Water Magician (WN)

Capítulo 615

Water Magician (WN)

Tradutor: Jay_Forestieri

Editor: Tseirp

Naquele dia também, os sons de violino e de um pequeno piano ecoavam pelo Chouonkaku dentro do palácio imperial. [1] - Chouonkaku é a oficina de instrumentos musicais dentro do palácio imperial de Darwei.

Lá fora, porém, em um dos palcos ao ar livre, um espadachim solitário balançava sua espada.

"Balançar uma espada neste bastião da música — que total grosseria!"

"Bem, eu só estou entediado."

O mago do atributo água, que estivera praticando piano momentos antes, repreendeu-o, e o espadachim desviou o comentário levianamente.

Normalmente, o Chefe da Oficina, Ron, praticava com foco absoluto.

Quando ele travava ou tinha dúvidas, ele perguntava a Abel, mas, fora isso, praticava sozinho.

Ryo também tocava piano ou lia os livros de alquimia que trouxera, passando o tempo sozinho.

Como resultado, Abel acabava sem nada para fazer.

Parecia ser por isso que ele estava balançando sua espada.

Chouonkaku possuía muitos palcos, tanto internos quanto externos, para apresentações.

Eles variavam de tamanho, e o maior palco ao ar livre era grande o suficiente para concertos abertos, então não havia problema algum em Abel praticar suas espadadas lá sozinho.

"Bem, a esgrima de Abel é um verdadeiro espetáculo. Então, não é uma má visão."

Ryo, que acabara de chamar aquilo de grosseiro, reverteu sua postura imediatamente.

"S-Sério?"

Abel corou.

Sim, Abel era bastante tímido.

"Por que você não pratica um instrumento também, Abel? Há muitos violinos."

Como Ryo apontou, a oficina tinha muitos violinos feitos por Ron.

Havia também violas menores, violoncelos grandes e contrabaixos ainda maiores — praticamente toda a família de instrumentos de corda.

Havia até mesmo um piano, que Ryo considerava, em particular, um instrumento de corda mutante.

Sim, o piano é um instrumento de corda.

Embora o som seja produzido ao pressionar as teclas, um martelo interno atinge as cordas.

O que produz o som.

Portanto, é classificado como um instrumento de corda.

No entanto, alguns o veem como um instrumento de percussão, porque as cordas são "atingidas" por martelos.

Tecnicamente, ele é classificado como um "instrumento de percussão de cordas com teclado"... então, em essência, é ambos.

Um piano é um piano.

"Eu só... não sinto muita vontade de tocar."

Quando Abel disse isso, sua expressão pareceu um pouco solitária.

Ryo inclinou a cabeça, sem entender o motivo.

"Eu pratiquei violino tão arduamente pelo meu irmão mais velho."

"Seu irmão? O Príncipe Herdeiro Cain?"

"Meu irmão era perfeito, mesmo com o violino. É isso que chamam de gênio, suponho."

Parecendo ver algo que já não estava mais lá, o olhar de Abel tornou-se distante.

"Eu ainda acho que sua forma de tocar agora é incrível..."

"Eu não chego nem aos pés dele."

Ryo elogiou a forma como Abel tocava, mas Abel balançou a cabeça levemente, negando.

"Eu pratiquei porque queria ficar um pouco mais perto do meu irmão..."

"Ele era sua inspiração, não era?"

"Minha inspiração, é... sim, é verdade. Mas..."

Abel deu uma risada amarga antes de continuar:

"Assim que percebi que nunca poderia alcançá-lo, caí em desespero."

"O quê..."

Ryo ficou tão chocado com as palavras de Abel que ficou sem saber o que dizer.

Era difícil imaginar o esforçado Abel caindo em desespero por compreender que nunca alcançaria alguém.

"Então, o que você fez depois, Abel?"

"Meu irmão me disse que queria que eu o apoiasse com minha espada."

"Ah, entendo."

"Claro, eu já gostava da espada antes disso. Mas foi naquele momento que decidi dedicar tudo o que dizia respeito à minha espada ao meu irmão."

