
Capítulo 131
Water Magician (WN)
"A revista deles é bem rigorosa. É impossível esconder armas."
Hector disse isso ao ver a adaga que Abel tentava esconder justamente quando todos estavam prontos e as inspeções finais sendo feitas.
"Aquela esfera também… você não tem um lugar melhor para escondê-la? Para que seja mais difícil de achar?"
A chamada esfera 『transmissora』.
Era uma esfera do tamanho de um polegar.
Abel pensou que eles achariam que era uma pedra ou algo do tipo se ele a colocasse no bolso, mas… Hector objetou.
"Bem… Onde eu deveria escondê-la?"
Abel murmurou.
"Se você a costurar na sua roupa..."
"Acho melhor manter na boca o tempo todo."
"Você também poderia simplesmente engoli-la e guardá-la no estômago!"
Hector deu uma sugestão sensata, Rihya deu uma sugestão severa e Rin deu uma opinião radical.
E, depois de dizer isso, Rin se escondeu imediatamente atrás de Warren.
"Será que é realmente seguro deixar minha vida nas mãos desse pessoal…"
Abel olhou para o teto e lamentou.
Um esconderijo da 『Estrela do Amanhecer』 na capital real.
Hector, Oriana e Aiseiya enfiaram Abel, que estava amarrado, dentro de um saco e o seguraram de modo que ele não pudesse ser visto de fora.
"Hector, vocês estão muito atrasados."
Os dois que chegaram antes, Kenji e Tarlow, receberam Hector e seus companheiros.
"É, muita coisa aconteceu."
Hector respondeu e deu um suspiro profundo.
"Dos três que seguimos, um foi para a Oficina Real de Alquimia e os outros dois entraram no dormitório da Ordem dos Cavaleiros do Reino. Só precisávamos saber para onde foram, então voltamos depois disso. Tudo bem?"
Kenji confirmou com Hector.
"Sim, isso basta. Por enquanto, não toquem naquelas três pessoas."
"Hã?"
Kenji inclinou a cabeça diante das instruções de Hector.
"Descobri que havia um aristocrata entre eles, nomeado pessoalmente por Sua Majestade, o Rei, então eu não tocaria neles de jeito nenhum. Também não recebemos ordens superiores sobre esses três. Nós não vimos nada. Tudo bem assim?"
"Si-sim."
Kenji assentiu involuntariamente por causa da insistência excessiva de Hector.
"A única instrução superior era capturar este homem. Eles não dirão nada contanto que o entreguemos em segurança. Este homem estava bebendo sozinho. E eu o capturei quando ele estava voltando para casa. Certo? Vamos manter essa versão."
"Sim, entendi."
Kenji respondeu e Tarlow assentiu, indicando que também compreendia.
Quando Hector colocava as coisas dessa forma, eles sabiam, devido ao longo tempo de convivência, que se tratava de um assunto complicado.
E, em tais casos, eles também já tinham a experiência de que esperar que Hector resolvesse o problema era o que tinha a maior taxa de sucesso.
Portanto, não havia nada de errado em seguir o que Hector dizia.
Abel foi tirado do saco cerca de trinta minutos depois.
Do outro lado da porta à sua esquerda, ele conseguia ouvir o riso de pessoas embriagadas.
"Aquela é a sala de guarda para aventureiros contratados."
Hector sussurrou enquanto tirava Abel do saco.
Nesse momento, a porta à direita se abriu e um homem saiu de dentro.
"É ele?"
"Sim, é ele mesmo."
Hector respondeu à pergunta do homem.
"Eu vou levá-lo. Vocês podem descansar ali. Bom trabalho."
Então, o homem chamou outra pessoa de trás da porta e flanqueou Abel pela frente e por trás.
E fizeram uma revista pessoal.
De fato, como Hector disse, foi uma revista bem detalhada.
"Certo, ande."
Finalmente, a revista terminou e Abel foi forçado a caminhar.
