
Capítulo 548
Water Magician (WN)
Editor: Tseirp
O dia seguinte à chegada de Ryo e Abel à cidade de Boago.
Os dois aproveitaram o café da manhã com calma antes de seguirem para o balcão da Associação de Ajuda Mútua dos Aventureiros.
Hã? Eles conseguiram encontrar uma estalagem mesmo com a comitiva da princesa aportando ali?
Não, não conseguiram.
Dormiram no parque.
— Ontem foi barra pesada. E a culpa é toda sua, Abel.
— Espera, por que a culpa é minha? As estalagens estavam lotadas por causa da chegada da princesa, não estavam?
— Por sorte, o parque estava vazio e eu tinha meu roupão, enquanto você estava com sua capa, então demos um jeito... mas ainda assim...
— Acampar ao relento não é normal para aventureiros?
— É... isso é verdade. Mas temos ficado muito em estalagens ultimamente — ficamos moles. Abel, você ficou mole!
— Aham. Você também, Ryo.
Ryo apontou isso de forma direta, e Abel rebateu com naturalidade.
Quando chegaram à Associação de Ajuda Mútua dos Aventureiros, já passava das dez e o local estava relativamente vazio.
— É assim que uma guilda deveria ser.
— Ouvir você falar sobre como uma guilda deveria ser é estranho, para dizer o mínimo.
— Disse algo, Abel?
— Não. Não disse nada.
Mesmo de volta ao Reino, Ryo nunca se encaixou muito bem na imagem de um aventureiro típico. Então, para ele comentar sobre o estado ideal de uma guilda, teria parecido estranho para qualquer um, não apenas para Abel.
Ainda assim, Ryo sorriu abertamente e perguntou no balcão de recepção.
— Com licença, tenho uma dúvida. Existe alguma carruagem que aventureiros possam usar para viajar daqui até a capital imperial?
O recepcionista pareceu momentaneamente surpreso, mas rapidamente recuperou a compostura.
Como esperado de um profissional.
— Não há uma rota direta. No entanto, é possível chegar à capital fazendo baldeações entre várias carruagens.
— Ahh.
— Dito isso, os aventureiros estão sujeitos a restrições de viagem em determinados momentos.
— Determinados momentos? Restrições?
Ryo inclinou a cabeça, confuso.
E atrás dele, Abel fez o mesmo.
— Quando ocorrem eventos nacionais, a entrada na capital imperial e arredores pode ser restringida. No momento, devido à cerimônia de casamento do Sexto Príncipe, aventureiros de nível 8 ou inferior não têm permissão de entrada até que o evento termine.
— Espera, o quê...?
Ryo murmurou, chocado.
O Sexto Príncipe era, de fato, o noivo da Princesa Shio Fen.
E tanto Ryo quanto Abel eram aventureiros de nível 8.
— Quanto tempo durará essa restrição?
Abel perguntou ao lado.
— Vamos ver...
O recepcionista folheou alguns documentos antes de responder.
— Aproximadamente mais nove meses.
— Isso é tempo demais!
Ryo soltou, incrédulo.
Ser incapaz de entrar na capital por nove meses inteiros era uma surpresa e tanto.
— Vocês dois são nível 8 ou inferior?
— Sim. Aqui, este é o meu cartão.
Abel entregou seu cartão de aventureiro.
O recepcionista escaneou o cartão, e os dados apareceram sobre a mesa.
— Oh, vocês chegaram com a frota da princesa. Vocês são, de fato, nível 8... Se tivessem permanecido como parte do pedido da frota, teriam recebido permissão, mas...
O recepcionista franziu a testa levemente.
Aparentemente, ter deixado o navio foi um erro custoso.
— Analisando seu histórico... Se completarem cerca de dez missões de nível 8, vocês serão promovidos ao nível 7.
— Dez, hein...
Uma missão por dia significaria dez dias de trabalho.
Então, como se algo tivesse acabado de lhe ocorrer.
O recepcionista se virou para olhar um grande quadro de avisos.
— Se participarem desta caçada nas montanhas, ela contará como dez missões de nível 8.
— O quê?
Um grande aviso estava pregado no quadro:
"Pedido Especial do Vice-Governador – Caçada na Montanha do Tigre – Aceitando Participantes"
— Montanha do Tigre?
— Caçada na montanha?
Ryo e Abel inclinaram as cabeças simultaneamente.
— Um grupo de goblins cinzentos foi descoberto na Montanha do Tigre, e este é um pedido para exterminá-los. Refeições são fornecidas, e os participantes recebem recompensas baseadas em seus níveis. Temos aventureiros suficientes de nível 6 ou superior para a linha de frente, mas ainda estamos recrutando aventureiros de nível 7 ou inferior para a sede e proteção do suprimento de comida. Aventureiros de nível 8 não ficarão na linha de frente, então o pagamento não é alto, mas os pontos de contribuição da guilda são significativos. A expedição parte amanhã.
— Certo, vamos aceitar.
— Hã? Abel?
Abel aceitou o pedido por conta própria.
Ryo ficou surpreso — era raro Abel fazer algo assim.
