Life Hunter

Volume 3 - Capítulo 76

Life Hunter

Karma riu e saltou em direção a Arima, que casualmente deu um passo para o lado, fazendo com que ela pousasse atrás dele.

— Por que você se esquivou? — Karma olhou para Arima e fez beicinho.

— Por que eu deixaria você me abraçar?

Karma ficou de mau humor e olhou para ele — Eu estive com você por um século até agora. Por que não posso abraçar o meu mestre?

— Caso tenha esquecido, você acabou de renascer como mulher. Um abraço é desnecessário.

— Hm, eu não ia apenas te abraçar, eu planejava dar um beijo.

Arima olhou para ela com um rosto inexpressivo — Isso é desnecessário.

Karma gemeu e olhou para Lanya, que estremeceu. A antiga katana saltou mais uma vez, tão rápido que Lanya não conseguiu escapar, e a abraçou enquanto sorria.

— Como eu pensei, o contato com um indivíduo físico é uma sensação muito calorosa! — Ela sussurrou e lentamente deixou Lanya ir.

Arima suspirou — Então esse foi o seu motivo?

— Sim, claro! — Karma sorriu enquanto olhava em volta — Onde está o Noturno? Quero vê-lo também.

— Noturno, hein? — Ele deve estar treinando com Arister agora.

Karma riu e chutou o chão. O som da elevação do ar era ensurdecedor. Sua velocidade era talvez equivalente ao décimo nível.

Arima encolheu os ombros e caminhou para segui-la. Ele usou muito de sua mana e era preguiçoso demais para usar mais poder do que o necessário.

— Hum, Arima? — Lanya se aproximou dele por trás e levantou a voz.

— Hm? Qual é o problema?

— Ela é Karma, certo? — Lanya perguntou enquanto inclinava a cabeça. Arima sorriu e assentiu, o que atingiu o pico da perplexidade de Lanya — Como isso aconteceu? Por que ela tomou a aparência de uma mulher?

— Bem… — Arima pensou por um momento — Em primeiro lugar, a principal razão pela qual Karma adquiriu um corpo é que ela é minha arma da alma, ela também é uma arma transcendental. A conexão com minha alma provavelmente foi suficiente para dar-lhe um corpo humano quando eu a tornei senciente. Quanto ao motivo pelo qual ela apareceu como mulher, é por causa de você.

— Eu? — Lanya estava confusa. — Por quê?

— A razão pela qual eu chamei você antes foi para o processo de ‘programação’. Vou ser honesto com você, não estou confiante em criar uma personalidade ‘sã’ com a minha. Então, optei por deixar você fazer os ajustes principais para que seu espírito ficasse lá. No final, nossas personalidades se misturaram e se transformaram nisso, Arima explicou e deu de ombros. — Bem, eu ainda não sei exatamente com que tipo de personalidade ela acabou. — Acrescentou ele e suspirou. — Vou nos teletransportar, afinal.

Quando Arima e Lanya reapareceram após a transferência, o que eles viram primeiro foi Karma brincando com Noturno em sua forma de filhote.

— Karma, pare. Por favor, sério. Você já pode parar? — O filhote ficava dizendo isso, mas parecia não ter a força de afastar a outra parte. Ele tinha sido enganado para tomar sua forma de lobo e agora ele não podia fugir.

— Ah, você é tão fofo nessa forma! — Mesmo que Karma estivesse acariciando-o e enfiando o rosto nele, a única reação que Noturno mostrou foi uma carranca.

Como esses dois eram respectivamente uma arma da alma e uma besta da alma, eles naturalmente se davam muito bem, quase como uma família. Talvez chamá-los de um casal não seria muito rebuscado. E na frente de Karma, Noturno parecia estar um pouco impotente. Na verdade, tecnicamente, Karma era consideravelmente mais velha do que ele. Embora ela tivesse se tornado humana apenas alguns minutos atrás, ela já existia há cem anos.

— Hm… — Arima observou com os olhos semicerrados — Então é esse tipo de personalidade, hein? — Ele comentou e Lanya riu levemente. Ela então viu Arister, que estava sentado não muito longe, olhando silenciosamente para o par Karma-Noturno com uma expressão ligeiramente pesada.

— Qual é o problema? — Lanya perguntou a ele.

Arister olhou para ela. —… Aquela garota, quem é?

Lanya olhou para Karma e Noturno enquanto falavam com Arima por telepatia.

— Isso é a Karma! — Ela sorriu e simplesmente respondeu.

— Karma. Você quer dizer a espada daquele cara?

Lanya assentiu — Ele usou o método de fabricação das masmorras para dar senciência a ela.

Arister franziu a testa — Então essa é a razão…

— O que você quer dizer?