Hector lançou um olhar preocupado para ele, abriu a porta da esquerda com seus companheiros e entrou na sala de guarda dos aventureiros.
Abel, imprensado entre dois homens, caminhou pelo corredor por um tempo e depois saiu em uma sala vazia.
Tinha aproximadamente o tamanho de duas salas de aula?
Uma cadeira estava colocada no centro e três homens estavam em volta dela.
"Sente-se."
E Abel foi sentado na cadeira.
Seus braços estavam amarrados com uma corda, mas apenas isso.
Será que os homens estavam tão confiantes? Ou foi apenas descuido…
No momento em que o homem que parecia ser o líder, parado à frente, tentou abrir a boca, uma porta diferente daquela por onde Abel entrou se abriu, e dois homens trouxeram um barril.
Ao ver isso, todos os cinco na sala gritaram como se estivessem inquietos.
"Idiota! Não é nesta sala!"
"Na sala mais ao fundo. Leve-o para lá!"
Os homens que trouxeram o barril deixaram a sala, inclinando a cabeça em sinal de desculpa.
(Aquela apreensão… o que havia ali dentro?)
Abel sentiu que tinha encontrado algo para investigar.
"Agora……"
O homem que parecia ser o líder, parado na frente de Abel, falou.
"Queremos te perguntar duas coisas. Para quem você trabalha? E o quanto você descobriu?"
(Eu queria perguntar para quem vocês trabalham e o que estão tentando fazer.)
Abel reformulou a pergunta em seu íntimo.
Ele vinha observando o que os homens vestiam para ver se havia algo que pudesse levar ao status ou afiliação deles, mas eles não estavam usando nenhum artigo identificável que ele pudesse ver.
"É melhor você falar antes de se machucar."
Quando o líder disse isso, o homem ao lado dele sacou a faca para observá-la.
Ao ver isso, Abel falou.
"Tudo bem, eu falo."
"Ho. Então você entende sua situação."
"Não quero me machucar. Meu empregador é o Capitão dos Cavaleiros."
Claro, ele estava mentindo descaradamente.
Ele sabia que aqueles caras à sua frente estavam ligados ao Ministro das Finanças.
Abel também investigou o Grande Camareiro Sorrel e o Capitão dos Cavaleiros Baccara.
Ambos aceitavam subornos e eram corruptos, mas, se algo fosse dito, as ações do Grande Camareiro não indicavam traição ou rebelião.
Para ser honesto, ele não sabia o quão corrupto era o Capitão dos Cavaleiros Baccara.
Por essa razão, ele queria que eles mesmos admitissem.
No entanto, a reação do líder que ouviu a admissão de Abel foi intensa.
"O quê……"
Depois de murmurar isso, ele ficou em silêncio.
Essa reação surpreendeu as pessoas ao redor, e Abel também ficou internamente surpreso.
(Hã? O que foi essa reação? É como se estivessem dizendo que há alguma conexão entre o Ministro das Finanças e o Capitão dos Cavaleiros… incluindo o barril de agora pouco, isso é sorte demais! Eu sabia que a infiltração era o melhor método.)
Abel assentiu internamente várias vezes, concordando que sua decisão foi correta.
Depois de um tempo, o líder olhou para Abel após seus pensamentos se acalmarem e fez mais perguntas.
"Então o Capitão dos Cavaleiros é seu empregador? Por que você estava bisbilhotando por aí, então?"
"Para obter provas das irregularidades do Ministro das Finanças, por segurança."
Se houvesse evidências de irregularidades, ele certamente queria colocá-las nas mãos.
Naturalmente, se fosse para um inimigo, mas é claro, mesmo um aliado agora não seria sempre um aliado, então conseguir algo em mãos era preferível, se possível.
Abel respondeu com uma resposta que não poderia ser considerada errada, não importasse o quê.
"Entendo. E você encontrou alguma prova?"
"Alguma coisa."
Abel respondeu à pergunta do líder sob o disfarce de honestidade.
"Onde ela está?"
