
Capítulo 194
Water Magician (WN)
"É inútil… a Tempestade Verde não vai funcionar."
O relatório do Capitão da Guarda, Meredith, estava carregado de amargura.
No entanto, Loris, o Duque de Inbury, que ouviu o relatório, podia visualizar toda a cena em que seus disparos de Tempestade Verde não surtiram efeito algum.
"Iniciem os ataques a partir da muralha."
Sua ordem já não carregava entusiasmo.
Não havia o que fazer.
Sob suas próprias ordens, ele havia levado suas tropas de elite à morte.
Seu comandante militar de maior confiança, o Comandante dos Cavaleiros, Stanley, já não estava mais lá.
Não restavam chances de reviravolta. Ele foi forçado a entender isso, mesmo que não quisesse.
"Vossa Excelência."
Alguém chamou Loris por trás em um sussurro.
Khulna, o camareiro da família do Duque.
"Por favor, escape da cidade, deixe o país e restaure o Ducado a partir do exterior."
"M-mas..."
Era uma proposta que Loris, mesmo em sua situação atual, hesitaria em aceitar: abandonar seu país, abandonar seu povo, abandonar os soldados que o seguiram até o fim, para viver na desonra fugindo de sua terra.
"Enquanto Vossa Excelência estiver a salvo, podemos ter esperança no renascimento do Ducado. Mas se algo acontecer com Vossa Excelência, quando seus vassalos se levantarem após aguardarem o momento certo para acumular forças, quem será capaz de liderá-los?"
Sobreviver, apesar de cair em desgraça, pelo povo que sonha com a restauração da nação... aquelas palavras foram o bastante para Loris.
Fugir para o exterior com sua família.
Mas seria realmente possível?
"A rota de fuga desta cidade foi preparada por Gecko. Vossa Excelência aparecerá na floresta na orla da bacia. Os preparativos para se esconder lá por um tempo já foram feitos. Finguiremos sua morte na cidade, então será possível sair da bacia quando a vigilância do inimigo diminuir."
"Entendo, então foi o Gecko..."
Gecko, um mercador do Ducado de Inbury.
Ele trouxe suprimentos para a Cidade de Fion, estabeleceu-a como uma base final de contra-ataque e preparou uma rota de fuga para emergências.
"Gecko já...?"
"Sim, conforme as instruções, Vossa Excelência e Gecko cruzaram caminhos quando o senhor entrou na cidade, e ele provavelmente está escondido perto da fronteira do Reino..."
"Gecko também passa por um momento difícil."
Loris suspirou profundamente.
Então, ele disse ao camareiro Khulna:
"Está bem. Eu vou escapar."
Loris, o Duque de Inbury, escapou da Cidade de Fion com sua família e sua comitiva.
Dois quilômetros a oeste da Cidade de Fion.
Loris, Duque de Inbury, encontrava-se em uma das florestas espalhadas pelas Planícies de Fion.
Ele passou por uma longa passagem subterrânea vindo da cidade, adentrou ainda mais a floresta após emergir à superfície e, finalmente, pôde fazer uma pausa.
Havia uma caverna consideravelmente grande que podia abrigá-los do vento e da chuva.
Mesmo quando o sol brilhava, a caverna era difícil de ser vista da cidade, então o esconderijo foi calculado de forma bastante elaborada.
O interior da caverna era muito amplo e havia comida suficiente para 20 pessoas viverem por mais de um mês, demonstrando a competência de Gecko.
A batalha na Cidade de Fion ainda continuava.
No entanto, o portão já havia sido rompido e a queda da cidade era apenas uma questão de tempo.
A fumaça que subia de todos os pontos da cidade podia ser vista até daquela floresta, a dois quilômetros de distância.
E Loris, Duque de Inbury, não conseguia desviar o olhar da cidade.
Aqueles que se sacrificaram para lutar a fim de que ele escapasse.
Aqueles que se recusaram a aceitar a morte do país e lutaram.
E aqueles que decidiram fazer da cidade sua última trincheira e lutaram até a morte.
Ele, que originalmente deveria ser responsável por todos eles, deixou a cidade primeiro.
Claro, em sua mente, ele entendia que a sobrevivência era seu dever.
Ele podia entender, mas ainda assim não conseguia aceitar.
Além disso, havia problemas imediatos.
"O Reino aceitará meu asilo?"
O murmúrio de Loris foi tão baixo que ninguém mais pôde ouvir.
Duas horas depois, a bandeira do Ducado na Cidade de Fion foi arriada e a bandeira da União foi hasteada em seu lugar.
Naquela noite, seis vultos se aproximaram da caverna onde Loris, o Duque de Inbury, estava escondido.
"Pare! Quem está aí!"
Um chamado agudo, porém silencioso, bastante habilidoso para as circunstâncias atuais, veio dos guardas de Loris.
