Life Hunter

Volume 3 - Capítulo 74

Life Hunter

Uma aura prateada explodiu em torno de Arima e a marca do Imperador Prateado brilhou em suas costas. Seu cabelo, olhos e expressão mudaram gradualmente.

— [Ecce ego dominatus rationibus imponeret meum] (Aqui eu imponho meu domínio). — Arima começou seu encantamento, embora não soubesse exatamente que tipo de poder havia adquirido, ainda podia compor um canto para estabilizá-lo e aumentá-lo.

— [Hoc iusiurandum] (Aqui eu faço um juramento).

— [Hic forte envolvam te cum argento] (Aqui eu te destruo com esta prata).

— [Omniformis] (Todas as formas).

No final de seu canto, a luz prateada envolveu o corpo de Arima. A cor de sua íris se transformou em um roxo profundo, e seu sigilo deu uma visão prateada às suas pupilas. Seu cabelo cresceu e ficou prata. Suas escamas permaneceram negras, mas uma luz fraca as iluminou como se houvesse uma fonte de luz colocada sob elas. A única mudança notável em sua forma dracônica foi a cor das teias de suas asas que flutuavam entre cinza e prata.

— [Ipsum clauderent] (Feche-se). — Arima iniciou um segundo canto e instantaneamente depois, sua voz soava extremamente arrogante e fria.

— [Captionem, Frangere, Solvere, Eliminare] (Armadilha, Esmagar, Destruir, Eliminar). — A marca do Imperador Prateado começou a girar loucamente, no mesmo ritmo que o sigilo.

— [Origo tantum perdere] (Seu único motivo é destruir).

— [Esses nisi quod ad rem] (Sua existência é apenas para esse propósito).

Os olhos de Arima brilharam com uma luz fria enquanto olhava para o planeta vindo em sua direção. Uma parede transparente azul clara apareceu abruptamente na frente dele com um único pensamento.

— [Arte da Segunda Destruição, Cavum Nigrum] (Buraco Negro). Um mármore preto se materializou na mão de Arima e ele o jogou casualmente. O mármore atravessou a parede azul e ficou à deriva por alguns segundos.

Então, ele rachou e explodiu em uma espiral de escuridão absorvendo até mesmo a luz proveniente das estrelas. Um enorme buraco negro estava lentamente se formando na frente de Arima.

Expandiu-se rapidamente. Levou apenas dez segundos para ser ainda maior do que o planeta alvo. Se fosse comparado com a Terra, seria duas vezes maior.

Os asteroides à deriva que passavam eram sugados pelo buraco negro antes de serem reduzidos a nada dentro de suas profundezas. O curso do planeta cinzento também mudou e começou a se aproximar dele em linha reta.

Nesse ponto, a distância entre o planeta e o buraco negro era de apenas algumas dezenas de milhares de quilômetros. No planeta, o chão tremia, as rochas flutuavam lentamente, a água na superfície era sugada como um redemoinho e se dirigia ao buraco negro.

Os habitantes do planeta estavam fazendo o seu melhor para não serem pegos pelo campo gravitacional do buraco negro.

Um certo indivíduo entre eles levantou a cabeça e olhou além do céu e além do buraco negro. Ele viu uma luz azul seguida de uma prateada. A pele daquele nativo parecia ser feita de pedra e ele também era muito alto; cerca de cinco metros.

Ele chutou o chão para pular e criou uma enorme cratera. Aquele indivíduo deixou a atmosfera de seu planeta em apenas alguns segundos e correu em direção a Arima. Ele não precisou usar muita força para resistir à força de tração do buraco negro.

Ele chegou em poucos minutos na frente da barreira azul e balançou sua espada para ela. Mas sua lâmina surpreendentemente passou sem qualquer resistência, como se não houvesse nada lá. No final, ele atravessou a parede e notou que a atração do buraco negro havia desaparecido.

Então, ele se concentrou no que estava por trás. E cautelosamente observou o homem pequeno com cabelos prateados e uma aparência dracônica. Quando ele cruzou o olhar do homem, ficou estático. Aqueles olhos roxos pareciam estar puxando-o para as chamas do inferno.

Ele rugiu e o espaço estremeceu. Ainda que aquele ser não soubesse se comunicar, ele sabia que tinha que matar esse homem, mas ao mesmo tempo, estava ciente de que era impossível fazê-lo.

Enquanto ele estava reunindo toda a sua magia em sua espada, uma energia tão grande que poderia ameaçar a integridade de um planeta inteiro, Arima apontou a palma da mão para ele e o fez recuar um passo. Então, ele logo percebeu que não podia se mover. O medo em seu coração permitiu que a magia da mente o afetasse.

