquerdo. Mesmo com os braços presos, você pode se coçar só mexendo a ponta dos dedos. Não é maravilhoso? Pode me agradecer.
— Nossa… parece uma porcaria, mas ainda assim é incrivelmente detalhado…
Ra, que olhava de soslaio, ficou surpreso com a cena.
Sharfi, cuja boca estava bloqueada pela máscara de gelo, não conseguia agradecer nem protestar…
Ao anoitecer, o grupo chegou aos portões da cidade de Halwill.
Ryo, como esperado, achou que não seria de bom tom entrar na cidade com aquele visual, então removeu a máscara de gelo de Sharfi.
— Mesmo se sua cabeça ou seu nariz coçarem, vai ser só por um momento, então por favor aguente firme.
Ryo disse gentilmente.
— Não, esse não é o ponto! Eu não quero uma máscara de gelo dessas!
No entanto, por algum motivo, Sharfi estava furioso.
Ryo tinha confiança na máscara de gelo, mas parecia que Sharfi não tinha gostado nem um pouco.
— E eu me esforcei tanto… Será que o design precisa de mais traços artísticos contemporâneos? Talvez tenha recebido uma avaliação artística baixa por parecer uma simples 『máscara』, mas não há o que fazer.
— É, Ryo, acho que o problema não é esse.
Ra retrucou calmamente enquanto Ryo, deprimido, refletia para tirar o máximo de aprendizado desse erro para o futuro.
— Deixe de palhaçada, Ryo. Eu vou me lembrar de você.
Irritado, Sharfi praguejou contra Ryo.
— Bem, já que parece que você não gostou da máscara, quem sabe prefira passar todo o tempo em que estivermos na cidade dentro de um caixão de gelo. Acho que deveríamos pedir permissão para entrar com você na cidade como uma escultura de gelo.
— … Não, Ryo-san, me desculpe. Foi erro meu. Por favor, me perdoe.
Sharfi tinha visto seus três subordinados congelados.
Ele realmente queria evitar acabar daquele jeito.
Ainda mais dentro da cidade.
Por isso, ele rapidamente admitiu o erro.
Graças, em parte, à intervenção de Gecko, Sharfi conseguiu entrar na cidade como um membro da caravana, tendo até sua camisa de força de gelo removida.
Ele assumiu a identidade de um dos cinco guardas que haviam sido mortos antes de a caravana chegar à cidade de Rune.
Max mostrou uma expressão um pouco complicada com isso, mas seguiu as instruções de Gecko sem dizer uma palavra.
Max sabia, racionalmente, que aquela era a melhor alternativa.
Mesmo na residência habitual da Caravana Gecko na cidade de Halwill, Sharfi pôde passar o tempo sem qualquer restrição de movimento.
Contudo, ele foi colocado em um quarto triplo, o mesmo onde ficavam Ryo e Ra.
Eles passaram a noite em Halwill, mas nada aconteceu, e o grupo pôde partir na manhã seguinte.
— Sharfi, tive uma ótima ideia. Você não vai precisar se preocupar em cair, nós poderemos ficar tranquilos e você não vai se cansar nem um pouco.
— Parece excelente do jeito que você descreve, mas…
Ao ouvir a sugestão de Ryo, Ra murmurou um pouco hesitante.
Em seguida, Ryo usou sua Magia do Atributo Água.
O que surgiu foi…
Sharfi, preso em uma camisa de força de gelo do pescoço aos pés, em cima da <Carroça> mágica de Ryo.
— …
A <Carroça> tinha um comprimento total de cerca de 2 metros, e terráqueos modernos poderiam pensar que se tratava de uma espécie de minitanque…
Para o povo de 『Phi』, era um objeto de gelo especial que se movia de forma autônoma… mas não seria um tanto estranho transportar humanos nele?
De fato, todos os que passavam pela estrada principal encaravam Sharfi sem exceção.
Como um assassino que viveu nas sombras por muito tempo, Sharfi não conseguia suportar uma exposição tão vergonhosa.
— Ryo-san, sinto muito. Eu vou andar sozinho sem reclamar. Não, eu quero andar. Por favor, me deixe andar, imploro!
Ryo olhou com curiosidade para Sharfi, que implorava desesperadamente para caminhar com as próprias pernas.
Ele não precisaria se preocupar em cair e nem teria que andar sozinho, logo não se cansaria.
Ele criara a solução perfeita para todas as condições.
Mas parecia que a palavra 『vergonha』 havia sumido da mente de Ryo.
— O cara está pedindo isso, então por que não o deixa andar?
Ra interveio enquanto Sharfi implorava desesperadamente para andar com os próprios pés.
— Bem, se o Ra-san diz isso.
Dito isso, a <Carroça> foi desfeita, e a camisa de força de gelo voltou ao modelo original, cobrindo do pescoço à cintura, como no início.
Depois disso, Sharfi continuou caminhando sem reclamar, exatamente como havia prometido.
No meio da jornada.
Havia uma cena comum na segunda metade de várias pausas.
Os subordinados de Gecko, que não eram guardas nem aventureiros, estavam fazendo algo semelhante a um treino de magia.
— Ei, o que eles estão fazendo?
Sharfi, sentado enquanto observava a cena, fez a pergunta a Ra, que estava sentado ao seu lado.
— Ah, são crianças que conseguem usar Magia de Água, então parece que estão treinando para erguer uma parede de gelo como a do Ryo.
— Parede de gelo…
Sharfi ficou sem palavras.
Aquela parede de gelo incrivelmente resistente.
No começo, he pensou que se tratasse de uma <Barreira física>, mas depois, ao ouvir que era uma parede de gelo transparente, ficou realmente chocado.
Ela desviou a lança que Sharfi havia lançado, obrigando-o a avançar direto… o que acabou resultando em sua rendição.
Será que aquelas crianças seriam capazes de conjurar aquela parede de gelo?
— Não, isso é impossível, não é?
Sharfi balançou a cabeça e murmurou, alimentando suas próprias esperanças.
— No começo eu também pensei assim. Mas em poucos dias, algumas crianças já conseguiram dar forma a ela. Se muitos mercadores puderem erguer uma parede de gelo dessas, a indústria de assassinatos estará arruinada.
Ra riu alto.
Ao ouvir isso, Sharfi soltou uma risada curta e seca.
— Ainda bem que me aposentei da vida de assassino…
Ele murmurou.