Life Hunter

Volume 1 - Capítulo 17

Life Hunter

O quarto ficou silencioso. “…Por que você me ajudaria?” Foi Elia quem quebrou o silêncio.

Arima sorriu. Ele levantou 4 dedos. “Tenho quatro motivações.”

Elia estava surpresa. Ela não esperava que ele tivesse tantas justificativas. Pessoas que proferiam tais palavras, geralmente acabavam sendo lixos desprezíveis tentando tirar vantagem dela.

“Primeiro de tudo, um velho rude me trouxe a este continente e eu não sei exatamente o porquê. Ao mesmo tempo, eu não me importo muito, já que estava um pouco entediado. Mas, quanto mais eu penso nisso, mais curioso fico. Então, pensei em fazer algo produtivo enquanto estou aqui. Esse é o primeiro motivo” Arima tomou um gole de seu chá.

“O segundo motivo é porque sou forte. De onde eu venho nós temos um ditado ‘Com grandes poderes grande, vêm grandes responsabilidades’. Eu acho que o foco principal disso é não só ajudar os fracos, mas sim, ter responsabilidade pela força que você obteve dos outros.”

A este ponto, até o lagarto estava ouvindo atentamente e as outras estavam absortas ao que ele estava dizendo.

“O terceiro motivo é claro. Quero algo de seu país. Mas não é tão difícil de você conseguir. Só quero mithril e adamantina. É a sua especialidade, se não estou errado.”

Arima comeu seu último doce. “O último motivo é simples também. Quero te ajudar porque está certa. E porque acho que é uma oportunidade divina para limpar o território humano.” A última parte foi dita com tanta indiferença que todos no quarto estremeceram.

“O que você quer dizer com ‘limpar’?” Elia perguntou com um olhar sério.

Arima olhou pra ela. “Obviamente, eliminar.”

Elia pulou de sua cadeira. “Não posso deixá-lo fazer isso. Eu organizei um acordo de troca com a República por que eu queria acabar com a inimizade entre humanos e demi-humanos! Não quero matá-los!” Ela gritou. Após perceber que havia perdido a compostura, ela se desculpou e se sentou.

Arima a encarou, fazendo ela se sentir desconfortável. Ela sentia como se seus segredos estivessem sendo descobertos.

“Você é uma pessoa tranquila e compreensiva. Não se vê pessoas assim com frequência. Também, não é ruim ser uma pessoa assim. Eu me considero generoso, mas nunca esqueço de ser imparcial. Eu não sou a justiça. Eu não mato com essa mentalidade. Eu acabo com a vida das pessoas porque elas merecem. Os humanos que escravizaram e mataram seu povo, você acha que eles deveriam ser poupados?” Ele perguntou friamente.

“Eu…” Elia estava sem palavras. É claro, ela pensou que pessoas assim não mereciam viver, mas ela sabia que não poderia atacá-los diretamente, então ela escolheu falar pacificamente com os humanos e fazê-los serem punidos no melhor dos casos.

“É bom ser gentil. É bom pedir por paz. Nunca foi um pensamento insensato. Mas no seu caso, é errado. Você não vai poder evitar mortes desnecessárias se continuar assim. A República é uma coisa, mas o Império e o Reino? Um te escraviza e o outro te queima em uma estaca. Agora você vive em segurança graças à Aliança, mas, há exatamente 38 dias, o que teria acontecido àquelas crianças se eu não as tivesse salvo? Agora elas estariam mortas, ou talvez desejando estar? Quantos do seu povo vão morrer para você alcançar sua paz? E depois disso, como você vai suportar a vingança deles?”

“Pare!” Lifa gritou. “Por favor…” Ela quase explodiu em lágrimas. Elia estava pálida. Niria estava em silêncio e seu guarda tinha uma expressão solene. Noturno estava ouvindo em silêncio.

Arima reabasteceu seu copo. “Eu admito que minhas palavras são hipócritas. É claro, você está frustrada. Eu entendo perfeitamente que você quer ter sua vingança, mas não pode. A guerra é assustadora afinal de contas. Mas isso não muda a verdade.“ Ele pausou e descansou seu copo. “Sabe o que mais me surpreendeu quando eu conheci os elfos?”

Elia levantou sua cabeça e Lifa parou de soluçar.

“Quando eu fui interceptado e quando entrei em sua cidade, nenhuma, nem uma única vez eu senti intenção assassina.”

Os olhos de Elia se arregalaram e ela apertou as mãos para se acalmar.