Arima apertou a mão dele e puxou lentamente o que parecia ser uma corda invisível. Consequentemente, o grande homem de pedra foi arrastado em sua direção.

Quando ele estava perto o suficiente, Arima o agarrou pela garganta. — Quarto céu, hein? — Ele murmurou e o homem rugiu novamente enquanto engasgava.

— Você é forte, mas não o suficiente. — Arima observou friamente e seus olhos se acenderam. — [Quinta Arte Negra, Penitentia Conspiciunt] (Olhar da Penitência). — Ele cantou e o homem de pedra começou a uivar enquanto o buraco negro atrás dele consumia sua casa. Esta foi sua última luta antes de sua morte.

Arima recolheu sua força vital e cremou o corpo. Assim, um indivíduo no quarto céu havia morrido.

Naquele momento, Arima ressoou com Noturno e usou o poder do Imperador Prateado. Talvez seu poder real estivesse agora em torno do pico do quinto céu. O mais assustador é que ainda não era todo o seu poder. Ele ainda provavelmente não poderia enfrentar alguém do Reino Celestial, mas era, no entanto, um poder aterrorizante.

Quando o único desafio do planeta pereceu, era apenas uma questão de tempo. O planeta continuou a se deteriorar lentamente até o momento em que alguns grandes pedaços começaram a desmoronar. A litosfera foi arrancada e várias catástrofes naturais ocorreram.

Em algum momento, uma estranha esfera branca, brilhando em uma luz azul escura, foi extraída do próprio núcleo do planeta. Arima deduziu que era a essência deste planeta ou o coração deste Deus Terreno para ser exato.

Os Deuses Terrenos Naturais não possuíam nenhum potencial de luta. O núcleo produziu um som estrondoso que soou como uma luta mortal antes de ser devorado pelo buraco negro.

O planeta acabou sendo nada mais do que alguns asteróides que foram totalmente comidos pelo buraco negro, juntamente com as pessoas nele. Quando o buraco negro terminou seu trabalho, o próprio buraco retraído do campo gravitacional não desapareceu.

Arima dissipou a barreira espacial que ele havia erguido anteriormente para resistir à gravidade e o buraco negro começou a se inclinar e encarar Arima como se fosse um ser vivo. — Gordinho, desembucha! — Arima ordenou e o buraco negro tremeu.

Do centro, onde a gravidade deveria ser absoluta, uma névoa azul voou e seguiu em direção a Arima, que inalou e respirou tudo. — [Vita Venari] (Caça á Vida). — Ele cantou com uma voz suave e seus olhos brilharam mais fortes por um pequeno instante.

— Você pode ir embora agora. — Afirmou Arima em direção ao buraco negro. Estranhamente, ele o ouviu e encolheu até desaparecer completamente.

— {A segunda arte da destruição é realmente assustadora.} — Comentou Noturno. — Como essa coisa está viva, ela é capaz de se mover pelo espaço e também pode se tornar autônoma com a força vital de suas vítimas, desde que você não a tome para si mesmo.

Arima exalou e soltou sua aura prateada. — É, tem razão. Eu dei essa sensibilidade mágica porque seria prejudicial perder o controle dela. Assim, ele também pode cuspir a força vital em vez de destruí-la. Dois coelhos com uma cajadada só.

Noturno suspirou — {Quando penso na primeira arte, lembro-me que tipo de monstro você é.}

Arima riu e se teletransportou sem qualquer comentário.

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Ele voltou para a Árvore Mãe e sentou-se no sofá, soltou a [Ressonância] e imediatamente transferiu Noturno para a Academia.

— Pronto. — Arima disse casualmente enquanto olhava para Seria. Ele colocou um pirulito na boca e esperou pacientemente.

Os olhos de Seria se arregalaram. Ele só tinha saído por cerca de uma hora. Ela rapidamente agarrou um orbe branco que foi colocado sobre a mesa e fechou os olhos. Ela uniu todas as florestas e chamou seus companheiros.

Arima a observou silenciosamente e encolheu os ombros — A propósito, Jorga, não se preocupe. Foi minha culpa, então digamos que minha dívida ainda conta.

— Oba! — A expressão de Jorga se iluminou, então ele riu. — Tudo bem, vou aceitar com prazer.

Naquele momento, Seria largou o orbe e olhou para Arima com uma expressão pálida e ansiosa — O que aconteceu? O que você fez?

Arima olhou para ela — Eu destruí o planeta. Nada mais, nada menos.

Seria mordeu os lábios — Se você pudesse fazer isso, por que você simplesmente não os mandou embora? Por que você precisava destruí-lo? Por que você os matou?

