
Capítulo 129
Water Magician (WN)
Capítulo extra, graças aos nossos Patreons~
Poucos dias depois de Abel ler o relatório.
— O que significa isso?!
Uma voz soou alta no Escritório de Design da Oficina Real de Alquimia, perto do portão leste da capital real.
— Chefe, como está escrito ali...
Um subordinado respondeu à voz furiosa do homem a quem se referia como chefe. Claro, ele sabia que o chefe não estava repreendendo a ele; o homem estava irritado com as ordens absurdas nos documentos...
— "Congelamento temporário do pagamento dos custos de desenvolvimento do 『Vaedra』..."
— Sim...
O chefe leu em voz alta, com os dentes cerrados, e seu subordinado assentiu com um olhar de pura frustração.
— Eles têm noção do que estão fazendo?! Aquele 『Vaedra』 é nossa carta na manga na nossa posição de extrema desvantagem na batalha contra o Império!
— Chefe...
O chefe não conseguiu se conter e elevou a voz novamente, e o subordinado respondeu com um semblante de quem sabia que não havia escapatória.
— Em primeiro lugar, este desenvolvimento está sob o controle direto de Sua Majestade, o Rei!
— Mas, no ano passado, foi transferido para o controle direto do Ministro do Interior...
Seu subordinado apontou calmamente a mudança para o chefe, que agora murmurava indignado.
— Eu sei... eu sei, mas...
O chefe sussurrou, franzindo a testa. Então, ele se levantou.
— Estou indo ao Ministério do Interior!
Em seguida, o pesquisador-chefe Kenneth Hayward saiu apressado da sala de design.
— Vossa Excelência, o Barão Kenneth Hayward, Pesquisador-Chefe da Oficina Real de Alquimia, deseja vê-lo por um assunto urgente.
— Deixe-o entrar.
O Ministro do Interior, Harold Lawrence, pediu que recebessem o convidado. Ao entrar no escritório, Kenneth falou imediatamente:
— Vossa Excelência, sou Kenneth, pesquisador-chefe. Hoje, recebi um aviso de que o custo de desenvolvimento do 『Vaedra』 será temporariamente congelado.
— Barão Hayward, claro, eu pretendia explicar. Por favor, sente-se nesta cadeira.
Harold disse isso e caminhou até a mesa de recepção, sentando-se oposto a Kenneth.
— Vossa Excelência, o desenvolvimento do 『Vaedra』 é o meio mais importante de resolver os problemas urgentes da nossa defesa. Para ser sincero, sem o 『Vaedra』, não conseguiremos competir contra o Império.
— Barão, acredito que você esteja certo, mas não deve dizer isso em voz alta, especialmente dentro do castelo real.
— Ah...
Como esperado, Kenneth percebeu que aquela era uma afirmação que a Ordem dos Cavaleiros e a Ordem dos Magos considerariam antagônica.
— Entendo o que o Barão Kenneth quer dizer, e concordo que seja verdade, mas há algumas pessoas na administração que não compreendem isso... Este congelamento redirecionará os fundos de desenvolvimento para cobrir o custo da restauração da Ponte Rho.
— Ponte Rho...
Kenneth sabia que a Ponte Rho havia colapsado, interrompendo o tráfego e a distribuição de mercadorias entre o sul e o leste. Ele também compreendia que, devido ao seu tamanho colossal, a restauração da ponte exigiria uma quantia enorme de dinheiro. Mas, ainda assim...
— Sim, mas, ainda assim, a defesa nacional é importante. Foi por isso que o desenvolvimento do 『Vaedra』 foi acelerado. Sinto muito, mas não tenho influência suficiente e só posso engolir minha frustração desta vez.
Harold fez uma reverência ao dizer isso. De fato, se o Ministro do Interior, o Conde Harold Lawrence, curva a cabeça, até um aristocrata em ascensão como Kenneth compreende a gravidade da situação.
— Não, Vossa Excelência, por favor, erga a cabeça. Eu fui muito imprudente. Peço desculpas.
— Sim, Barão Kenneth, você entende agora?
Kenneth também se curvou, e Harold sorriu e tomou suas mãos.
— E Vossa Excelência, posso confirmar que o orçamento para a compra da segunda pedra mágica ainda foi aprovado, correto?
— Sim, aquela pedra mágica de Wyvern. A segunda foi comprada com sucesso. Mas parece que será a última. Ela deve ser enviada da Cidade de Rune dentro deste mês.
Kenneth ficou encantado ao ouvir a resposta de Harold. Era ótimo que tivessem conseguido garantir a segunda pedra. Isso porque, finalmente, havia sido encontrada uma perspectiva para resolver o problema da baixa potência, algo que até agora parecia impossível.
