Life Hunter

Volume 3 - Capítulo 75

Life Hunter

Arima voltou para a Academia e conduziu o resto das aulas com um humor sombrio.

— {Mestre, o que aconteceu?} Lanya perguntou a Noturno — {Arima parece um pouco estranho desde que voltou.}

Noturno olhou para Arima e encolheu os ombros. — {Quem sabe. Provavelmente aquela dríade falou demais. Era muito fácil ver que tipo de pessoa ela era. Não se preocupe, ele só está um pouco irritado. Daqui a pouco ele voltará ao normal. Nada pode perturbá-lo por muito tempo.

— {Entendi…} — Lanya olhou uma última vez para Arima e retomou o teste que ela mesma estava fazendo. Ela percebeu que esse pequeno exame era muito mais benéfico do que parecia. As perguntas não eram apenas sobre o que Arima ensinava, mas também faziam você refletir sobre novas teorias e hipóteses. Por exemplo, em algum momento, ela teve que responder à pergunta: ‘Que outras magias poderiam ser extraídas do cérebro?’.

Sua resposta, depois de algum pensamento, foi a cura. Arima havia dito a eles que o cérebro controlava praticamente tudo no corpo e podia alocar recursos em diferentes áreas. Ela concluiu que era possível acelerar a velocidade de cura sacrificando a resistência.

Os alunos também foram obrigados a resolver o que é comumente chamado de “equação mágica”. Era basicamente círculos mágicos, matrizes, runas e afins. Como um todo, você chama isso de formação mágica.

A formação mágica requer quatro procedimentos para funcionar e, dependendo de quão bem eles são realizados, a magia resultante será mais forte.

O primeiro procedimento é a construção de teorias mágicas. Você simplesmente precisa constituir uma espécie de ‘pano de fundo’ para o seu feitiço. Por exemplo, algumas das magias mais simples de Arima são baseadas em figuras mitológicas ou lendárias. Quanto mais esse procedimento for complicado, sem perder seu sentido original, mais a magia será poderosa.

O segundo procedimento é a inscrição de runas. Em suma, você terá que transcrever sua teoria mágica com as runas de sua escolha. Arima geralmente usa latim. A inscrição de runas carrega o que você poderia chamar de história da magia. É crucial que a magia funcione. As runas não precisam ser apenas letras e símbolos. Pode ser formas, imagens ou até mesmo fotos diretas.

O terceiro procedimento é a circulação de mana, que geralmente envolve a criação de um caminho metódico para a mana viajar na formação mágica. Ele determinará principalmente em que ordem as runas devem ser ativadas primeiro. A forma do caminho de mana também pode ser alterada para melhorar a teoria mágica.

O último procedimento é, claro, a tecelagem de cantos. Compor um canto que não colida com a teoria e ressoe com ela. Quanto mais longo for o canto, menos chances você tem de perder o controle de sua magia. Mas incontáveis linhas de cântico não equivalem a muito. Apenas um encantamento que pode efetivamente afetar o mundo vale alguma coisa.

No final, uma equação mágica é sobre a decomposição dos quatro passos e executá-los corretamente. É também o primeiro teste que você geralmente tem que passar antes de tentar lançar a referida magia.

À noite, quando Arima terminou de coletar todos os documentos de teste, ele criou um link para uma dimensão espaço-temporal e entrou nela com seus três amigos.

Uma vez que ele chegou ao topo de uma montanha aleatória, convocou Karma. Noturno o observava curiosamente por trás enquanto cruzava os braços com as asas cruzadas. Lanya e Arister haviam sido instruídos por Arima a treinar juntos.

— [Primum, Secundum, Tertium, Gaudete] (Primeiro, Segundo, Terceiro, Quebra). — Arima desfez os três selos e a aura de Karma cobriu toda a montanha. O poder da arma da alma deu um grande salto desde que seu dono entrou no quinto céu.

Arima desembainhou Karma e colocou a bainha ao lado dele. Ele então girou a katana e plantou a lâmina no chão.

— Noturno, você pode voltar. Treine esses dois, se quiser. Você pode ajudá-los a dominar as cinco artes mais baixas. — Disse Arima — Eu chamo se precisar da sua ajuda.

— Claro! — Noturno encolheu os ombros e voou.

— [Karma, Verto] — Gritou Arima e a Karma começou a se transformar. Ela lentamente se expandiu como se estivesse inflando. A espada não perdeu sua forma como uma katana, mas se tornou extremamente enorme. Tipo, muito grande. A lâmina tinha agora cinco metros de largura e cinquenta metros de comprimento, com mais da metade enterrada na montanha.

