Water Magician (WN)

Capítulo 533

Water Magician (WN)

Na densa selva, a comida é abundante.

Frutas e carne são praticamente ilimitadas.

E a água também.

— Estou feliz por ser um mago do atributo água.

— De fato. Viajar sem se preocupar com água é uma vantagem maior do que se pode imaginar.

Abel concordou enquanto Ryo declarava orgulhosamente.

O homem não vive só de pão... a água é igualmente essencial.

— A Cidade Livre... não, é a Cidade Autônoma de Kwebasa agora, certo? Os temperos que compramos lá têm sido incrivelmente úteis.

Ryo comentou, elogiando os condimentos armazenados em potes de gelo que ele carregava em sua bolsa.

— Você é meticuloso quando se trata desse tipo de coisa, Ryo.

— Esse tipo de coisa?

— Temperos. Quando viajamos da Floresta Rondo para Rune, você tinha sal e pimenta com você, não tinha? Graças a isso, desfrutamos de refeições deliciosas.

— Ah, sim. Temperos realçam o sabor da comida com apenas uma pequena quantidade. Eles não são saborosos por si sós, mas trazem à tona a essência dos ingredientes. São heróis anônimos, na verdade. Compactos, porém enriquecedores — é por isso que os tenho em alta estima.

Ryo disse, exaltando as virtudes de seus temperos, enquanto Abel o elogiava.

Atualmente, o pote de gelo de Ryo continha sal, pimenta, algo parecido com molho de soja e alguns itens picantes não identificáveis.

Eram principalmente temperos para pratos de carne ou peixe.

Afinal, frutas e vegetais podiam ser comidos crus.

No entanto, o olhar de Abel vagava ocasionalmente para trás de Ryo.

Atrás dele, arrastava-se um pequeno objeto semelhante a um carrinho feito de gelo.

Era um produto da magia de Ryo, Ice Craft [1].

Desta vez, era uma criação compacta do tamanho de uma caixa, grande o suficiente para caber uma bola de futebol.

Dentro havia duas bolsas.

— Ei, Ryo.

— Sim, Abel?

— Aquela coisa atrás de você... é Ice Craft, certo?

— Memória impressionante! É o feitiço com o qual você está mais familiarizado... oh, deixa para lá.

Ryo interrompeu-se bruscamente.

Lembrando-se da vez em que usou o Ice Craft para levar Abel para casa depois de encontrá-lo desmaiado na praia perto da Floresta Rondo.

Ele nunca tinha contado isso a Abel.

Sentindo-se sem jeito... já que ele o tinha carregado de forma bem desajeitada naquela época.

— O conteúdo daquele carrinho é...?

— Ah, sim. Nosso dinheiro. A moeda que ganhamos em lugares como o Principado de Komakyuta e o Reino de Suje, que trocamos pelas moedas da Cidade Livre.

— Lembro-me de colocá-lo no navio do Grão-Ducado, mas estou impressionado por você ter conseguido salvá-lo daquela embarcação que afundou.

— Usei o manipulador traseiro para agarrá-lo e empurrá-lo para a popa do Neil Andersen. Nós só conseguíamos segurar nossas bolsas e espadas, afinal. É melhor prevenir do que remediar.

Ryo disse com orgulho, enquanto Abel balançava a cabeça em admiração.

— Dinheiro pode levar as pessoas à loucura. Muito ou pouco — não importa. Pessoas já mataram até por meros centavos... É sensato manter uma quantia razoável à mão.

— De fato.

Tanto Ryo quanto Abel eram realistas.

O Ice Craft os seguia enquanto continuavam ao longo de um caminho nivelado pela magia Earth Move [2] de Ryo.

À noite, quando descansavam, Ryo criava um abrigo de gelo onde podiam dormir sem precisar de um guarda.

Embora Ryo apreciasse a beleza de se revezar na vigília... ele preferia ser prático.

Ele entendia a praticidade de priorizar o descanso para a viagem deles.

Até Ryo sabia disso.

— Se você insiste em ficar de guarda, Abel, não vou impedi-lo...

— Prefiro dormir.

— Entendido...

Algumas coisas não tinham jeito.

— Embora, Abel, quando você está no castelo cumprindo deveres reais, você fica soterrado em papelada do amanhecer ao anoitecer, não é?

— Sim, é verdade.

— Então, mesmo que você ficasse acordado até tarde para vigiar...

— Prefiro não fazer coisas desnecessárias.

— Ah... entendi...

Deveres reais eram necessários; ficar de guarda não era.

— Esta selva... até onde ela se estende, eu me pergunto?

— Boa pergunta. Estamos caminhando há... cinco dias agora? Com a ajuda de Ryo, fizemos um bom tempo indo para o norte, mas percorremos uma distância considerável.