Com um olhar cheio de tristeza e nostalgia, Abel olhou para o horizonte.

Quando as pessoas se dedicam a alguém, podem demonstrar uma força inacreditável.

Mas o que acontece quando esse "alguém" falece?

É possível continuar dando o seu melhor mesmo assim?

"Meu irmão sempre se importou profundamente com a nação e seu povo. Mesmo quando o vi pela última vez, quando ele já não conseguia se levantar da cama, ele ainda se importava."

Ryo ouviu em silêncio enquanto Abel continuava.

Abel deu um sorriso fraco e prosseguiu:

"Então, a espada que um dia dediquei ao meu irmão, agora dedico à nação e ao seu povo."

Quando Abel declarou isso, a tristeza e a nostalgia desapareceram de seu rosto, substituídas pela expressão determinada de um rei.

"Minha espada está dedicada a você, Abel. Eu o apoiarei com toda a minha força."

"Ah, conto com você."

Com isso, Ryo e Abel sorriram um para o outro.


Por cinco dias, Ryo e Abel continuaram visitando o Chouonkaku.

Durante esse tempo, a capital imperial permaneceu pacífica, e o palácio estava calmo.

No entanto...

"Um enviado especial do Império Choouchi?"

"Eles vêm amanhã?"

"Sim, foi o que ouvi. É por isso que Taikan-sama nos disse repetidamente para não nos apresentarmos ao ar livre amanhã." [2] - Taikan-sama, ou Grande Chamberlain.

Ryo inclinou a cabeça, Abel confirmou, e o Chefe da Oficina, Ron, suspirou ao responder.

Parecia que as apresentações de Ron ainda não tinham sido reconhecidas pelo Grande Chamberlain.

"Você está melhorando pouco a pouco. Não há necessidade de pressa."

"Muito obrigado!"

Abel o consolou, e Ron respondeu com um sorriso, satisfeito com o elogio.

"O Império Choouchi... esse é o país do General Yun, aquele que está congelado em gelo, certo? Depois de causar tal confusão, como ousam mostrar as caras aqui!"

Ryo falou indignado.

"Eles provavelmente estão aqui para recuperar seu prisioneiro. Mesmo para um soldado comum, se for sabido que ele foi capturado, o país negociará para que seja libertado. É natural, especialmente se for um 'general'."

"Isso é discriminação!"

"Você quer dizer que as pessoas deveriam ser tratadas igualmente, independentemente do cargo, certo?"

"Claro."

Abel confirmou, e Ryo acenou vigorosamente.

"Então, mesmo que o principal duque do Reino fosse capturado, o Reino deveria apenas conduzir negociações padrão para sua libertação?"

"E-Esse é um assunto completamente diferente."

Parecia que qualquer um mudaria de postura quando se tratasse de si mesmo.

Ryo rapidamente se corrigiu.

"O Reino continuaria funcionando muito bem sem você, Ryo."

"Como pode dizer isso! Eu contribuo para o Reino também."

"Oh? Por exemplo?"

"Por exemplo... ah! Eu como muitas refeições e bolos, reduzindo o desperdício de comida do Reino!"

"O que é 'desperdício de comida'..."

O argumento sincero de Ryo não pareceu convencer Abel.

"A melhor maneira de evitar prisioneiros é não travar guerras em primeiro lugar."

"Bem, isso é verdade... Mas, às vezes, os países capturam viajantes comuns ou comerciantes para usar como moeda de troca. Tais coisas acontecem entre nações."

"Ah..."

Conforme Abel apontou isso, Ryo recordou casos semelhantes da história da Terra.

Diferenças na ideologia e perspectiva nacional frequentemente levavam a tais situações...

Era um incômodo para as pessoas, mas, por vezes, inevitável.

Este era um aspecto das nações soberanas.

O mundo não era um lugar simples.

"O General Yun congelado no jardim da mansão — apenas você pode movê-lo, certo?"