Arima fez uma careta para ela — Do que você tá falando? Eu perguntei a você, certo? — Com essas palavras, os olhos de Seria se estreitaram — Perguntei se ainda havia pessoas no planeta e que tipo de pessoas elas eram. Sua resposta indicou que eles eram altamente perigosos, certo?

Seria cerrou os dentes — Eu disse isso… — Ela apertou as mãos e olhou para Arima. — Mas por que você teve que matá-los assim? Se você pode destruí-lo, você poderia tê-lo mandado embora! Por que você escolheu matá-los?! — Ela levantou a voz e a dimensão em que eles estavam começou a ficar extremamente fria quando sua aura se espalhou.

Os olhos de Jorga olharam para Seria com preocupação, ele teve que proteger Lifa, que já estava assustada. Deki de pé em seu ombro olhou para a dríade com uma intenção de matar palpável.

Arima reagiu fracamente e apenas acenou com a mão. A aura desapareceu instantaneamente e deixou a dríade em total desordem. Essa aura estava definitivamente ao redor do terceiro céu, mas Arima a afastou assim. Ele já havia subido ao quinto céu graças a toda a força vital que coletou. Era impossível que Seria se tornasse um problema para ele.

— O que você queria que eu fizesse? — Arima perguntou depois de alguns segundos de silêncio — Eu não poderia transportar o planeta sem que ele quisesse. Eu poderia ter teletransportado os habitantes, mas para onde poderia tê-los enviado? Mesmo se eu tivesse convencido esse Deus Natural; mais uma vez, para onde eu poderia tê-los enviado? Deveria tê-lo teletransportado para algum lugar aleatoriamente e permitido que ele pegasse outro planeta? Há também a situação em que eles não conseguiriam encontrar nenhum lugar para viver, mesmo depois disso, e lentamente morressem em sofrimento no seu próprio planeta.

Cada vez que Arima dizia algo, Seria ficava ainda mais pálida e sua mente mais fraca. — Tomei a decisão de eliminá-los porque era a melhor solução. — Acrescentou Arima e se levantou, preparando-se para sair.

— Você está errado. — Murmurou Seria — Você está errado, e você está mentindo! — Ela ergueu a cabeça. Lágrimas já estavam se condensando no canto dos olhos — Você simplesmente não queria ajudá-los. Você considerou que não era problema seu. Você escolheu o método mais fácil e rápido. Você fez essa escolha sem nenhum remorso. Tenho certeza de que você assistiu a sua destruição. Tenho certeza de que você ouviu e viu tudo. Você não viu nenhuma lágrima? Você não ouviu nenhum grito? Quantas vidas inocentes você tirou hoje? Quantas crianças, pais, irmãos, famílias você fez chorar!? — Ela olhou para Arima e começou a chorar.

— Ouvi dizer que você era alguém gentil. Mas depois de hoje. — Ela fez uma pausa e apertou as mãos mais uma vez até sangrarem — Eu nunca mais vou te considerar uma boa pessoa.

Arima olhou para ela com indiferença. — Eu nunca me considerei um bom homem. Não sou um herói, sou um assassino. Sou gentil, mas não benevolente. Eu sou justo, mas não tendencioso.

— Espera, não me entenda mal. Voce é uma boa pessoa. Eu valorizo muito pessoas como você. Eu até diria que te respeito. Mas você não foi feita para ser uma heroína. Essa noção em si está errada. É impossível para uma única pessoa ser um herói. Você nunca será um se alguém morrer enquanto você salva outro. Isso é um sonho irreal. Você não pode salvar alguém ao aceitar a morte de outro, e depois se chamar de herói. É por isso que é impossível ser um aliado da justiça. Você só pode estar em um lado da balança de cada vez. Somente os ignorantes podem se tornar heróis. — Arima falou com Seria uma última vez e saiu, depois de se despedir de Jorga e Lifa.

Seria perdeu a força nas pernas e caiu no sofá. Ela inalou e suspirou com força. Jorga olhou para ela e balançou a cabeça — Eu disse a você, Arima não é alguém para ser levado de ânimo leve. Um homem tão forte, não pode ser alguém suave. É assim. — Disse ele e olhou para Lifa.

— Pode ir, Lifa. Deixe-nos a sós por um momento. Eu vou ficar aqui por um tempo. Voltarei ao lago mais tarde. — Disse Jorga e fechou os olhos. Ele se transformou em um belo humano com cabelos e olhos azuis. Ele suspirou e esfregou as têmporas.

— Já faz um tempo desde a última vez que tomei forma humana… — Ele murmurou e sentou-se sem palavras ao lado de Seria. Lifa sorriu e assentiu. Ela deixou Seria e Jorga sozinhos.

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