
Volume 1 - Capítulo 18
Life Hunter
“Arima posso te perguntar sobre o que aconteceu com a minha irmã?” Lifa perguntou enquanto guiava Arima e Noturno.
“Hm? Ah, a coisa da emoção? O que tem de errado?”
“Na verdade, eu a entendo… Eu acho difícil de acreditar que alguém consiga facilmente controlar suas emoções a esse nível.”
Arima suspirou. “Como disse, não é como se eu tivesse controle total sobre isso, existem muitas pessoas capazes disso de onde eu vim. Tenho certeza de que eles podem fazer o mesmo… provavelmente. De qualquer forma, eu só posso controlar minhas emoções se elas forem de baixa magnitude. Por exemplo, eu já perdi o controle para a raiva antes.”
“Entendo…” Lifa assentiu.
“Mais importante, quem é essa pessoa guardando os metais?” Arima perguntou em seguida.
Lifa não respondeu por um momento. “Hm, acho que você só vai entender quando conhecê-lo pessoalmente, mas essa pessoa é responsável por termos tantos metais especiais.”
“Por quê?”
“Porque é ele quem refina e minera todos eles. Acho que já sabe, mas para criar mithril nós precisamos refinar um certo minério chamado ‘mestil’ com magia. Para a adamantina, habilidade física é necessária e não existe ninguém mais apropriado que ele.”
“Isso é impressionante.”
Naquele momento, um grupo de quatro jovens elfos se aproximou. Eles eram Layra e as outras crianças de antes. As três crianças correram em direção a Arima com expressões animadas.
“Irmãozão!” Eles gritaram e pularam em Arima. Noturno recuou quando os viu.
“Layra, por que você está aqui?”
“As crianças queriam agradecer a pessoa quem os salvou, então quando descobri que estavam aqui, eu os trouxe.”
“Não tem problema…” Arima murmurou. “Sim, sim, sou eu. Mas vocês podem parar de me agarrar?” Ele estava tentando se desgrudar das crianças, enquanto elas se agarravam mais a ele. Noturno os observou com desconforto.
“ Como pensei, não suporto crianças. ” Noturno disse a Arima por telepatia.
“ Não se preocupe, eu também. ”
Quando os três finalmente o soltaram, Arima e Noturno pararam de falar. “Voar naqueles pássaros foi legal!” Mas eles ainda estavam animados e falaram com Arima sobre os grifos.
‘Pássaros? Você está chamando os grifos de…. pássaros?’ Ele retrucou em sua mente, mas então pensou em algo.
“Ei, crianças, vocês querem ver aqueles pássaros de novo e ficar com eles?” Ele perguntou enquanto sorria de orelha a orelha.
Os três olharam um para os outros e assentiram repetidamente. Arima sorriu. Ele balançou sua mão e três estranhos círculos mágicos se formaram na frente de cada criança.
“ Conexão da Alma ” Um raio de luz voou dos círculos até o peito das crianças.
“ Tribo da Besta Grifo ” Dessa vez, de cada círculo, um grifo foi formado. Eles eram menores que os de antes e eram do tamanho de Noturno em sua forma de lobo.
Os grifos permaneceram imóveis com seus olhos fechados quando apareceram. Pessoas se juntaram ao redor para assistir, mas mantiveram distância por conta de Arima, enquanto os guardas que estavam lá não fizeram nada graças à Lifa.
“Ok, crianças, coloquem suas mãos na cabeça deles, pode doer um pouco.” Arima disse e os elfos assentiram. Eles fizeram como Arima disse e sentiram pouca dor, como se uma agulha tocasse suas palmas. Quando retiraram as mãos, havia um ponto vermelho no centro.
Então, os grifos abriram seus olhos, que pareciam possuir alguma inteligência. As três bestas olharam em volta e foram em direção aos seus respectivos donos e deitaram em sua frente.
“Eles são um tipo especial de bestas de invocação que criei quando analisei o círculo de invocação da alma. Criei o corpo com minha magia e então conectei suas almas, espíritos e piscinas de mana a eles. Finalmente, eu tirei seu sangue para ligar aos seus corpos físicos. É basicamente uma besta da alma mais fraca. Eles são inteligentes e vão ficar com vocês por toda a sua vida.” Arima explicou.
Lifa estava em choque e Noturno grunhiu.
“Sinto que presenciei algo que não deveria ser feito por uma pessoa… não, por qualquer ser vivo.” A elfa disse em um tom vacilante.
Noturno a observou e piscou. “Não se preocupe, esse tipo de coisa acontece toda hora.”
“Não tenho certeza se isso me faz sentir melhor.”
Noturno piscou duas vezes. “Não se preocupe, isso acontece toda hora também.”
Lifa se calou.
Depois disso, Arima se separou das crianças e Lifa o pediu para fazer o mesmo com o gato que ainda estava em seu ombro. Ele não pôde evitar e o fez. Ela parecia gostar de animais fofos.
“Arima, você gosta de crianças?” Lifa o perguntou enquanto caminhavam.