"Sim. Ninguém mais consegue."

"Então, se concordarmos em libertar o prisioneiro, precisaremos levar aquele bloco de gelo para o palácio, não é?"

"Ah, terei que estar lá, então. Acho que devemos avisar Sua Majestade que estarei no Chouonkaku."

E assim, o fato de que o Duque Rondo estava hospedado no Chouonkaku foi comunicado ao Imperador Tsuin.

No dia seguinte.

O palácio estava um tanto movimentado.

No entanto, como o palácio era incrivelmente vasto, nem tudo estava ocupado.

Apenas certas partes.

Naquele dia, Ryo e Abel visitaram o Chouonkaku como de costume.

Seguindo as instruções do Grande Chamberlain, o Chefe Ron praticou em ambientes fechados.

Ryo também tocou o piano da oficina e leu os livros que trouxera...

Ao redor do Chouonkaku, o tempo fluía tão suavemente como sempre.

"A arte desacelera a passagem do tempo."

O mago do atributo água comentou presunçosamente enquanto bebia chá.

"Aquele enviado do Império Choouchi chega ao meio-dia, certo?"

"Foi o que ouvi. Vir e quebrar o belo fluxo do tempo artístico — que total grosseria."

"Eu não entendo o que você quer dizer."

Ryo estava indignado por algum motivo, enquanto Abel não conseguia entender como a arte equivalia a um belo tempo.

Para Abel, parecia que Ryo estava apenas reclamando sem razão.

Meio-dia.

O enviado chegou ao palácio conforme o planejado.

A audiência foi realizada no Salão Taiji.

"Enviado do Império Choouchi, Lorde Berke Holan da Casa Erdenet."

O arauto anunciou, e um grupo de cinco homens e mulheres entrou, liderado por um único homem.

O homem à frente tinha mais de 1,80m de altura, com uma presença imponente.

No entanto, o que atraiu os olhos dos cortesãos não foi sua estatura.

Suas vestes orientais negras, debruadas com fios de ouro, contrastavam com seu cabelo branco que caía até as costas.

Ele parecia ter cerca de trinta anos.

Com seu porte digno, era claro, à primeira vista, que ele era alguém de alto escalão no Império.

Alguns dos oficiais chegaram a sentir um aperto no peito e desviaram o olhar sob o peso de sua presença.

"Enviado, você viajou muito."

O Imperador Tsuin falou brevemente.

Em resposta, o Enviado Berke colocou as mãos juntas à frente e curvou-se.

Nas nações orientais, um "enviado" é alguém despachado com autoridade total pelo soberano.

Eles são, em essência, a personificação de sua nação.

E, assim, são tratados com o máximo respeito pelo país anfitrião, enquanto o enviado se comporta com consciência de seu papel como representante nacional.

"Desta vez, devido a um grande mal-entendido, ocorreu um conflito lamentável. Resultando em nosso general sendo feito prisioneiro. Estou aqui para investigar este assunto e iniciar negociações diplomáticas subsequentes."

O Enviado Berke declarou.

Seu tom era educado e suas palavras cuidadosamente escolhidas, mas o conteúdo estava longe de ser humilde.

'Um grande mal-entendido', 'conflito lamentável', 'investigação'... ele não aceitou nenhuma responsabilidade em nome de seu país.

Ele estava alegando que fora um acidente, não intencional.

"Não zombe de nós!"

Um dos cortesãos levantou a voz.

Ele era bem jovem... cerca de vinte anos.

Não era um ministro...

"Príncipe Bin, mesmo que você diga isso..."

O Enviado Berke respondeu com um sorriso leve.

Naquele momento, a expressão de várias pessoas mudou.

Elas estavam surpresas.

Que o enviado, que acabara de chegar do distante norte, pudesse identificar com precisão quem havia falado.

No entanto, alguns não demonstraram surpresa externamente, mas a sentiram internamente.

Esse era o próprio Imperador Tsuin.

"Enviado, você mencionou 'negociações diplomáticas subsequentes' anteriormente."

