
Capítulo 496
Water Magician (WN)
Editor: Tseirp
O Lone Dark é um cruzador oceânico pertencente à Primeira Frota da Marinha Central do Reino de Suje.
Seu capitão, Gorick Dew, tem apenas 28 anos, o que o torna o capitão mais jovem a comandar uma embarcação desta classe.
No entanto, sua experiência, tanto em batalha quanto em viagens de longa distância como a atual, é uma das mais vastas de toda a Marinha Central.
Com a pele bronzeada pelo sol, cabelos cor de trigo, corpo bem definido, olhos negros e um rosto bonito, Gorick é bastante conhecido na capital, Purri.
Quando ele leva sua tripulação para fazer um tour pelos bares, os rumores se espalham naturalmente.
Como o Capitão Gorick sempre paga a conta, seus subordinados o adoram.
Bebidas e refeições de graça são uma maneira eficaz de conquistar o coração de seus marinheiros.
O Lone Dark está atualmente a caminho da Cidade Livre de Kwebasa, no continente, mas, desta vez, eles têm dois passageiros a bordo.
Isso é algo raro.
Claro, não é algo inédito.
Por exemplo, quando diplomatas precisam ser transportados.
Seja para missões, participação em reuniões ou conferências, os navios de guerra da Marinha Central frequentemente servem como transporte.
De certa forma, é uma tradição do Reino de Suje usar navios de guerra para o deslocamento de autoridades.
Mas estes passageiros são diferentes.
Eles são civis.
Nem sequer são cidadãos do Reino de Suje.
No entanto, receberam ordens do Lorde Protetor Kabui Somal, a autoridade máxima da marinha, para entregá-los com o máximo de cuidado.
A Rainha Iliaja, que subiu ao trono recentemente, informou pessoalmente a toda a tripulação que aqueles passageiros eram de grande importância para o reino.
Toda a tripulação, incluindo o Capitão Gorick Dew, estava tensa.
Eles já haviam transportado um Ministro das Relações Exteriores para uma conferência continental antes, mas mesmo naquela ocasião, a tensão não era tão alta.
As palavras do Rei, na época, soaram mais como uma formalidade.
Desta vez, era diferente.
As palavras da Rainha Iliaja estavam carregadas de uma intensidade surpreendente.
Isso fez o Capitão Gorick pensar que, se falhassem em entregar aqueles convidados em segurança, o retorno para casa poderia resultar em um rebaixamento... ou até mesmo na expulsão da Marinha Central.
Esses dois passageiros ultra-importantes, porém, pareciam um tanto peculiares ao Capitão Gorick.
"Gunno-sensei, tenho uma pergunta!"
"Sim, Ryo-san, o que foi?"
Primeiro, tem isso.
Todas as manhãs, neste horário, eles realizam uma sessão de estudos para os idiomas dos países orientais.
No dia em que zarparam, um dos passageiros, um mago, abordou o Capitão Gorick com um pedido.
"Gostaria de aprender o idioma dos países orientais."
O Lorde Protetor Kabui Somal havia instruído que atendessem aos pedidos dos passageiros tanto quanto possível.
Embora o Capitão Gorick tivesse a intenção de recusar quaisquer exigências absurdas, aquele pedido específico não era irracional nem difícil.
Afinal, todo membro da tripulação do Lone Dark falava o idioma dos países orientais.
Isso fazia sentido.
Ao desembarcar em um porto estrangeiro, você nem conseguiria pedir uma bebida se não entendesse o idioma local.
O que não teria graça nenhuma.
Portanto, aprender o idioma para o próprio entretenimento era algo natural.
Mas o espadachim que acompanhava o mago tinha uma proposta mais complicada.
"Se possível, eu gostaria que alguém que fale o idioma dos países centrais nos ensinasse."
Tanto o mago quanto o espadachim usavam uma ferramenta de alquimia chamada 'tradutor' em suas orelhas.
Aparentemente feita no vizinho Principado de Komakyuta.
Como o Capitão Gorick sabia que eles eram dos países centrais, ele entendeu o pedido do espadachim, Abel.
Afinal, era melhor traduzir diretamente de sua língua nativa.
Isso fazia todo o sentido.
Contudo, havia um problema.
Embora o idioma dos países centrais fosse amplamente falado ao redor do mundo e muitos mercadores o dominassem.
Não eram muitos os marinheiros que o falavam fluentemente...
No Lone Dark, havia apenas uma pessoa que se encaixava no perfil.
O Engenheiro-Chefe Gunno.
O Engenheiro-Chefe era o terceiro oficial mais graduado no navio, atrás apenas do capitão e do primeiro oficial.
O Lone Dark é um navio à vela.
Se fosse apenas isso, não haveria necessidade de um Engenheiro-Chefe.
No entanto, este não era um navio à vela puramente tradicional.
Isso valia para a maioria dos navios que se beneficiavam dos avanços recentes da alquimia.
Quando não havia vento, ou quando enfrentavam ventos contrários, eles podiam gerar vento através da alquimia, permitindo que o navio navegasse.
O dispositivo alquímico responsável por gerar esse vento era conhecido como 'Gerador de Vento', e a pessoa encarregada dele era o Engenheiro-Chefe.
Contanto que não houvesse falhas, o trabalho diário do Engenheiro-Chefe não era muito exigente.
Gunno tinha uma equipe de engenheiros sob seu comando, então não precisava supervisionar pessoalmente os mecanismos alquímicos o tempo todo.
Portanto, o Capitão Gorick designou o Engenheiro-Chefe Gunno como o professor de idiomas para os dois passageiros.
No entanto, ele limitou o tempo a duas horas por dia.
Depois de seus deveres matinais e antes do almoço.
Se algum problema surgisse ou o clima piorasse, as aulas seriam canceladas.