"Entreguei a um companheiro de confiança. Combinei que eles a entregariam a um investigador de Assuntos Internos caso não houvesse contato regular da minha parte."
Ao ouvir suas palavras, o líder não mudou sua expressão, mas os subordinados mostraram expressões de surpresa.
Investigadores de Assuntos Internos eram aqueles que pertenciam ao Ministério de Assuntos Internos e investigavam irregularidades de funcionários.
Em alguns casos, o decreto do Rei pode até dar-lhes autoridade para reprimir os aristocratas.
"Isso é bem interessante. Por que você está tentando ir atrás de um investigador de Assuntos Internos em vez do Capitão dos Cavaleiros?"
"É por uma questão de autoproteção."
Abel respondeu à pergunta do líder com aquele ar de que o caminho da cobra é ser cobra.
Ele parecia se encaixar muito bem no papel, já que tinha sido um aventureiro por muito tempo.
(Este líder tem um temperamento diferente comparado aos outros…. Ele seria o alvo se Abel estivesse planejando derrotá-los e sequestrar alguém. A questão restante seria como lidar com essa situação?)
Internamente, Abel estava pensando em algo perigoso.
Realisticamente, não era uma boa ideia estar cercado por cinco homens, sem armas e com as mãos amarradas.
Ele tinha que reduzir o número de pessoas um pouco mais…
"Hmm. Será que você poderia nos vender as provas aqui? Claro, também podemos recorrer à força…"
Então, o líder olhou para o comparsa que segurava uma faca ao lado dele.
"Não, eu disse que também não gosto de me machucar. Se eu pudesse conseguir um pouco de dinheiro e fugir para o exterior…"
"Certo. É um acordo. Vamos falar sobre o conteúdo das provas."
Abel estava encrencado.
Claro, porque ele não tinha nenhuma prova desde o início.
"Ah, bem, por assim dizer… Geho, Gehogeho."
Abel de repente começou a tossir. E parecia estar com dor.
"O quê? Ei, alguém traga um pouco de água."
Quando o líder deu instruções, um dos subordinados deixou a sala.
Abel continuou a tossir, eventualmente caindo da cadeira e rolando pelo chão.
"Que diabo? Ei, tragam um padre."
Mais uma pessoa deixou a sala.
(Acho que chegou a hora.)
Abel agarrou a perna de um dos homens, que se aproximou para verificar sua situação, com a mão a partir de sua posição deitado e o puxou para baixo.
Enquanto puxava o homem, ele girou, levantou-se e golpeou com o pé direito a cabeça do homem no chão, nocauteando-o.
Então, ele puxou a faca que estava na cintura do homem.
Vendo isso, um dos últimos captores restantes avançou contra ele.
Abel segurou a faca com ambas as mãos ainda amarradas pela corda.
Esquivando-se do soco do captor que avançava, ele inclinou a faca para o lado e a cravou na axila do homem.
"Gugyaa."
O homem esfaqueado rolou pelo chão, gritando de forma lamentável.
As terminações nervosas estavam concentradas naquele ponto e alguns desmaiariam com uma facada ali…
Abel, como espadachim, sabia disso por experiência.
Finalmente, Abel ficou em uma situação de um contra um com o líder.
"Você não estava planejando pegar o dinheiro e fugir para o exterior…"
O líder estava recuando lentamente. Ele podia estar pensando em fugir pela porta dos fundos.
"Foi mal."
Abel correu em direção ao homem.
Ele sentiu desde o início que o líder não estava acostumado com lutas.
"Geho…"
Com certeza, o homem não conseguiu evitar Abel, pois teve seu plexo solar atingido e caiu em agonia.
Abel chutou a cabeça do líder e o nocauteou também.
Finalmente, Abel conseguiu cortar a corda que prendia suas mãos com a faca.
Exatamente nesse momento, a porta por onde Abel entrou se abriu e pessoas saltaram para dentro.
Eram os outros três da 『Espada Carmesim』 e Ilarion.