Havia apenas cinco guardas, mas os homens eram completamente leais a Loris.
Até mesmo o pedido deles para identificar o intruso foi imponente.
"Por favor, espere, não sou uma pessoa suspeita. Meu nome é Hugh McGrath, o mestre da guilda dos aventureiros do Reino."
Um homem saiu da escuridão e expôs o rosto ao luar.
"M-McGrath? Mestre McGrath...?"
A fama de Hugh McGrath no Ducado é imensa.
Além disso, suas caricaturas também são vendidas, e pode-se dizer que ele é uma celebridade com um rosto tão conhecido quanto o do Duque de Inbury.
E o rosto do homem que surgiu da escuridão era familiar ao povo do Ducado.
"Sim, este é McGrath. Posso encontrar o Duque?"
"Estou aqui."
Quando Hugh perguntou aos guardas, Loris já havia saído da caverna.
"Vossa Excelência..."
Quando Hugh reconheceu Loris, ele se ajoelhou com um joelho no chão e o cumprimentou.
"Não, Mestre McGrath, por favor, levante o rosto. Durante o dia, recebi um relatório de que você atacou o exército principal de Lorde Aubrey com uma pequena força. Além disso, eu me sentiria envergonhado se você me cumprimentasse formalmente depois que perdi meu país. O fato de você ter vindo até aqui para me ver..."
"Sim, como deve ter imaginado, por favor, considere buscar asilo no Reino."
Claro, não foi por iniciativa própria de Hugh, mas sob a orientação de Finley Forsythe, o Grão-Mestre que liderava a Força Expedicionária da Guilda dos Aventureiros.
Finley não apareceu pessoalmente devido à fama de Hugh no Ducado, e ao cálculo de que expô-lo seria menos problemático.
E o cálculo estava prestes a funcionar.
Loris assentiu e respondeu:
"Sim, neste ponto, acredito que não tenho outra opção."
"Há outro caminho."
Uma voz feminina foi ouvida das profundezas da floresta.
Foi uma voz que ninguém esperava.
Até Ryo ficou surpreso, pois estava vigiando a cidade com seu <Sonar Passivo> [1].
(Mesmo assim, não percebi até que ela chegasse tão perto... Isso não é normal... e essa reação...)
[1] - Sonar Passivo: Uma habilidade de detecção que utiliza percepção mágica para monitorar vibrações e presenças no ambiente sem emitir sinais próprios.
Quatro homens e mulheres saíram das profundezas da floresta.
Na frente, havia uma mulher bonita de cabelos ruivos flamejantes e uma força de vontade que passava uma impressão muito digna.
E atrás dela, havia o 'Aquele Mago de Atributo Fogo' de cabelos brancos que Ryo jamais esqueceria... seu outro apelido comum...
"Mago da Chama Explosiva..."
O nome veio de um sussurro de Rin.
"Princesa Fiona, não esperava vê-la aqui. Sou Hugh McGrath, o mestre da guilda da Cidade de Runa. Faz muito tempo desde que a encontrei em Whitnash."
"Mestre McGrath, é claro que me lembro. Atrás de você, Abel e..."
Ela sorriu e continuou.
"O Mago de Atributo Água que tentou me congelar."
(Sorrisos de mulheres são assustadores... que ditado apropriado.)
"Peço desculpas por isso. Não me leve a mal, tudo foi causado pelo Mago de Atributo Fogo atrás de você."
Ryo pediu desculpas muito educadamente. Embora o que ele disse fosse extremamente desrespeitoso.
À primeira vista, Oscar Ruska, o Mago de Atributo Fogo, não teve mudança em sua expressão facial.
No entanto, quando observado de perto, uma bochecha estava tremendo... os dois adjuntos, Marie e Jurgen, diagonalmente atrás dele, puderam ver.
Contudo, como era noite, era completamente invisível para os aventureiros do Reino.
(Os outros dois, além da Princesa e daquele sujeito, também são bem treinados... Se algo acontecer... estamos equilibrados em termos de força?)
A frase 'Uma luta entre oponentes igualmente grandes' passava pela cabeça de Ryo.
Herói McGrath + Espada Vermelha + Ryo contra quatro do Império. Seria uma luta épica.
Mas...
"Não estamos aqui para lutar. Hoje, desejamos entregar uma carta em nome do Imperador Rupert VI."
"A carta de Sua Majestade Rupert?"
Loris, o Duque de Inbury, tinha um olhar de suspeita, mas recebeu a carta apresentada pela Princesa Fiona e leu o conteúdo.
Naquele momento, sua expressão facial mudou drasticamente.
Uma expressão mista de surpresa, dúvida e ceticismo.
Ele leu a carta quatro vezes no total.
E as palavras escaparam como um murmúrio.