— Eu sinto que essa garota não é humana… mas, ao mesmo tempo, ela parece estar cheia de vida. É meio estranho… — Ele coçou o cabelo e sorriu amargamente — No começo, pensei que ela era um homúnculo e quase acreditei que Arima havia feito experimentos com vidas humanas. Acho que fui um pouco longe demais…

Lanya olhou para Arister com um olhar divertido — Você estava preocupado, não estava? Você considera Arima como seu amigo?

— Por que diabos você pergunta isso tão de repente? — Arister fez uma careta para ela — Ele praticamente me forçou, mas, sim. Eu o considero um amigo próximo. Pelo menos, eu sei que ele é alguém de quem você deve fazer amizade se tiver a chance.

Lanya riu e olhou para o trio ‘brincando’ ali — Nisso você está certo! Embora eu seja bastante fraca em comparação com eles, apenas ser sua companheira parece a melhor coisa que já aconteceu comigo.

Enquanto isso, Noturno implorou enquanto estava sendo segurado por Karma —{Arima… você não pode simplesmente me ajudar?}

— {Você não precisa, mestre, ele está bem!} — Karma invadiu a ligação telepática entre os dois e respondeu no lugar de Arima.

Os olhos de Noturno se estreitaram — {Como você ouviu isso?!}

— {Vamos, Noturno, estou ligada à alma do mestre, por consequência, estou ligada à sua também. A verdadeira questão é: por que eu não seria capaz de fazer isso?}

Arima assentiu enquanto inspecionava Karma. Ele estava observando seu comportamento para ver se havia algo estranho, mas tudo estava perfeito. Ela realmente era digna de ser descrita como humana.

Karma riu ironicamente — Mestre, é bastante angustiante ser examinada como uma espécie de rato de laboratório. Embora eu saiba que é necessário, ainda é um pouco demais…

— Não se preocupe. Estou acabando! — Arima a tranquilizou e ignorou os gritos de ajuda de Noturno — Agora, o que você precisa fazer é se acostumar com a sua nova forma, e também o processo de transformação entre os dois.

— Sim, mestre.

— A propósito, pare de me chamar de ‘mestre’. É estranho. ‘Arima’ já basta.

— Claro, Arima. — Karma sorriu — Eu estava esperando você dizer isso.

Noturno ficou em silêncio e olhou fixamente para o céu, aceitando seu destino. — “Espere…por que eu não estou resistindo a essa garota louca?” — Ele exclamou interiormente e sua expressão escureceu — “Por quê? Eu não consigo fazer nada com ela!”

— Você deve deixá-lo ir, ele ficará louco nesse ritmo! — Observou Arima quando notou o estado de Noturno.

Karma pensou e depois colocou Noturno em seu ombro como o último recurso. A expressão do lobo se contraiu, mas ele finalmente colocou a cabeça no ombro dela com um sorriso de escárnio.

Arima riu de sua reação e viu Arister e Lanya se aproximando — A propósito, vocês dois, terminaram de dominar as artes?

Lanya balançou a cabeça — Eu ainda tenho problemas com a arte da destruição.

— É a arte branca no meu caso. Eu realmente nunca usei vida ou magia de luz antes. — Disse Arister e encolheu os ombros.

— Então, serei eu quem te ensinará de agora em diante! — Afirmou Arima e acenou com a mão para Noturno — Em vez disso, você vai treinar com Karma. Ela tem que dominar sua nova forma. Acho que ela consegue subir até o primeiro céu se for capaz de se acostumar com seu corpo humano.

— O quê? — Noturno piscou — Eu sinto que você acabou de dizer algo realmente irracional por algum motivo. Pode repetir?

— Você vai treinar com Karma! — Arima não mudou de tom e afirmou. A expressão de Noturno sofreu muito.

— Por que você não treina ela? Por que eu?

— Por que não? É divertido ver vocês dois juntos. Acostume-se com isso! — Arima retrucou e levou Lanya e Arister para outro lugar.

Noturno lentamente olhou para Karma e não podia dizer nada na frente daquele sorriso brincalhão. Ele gemeu e pulou do ombro dela.

— Tudo bem, eu vou te acompanhar. Mas tenha cuidado, eu não vou pegar leve com você. — Ele declarou e se transformou em um dragão.

Karma calmamente observou Noturno enquanto seu corpo se expandia lentamente. — Claro! Espero que você não pegue leve.

Noturno soltou uma risada que as chamas escaparam de sua boca — Nós realmente devemos prestar atenção para não sermos contaminados pelo Arima.

— Eu acho que é um pouco tarde para isso, não acha? — Karma respondeu e convocou uma cópia de si mesma como arma.

— Verdade! — Noturno sorriu e abriu as asas.