— Será mais fácil se você for maior! — Arima sorriu e colocou a palma da mão na lâmina gigante. Ele fechou os olhos e parou de se mover. Se não fosse por causa da respiração regular e batimentos cardíacos, ele poderia muito bem ser visto como um cadáver.

Depois de alguns minutos de silêncio, linhas azuis brilhantes surgiram em ambos os lados da lâmina e começaram a se espalhar, formando algo como uma placa de circuito.

Arima exalou e sentou-se. Sua boca se abriu ligeiramente enquanto ele cantava quase inaudivelmente. O ‘circuito‘ brilhante começou a se mover em padrões estranhos.

A mana ao redor da montanha começou a se reunir em torno da Karma. As plantas, o solo, o céu, o sol, tudo estava dando mana para a Karma, e Arima também.

Pequenos pontos de luz continuavam se formando em todos os lugares perto da montanha. Eles eram de todos os tipos de cores; azul, branco, vermelho, preto, verde, roxo, amarelo, laranja e até prata. Uma cena deslumbrante que parecia como se todos os vaga-lumes do mundo tivessem se reunido aqui.

De longe, Noturno, Arister e Lanya estavam todos admirando o fenômeno. Noturno observou por um momento antes de sorrir, finalmente entendendo o que Arima queria fazer.

— Não dê muita atenção a isso. Provavelmente levará dias para Arima terminar o que está fazendo… — Disse Noturno aos seus companheiros.

— Eu vou interpretar o professor para vocês dois. Já que Arister está aqui, vou passar pelas cinco artes básicas novamente. Lanya, é uma revisão para você.

— Quais são essas artes que você está falando? — Perguntou Arister.

— O conjunto mágico de Arima, O Demônio Gentil. Vamos começar do início — declarou Noturno e sentou-se de pernas cruzadas com os braços cruzados. Ele parecia uma velha besta sábia em sua forma de dragão.

Existem cinco categorias diferentes, cada uma possuindo cinco artes. Em primeiro lugar, temos as artes azuis; elas devem ser as artes ligadas ao fogo e à purificação. Cada arte é uma chama diferente. Eles são chamados de artes azuis porque a primeira arte é uma chama azul. A quinta arte dessa categoria é ‘Inferno’. Usei uma vez contra Lanya. É basicamente uma bola de fogo capaz de crescer.

— Então, temos as artes vermelhas; conectadas à natureza e aos humanos. Cada arte deve controlar a natureza ou possuir uma teoria dirigida contra a própria humanidade. A palavra “humanidade” representa um todo para Arima. Ele conjuga tudo. Homens, elfos, demônios e até deuses. Tudo é igual para ele. E é exatamente por isso que suas magias são imparciais. Elas são capazes de afetar qualquer um.

— A quinta arte é chamada ‘Exhaurire’, que se traduz em ‘Drenagem’. É isso que Arima está usando no momento. — Noturno apontou para o espetáculo de luz acontecendo acima da montanha. — Ele drena mana da natureza circundante, e dos seres vivos, se houver.

— Depois disso, temos as artes negras. Como o nome indica, este se conecta à escuridão e ao vazio. As artes nessa categoria são feitas para punir almas e mentes. A quinta arte é algo que Arima usa muito; ‘Penitentia Conspiciunt’, ‘Olhar de Penitência’. É um feitiço que queima a alma enquanto leva as memórias da vítima. Também pode ser regulado para não tirar a vida.

A quarta categoria são as artes brancas. Eles estão ligados à vida, à morte e ao tempo. Ele pode curar, selar e até mesmo restaurar qualquer coisa. Arima disse a si mesmo que as artes mais delicadas eram as da categoria branca. A quinta arte é simples, porém, é chamada de ‘Sana Intrinsecus’, ‘Cura Intrínseca’. O mais simples que você pode encontrar em toda a categoria. Mas ainda é uma magia muito especial; a magnitude da cura depende da quantidade de mana que você usa para conjurá-la.

— E, finalmente, temos as artes da destruição… — Noturno parou — É basicamente as cinco magias de matar mais eficientes que Arima já criou. Elas podem ser de qualquer elemento possível. À medida que você sobe na lista, mais destrutivo você é. A quinta arte é chamada de “Spatium Horti”, o “Jardim Espacial”. A quinta arte é uma magia espacial já potente o suficiente para me matar se eu não tiver cuidado! — disse Noturno ironicamente — Você pode imaginar o quão poderosa as outras quatro podem ser?