— Entendido. Obrigado pelo dia de hoje. Com licença.
Dito isso, Kenneth deixou o escritório do Ministro do Interior. Harold Lawrence observou Kenneth partir com um brilho indescritível nos olhos.
— Ora, quanto tempo, não é, Kenneth!
Ao sair do Ministério do Interior, Kenneth foi chamado por alguém atrás dele.
— Ei, Zack, deveria ser "Barão Kenneth Hayward" para você. Ba-rão! Eu sou diferente dos segundos filhos que não conseguiram herdar o título aristocrático. Certifique-se de me dar o devido respeito.
— Opa, é verdade. Barão Kenneth Hayward, faz tempo.
O homem chamado Zack fez uma reverência muito forçada e exageradamente polida.
— Zack... isso é forçado demais. E você vem fazendo essa piada há um ano... Em primeiro lugar, sou barão porque minha invenção foi reconhecida e recebi o título, mas ainda sou um arrivista[1] por enquanto.
[1] - Arrivista: Alguém que alcançou uma posição elevada na sociedade sem ter a linhagem tradicional de nobreza.
Kenneth balançou a cabeça e se aproximou deles. Zack Cooler e Scotty Cobook. Ambos eram segundos filhos de aristocratas e pertenciam aos Cavaleiros do Reino. Além disso, Kenneth era companheiro de bebedeira deles há alguns anos e membro da organização informal de bebedeira 『União dos Segundos Filhos』.
— Nós também queremos ser arrivistas.
— Eu só sou grato por estar sendo pago pelos Cavaleiros.
O cavaleiro Scotty murmurou baixinho para o cavaleiro Zack.
— Mesmo assim, é incomum ver o Kenneth vir ao Ministério do Interior.
— Agora que me lembro, a oficina de alquimia foi colocada sob a jurisdição do Ministério do Interior?
Zack falou o que pensava em voz alta, e Scotty tentou adivinhar o motivo.
— Sim. Eu tive algumas reclamações sobre o meu orçamento...
O alquimista Kenneth disse com um suspiro.
— É difícil ser pesquisador-chefe.
Zack colocou a mão no ombro de Kenneth e assentiu várias vezes. Ele continuou como se tivesse acabado de lembrar de algo:
— A propósito, Kenneth, Abel está a caminho da capital real agora. Você sabia?
— Abel?
— É, o presidente da nossa 『União dos Segundos Filhos』.
Zack disse isso e caiu na gargalhada.
— A propósito, eu faço parte da 『União dos Segundos Filhos』, mas sinto que nunca conheci o "Presidente"...
Kenneth inclinou a cabeça, tentando se lembrar.
— Ah, isso é porque o Abel é ativo na remota Cidade de Rune. Você não o verá a menos que ele venha à capital real, como desta vez.
Scotty respondeu à pergunta de Kenneth. No entanto, a reação de Kenneth foi inesperada para ambos.
— Rune!?
As reações do alquimista Kenneth eram ocasionalmente exageradas.
— Agora que penso nisso, o Kenneth era de Rune.
Scotty lembrou-se da história que havia ouvido de Kenneth antes.
— Certo! Então, vamos nós quatro beber hoje à noite! Nós três podemos convidar o Abel. Abel e Kenneth provavelmente têm coisas sobre Rune para conversar. Não dá para ser da 『União dos Segundos Filhos』 e não encontrar nosso presidente pelo menos uma vez.
Zack decidiu pela bebedeira por conta própria.
— Eh...
— Ei, Zack, não acho que o Abel esteja tão livre assim.
— Se não der certo, nós três podemos beber juntos!
O alquimista Kenneth reclamou da bebedeira decidida arbitrariamente, o cavaleiro Scotty expressou preocupação e o cavaleiro Zack até planejou um plano B.
— Apenas beba tudo de uma vez e você esquecerá todas as suas aflições, Kenneth.
Zack disse isso e riu alto.
O alquimista Kenneth Hayward chegou à taverna que a 『União dos Segundos Filhos』 sempre frequentava, exatamente às 19 horas, o horário combinado. 『Um homem que se afoga, se afogará no álcool』. O nome da taverna era bem peculiar; havia muitos quartos privados, o álcool era delicioso e a comida era incrível. Portanto, era um local muito popular entre certas pessoas. Quartos privados eram importantes para nobres beberem ou para profissões como a de cavaleiro, que, dizem, devem manter bons modos.
Kenneth abriu a porta do quarto privado com a quarta mesa, agradecendo à proprietária conhecida depois que levantou seus quatro dedos e lhe informou que estava ali pela mesa para a qual ela o havia guiado.