Ryo e Abel aceitaram essas condições.
Agora, parecia que a aula de hoje havia terminado.
"Ah, é bom sentir que você está melhorando a cada dia. Acumular pequenos sucessos realmente aumenta sua confiança."
"De fato. Nunca pensei que a estrutura das frases seria tão diferente, mas expandir meu entendimento é bastante prazeroso."
Ryo disse alegremente, e Abel sorriu e concordou.
"É muito bom ouvir isso. Eu não tenho usado muito o idioma dos países centrais ultimamente. Mas fico feliz que esteja sendo útil agora."
O Engenheiro-Chefe Gunno disse de forma animada antes de retornar à sala das máquinas.
À tarde, o Engenheiro-Chefe voltaria aos seus deveres habituais, e os dois convidados fariam o que bem entendessem.
Abel praticaria sua esgrima, e Ryo estudaria alquimia.
O tempo parecia infinito.
"O Engenheiro-Chefe Gunno disse que nasceu em uma família de mercadores, não foi?"
"Sim, disse. Ele mencionou que aprendia o idioma dos países centrais desde criança. Assim como Banhu, da Companhia Comercial Jade Azul no Principado de Komakyuta, famílias de mercadores começam a treinar seus filhos desde cedo."
Essa é a força das famílias fundadoras.
Claro, existem casos em que os fundadores ou seus descendentes não entendem essa força e não recebem nenhum treinamento em sua infância...
"Abel, você também começou a aprender várias coisas desde jovem, não foi?"
"Bem, sim. É natural, sendo de sangue real."
Você não consegue resultados acima da média sem esforço.
É por causa do trabalho árduo invisível nos bastidores que as pessoas produzem resultados que surpreendem os outros.
Mas as pessoas tendem a focar apenas nos resultados.
Elas não pensam nos anos invisíveis, às vezes décadas, de esforço que foram necessários para chegar lá.
Então, elas apenas dizem: "Que sorte" ou "Estou com inveja", e é aí que tudo termina.
É algo triste.
"Quando fomos enviados repentinamente para a Região do Arquipélago, não pudemos nos preparar para nada. Mas as coisas serão diferentes no continente a partir de agora. Vamos garantir que estaremos bem preparados!"
"Uma parte disso é aprender os idiomas dos países orientais, suponho."
Ambos tinham conseguido passar pela região do Arquipélago usando a ferramenta de alquimia, o 'tradutor'... ainda assim, não podiam deixar de admirar a capacidade de falar o idioma local fluentemente.
"A admiração impulsiona o crescimento!"
"Isso é verdade."
Abel acenou com a cabeça às palavras de Ryo.
Claro, se tudo o que você faz é dizer "Que sorte" ou "Estou com inveja", você não vai crescer.
Você tem que ver isso e colocar seu próprio esforço também.
O esforço sempre compensa.
Aqueles que trabalharam duro — tão duro que as pessoas ao redor podem até tentar pará-los —, a maioria deles conhece essa verdade.
É por isso que eles podem dizer com certeza:
"O esforço sempre compensa".
Eles nunca zombariam de alguém que está dando o seu melhor.
Nem teriam inveja daqueles que alcançaram resultados.
Porque eles conseguem imaginar o esforço que essas pessoas bem-sucedidas devem ter colocado nos bastidores.
Por outro lado, pessoas que invejam ou ressentem os outros simplesmente não trabalharam o suficiente.
No fundo, elas sabem disso.
Elas se arrependem, em algum lugar em seus corações, de que poderiam ter se esforçado mais em sua juventude ou em seus anos áureos... mas foram um pouco preguiçosas.
Elas sabem que poderiam ter alcançado algo muito maior, algo que teria deixado sua marca no mundo, se apenas tivessem se esforçado mais.
É por isso que elas invejam os outros.
É por isso que elas guardam ressentimento.
...Ou talvez seja por isso.
"Uma vez, uma grande pessoa disse isto: O esforço sempre compensa. E se há um esforço que não compensa, então é porque ainda não é um esforço verdadeiro."
"E-Essa é uma declaração poderosa..."
"Essa pessoa trabalhou, trabalhou e trabalhou, e eventualmente se tornou o rei dos home runs[1] do mundo. Abel, você também deveria almejar ser o rei do mundo!"
"Eu nem sei o que é esse 'home run'... e o seu argumento não mudou no meio do caminho?"
"Os detalhes não importam. Então, o que você acha? Talvez, como uma lembrança, possamos ocupar a Cidade Livre e transformá-la em um enclave do Reino de Knightley..."
"Ei, pare de falar bobagens."
Ryo sugeriu algo de forma travessa, e Abel rapidamente pôs um fim nisso.
"Claro, estou brincando. Vamos lá, Abel, não seja tão sério."
"Com você, Ryo, é difícil saber onde a piada termina..."
Ryo riu e deu um tapinha brincalhão no braço de Abel, enquanto Abel suspirava.
"Bem, estou ansioso por isso... a Cidade Livre de Kwebasa... fico imaginando como ela é."
"Sim. Espero que eles tenham uma boa comida."
"Eles terão, com certeza."
Abel disse isso com convicção.
Esta era uma ocorrência rara, então Ryo ficou um pouco surpreso.
"Não importa para onde você vá, sempre há comida deliciosa. Isso porque os seres humanos são exatamente esse tipo de criatura."
"Abel... estou um pouco impressionado. É verdade, onde quer que você vá, sempre há algo saboroso. Agora estou ainda mais animado!"
E assim, com esses dois amantes da gastronomia a bordo, o Lone Dark continuou em direção ao norte, rumo ao continente.
[1] - *Home run*: Um termo do beisebol em que o batedor acerta a bola para fora do campo, permitindo que ele percorra todas as bases e pontue.