
Volume 1 - Capítulo 19
Life Hunter
“Cidade Livre, huh?” Arima murmurou e olhou para Elia. Ele e Lifa haviam voltado à mansão real dos elfos.
“Presumo que Niria pode me arrumar uma forja, certo?”
“Sim, é claro. Mas ela já partiu…”
“Isso não é um problema.” Arima a interrompeu. Ele se sentou no sofá e fechou seus olhos. “Não me chame por alguns minutos. Revele o Céu e a Terra – Índice Mundial ” Ele lançou o índice mundial. Seu espirito e mana se espalharam por todo o continente. Lifa e Elia que estavam no mesmo quarto que ele, cambalearam e quase perderam seu equilíbrio. A quantidade de espirito que Arima havia liberado em um curto período de tempo era monstruosa.
Mais uma vez, todos sentiram uma magnitude de força que eles nunca haviam visto, os scaneando. Todos que sentiram a disputa entre Jorga e Arima estavam se questionando que merda estava acontecendo.
Especialmente o Rei Élfo. Dessa vez, ele se deu conta de que isso estava vindo de sua própria mansão e estava estupefato. Jorga também sentiu. Ele olhou em direção à cidade e retornou ao seu descanso logo depois.
Então, a onda de espirito parou tão rápido quanto surgiu e Arima abriu seus olhos. Ele esfregou suas têmporas. “Achei ela.”
Quando Elia o ouviu, ela se sentiu extremamente incrédula. Ela então percebeu que ninguém no continente seria capaz de se esconder dele, se quisesse.
“Irei partir imediatamente. Tem uma magia que quero testar.” Arima acenou para Noturno que se levantou e ficou ao seu lado.
“Você vai tentar aquilo?” O lobo disse e Arima assentiu.
“O que é?”
“Magia de deslocamento.” Noturno respondeu Lifa no lugar de Arima, porque ele já estava focado em sua formação mágica. Um círculo azul se formou aos seus pés e circundou ambos Arima e Noturno.
“Atlantis” Ele entoou e o círculo produziu um vórtex de água azul que os encobriu. “Até.” Ele acenou com as mãos e então o círculo e o vórtex encolheram até desaparecerem junto com Arima e Noturno.
Nesse momento, um elfo alto e bonito adentrou o quarto. Quando ele viu que somente Elia e Lifa estavam lá, ele entrou em pânico.
“Elia! O humano que você recebeu foi o homem que conflitou com Mestre Jorga?”
“Pai. Sim, foi ele.”
Mesmo que já esperasse, seus olhos se estreitaram. Quando percebeu que tamanha potência havia visitado suas filhas em sua própria mansão ele se sentiu frustrado. “Onde ele está agora?”
“Ele foi à Cidade Livre.” Lifa respondeu calmamente. Seu pai se virou para ela.
“Por que ele lutou com Mestre Jorga?”
Lifa balançou sua cabeça. “Não tenho certeza. Eles se enfrentaram por alguns minutos e depois disso pareciam que eram melhores amigos.”
O rei abaixou sua cabeça e consentiu. “Entendo. Se ele retornar, me diga.” Ele instruiu e se virou para sair.
“Pai, espere.” Elia o parou antes que ele fosse.
“O que foi?”
“Tem uma coisa que gostaria de discutir com você; algo que aquele humano trouxe à tona.”
O Rei Elfo franziu o cenho. “Diga.”
***
Dentro de uma carruagem, fora da floresta, Niria estava indo em direção à Cidade Livre. Ela estava falando com seu guarda sobre o espirito que haviam acabado de sentir.
“Alex, quem você acha que era? Aquela cobra velha?”
“Não.” Alex balançou sua cabeça.
“Então, quem? Não acho que ninguém mais poderia-” Ela parou porque sentiu uma estranha flutuação mágica. Ela olhou para fora pela janela da carruagem, que era puxada por criaturas estranhas que pareciam mapinguaris. Ela avistou um estranho redemoinho azul no caminho de sua carruagem e viu Arima e Noturno saírem dali.
Niria ainda estava tentando compreender o que havia acontecido, quando Alex se pronunciou. “Ele é quem fez isso.”
As palavras súbitas de Alex a chocaram, mas ela não se preocupou em esconder. Afinal de contas, ele era um dos indivíduos mais fortes da Aliança. A ironia era que ele havia decidido se tornar um mero guarda costas para Niria.
“E aí.” Arima sorriu, ele estava feliz por ter tido sucesso em sua primeira tentativa. Aquela magia não possuía riscos quando bem controlada, mas o problema era a localização, que tinha que ser conhecida por quem entoa a magia. Mas sua detecção mágica era o suficiente para compensar por isso.