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— Vamos começar com você. Tente lançar o Jardim Espacial. — Instruiu Arima.

Lanya assentiu e inalou. Ela invocou um círculo mágico de raio de dez metros e começou a completar a formação mágica.

— [Sub finibus tuis positi] (Sob seu território) — [Quod interitus cadunt] (A destruição vai cair) Naquele ponto do canto da invocação, o círculo ficou coberto por uma cúpula azul escura. Nada podia ser visto através dele.

— [Crescere pulchra flores sanguinis] (Cultive belas flores de sangue) — Na superfície da cúpula, várias marcas vermelhas apareceram, representando flores sendo contaminadas pelo sangue.

— [Quinta Arte da Destruição, Spatium Horti] (Jardim Espacial) — Lanya terminou seu encantamento e a cúpula brilhou lindamente. Mas, um segundo depois, ela estalou a língua e a cúpula se quebrou. Quando desapareceu totalmente, o chão quase não foi danificado.

Lanya suspirou e encarou Arima com uma expressão impotente. Ele, por outro lado, imediatamente entendeu o que estava errado.

— Entendo… É verdade que eu ainda não dei nenhuma lição sobre magia espacial, então é natural. Você deve estar vendo o espaço como algo que distorce o ambiente, ou talvez algo que possa cortar qualquer coisa. Não está certo! Você deve considerar o “espaço” em geral como algo que compõe todas as matérias. A magia espacial consiste em interagir com o espaço contido na matéria.

Arima se agachou e pegou uma pedra simples do chão — Olhe! — Disse ele e exibiu a rocha. No instante seguinte, ela se dividiu do nada. — Eu não cortei por si só. Para ser exato, eu o fiz se quebrar em dois. Não pense na magia espacial como uma arma. Na realidade, trata-se de uma magia que interage diretamente com um objeto e o distorce.

Os olhos de Lanya se arregalaram e reiniciaram a formação mágica de forma emocionante. Em sua cabeça, ela estava lendo a formação mágica da magia enquanto tentava aplicar o que Arima disse. Desta vez, quando ela entoou sua palavra-chave, a cúpula não quebrou e ficou totalmente decorada com flores vermelhas deslumbrantes.

Somente quando Lanya acenou com a mão e dissipou intencionalmente a magia, a cúpula desapareceu. O que restou em sua localização foi um terreno devastado. Parecia que alguém havia plantado um número incalculável de armas no chão. Além disso, quando a cúpula se desmaterializou, um redemoinho foi formado.

Isso significava que havia uma depressão atmosférica. Na realidade, o Jardim Espacial até cortou e destruiu o próprio ar. Se alguém estivesse lá, ele teria sido transformado em carne picada.

A expressão de Lanya se iluminou — Obrigada, Arima! — Disse ela alegremente. Foi excepcionalmente divertido para ela aprender novas magias e teorias.

Arima sorriu gentilmente — Sem problema. E quanto a você, Arister?

— Eu não posso controlar o resultado da quinta arte branca, não importa o que eu tente…

Arima cruzou os braços e ponderou — Mas não deveria ser possível… — Ele murmurou e puxou uma faca de um de seus bolsos internos — Já faz um tempo desde que eu usei isso, agora que parei para pensar. — Comentou ele. Também era verdade que ele não usava muito aquelas facas de arremesso. Elas estavam até ligadas à sua alma e eram extremamente poderosas. Se ele desse uma dessas facas a um humano normal, ele poderia se tornar um pequeno tirano.

Arima girou a faca em torno de seu dedo e esfaqueou seu braço — Ei! — Arister levantou a voz e Lanya gritou, mas Arima nem sequer franziu a testa.

Ele sorriu vagarosamente enquanto estendia o braço ensanguentado. — Tente curar isso com a arte branca.

Arister o encarou como quem encara um louco e suspirou. Em seguida, ele apontou a palma da mão para Arima e canalizou sua magia.

— [Illic ‘uno modo tantum] (Há apenas uma maneira).

— [Ad nocendum, non mutabo] (Para ferir, você altera).

— [Ut sana, vos credibile] (Para curar, você inverte).

— [Quinta Arte Branca, Sana Intrinsecus] (Cura Intrínseca). — Ele terminou de cantar e a luz branca que se reuniu em torno do braço de Arima se espalhou.

Surpreendentemente, a lesão parou de sangrar e foi até fechada. Arima tocou seu braço com a mão direita por um tempo e suas sobrancelhas foram levantadas.

Arister piscou e acreditou que era um bom sinaL — Funcionou?

A expressão de Arima se contraiu quando ouviu isso. Ele se virou para Arister e sorriu “gentilmente”.

— Hã? — Arister não conseguiu reagir a tempo, pois foi chutado no estômago.

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