— Ei, ele chegou.
O primeiro a notar foi Zack Cooler. Scotty Cobook estava encarando o menu, então sua reação foi um pouco atrasada.
— Vocês dois chegaram cedo.
— Não, eu acabei de chegar.
Scotty respondeu, levantando o rosto do menu. Quase no mesmo momento em que Kenneth se sentou, a porta do quarto privado foi batida.
— Seu acompanhante chegou.
Quando a proprietária disse isso, a porta se abriu e um homem entrou.
— Nós estivemos aqui há apenas três dias? Zack, Scotty, faz três dias.
Era Abel, o aventureiro rank B de Rune, quem entrava.
— Hoje é o primeiro encontro presencial de Abel, o presidente da União dos Segundos Filhos, com o Barão Kenneth Hayward, que se tornou membro da União, conquistou o título de barão com suas habilidades e é conhecido como um alquimista genial na capital real.
— Um barão com alquimia? Isso é incrível!
— Zack, você falou demais...
A introdução estranha de Zack deu lugar às impressões honestas de Abel e ao contra-argumento embaraçado de Kenneth.
— O que você está dizendo, Kenneth? Você é o primeiro e único membro aristocrata da União. Não há necessidade de ser tímido.
Por alguma razão, Zack respondeu com orgulho.
— Em outras palavras, os outros... 14 pessoas ainda não alcançaram o posto aristocrático.
— Hm, é isso mesmo. Incluindo o Abel.
Abel confirmou e Zack afirmou. E eles riram alto.
— Bem, vamos beber por enquanto. Primeiro de tudo, cerveja.
— Não ale?
Abel respondeu às palavras de Zack, inclinando a cabeça.
— Fufufu, Abel. Agora, a moda da capital real é 『cerveja primeiro』. Depois disso, passamos para o vinho, ale, e assim por diante.
Zack explicou em um tom de professor, levantando o dedo indicador da mão direita.
— Eu não sabia...
Abel foi lembrado da passagem do tempo.
— Vocês três se encontraram aqui há três dias?
— Ah, sim. Abel teve que nos passar essa informação secreta, então ele nos deu secretamente aqui. Como foi uma reunião tão obscura, até o início do 『cerveja primeiro』 foi omitido... é uma história triste.
O cavaleiro Zack respondeu à pergunta do alquimista Kenneth de uma maneira muito deliberada.
— Que diabo é esse tipo de desenvolvimento onde 'o mentor é sempre o Abel'...
Abel olhou para Zack com um olhar exasperado.
— Kenneth, tome cuidado também, porque o Abel rouba à força quem ele não gosta.
Zack agiu como se estivesse dando um aviso sorrateiro a Kenneth, mas disse tudo em um tom de voz normal.
— Certo. Zack está procurando briga. Scotty, me desculpe, apenas pense como se o Zack nunca tivesse existido. Ele terá partido até o final de hoje.
— Que pena. Zack, perdemos uma boa pessoa...
— Ei, vocês não parecem estar brincando, então, por favor, parem.
Abel ameaçou, Scotty entrou na brincadeira e Zack se desculpou. Kenneth ria escandalosamente de tudo aquilo.
— A propósito, Abel é um aventureiro na Cidade de Rune.
— Oh, é verdade.
— Ele parece assim, mas é um grande aventureiro de rank B.
Kenneth perguntou, Abel respondeu e Zack se gabou por algum motivo.
— Na verdade, minha família também morava na Cidade de Rune.
— Oh! Encontrar esse tipo de conexão em um lugar como este... Eu me baseei em Rune... sete anos atrás.
— Ah, então nós apenas perdemos o contato, porque foi nessa época que deixei Rune e vim para a capital real.
Abel e Kenneth descobriram que não teriam se visto em Rune.
— Chamei meus pais para a capital real há cerca de um ano.
— Você tem seus pais morando na mansão que veio com o posto de Barão, certo?
— Sim. Ele era originalmente um fazendeiro, mas as pernas do meu pai estavam piorando e era difícil trabalhar em grandes terras, então pedi a ele para atuar como gerente da mansão no meu lugar. Ele está vivendo uma vida prazerosa com as pessoas do nosso feudo agora.
Kenneth respondeu alegremente à pergunta de Scotty.