Por outro lado, Niria percebeu que havia subestimado esse humano injustamente e estava um pouco raivosa consigo mesma. Ela estava de fato pronta para ajudar Elia com sua estratégia de paz, mas ela não acreditava que Arima tinha recursos o suficiente para atuar em uma grande parte.
“…Por acaso você precisa de algo?” Ela perguntou.
“Sim, apenas um pequeno favor.”
“Tudo bem. Você pode pedir por qualquer coisa, contanto que não seja algo exagerado. Você pode entrar para conversarmos enquanto não chegamos na cidade.”
Arima adentrou a carruagem e se sentou próximo a Alex, com Niria a sua frente. Não havia espaço para Noturno, então ele pulou para cima da carruagem e se sentou.
“Então, o que é esse favor a qual se refere?”
“Resumindo, preciso de uma forja particular por uma semana, se possível.”
“Forja? Certo, você disse que queria mithril e adamantina dos elfos. Isso significa que você conseguiu?”
“Sim. Então, você consegue?”
“É claro, é um favor pequeno. Consigo uma pra você meia hora depois de chegarmos.” Niria disse e pausou, “Mas quero que faça uma coisa em troca.”
“Hm? O quê?”
“Quero que me traga o papa vivo.” Ela respondeu e Alex suspirou.
Arima arregalou seus olhos, isso era inesperado. “Isso não vai ser um problema… se isso é tudo que quer, eu o farei.”
“Obrigada. Então eu farei as preparações quando chegarmos.”
“Ok, mas eu estou com pressa. Então faremos assim.” Quando Arima disse isso, um círculo mágico já havia coberto a carruagem e um vórtex azul os envolveu. “ Atlantis.”
“Isso…” Niria estava curiosa e observou pela janela. De dentro do vórtex, se conseguia ver apenas um redemoinho azul. “Impressionante. Isso é magia de teletransporte?”
“Não, é mais como uma distorção do espaço; um buraco de minhoca. Bem, você provavelmente não conhece essa terminologia, então pode pensar o que quiser.” Arima sorriu. “A propósito, chegamos.”
“O quê?” Niria foi pega desprevenida. Ela não sentiu nenhuma mudança no ambiente, mas quando o redemoinho sumiu, ela estava chocada ao ver a cidade de uma distância. Até mesmo Alex reagiu e seus olhos se estreitaram.”
“Se estiver tudo bem, gostaria de começar a trabalhar o mais cedo possível.” Arima proferiu para apressá-los.
“Sim, claro.” Niria acelerou os mapinguaris e entrou na cidade.
A Cidade Livre era maior que a capital de Terses. As ruas e os prédios também pareciam mais modernos e refinados. Talvez porque haviam mais pessoas com diferentes habilidades. Nas ruas, haviam elfos, teriantropos, anões, fadas e também alguns membros da raça demoníaca.
A carruagem passou pelas ruas com Noturno no teto, o que causou uma situação cômica onde pessoas apontavam para ele enquanto riam e cochichavam. Muitos deles acharam Noturno fofo. Quando chegaram ao castelo da cidade, Niria convidou Arima e o deu acesso à forja quase imediatamente.
Ele inspecionou a forja brevemente, com todas as ferramentas, o forno, a bigorna e agradeceu a Alex por levá-lo até lá.
“Sem problemas.” Alex disse brevemente e saiu rapidamente.
Arima estalou suas juntas e tirou seu casaco. “Vamos começar. Noturno, para o mithril não vou precisar da sua ajuda, mas, para a adamantina suas chamas serão necessárias.”
“Claro.”
***
No dia seguinte, Arima se sentou com as pernas cruzadas e uma esfera prateada pairava à sua frente. Dentro dela haviam componentes de mithril, como corrediça, gatilhos, um carregador e uma fôrma para uma arma de alto calibre que se parecia uma Magnum.44.
Arima exalou e a esfera desceu até o chão com tudo que havia dentro. Mithril só podia ser influenciado por magia e para usá-lo efetivamente, o usuário precisava ter muito controle.
“Peguei o jeito.” Arima disse e olhou para as partes no chão. Ele estava, evidentemente, tentando recriar armas de fogo. Se nesse mundo com magia até espadas podiam ser poderosas, não tinha como a arma mais mortal já inventada por humanos não se tornar uma ferramenta assustadora.
No mundo de Arima, as armas eram bastante avançadas.