— Sim, percorremos. Deveríamos estar em uma rota reta para o norte, mas... ah...

Ryo parou de falar, sem jeito.

O que geralmente significava que ele tinha percebido algo inconveniente.

— Pode falar, não vou ficar bravo.

— Uh, não... vou verificar lá de cima amanhã.

— ...É. Por que não pensamos nisso nos últimos cinco dias?

— P-por que você está olhando para mim assim? Claro, eu esqueci, mas você também não mencionou!

— Eu não disse nada, e não estou te olhando de um jeito estranho, estou?

— Mentira! Esse é um olhar de julgamento! Magos sempre acabam levando a culpa pelos espadachins...

— Por favor, não crie conflitos de classe.

Talvez eles simplesmente estivessem muito envolvidos com a jornada...

Para pensar em uma solução tão simples quanto observar lá de cima.

Vamos deixar por isso mesmo.

Na manhã seguinte.

Eles partiram novamente.

Sem verificar lá de cima.

Aparentemente, ambos esqueceram durante a noite.

Eles lembraram pouco antes do meio-dia.

Mas era tarde demais.

A selva já tinha acabado.

— Ela clareou...

— A floresta termina aqui.

E na frente deles estava...

— Uma cidade dourada...

— É... toda... de ouro?

Uma metrópole dourada deslumbrante.

Os dois tinham viajado para o norte.

E agora era hora do almoço.

A luz do sol, batendo por trás deles ao meio-dia, apenas amplificava seu brilho.

Uma cidade dourada esplendidamente brilhante tinha aparecido.

— Uma cidade dourada no meio da selva...

— Como eles equilibram a oferta e a demanda aqui?

Enquanto Abel se maravilhava, Ryo ponderava.

Uma cidade isolada como esta.

Poderia evocar admiração em uma pessoa e curiosidade em outra.

Os seres humanos são criaturas tão complexas.

Ryo olhou para Abel ao seu lado.

Olhando por tempo suficiente, Abel inevitavelmente percebeu.

— O que foi, Ryo?

— Abel... por favor, não deixe a visão do ouro cegar você a ponto de pensar em transformar esta cidade em uma colônia do Reino de Knightley.

— O que você está dizendo? Claro que não.

Abel franziu a testa levemente, confuso.

A mente de Ryo divagou para a história da Terra e a conquista do Império Inca pela Espanha.

No século XVI, os conquistadores espanhóis invadiram o Império Inca, no que hoje é o Peru.

As cidades do Império Inca não brilhavam literalmente com ouro.

Mas possuíam uma quantidade significativa de ouro e prata.

Francisco Pizarro, um dos conquistadores, capturou o imperador inca, Atahualpa.

Atahualpa negociou sua libertação e também que deixassem seu império, oferecendo uma sala cheia de ouro e o dobro de prata, o que ele entregou.

O que ele entregou, e foi assim libertado.

No entanto... Pizarro quebrou sua promessa e executou Atahualpa de qualquer maneira.

Um conto tão trágico.

— O ouro tem o poder de corromper os corações. Abel, por favor, mantenha-se forte!

— Sim, não se preocupe comigo.

— Claro, se você quisesse cobrir seus vassalos de ouro como pagamento, eu não reclamaria!

— Ryo, acho que é você quem já está sendo corrompido pelo ouro...

O coração humano é frágil...

À medida que os dois saíam da selva e entravam na cidade dourada...

Tump.

— Opa?

— Uma parede... invisível?

Eles não podiam entrar.

Mas então, uma voz ressoou em suas mentes.

— Bem-vindos ao Templo Dourado.

No momento em que a voz falou, eles perceberam que a barreira transparente bloqueando sua entrada tinha desaparecido.

— Abel, você ouviu isso?

— Sim. Disse que podíamos entrar.

Ryo confirmou hesitantemente com Abel, que acenou com a cabeça.

Os dois trocaram olhares antes de entrar cautelosamente na cidade...

A cidade brilhava de forma resplandecente com ouro.

Mas, após uma inspeção mais detalhada, não era exatamente uma cidade...

— Um templo?

Ryo murmurou.

A arquitetura e o layout lembravam mais o Angkor Wat ou o templo de Borobudur.

— Não há sinal de pessoas aqui.

Abel murmurou.

Ryo balançou a cabeça ao lado dele.

Sim, não havia sinal de pessoas.

Ênfase em 'pessoas'.

Em vez disso, 'algo' desceu do céu.

Aterrisou diante deles, no que parecia ser uma praça.

[1] - Ice Craft: Feitiço que permite criar objetos de gelo mantendo sua forma e propriedades.

[2] - Earth Move: Feitiço de manipulação da terra para nivelar ou mover o terreno.

Comentários