"Isso é... verdade?"
"Sim. É, sem dúvida, uma carta de Sua Majestade, o Imperador Rupert VI do Império, e seu conteúdo também é verdadeiro. O Império decidiu oficialmente oferecer asilo ao Duque de Inbury, sua família e toda a sua comitiva."
No momento em que ouviram essas palavras, Hugh, Abel e até Ryo ficaram surpresos.
"P-por favor, espere. Em relação ao asilo, até o Reino..."
"O Reino anunciou oficialmente?"
Hugh intrometeu-se apressadamente, mas a Princesa Fiona retrucou incisivamente.
"O Império já anunciou oficialmente, a aprovação do Imperador foi dada e até a carta foi entregue. Mas o Reino não vai deliberar sobre oferecer ou não asilo a eles na Capital Real?"
Ela estava completamente certa.
O Reino pode até recusar o asilo.
A Capital Real não é, de forma alguma, unida.
Hugh entendeu isso, e sabia que o Duque de Inbury, que tinha uma forte habilidade de reunir informações, também sabia.
Era por isso que ele estava preocupado se o Reino os aceitaria.
No entanto, como não havia outro caminho, ele decidiu ir para o Reino.
Mas agora havia outro caminho.
Buscar refúgio no Império.
No Império, a aprovação do Imperador já havia sido dada.
Como esperado, não havia razão para não escolher o asilo no Império agora que já estava tudo preparado.
Havia apenas uma preocupação.
"Gostaria de perguntar a Vossa Alteza Real Fiona. Como chegamos do Ducado ao Império?"
Essa era a preocupação de Loris.
O Ducado de Inbury e o Império não compartilham uma fronteira.
Mesmo o caminho para o Reino era muito difícil. Quão difícil seria chegar ao Império além disso?
"Duque, não se preocupe."
Fiona disse e olhou para Oscar atrás dela.
Oscar assentiu levemente e então sussurrou para algo que tinha.
Cinco minutos depois.
Ryo notou que o céu escureceu.
Originalmente já era noite, e as estrelas e a lua no céu estavam bloqueadas por nuvens, mas algo estava flutuando no céu.
De acordo com o <Sonar Passivo>, era um objeto artificial com um comprimento total de mais de 100 metros.
"Não pode ser... um encouraçado voador."
Como Ryo, Abel notou e deixou escapar essas palavras enquanto olhava para algo no céu.
"Impossível... diziam que era apenas um rumor..."
"É verdade que existe. Mas dizem que até o Império só conseguiu construir um navio... e ele está bem na nossa frente..."
Hugh estava surpreso, enquanto Loris sabia de sua existência através de seu poderoso departamento de inteligência.
"Sim. O Imperador nos deu uma permissão especial para trazer o Duque e sua família em segurança para o Império. Levaremos vocês para o Império naquele navio."
A Princesa Fiona concluiu suas palavras com uma reverência graciosa.
Loris, Duque de Inbury, não tinha motivos para recusar o asilo no Império depois disso.
Hugh e seu grupo ficaram congelados no lugar, mesmo depois que o encouraçado voador Imperial, com toda sua armadura tingida de preto, se fundiu à escuridão da noite.
Eles foram completamente e perfeitamente superados pelo Império.
O choque foi inesperadamente grande.
(Não, talvez isso seja bom. Para dizer de um jeito ruim, a presença do Duque de Inbury poderia ser um espinho muito venenoso. Não há política no Reino atual para lidar com isso.)
Hugh pensou e convenceu a si mesmo.
Se o Duque de Inbury estivesse no Reino, a União tentaria todos os meios para alcançá-lo.
É muito incerto se o Reino tem o poder de repelir essas tentativas.
Nesse caso, ele não deveria estar no Reino de jeito nenhum. Em algum lugar bem longe... sim, se for o Império, a União não será capaz de alcançá-lo facilmente.
(Isso é bom.)
Hugh pensou e convenceu a si mesmo em seu coração.
Ele estava convencido, mas...
"O Grão-Mestre vai ficar com raiva?"
O murmúrio de Ryo deixou Hugh deprimido.
"Entendo."
Essa foi a única palavra que o Grão-Mestre Finley Forsythe disse.
Ele não estava com raiva, não estava surpreso, e nem mesmo Hugh conseguia ler nada de sua expressão inalterada.
Forsythe também entendia a situação política no centro de seu país.
Ele é o grão-mestre na Capital Real. Talvez ele esteja mais próximo da política do Reino do que qualquer outra pessoa lá.
No momento, ele estava ciente do alto risco de colocar o Duque de Inbury e sua família no Reino.
Embora soubesse disso, ele não teve escolha a não ser propor o asilo.
Mas a intervenção imperial removeu o problema.
De fato, ninguém sabia que ele estava bastante aliviado em seu coração.