Arima riu. “Na verdade, não. Não me sinto confortável perto delas. Você só precisa olhar para Noturno, ele é a personificação do que eu penso. E isso está completamente exposto.”
Noturno franziu as sobrancelhas. “Não diga isso como se eu não soubesse mentir.”
Lifa, no entanto, ficou surpresa. “Então por que foi tão gentil com eles?”
“Quando você fica velho, você se torna mais consciente sobre as pessoas. Ser gentil com elas é importante porquê eles sabem o que se tornaram, e também sabem o que eles poderiam ter se tornado se tivessem a experiência de ter tido uma infância feliz… Eu conheci muitas pessoas assim. Conheci muitos veteranos aposentados que abandonaram tudo para ajudar ou ficar com seus netos, e as vezes, os órfãos.”
“Entendi…” Lifa assentiu seriamente, mas de repente se lembrou de algo. “Velho?” Ela revirou os olhos e olhou para Arima.
“Eu não te contei? Eu tenho 134 anos, sou mais velho que você.”
Lifa parou de andar e foi deixada pra trás. “O quê?”
***
Arima demorou um tempo para convencer Lifa, e depois de uma hora de caminhada, eles chegaram a um grande lago na floresta, ao norte da torre élfica. Dali, a distância para a fronteira do Império não era tão grande.
Lifa se aproximou do lago. “Mestre Jorga!” Ela gritou.
Arima ficou perplexo e surpreso. Quando ele ia perguntar o que ela estava fazendo, ele recuou do lago por puro instinto. O chão tremeu levemente, ondulações apareceram na superfície do lago e logo se tornaram ondas, até que um grande pilar de água foi criado por uma figura que emergiu do fundo.
Quando a água se acalmou, uma enorme serpente marinha cinza tinha sua cabeça e pescoço para fora da água. A serpente tinha o corpo com cinco metros de largura, sua cabeça era do tamanho de um caminhão pequeno. Seu corpo fora d’água tinha pelo menos dez metros. Seus afiados olhos azuis observaram Lifa, Noturno e Arima.
“Lifa, huh?” Ele disse em uma voz grave que ressoou nas orelhas dos ouvintes. Sua voz carregava uma enorme pressão.
Arima ficou boquiaberto com a serpente e se virou para Lifa. “Quando você mencionou uma ‘pessoa’, você estava se referindo a isso?”
Ela sorriu. “Sim.”
“O que? ‘Sim’?! O jeito que você estava falando dele não me ajudou de forma nenhuma a me preparar para isso! Por que você não disse que ele era uma besta sábia, ou simplesmente a uma serpente marinha gigante?” Ele explodiu com ela.
Jorga franziu o cenho. Ele encarou Arima por um momento. “Você… é humano, certo?” Ele inquiriu como se estivesse tentando confirmar algo.
“Obviamente.” Arima esfregou suas têmporas, ignorando a risada de Lifa e trocou olhares com a grande besta.
‘Estranho, não consigo medir sua alma.’ Jorga pensou interiormente. Ele olhou para Lifa pedindo uma explicação. Arima também queria saber quem a serpente era.
“Mestre Jorga, esse é Arimane Blade. Muito aconteceu, mas agora ele é um colaborador de nosso país e pediu por mithril e adamantina. Então, minha irmã me disse para trazê-lo aqui. E, Arima, esse é o Mestre Jorga. Ele tem sido o guardião dessa floresta por quase mil anos.
“Entendi.” Eles assentiram ao mesmo tempo depois das apresentações e prenderam o olhar um no outro.
“Ei, pequenino, por que quer esses metais?”
Uma veia dilatou na testa de Arima. “Não é da sua conta, grandão. Só me dê os metais.” Ele enfatizou a palavra ‘grandão’ por um motivo.
Os olhos de Jorga se contraíram e ele sorriu de uma forma não natural. “Sim, você está certo. Mas não posso simplesmente te dar assim, sem mais nem menos, você só pode tentar me persuadir.”
Arima gunhiu “De fato, acho que isso é tudo que posso fazer.”
Noturno os observou dos bastidores junto com uma inquieta Lifa.
“E-Esperem, não lutem.” Ela disse numa tentativa de pará-los.
Noturno observou com uma expressão indiferente como sempre. “A atmosfera está tensa.” Ele comentou. “Tanto, que parece que estão produzindo faíscas.” Ele adicionou e continuou assistindo. Então, lenta e gradualmente, sua expressão afundou.
“Espera, essas são faíscas de verdade! O que você está fazendo?!”
Arima e Jorga liberaram suas auras e investiram no lado oposto. Faíscas eram só o começo. A terra entre eles foi destruída pela pressão e a que estava perto deles foi levantada e afundada. Não parou por aí. O vento soprou tão forte que a água do lago se tornou caótica.
Um fato estranho, só havia um lugar que não havia sido afetado pelos acontecimentos ali.
“Hã?” Tinha sido Lifa, ela havia protegido tanto Arima quanto Jorga.