Uma 『mansão』 no Reino de Knightley era simplesmente uma vila concedida a um nobre. A história varia, desde estar sob o controle direto da família real até fazer parte do território de uma família aristocrática falida, mas a terra geralmente não era grande. No entanto, o imposto coletado da mansão pertencia ao aristocrata, o 『Senhor da mansão』, então, se eles não levassem uma vida luxuosa, poderiam viver uma vida confortável apenas com o imposto da mansão. No caso do Barão Kenneth Hayward, ele também ganhava uma boa renda como pesquisador-chefe na 『Oficina Real de Alquimia』, então ele tinha uma renda considerável para um novo barão.
— Isso é um grande negócio.
Abel ficou impressionado com a piedade filial de Kenneth enquanto comia pássaro grelhado.
— A casa que deixei em Rune foi finalmente vendida recentemente, e sinto que minha ansiedade sobre o futuro desapareceu completamente.
Sim, Abel assentiu e não parou de comer enquanto ouvia a história de Kenneth.
— Ah, aquela casa. Aquela com a pedra rústica usada na cozinha.
— Sim. Minha mãe gosta de cozinhar, mas ela disse que queria uma mesa de cozinha grande, e meu pai pediu a um pedreiro que ele conhecia para cortá-la como um pedido especial.
Quando ouviu isso, Abel, que estava se movendo até aquele momento, parou.
— O que há de errado, Abel?
— Espere um minuto. Kenneth, aquela cozinha tem uma pedra preta grande e imponente chamada 'Granito'? E a casa tem três portas...?
Abel perguntou a Kenneth, ignorando Zack, que se perguntava por que Abel tinha parado de repente.
— Eu não sei sobre esse 'Granito', mas é uma magnífica pedra preta. Com certeza havia três portas na casa. Por que você sabe disso?
— Oh, oh... bem, a pessoa que comprou a casa de Kenneth provavelmente era meu amigo...
Abel teve um pouco de dificuldade para dizer isso. Quando Kenneth ouviu, seus olhos se arregalaram e ele ficou surpreso.
— É mesmo! Bem, por favor, transmita meus agradecimentos à pessoa que a comprou. Eu estava falando com meus pais que não conseguia vendê-la por mais de meio ano, então talvez tivesse que baixar o preço. Ele a comprou... e com pagamento total e imediato também.
— Oh, bem, é porque ele tem dinheiro...
— De alguma forma, o Abel parece estranho...
Scotty apontou quando viu Abel suando.
— Aquilo... o cara que comprou a casa do Kenneth... ele reformou a casa um pouco... não, mas parece a mesma!
— Eh?
— Veja, a casa do Kenneth não tinha banheiro, certo?
— Sim. O rio corre bem perto da minha casa, então todos lavam seus corpos lá. No inverno, colocamos um barril no jardim e despejamos água quente nele...
Kenneth lembrou e respondeu à pergunta de Abel.
— O cara que comprou a casa não conseguia viver sem um banheiro. Então ele transformou uma parte da casa em um grande banheiro. Kenneth talvez tivesse um carinho pela casa... mas ele a reformou então...
— Oh, eu entendo. Eu não me importo. Ele a mudou para tornar mais fácil de usar, não acho que seja uma coisa ruim.
— Entendo.
Abel ficou visivelmente aliviado.
— O amigo do Abel na Cidade de Rune, hein...
Scotty murmurou.
— Sim, ele salvou minha vida, e duas vezes.
Abel voltou a comer, movendo constantemente suas mãos e boca, mesmo enquanto falava. Com muita destreza.
— Aventureiro?
— Sim. Um mago de atributo água e aventureiro muito raro.
— Isso é raro!
Zack ficou surpreso e exclamou.
— É tão raro assim?
O alquimista Kenneth, que não era muito familiarizado com o campo, perguntou a Zack enquanto olhava o menu.
— Sim, é extremamente raro. A magia de atributo água não é adequada para o combate. Não deve haver muitos no Corpo Real de Magos também. Quanto aos aventureiros... não há nenhum na capital real?
Zack respondeu enquanto olhava para cima, lembrando de várias coisas.
— E ele salvou sua vida... Oh, ajudar no combate não é a única maneira de salvar uma vida. Você precisa de água para sobreviver também.
Scotty especulou que ele poderia ter salvado a vida de Abel fora do combate.
— Bem, é o seguinte... ele salvou minha vida puramente em batalha. A propósito, aquele cara também é viciado em alquimia.
Kenneth ouviu as palavras de Abel e levantou o rosto do menu.
— Ele comprou a casa e é viciado em alquimia! Oh, vou ajudá-lo o máximo que puder.
Abel sorriu ironicamente quando viu Kenneth cheio de entusiasmo.
— Se você tiver a chance, ajude-o. O nome dele é Ryo. Ryo, um aventureiro na Cidade de Rune, um mago de atributo água.