Lanya apenas assentiu, pois já sabia mais ou menos sobre o poder das artes de destruição, mas Arister estremeceu com o pensamento. Especialmente quando ele era perspicaz o suficiente para saber o quão forte a Noturno era. Uma magia capaz de derrotar esse dragão era aterrorizante. E ainda era a mais fraca.

Noturno sorriu e se levantou, ele desdobrou suas asas e algumas faíscas apareceram nas lacunas de suas escamas — Eu já vou mostrar para vocês! Arister, você deve, primeiramente, lembrar-se dos cânticos e do fluxo de mana. Vou transmitir a você as formações mágicas completas depois. — Ele declarou e uma bola de fogo se formou em sua mão — Vamos lá!

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Dez dias depois, os “vaga-lumes” ainda não haviam desaparecido e estavam sendo continuamente absorvidos pela Karma. Arima nem sequer se moveu desde o início do processo.

Mas, em algum momento, ele abriu os olho. — Noturno, diga a Lanya para vir aqui.

Noturno franziu a testa com a demanda repentina — Por quê? — Ele murmurou confuso e finalmente transmitiu a mensagem para ela.

— Eh? — Lanya ficou muito surpresa. Ela não esperava ser chamada. No entanto, rapidamente se teletransportou. Desde que seu teletransporte foi obstruído pela aura desenfreada de Karma, ela materializou suas asas e voou em direção ao pico.

Lá, ela viu uma Karma gigante coberta por intrincados circuitos de mana. Esses circuitos estavam todos levando em direção a um único ponto, um quadrado azul muito pequeno, situado onde estava o centro de gravidade.

— Venha aqui! — Arima acenou e Lanya ficou ao seu lado — Coloque a mão na lâmina. O resto virá para você naturalmente. — Ele instruiu e Lanya obedeceu. Ela lentamente apoiou a palma da mão na lâmina vermelha e azul e fechou os olhos.

De repente, ela ficou sobrecarregada com uma grande quantidade de informações. Depois de alguns segundos, ela ficou surpresa ao ver o que era. — Isso é… — Ela finalmente percebeu o que Arima estava fazendo há dez dias.

— Suponho que você saiba o que fazer. — Arima sorriu para ela. — Eu vou te apoiar. Eu preciso que você cuide das partes principais enquanto eu estabilizo o resto.

— Farei o meu melhor. — Lanya assentiu e os dois começaram a trabalhar na Karma, que estava brilhando como nunca antes, levando em consideração a imensa quantidade de energia em questão. Todos os “vaga-lumes” nas proximidades foram rapidamente integrados à espada.

Até mesmo a mana de Arima estava sendo sugada por ela. Como Arima estava fornecendo mana por dez dias seguidos, ele só tinha um quarto disso. Considerando o tamanho de sua reserva de mana, era um volume impressionante.

Uma luz prateada estava viajando através dos circuitos azuis na velocidade da luz e Karma foi puxada para fora do chão por uma força etérea. A espada também começou a tremer a ponto de você pensar que iria quebrar. Ao mesmo tempo, um estranho círculo mágico apareceu no céu. Seu conteúdo era, com a falta de uma palavra melhor, bastante orgânico.

Depois de alguns minutos, Karma girou e apontou sua lâmina para o céu. Sua aura também crescia a cada segundo.

Arima e Lanya permaneceram no chão com os olhos fechados. Durante esse tempo, Arima abriu um olho e sem olhar para algum lugar em particular, disparou seu sigilo. Karma ascendeu e atravessou o círculo mágico nublando o céu.

A totalidade da arma da alma passou pelo círculo, mas não emergiu do outro lado. Em vez disso, o círculo mágico gradualmente ganhou uma tonalidade vermelha.

Lanya suspirou de alívio e pressionou a mão contra o peito para recuperar o fôlego. Ela inclinou a cabeça para trás e observou as mudanças no círculo mágico. Arima acenou com a mão e o círculo desceu, também ficou menor, agora tinha apenas um metro de diâmetro.

Em seguida, desceu até cobrir o chão como um tapete. Arima se levantou, seguido por Lanya. O círculo enigmático lentamente recuou e, enquanto estava ganhando distância do chão, uma figura humana também estava se formando no meio.

Depois que o círculo se desintegrou, a silhueta desconhecida atingiu 1,80 metros de altura. A identidade dessa figura era uma mulher bonita com curvas muito acentuadas, vestindo um vestido vermelho e roxo. Seu longo cabelo sedoso era da mesma cor ardente. Ela lentamente abriu os olhos e olhou para Arima com seus olhos carmesim escuros. Toda a sua aparência deu uma impressão de sangue quente, mas graciosa.

— Oi, Mestre — Ela falou e sorriu.

Arima riu. — Oi, Karma.

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