Water Magician (WN)

Capítulo 218

Water Magician (WN)

Editor: Tseirp

O terceiro dia passou sem muitas novidades em comparação com o segundo.

Então, chegou o quarto dia.

O fatídico dia.

Naquele dia, Ryo já estava animado desde cedo.

— Kukuku, finalmente! Depois de tanto tempo, minha ambição será realizada!

— Que ambição...?

Enquanto Abel tomava seu café da manhã, Ryo tomava apenas café.

Ryo, cujo lema era basicamente "Café da manhã é obrigatório!", parecia um pouco incomum por não seguir seu credo hoje.

— Estou falando de lámen! Finalmente, depois de tanto tempo, poderei comê-lo! Após décadas de perseverança... não sei nem explicar há quanto tempo espero por este dia.

— Décadas, nossa... Bem, espero que esse "lámen" ou seja lá o que for, seja o mesmo pelo qual você tanto anseia.

Abel não estava sendo sarcástico nem tinha segundas intenções, ele estava apenas sendo sincero.

No entanto, o impacto em Ryo foi intenso.

Ryo congelou subitamente em seu estado de alegria, sua expressão endureceu... e, depois de um tempo, ele virou apenas a cabeça em direção a Abel; quase era possível ouvir o rangido do pescoço.

— ...Pode ser que não seja o mesmo "lámen"...

— Ei, é só uma possibilidade, tudo bem? Não é uma certeza.

Abel, assustado com a mudança de comportamento de Ryo, tentou acalmá-lo.

— Se for esse o caso... então já peço desculpas antecipadamente, porque vou congelar todo o Reino de Land [1] inteirinho...

[1] - Land: Refere-se à região ou ao Ducado de Twilight Land, onde a história se desenrola.

— Ei, calma aí, idiota, para com isso!

Pelo bem dos funcionários civis que ainda estavam envolvidos em intensas negociações, Abel rezou para que Ryo conseguisse exatamente o "lámen" que queria.

Naquela manhã, Abel observaria um combate simulado entre os cavaleiros dos nobres de Land.

Normalmente, combates simulados não eram algo que ele detestasse, já que não havia necessidade de bajulação, mas... o problema era o fato de serem as "Ordens de Cavaleiros dos nobres".

— Lidar com nobres, que dor de cabeça real...

Felizmente, os resmungos do segundo príncipe do Reino de Knightley não chegaram aos ouvidos de ninguém.

Depois que os funcionários civis começaram as negociações, Abel seguiu para o campo de treinamento em uma carruagem, enquanto Ryo deixou a casa de hóspedes em uma carruagem enviada pela Duquesa Alba para buscá-lo, ao mesmo tempo em que alguns aventureiros eram escoltados até o castelo ducal.

Eles foram levados à sala de recepção do Grão-Duque.

Eram Miu e seu grupo de cinco pessoas.

Os aventureiros que escoltavam a missão desta vez foram selecionados entre grupos de rank C com muitos magos, devido à sua sinergia com os cavaleiros, que se especializavam em combate corpo a corpo.

Como se diz que as mulheres têm uma afinidade maior com a magia do que os homens, havia mais magas do que magos entre os aventureiros.

O grupo ao qual Miu pertence, "Valkyrie", é incomum pelo fato de que três das integrantes são magas, e todas as cinco são mulheres.

Talvez por isso, o grupo se dava muito bem e, basicamente, iam a todos os lugares juntas.

Quando Miu foi convidada pelo Grão-Duque de Land, seu avô, as outras quatro a seguiram como algo natural.

Claro, Miu havia obtido permissão do Grão-Duque com antecedência.

Quando as cinco entraram, o Grão-Duque de Twilight Land, Silas Theo Santayana, já as esperava.

— Vovô...

— Oh... Miu, faz tempo.

Ali estava ele, não sob a máscara de um governante de um país, mas como um avô simplesmente feliz por ver sua neta.


O campo de combate simulado ficava nos arredores da capital.

Quando Abel chegou, as quatro ordens de cavaleiros já estavam alinhadas.

— Sir Abel, seja bem-vindo.

Quando Abel desceu da carruagem, foi recebido por quatro jovens bem-vestidos.

— Sou Robert, Conde de Rijo, e serei o responsável por presidir este combate simulado.

— Sou Abel, aventureiro de rank A do Reino.

Após trocarem algumas palavras, eles apertaram as mãos.

Os outros três também eram nobres: dois viscondes e um barão.