"Sim, Vossa Majestade. Nossa nação deseja estabelecer relações diplomáticas formais com Darwei. Fui autorizado a negociar um tratado comercial para estabelecer uma embaixada no futuro."

Um murmúrio percorreu a corte.

A maioria dos oficiais sabia pouco sobre o próprio Império Choouchi.

Apenas o Imperador Tsuin e o Primeiro-Ministro Byan, que haviam ordenado investigações, sabiam algo... ainda que apenas onde ele estava localizado aproximadamente.

Eles não sabiam sua população, recursos ou até mesmo o nome de sua capital.

"Um tratado exigirá vários preparativos."

O Imperador Tsuin disse, ciente de quão carentes de informações eles estavam.

"Nós entendemos, Vossa Majestade. E estamos preparados para que leve algum tempo."

O Enviado Berke respondeu com uma reverência respeitosa.

"Então, faremos com que seu grupo permaneça na capital por um tempo."

"Obrigado, Vossa Majestade."

"Primeiro-Ministro."

O Imperador Tsuin chamou o Primeiro-Ministro Byan.

"Sim, Vossa Majestade. Para acomodações, creio que a Residência Ryusen seria apropriada."

"Muito bem, que assim seja."

"Sim, Vossa Majestade."

O Primeiro-Ministro Byan respondeu sem demora, e o alojamento foi decidido.

A Residência Ryusen não era muito perto do palácio, mas oferecia excelente hospitalidade, tornando-a a escolha mais adequada, um fato que o Imperador Tsuin também reconheceu.

Como os detalhes seriam discutidos a partir do dia seguinte, a atmosfera sugeria que o grupo do enviado se retiraria... mas o Enviado Berke se manifestou.

"Se me permite, Vossa Majestade, tenho um pedido."

"Fale."

"Gostaria de solicitar permissão para tratar nosso General Yun, que está atualmente em cativeiro."

A expressão do Enviado Berke não mudou; ele continuou a exibir um sorriso fraco.

Talvez fosse o conteúdo desse pedido combinado com aquele sorriso que irritou alguém.

Pois uma voz soou mais uma vez.

"Tal coisa não pode ser permitida!"

Era novamente a voz jovem do Quarto Príncipe Bin.

Normalmente, um simples príncipe não compareceria a tal audiência.

No entanto, em Darwei, um príncipe imperial detém um posto equivalente ao de um ministro.

Então, eles comparecem a recepções de enviados estrangeiros e à corte matinal diária.

Vivenciar a política em primeira mão é importante para futuros sucessores ao trono.

Contudo...

"Contenha-se, Príncipe Bin."

A voz não foi alta ou dura... mas as palavras do veterano Primeiro-Ministro Byan atingiram o jovem príncipe.

Atingido pelas palavras do primeiro-ministro, o Príncipe Bin virou o rosto com um bico.

"Ministro da Justiça, seus pensamentos?"

O Imperador Tsuin dirigiu-se ao Ministro da Justiça, que supervisionava assuntos legais.

"Desde que ele não deixe a capital, não há problema."

O Ministro da Justiça respondeu.

Então, o Imperador Tsuin olhou na direção de um homem idoso em pé na extremidade da corte.

Este era o Vice-Diretor do Censorado, Secretário Shau, que possuía autoridade semelhante à da polícia, lidando com a aplicação da lei e investigações no local.

Recebendo o olhar do Imperador, o Secretário Shau deu um pequeno aceno.

Isso significava que todas as informações já haviam sido coletadas e estavam sob análise. Portanto, não havia problema em devolver o prisioneiro.

Ele também entendeu que esta era uma questão extremamente política e entrelaçada com a diplomacia.

E que a nação precisava demonstrar magnanimidade para futuras negociações.

"Muito bem. Faremos com que ele seja entregue à Residência Ryusen em breve."

"A misericórdia graciosa de Vossa Majestade é profundamente apreciada."

Assim, a recepção do enviado do Império Choouchi foi concluída.

Comentários