Pela 『esfera』 costurada na roupa de Abel, eles souberam que Abel finalmente havia entrado em ação e correram para o prédio.
"Ah. Não havia uma sala onde os aventureiros ficavam perto da entrada? Eles não notaram?"
Abel perguntou de um jeito despreocupado.
"Está tudo bem, porque apaguei nossa presença com magia."
"Caramba! Abel, não nos faça preocupar!"
Ilarion respondeu com orgulho enquanto Rihya se agarrava a Abel.
"O-oh. Desculpe."
Abel pediu desculpas mansamente.
"Então, você encontrou alguma prova? Pelo que consegui ouvir das vozes, não havia nada."
"Sim. Primeiro de tudo, este cara."
Em resposta à pergunta de Ilarion, Abel apontou com o queixo para o líder desmaiado.
"Este cara parece saber muito, então vamos levá-lo. Warren, desculpe, mas procure um saco que possa caber este cara. E eles cometeram um erro e um barril foi trazido para esta sala. Esses caras ficaram bem ansiosos quando o viram. Estou curioso sobre isso, então quero descobrir."
"Hmm. A coisa que eles disseram para levar para a sala mais ao fundo. Abel e eu… junto com Rihya podemos ir. Warren e Rin, cuidem desses caras."
Então Abel, Ilarion e Rihya foram pela porta dos fundos.
Quando saíram pela porta, havia um corredor largo.
A sala onde Abel foi interrogado ficava no final do corredor e, por enquanto, eles continuaram pelo corredor.
No caminho, nocautearam o homem que voltou com água, o homem que trouxe o padre e o próprio padre, e os três seguiram para a outra extremidade do corredor.
"É aqui?"
Eles chegaram em frente a uma porta dupla.
Ele encostou o ouvido na porta e ouviu, mas não havia som.
"Deixe comigo. Reúna os batimentos cardíacos e a existência de vida e traga-os até mim, <Probe> [1]"
Ilarion lançou a magia de atributo vento <Probe>… mas com uma velocidade de conjuração aterrorizante.
Todo o cântico levou apenas cerca de um segundo.
"Toda vez que ouço isso, você definitivamente faz o que quer, vovô."
Abel comentou sobre seu cântico incrivelmente rápido.
"Do que você está falando? Este é o resultado de muitos anos de treinamento e estudo diligente. Não há ninguém dentro."
Em resposta às palavras de Ilarion, Abel abriu a porta e entrou.
O interior era cerca de duas vezes maior que a sala onde Abel foi interrogado anteriormente.
Cerca de cinquenta barris estavam alinhados no fundo.
"Hmm."
Ilarion bateu no barril para escutar.
"Tenho certeza de que não é vinho."
"Claro que não."
Ilarion comentou brincando e Abel retrucou, exasperado.
Olhando para alguns dos barris, eles encontraram algo como areia preta na tampa, talvez derramado do conteúdo.
"Areia preta?"
"De jeito nenhum…"
Abel inclinou a cabeça em confusão enquanto Ilarion tocou na areia preta, cheirou-a e ficou sem palavras.
"Abel… saia rapidamente."
"O-ok."
Ilarion, que raramente ficava ansioso, recomendou fazê-lo com suor na testa e recuou com uma expressão rígida. Abel pôde perceber que era algo bastante perigoso.
O grupo voltou às pressas para a sala de interrogatório, juntou-se a Rin e Warren, que carregava o líder no saco, e chegaram à frente da porta que dava saída do prédio.
"Espere um minuto. Vou avisá-los."
Ilarion disse, abrindo um pouco a porta da sala onde os aventureiros ficavam e cantou.
"Vento, entregue meu sussurro, <Whisper> [2]. 『Hector, aqui é o Ilarion. Leve os membros do grupo para longe deste prédio o mais rápido possível.』"
Após transmitir isso, os cinco deixaram o prédio.
[1] - Probe (Sonda): Magia de detecção ou exploração mágica.
[2] - Whisper (Sussurro): Magia de comunicação à distância.