Em outras palavras, eles eram os senhores daquelas quatro ordens de cavaleiros.

(Um bando de jovens nobres... cada um com cerca de quarenta cavaleiros em sua ordem... surpreendentemente, até um barão tem uma força de quarenta homens. Mesmo Kenneth em nosso Reino, como Barão Hayward, não tem sequer uma comitiva digna de nota... Talvez eles sejam apenas um bando de jovens sedentos por sangue.)

Abel sentiu isso enquanto observava os cavaleiros.

— Agora, Sir Abel, por favor, siga-me até as arquibancadas ali. Após o combate simulado, eu agradeceria se pudesse nos dar suas impressões e apontar qualquer coisa que notar.

— Certamente.

O Conde Robert Rijo incentivou Abel a se dirigir à arquibancada dos espectadores.


Residência da Duquesa Alba.

Ao entrar pelo portão, Ryo teve a impressão de estar em uma universidade nacional nos subúrbios, e não em uma mansão.

O próprio Ryo frequentou uma universidade particular em Tóquio, mas a universidade nacional de sua região tinha um terreno vasto que se parecia muito com aquilo, pensou.

Claro, não havia prédios de cinco andares na propriedade da Duquesa Alba...

Mas havia vários edifícios elegantes.

Aquilo deve ser uma biblioteca, aquele edifício uma sala de concertos, e aquele ali um observatório...

Era estranho que houvesse o que parecia ser um observatório.

Então, a carruagem parou em frente a um edifício particularmente luxuoso.

Quando Ryo desceu da carruagem, um tapete vermelho foi desenrolado, com mordomos e empregadas alinhados em ambos os lados.

— Sejam bem-vindos.

As vozes estavam perfeitamente alinhadas, sem ninguém fora do compasso.

Ryo ficou impressionado.

Apenas olhando para aquilo, ele podia imaginar o poder da Duquesa Alba.

Se os subordinados são desleixados e fazem as coisas de qualquer jeito, seus superiores também serão julgados como incompetentes... essa conclusão é inevitável.

Se for esse o caso, o oposto também é verdadeiro.

Se as ações dos subordinados são uniformes e agradáveis, seus superiores também serão julgados como capazes... é natural chegar a essa conclusão.

Os mordomos e empregadas ali sabiam que cada uma de suas ações seria usada para julgar a "Duquesa Alba".

Eles são treinados para assumir a responsabilidade por cada pequena ação que tomam diariamente.

É isso que significa ser um profissional.

Claro, os superiores também oferecem altos salários e tratamento favorável para evitar que esses profissionais saiam.

Eles têm o "dinheiro" e também entendem a importância de gastá-lo nessas áreas.

Se os subordinados são profissionais, então... para manter esses profissionais em sintonia, seus superiores também devem ser profissionais.

E a Duquesa Alba, como "superiora", é uma profissional.

Os mordomos e empregadas, com apenas esse gesto, demonstraram isso.

Isso fez Ryo pensar em muitas coisas.

Ryo foi levado a uma sala de jantar bastante espaçosa.

Ele já tinha visto fotos do Palácio de Versalhes e do Palácio de Akasaka... mas o tamanho interno ali era fora do comum.

O comprimento, a largura, a altura e tudo mais pareciam ter sido multiplicados várias vezes...

Havia uma mesa enorme e comprida no centro.

Provavelmente era a mesa de jantar... mas era gigantesca.

E mais ao fundo, no final da sala, parecia haver uma pessoa.

Sim, a sala era tão grande que ele só conseguia reconhecer a figura como "parece ser uma pessoa".

Ryo pensou consigo mesmo:

(Caramba, é maior que um ginásio de escola...)

Uma sala de jantar maior que um ginásio.

Ryo foi conduzido por um mordomo e caminhou até o final da sala.

Então, a pessoa que estava lá no fundo também caminhou em sua direção.

— Ryo, muito obrigada por vir.

Era Agnes, a beleza fascinante que ele conhecera no banquete.

— Vossa Excelência, é um prazer estar aqui hoje...

— Oh, por favor. Não precisa de tanta formalidade. Por favor, chame-me de Agnes. Já que ambos somos magos do atributo água.

Ao dizer isso, Agnes deu um sorriso terrivelmente fascinante, algo entre um sorriso doce e sugestivo.

Até Ryo ficou momentaneamente desconcertado com seu sorriso.

— Uh, claro, Lady Agnes.