“Ei!!” No meio tempo, Noturno estava dando seu máximo para permanecer parado. Suas garras estavam firmemente agarradas ao chão. “Porque você está protegendo ele e não a mim?!” Ele gritou. Ele olhou em volta e correu para trás de Lifa em busca de proteção. Ele se deitou no chão sem vergonha alguma. Até mesmo o gato no ombro de Lifa apontou sua pata em direção a Noturno como se estivesse zombando dele e miou.
“Cala a boca, gato de merda.”
Naquele momento, Lifa olhou para o céu e suspirou. As nuvens estavam se reunindo no céu acima deles. Do lado de Jorga, as nuvens estavam cinza e muito densas. Do lado de Arima, as nuvens estavam pretas, o que significava que eram nuvens de tempestade.
“Ei, ei. Aqueles dois estão liberando suas auras com seus atributos nelas.” Noturno destacou. “Eles estão se esforçando muito” “…” Lifa apenas boquiaberta. Ela sabia que Jorga era forte, mas mesmo que soubesse, ela nunca havia presenciado. E lá estava Arima, um humano que ela havia conhecido por coincidência e que possuía uma força que ela nem podia imaginar. No final, seu processo de pensamento bugou.
“Essa garota pirou.” Noturno olhou para ela, se virou em direção aos dois e sua expressão mudou novamente. “Quão longe eles irão?”
Trovões estavam retumbando e raios estavam conectando as nuvens, enquanto do outro lado, começou a chover e um tornado se formou à distância. Se os dois batessem de frente agora, a floresta seria destruída em um raio de pelo menos cinquenta quilômetros.
É claro, algo assim não passaria despercebido. Todos na Aliança viram as nuvens de diferentes naturezas se reunindo. Especialmente os governantes da Cidade Livre e da Torre Élfica, que estavam perto.
Eles queriam correr para a fonte no momento em que sentiram algo, mas quando perceberam que uma das auras era a de Jorga, eles descartaram a ideia porque sabiam que não poderiam competir com alguém do mesmo nível do guardião da floresta. Isso não era limitado à Aliança, os indivíduos mais fortes de outros países também sentiram.
Após alguns minutos de luta intensa, as duas auras diminuíram e sumiram. As nuvens se dispersaram e voltaram ao normal. A parte de terra perto do lago estava totalmente destruída, mas Arima e Jorga estavam rindo no meio disso.
“Você é muito bom.” Arima pontuou.
“Você também, humano. Deixe que eu me apresente, sou Jorga Manda. Descendente de Jormungand.”
“Jormungand? A Serpente do Mundo?” Arima ficou surpreso.
“Sim. Quando nasci nessa floresta, mil anos atrás, recebi a benção de Jormungand.”
“Entendi…” Arima cerrou os olhos. ‘Algumas lendas desse mundo são as mesmas do meu?’ Ele pensou. ‘Ou talvez até reais?’ Ele franziu as sobrancelhas com esse pensamento.
“O que é isso…? Estou perdendo alguma coisa?” Lifa estava confusa.
“Talvez isso seja o que você chama de ‘respeito entre guerreiros’. Se puder chamar uma serpente gigante de guerreiro, é claro.” Noturno disse cheio de humor em sua voz.
“Entendi. Sim. Entendi.” Lifa sorriu como se tivesse descoberto um grande mistério.
“Hã? Entendeu? Entendeu o quê? Você não pode entender algo que não deveria, sabia? Eu só vi que estavam à beira de matar um ao outro. Ei, você tá me ouvindo?”
Lifa parou de escutar e estava perdida em pensamentos.
“Você queria mithril e adamantina, certo?” Jorga disse. “Quanto você quer? Normalmente, eu faço os elfos fazerem algo pra mim ou faço eles pagarem, mas te darei de graça.”
“Obrigado, mas não irei levar de graça. Que tal isso? Você pode me pedir um favor.”
“Ah, isso é mais que suficiente. Ter alguém igual você como aliado já é uma troca injusta. Você ainda está do lado fraco, mas tenho certeza de que se tornará mais forte rápido. Eu certamente não irei hesitar em aceitar sua oferta.” A enorme serpente sorriu maliciosamente.
Arima sorriu. “Isso é ótimo. Eu quero duas unidades de mitril e uma de adamantina.”
Nesse mundo, uma unidade de um líquido ou metal era mais ou menos equivalente a um metro cúbico.
“Tudo isso?” Jorga estava surpreso, mas ainda sim levantou três rochas esféricas do fundo do lago. “Acho que já sabe, mas as pratas são mithril e a azul escura é adamantina.”
Arima imediatamente pôs as rochas em seu armazenamento. “Obrigado, tenha certeza de que eu irei voltar logo.” Ele disse e partiu após fazer uma ligação telepática com Jorga para que ele pudesse pedir seu favor quando quisesse.
“Lifa, você pode me apontar a localização de uma forja?” Arima perguntou assim que chegaram na cidade.
“Uma forja? Não acho que vá achar uma boa aqui. Você terá que ir para a Cidade Livre. Mas por que você quer uma?”
“Para a primeira coisa que eu pensei quando vi as características desses dois metais.” Arima sorriu maliciosamente. “É hora de retornar às boas e velhas armas.”