Mesmo que a estrutura total não tenha mudado e as balas ainda serem físicas para a maior parte, não havia nenhum cartucho, propulsão ou espoleta. Ele só necessitava de um certo tipo de energia para carregar a arma. Além disso, a precisão e o recuo estavam incrivelmente perfeitos.
A única razão para Arima decidir construir armas era pela possibilidade de criar canhões eletromagnéticos, que também podiam ser chamadas de armas de plasma. Com seus raios, isso poderia se tornar uma arma bastante útil.
Então ele escolheu criar a carcaça com mithril e fazer o cano com adamantina para ser capaz de usar uma detonação forte para atirar as balas, que também eram feitas de adamantina, um metal denso e duro. Ele planejava fazer uma pistola e um rifle pesado. Obviamente, ele havia começado com a pistola.
Ele pegou mais mithril e dessa vez começou a fazer os componentes principais do rifle.
“A propósito, queria te perguntar, por que você quer tanto ajudar esse país?” Noturno perguntou enquanto ele estava trabalhando.
Arima não desviou o olhar da esfera brilhante em sua frente e respondeu. “Porque eu quero.”
“Bem, eu meio que esperava isso.” Noturno disse impotente.
No dia seguinte, Arima finalizou a estrutura do rifle e pediu a ajuda de Noturno para derreter a adamantina, para começar a forjar os canos. Dessa vez, ele precisou trabalhar com um martelo para suavizar e transformar em um cilindro.
Em seguida, ele criou uma perfuração no mithril e escareou e estriou os cilindros recém criados. Ele usou o metal liquido restante para criar balas, para as quais ele já havia feito os moldes.
Ele terminou em dois dias.
No quinto dia, Arima montou as armas e acabou com um grande rifle de precisão que tinha um largo cano cilíndrico fixado dentro de um revestimento retangular e o revolver parecia mais um canhão de mão.
No sexto dia, ele encantou as armas com magia de detonação que iriam ser ativadas quando o gatilho fosse pressionado. Ele também criou uma mira e a encantou para aperfeiçoá-la.
No sétimo dia, Arima estava encarando as armas prontas em sua frente.
“Por que está olhando pra elas tão intensamente?”
“Estava pensando se poderia ligá-las à minha alma.” Ele tocou as armas e respondeu a pergunta de Noturno.
“Ligar? Como sua espada?”
“Sim. Bem, por enquanto, vou só tentar.”
Arima pegou o revólver e fechou os olhos. Ele já possuía uma arma da alma e uma besta da alma, então seria estranho se ele não entendesse uma coisa ou outra sobre almas. Dez minutos depois, um quarto da arma se tornou translúcido. Somente após outros trinta minutos a arma sumiu e se ligou à sua alma.
Arima suspirou. “Quarenta minutos. Aquele deus fez isso em um segundo com a Karma.” Ele olhou para o rifle dessa vez e fez o mesmo; demorou cerca de duas horas para completar a ligação. Uma vez que terminou, ele olhou para o carregador das armas em sua mão, carregado com balas de adamantina.
Ele encarou fixamente por alguns minutos e então começou a fazer a ligação com sua alma e terminou após vinte minutos.
“Funcionou…” Arima murmurou. Se ligar o carregador junto com as balas havia funcionado, então significava que ele poderia recuperar suas balas e as reparar em sua alma indefinidamente, e é claro, elas também irão se tornar mais fortes. No final, ele ligou todos os cartuchos que tinha feito.
“ Ira ” Arima chamou e seu revólver apareceu em sua mão. As duas armas eram chamadas ‘Ira’ e ‘Superbia’, significando ‘fúria’ e ‘orgulho’ respectivamente.
Ele carregou Ira e mirou em um prato de adamantina de um metro de grossura antes de atirar sem usar magia adicional. Um som ensurdecedor ressoou no ambiente e a bala perfurou o prato e abriu um buraco na parede da forja. O barulho ecoou e Noturno acordou na mesma hora.
“Hm?! O que está acontecendo? Onde estou?”
Arima revirou os olhos para ele e olhou para o buraco no prato. “Isso é mais forte do que eu achei que seria…”
Precisava ser dito que a adamantina era o metal mais duro no mundo e ele havia usado a menor quantidade de força que a arma poderia entregar.
“Acabou?” Noturno perguntou e bocejou.
“Sim. Vamos. Vou testar Superbia depois.” Arima disse. Ele pegou seu casaco e abriu a porta. Ele grunhiu quando a luz do sol atingiu seus olhos.
Noturno o seguiu sonolento. “Vamos aonde? Eu esqueci o que deveríamos fazer…”