De alguma forma, Ryo conseguiu manter a razão, não por causa de sua forte racionalidade, mas por causa do aroma que pairava no ar da sala de jantar.

Tão nostálgico...

— Oh, você consegue sentir daqui. Vamos deixar as coisas complicadas para depois, vamos comer primeiro, certo? Venha, por aqui.

Agnes disse, indicando um assento para Ryo, e sentou-se ao lado dele.

Assim que Ryo se sentou, a porta se abriu e uma bandeja foi trazida.

Após chegar perto de Ryo, a tampa foi removida para a grande revelação.

Era...

— Uau...

Era, sem dúvida, um lámen de tonkotsu [2], exatamente como Ryo esperava.

[2] - Lámen de Tonkotsu: Um tipo de lámen japonês com caldo à base de ossos de porco.

Dois tigelas de lámen foram colocadas reverentemente à frente deles pelo mordomo.

Foi só então que Ryo percebeu.

Ao lado do lámen havia algo que já estava preparado.

— Um garfo, hashis e uma colher...

Isso mesmo, hashis [3].

[3] - Hashis: Os tradicionais palitinhos orientais usados como talheres.

"Hashis", que ele nunca tinha visto no Reino ou no Ducado desde que saiu da Floresta Rondo.

— Você pode usar um garfo para comer lámen, mas oficialmente, o correto é usar algo chamado "hashis", ali mesmo. É um talher oriental. No entanto, não é exatamente fácil de usar na primeira vez, então mandei preparar um garfo também.

— Uau...

Mesmo em "Phi", existe uma esfera cultural no Leste onde as pessoas comem com hashis.

Ryo aprendeu isso pela primeira vez naquele dia.

— Agora, vamos comer enquanto ainda está quente.

— Sim. Obrigado pela refeição.

Ryo involuntariamente juntou as mãos e disse: "Itadakimasu" [4].

[4] - Itadakimasu: Expressão japonesa usada antes das refeições, equivalente a "bom apetite" ou "agradeço pela comida".

Agnes ficou surpresa ao ver isso, mas Ryo não percebeu, pois toda a sua atenção já estava no lámen.

Ryo segurou os hashis na mão direita e a colher na esquerda. Uma formação perfeita.

Primeiro, o caldo.

Ele pegou o caldo com a colher e levou à boca.

— Delicioso...

As palavras escaparam involuntariamente.

Agnes, parecendo satisfeita ao olhar de lado, também bebeu o caldo com uma colher.

Ryo tomou dois goles do caldo e finalmente começou com o macarrão.

O macarrão era o que chamam de médio-grosso.

A doutrina de que "macarrão fino é o melhor para lámen de tonkotsu!" era a última coisa na mente de Ryo.

Contanto que seja saboroso.

Na culinária, o sabor é tudo, e se estiver gostoso, é justiça.

Até o lámen de tonkotsu mais grosso é justificável, contanto que seja saboroso!

E o lámen de tonkotsu à sua frente... a mistura suculenta do macarrão e do caldo era...

Slurp.

Primeiro, um gole barulhento.

Então, outro.

E mais um.

...

Depois disso, ele não conseguiu parar.

Ryo de forma alguma era um comedor rápido. Ele era um grande comedor, dependendo da ocasião.

E ele odiava, acima de tudo, comer de forma desleixada.

Nesta ocasião, Ryo demonstrou uma aparência quase milagrosa de um "comedor rápido charmoso".

Havia apenas um motivo.

Porque o lámen estava delicioso.

Tendo vindo de Kyushu, Ryo era, claro, exigente quando se tratava de lámen de tonkotsu.

Mas o lámen à sua frente era, pura e simplesmente, delicioso!

Ryo terminou sua tigela de lámen em pouco tempo.

— Ufa~

Olhando para Ryo, que soltou um suspiro de satisfação, Agnes sorriu e fez uma sugestão terrível.

— Gostaria de uma repetição?

— Sim, por favor!

Ele respondeu sem um segundo de pausa.

Vendo o reflexo condicionado de Ryo, Agnes sorriu alegremente.

Ela então voltou a comer.

Ryo, enquanto isso, estava sem o que fazer.

De repente, ele olhou para Agnes, que comia ao seu lado.

Uma mulher bonita comendo lámen com a cabeça levemente inclinada para o lado e o cabelo caindo sobre as orelhas.

Era uma cena que, por si só, poderia ter sido transformada em uma bela pintura em movimento.

Ryo estava no paraíso.

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