
Capítulo 42
Water Magician (WN)
Após caminharem durante um dia inteiro, ao anoitecer, eles já conseguiam avistar a cidade à distância.
— Abel, consigo ver a cidade.
— É, finalmente. Provavelmente é a Cidade de Kyradea.
Ryo ficou surpreso e, inadvertidamente, olhou para Abel.
— Como você sabe disso?
Não era de se espantar que ele estivesse surpreso.
Não havia placas ou sinalizações na estrada por onde caminhavam, e eles não tinham passado por ninguém.
O local de onde desceram a montanha devia ser bem remoto, então Ryo não conseguia imaginar como ele poderia identificar a cidade.
— Como aventureiro, já estive em várias cidades. Especialmente as cidades do Reino, reconheço quase todas elas — disse Abel, um pouco envergonhado.
— Isso significa que aquela é uma cidade no Reino de Knightley…
— É, você tem razão.
— Ainda bem que não era o Império Debuhi.
— Como eu disse, o Império fica mais ao norte… A Cidade de Kyradea é a cidade mais ao sudeste do Reino. Não é tão grande, mas se caminharmos para o noroeste a partir dali por cerca de um dia, estaremos na Cidade de Rune.
Abel olhou um pouco mais à frente, para além de Kyradea.
— Rune… é a cidade para onde você está indo, não é, Abel?
— Sim. Ryo, se você quer se registrar como aventureiro, deveria fazer isso em Rune, e não em Kyradea.
— Hã? É mesmo?
— Rune é a maior cidade na fronteira, então muitas pessoas e suprimentos se concentram lá. Como eu disse antes, ter a única masmorra das nações centrais é uma das razões pelas quais pessoas e mercadorias se reúnem ali também. Se você registrar Rune como sua cidade de origem, terá muito mais flexibilidade por lá. Mesmo que digam oficialmente que todos são iguais, aventureiros locais ainda recebem tratamento preferencial.
Ao ouvir isso, Ryo assentiu.
— Entendo. Mas quando eu entrar na Cidade de Kyradea, precisarei provar minha identidade…
— Tudo bem, eu posso ser seu fiador. Afinal, sou um aventureiro de classe B. Você ainda precisará pagar uma moeda de prata como taxa de entrada, mas eu pago para você.
— Ah, Abel, você é uma pessoa tão boa. É claro, sempre pensei assim. É a verdade, sabia?
Abel olhou para Ryo com desconfiança.
No entanto, ele rapidamente deixou isso de lado e disse:
— Certo, Ryo. Ficaremos uma noite na Cidade de Kyradea, mas tem um prato que eu recomendo. Quero muito que você experimente.
Eles chegaram ao portão leste da Cidade de Kyradea pouco antes do sol se pôr completamente.
Ryo, seguindo o conselho de Abel, pendurou sua bolsa no ombro e vestiu seu manto por cima.
Isso tornava difícil ver o interior da bolsa.
O próprio Abel também carregava sua bolsa por dentro da capa.
Havia muitas pedras mágicas de Wyvern em suas bolsas.
Eles fizeram isso para não chamar atenção e evitar problemas desnecessários.
Conseguiram entrar na cidade sem problemas.
Abel, um aventureiro de classe B, garantiu a identidade de Ryo e pagou a taxa de entrada de uma moeda de prata.
Foi só isso que precisaram, e entraram na cidade sem qualquer contratempo.
Ryo, que tinha uma leve expectativa de que algo aconteceria, como um guarda agindo de forma arrogante, causando confusão, e tendo que chamar o chefe da guarda, ficou desapontado.
A estalagem era um lugar que Abel costumava frequentar quando vinha à Cidade de Kyradea para realizar missões.
— Tem um refeitório no primeiro andar aqui, onde você pode fazer as refeições habituais.
Após completarem os procedimentos na estalagem, os dois se sentaram no refeitório do primeiro andar.
— Bem-vindos. O que desejam para hoje?
Uma moça simples, mas simpática, veio tirar os pedidos.
— Eu e meu companheiro aqui vamos querer curry.
Abel disse "curry" com uma pronúncia muito elegante.
— Certo, já trago.
A moça anotou o pedido e voltou para a cozinha.
— Se não for o suficiente, é só pedir outra porção. A refeição é por minha conta.
— Abel! Como você é uma pessoa boa!
Uma pessoa que convida para comer é sempre uma boa pessoa.
Pelo menos, alguém que paga é melhor do que alguém que não paga, certo?
Esperaram cerca de dois minutos.
Um aroma nostálgico, fragrante, apetitoso e sedutor começou a vir da cozinha.
(Não pode ser, esse cheiro é…)
Com esse pensamento, a moça trouxe uma travessa grande com as duas mãos.
— Desculpem a demora, aqui está o curry.
O que apareceu foi… amarelo sobre arroz branco… parecia ter muitos temperos… com uma consistência espessa e cremosa…
— Não acredito, curry… [1]
Sim, diante de Ryo havia um prato de arroz com curry, um dos pratos nacionais do Japão.
(Falando em arroz com curry, é um clássico em histórias de reencarnação… mas geralmente é um padrão em que o protagonista precisa lutar, gastar muito tempo e só ter sucesso na reprodução após viajar pelo mundo. Mas isso já existe em "Phi"…)
— Lembrei-me de curry quando você serviu arroz na Floresta Rondo. Vamos comer.
— S-sim…
Ryo levou o curry na colher até a boca, tremendo de leve, de um jeito que ninguém notaria.
Uma garfada.
Sim, era inequivocamente "arroz com curry".
Além disso, era um arroz com curry com um nível de familiaridade assustadoramente alto.
Ninguém notaria a diferença se fosse servido na Terra.
Para Ryo, era seu primeiro arroz com curry em 20 anos (segundo seu relógio biológico).
Ele comeu devagar, mas sua colher nunca parava.
— Ryo, se você gostou, pode pedir repeteco.
— !
Aquela frase de Abel foi como um evangelho para Ryo.
— Quero repetir, por favor!
— F-fico feliz que tenha gostado.
Abel ficou levemente surpreso com a intensidade de Ryo.
Depois disso, Abel também repetiu, e ambos tiveram um jantar muito satisfatório.
— Abel, tem curry na Cidade de Rune também?
Sim, confirmar isso era muito importante.
Se só desse para comer curry na Cidade de Kyradea, sua base não seria em Rune, mas aqui nesta cidade…
— Ah, você pode comer em Rune também. Os temperos usados para o molho amarelo só são encontrados ao redor de Kyradea, então talvez você só os encontre em lojas um pouco mais caras. Bem, Rune é a maior cidade da fronteira, então muitas lojas competem por clientes e, como resultado, a qualidade da comida é alta. Você geralmente consegue encontrar curry nas cidades do sul do Reino.
— Ah, isso é ótimo!
— Ryo, parece que você gostou muito.
Ryo assentiu vigorosamente.
— Sim, estava delicioso.
Um dia, quando eu retornar à Floresta Rondo, definitivamente quero reproduzir isso lá… Ryo jurou firmemente em seu coração.
[1] - *Kare* (咖喱): Termo japonês para curry. No contexto da história, o autor destaca que Ryo reconhece o prato pelo nome original em japonês, enquanto no mundo em que se encontra, ele é chamado pela palavra foneticamente semelhante, "curry".