Após completar a papelada necessária, eles deixaram o balcão da recepção.
— Abel! Por que você aceitou sem me perguntar?!
— Por que não? Eu queria aceitar.
Ryo o pressionou com um olhar interrogativo, mas Abel desviou o olhar.
Com olhos que buscavam a verdade, Ryo encarou Abel intensamente.
— Ex-aventureiro de nível A, Abel.
Ryo enfatizou as palavras propositalmente, fazendo Abel estremecer.
— Você não gosta de ser nível 8, não é? Você quer subir de nível. Abel, você é vaidoso.
— N-não, eu...
— Abel é vaidoso.
Ryo repetiu sua acusação.
— Tá bom, chega! Eu quero subir de nível! Nível 8 é muito baixo, droga!
Abel finalmente explodiu.
Bom, se é que se pode chamar isso de explosão. Seus resmungos e biquinhos eram, na verdade, meio fofos.
— Um espadachim vaidoso... não soa tão bem quanto "espadachim faminto".
— Que diabos isso significa...?
— Então vamos de "Espadachim Vaidoso, Vaidoso".
— Hã?
— "E assim, Abel tornou-se o Espadachim Vaidoso, Vaidoso". Uma nova sequência da saga do Espadachim de Barriga Cheia.
— ...
Então, como se algo tivesse acabado de cruzar sua mente, Ryo se manifestou.
— Aliás, essa caçada na montanha... exterminar goblins... eu não sabia que goblins existiam nestes Países Orientais também.
— Do que você está falando? Goblins existem em todo lugar.
— Espera, sério?
— Humanos existem em todo o mundo. Por que goblins não existiriam?
— Bem, quando você coloca dessa forma...
Ryo nunca tinha percebido que goblins eram um fenômeno mundial.
— Não havia nenhum na Floresta Rondo, então...
— Rondo é apenas um lugar especial.
Ryo comentou, e Abel balançou a cabeça levemente.
Considerando que Rondo era o lar de dragões e grifos.
Certamente poderia ser considerada uma região única.
— Uma missão de subjugação de goblins — agora isso parece um trabalho de aventureiro de verdade!
Ryo estava visivelmente animado.
Afinal, goblins eram os monstros quintessenciais da fantasia.
E entre todas as missões, a subjugação de goblins era um clássico básico das histórias de aventura.
No entanto, Abel estava lançando um olhar semicerrado para Ryo.
Parecia que ele tinha algo a dizer.
— O que foi, Abel? Por que esse olhar?
— Nada.
— Se você tem algo a dizer, diga claramente.
— Ryo, você já derrotou um goblin de verdade?
— Hã?
Ryo ficou momentaneamente sem palavras, não entendendo a pergunta de Abel.
— É claro que já derrotei goblins antes...
Ele começou a dizer, mas depois parou para pensar.
Quando? Onde ele derrotou um?
Quando? Onde...?
Quando? Onde... ele não conseguia se lembrar.
— Hã?
Ryo inclinou a cabeça.
Deveria ter goblins na masmorra de Rune... mas quando ele desceu quarenta andares abrindo caminho pelas camadas, não havia monstros por perto.
Houve também a Grande Maré que transbordou monstros da masmorra de Rune. Abel, que estava bem na sua frente, deve ter matado mais goblins do que poderia contar... mas Ryo não estava lá naquela época.
A segunda Grande Maré tinha sido... ogros.
— Hmmm?
Ryo inclinou a cabeça para o outro lado.
Então, ele finalmente se lembrou.
— Eu fiz uma missão de extermínio de goblins na vila de Niels!
— E você derrotou algum goblin lá?
— Eu, uh, costumava prender seus membros... e foi só isso...
Ryo não tinha realmente finalizado nenhum goblin.
Foram Niels e Amon que deram os golpes finais...
— E quanto às masmorras nos Países Ocidentais...?
— Você derrotou algum lá?
— Foi principalmente o Niels, Amon ou Harold...
Provavelmente, Ryo não tinha eliminado nenhum goblin por conta própria.
Ao perceber isso, Ryo desabou no chão, com as duas mãos e joelhos plantados.
A pose de total desespero.
— Isso é inacreditável...
Mas então, ele levantou a cabeça subitamente e gritou.
— Eu consegui!
— Hã?
— As câmaras subterrâneas do Templo Central da Capital Real! Eu congelei um monte de goblins com [1] lá!
[1] - *Icicle* (Estalactite de Gelo), o feitiço de gelo principal de Ryo.
— Oh, é verdade, agora que você mencionou.
Vendo Ryo finalmente se recordar disso, Abel concordou com a cabeça.
Era verdade — ele os congelou todos no gelo.
— Estou aliviado.
Ryo disse com profunda emoção.
— É. Se o famoso "Duque de Prata" nunca tivesse realmente matado um goblin, os bardos provavelmente perderiam a cabeça.
Abel deu uma risadinha enquanto chamava Ryo pelo seu título.
Ouvindo isso, Ryo estufou as bochechas de frustração.
E assim, os dois embarcaram em uma missão de aventureiro de verdade no dia seguinte.