“Isso me surpreendeu. Normalmente, os elfos deveriam odiar os humanos. Quando estava vindo, estava esperando ter que lidar com tentativas de homicídio, mas o oposto aconteceu e eu estou muito surpreso. O que eu quero dizer, é: Se eu tivesse que escolher entre humanos e elfos, escolheria os elfos. Só essa coisa que percebi, foi mais do que o necessário para julgar os elfos merecedores, mais do que os humanos. “ Arima olhou para Elia. “Então, eu quero te ajudar. Você não precisa fazer nada. Se não desejar ver o derramamento de sangue, então eu o esconderei de você. Não se preocupe, enquanto estiver aqui, guerra não significa nada.” Ele disse num tom mais suave que antes.

Elia cerrou os dentes. “Posso te perguntar uma coisa?”

“Claro.”

“Qual seu plano? O que você vai fazer?”

Arima sorriu como se estivesse pegando um biscoito. “Bem, primeiramente, devemos usar nossa maior vantagem sobre os humanos.”

“Nossa maior vantagem? O que seria isso?” Lifa limpou suas lágrimas.

“Simples. Lifa, quantos anos você tem?”

“Hã?” Ela ficou surpresa. “Tenho 45.”

“Essa é a sua vantagem. Tempo de vida. Vocês vivem em torno de trezentos anos, enquanto os humanos só vivem até os oitenta em média. Você vai usar isso.”

“Como devo interpretar isso?” Elia seguiu.

“Vocês vão se integrar com os humanos. Primeiro, por estarem em bons termos com a República, você deveria negociar com eles se pode enviar alguns de seu povo para viverem lá. Em torno de mil pessoas. Aqueles que você escolher devem ser pelo menos tão fortes quanto um rank B.”

“Espere” Elia o interrompeu. “Por que enviaríamos nosso povo?”

“Tempo. Você vai usar o tempo. Vocês vão se integrar nas cidades humanas e acostumar as mentes deles com sua presença, até eles pensarem que vocês estarem lá é algo natural. O objetivo principal é ser gentil com as crianças e fazer com que eles os reconheçam na nova geração.”

Elia ponderou. “É realista… a República não é hostil conosco, então até mesmo uma geração deve ser o suficiente. Mas…”

“Mas o Reino e o Império são outra história.” Arima resumiu. “Para o reino, posso ir diretamente até o rei porque ele me deve um favor. Depois disso, posso tomar conta pessoalmente de cada pessoa influente que for seu inimigo e fazer o que eu te disse.”

Quando Elia ouviu ‘tomar conta’ seus olhos perderam o foco, mas ela não disse nada.

“Quanto ao Império, integração é quase impossível. Então a única opção restante é destruí-los.”

“O quê?” Todos estavam chocados. “Você não pode destruir um império de uma hora pra outra.”

Noturno subitamente levantou sua cabeça. “Você não deveria falar algo que não sabe.”

“O quê?” Lifa exclamou. “Você está insinuando que ele pode mesmo fazer isso?”

“Ei, se quiser saber é só me perguntar.” Arima a interrompeu.

“Ah, desculpe…”

“Mas, se eu posso fazer isso ou não? Eu posso. Mas não vou fazer isso sozinho. Vou lucrar com a guerra acontecendo agora. Vai ser suficiente se eu matar o Imperador e o Papa.” Ele disse como se fosse uma coisa óbvia.

Niria sorriu ironicamente. “Você faz as coisas parecerem fáceis.” Ela se virou para Elia. “Elia, posso me juntar ao seu plano de paz? Irei perguntar ao meu pai também.”

“Espere! Eu nunca disse que faria isso!”

Niria riu. “Você diz isso, mas já está pensando nos prós e contras antes de aceitar. E você sabe que ele não está mentindo. Você tem olhado os espíritos ao redor dele esse tempo todo, não?”

Elia resmungou. Ela olhou para Arima e respirou fundo. “Quando acha que suas preparações estarão finalizadas?”

“Duas semanas. Quero ficar uma semana na Aliança. Vou precisar do mithril e da adamantina agora. Na próxima semana, irei limpar o reino pra você e, como eu disse, irei levar o Império às ruínas.”

Elia assentiu. “Entendo. Para os metais que procura, Lifa irá te levar até onde eles estão.”

Niria se levantou. “Irei partir agora. Obrigada por me receber, Elia. E Arimane, sinta-se livre para nos visitar.” Ela fez uma reverência breve e deixou o quarto com seu guarda, que fez contato visual com Arima.

Quando Niria deixou o quarto, Elia se virou para Arima que estava alegremente se enchendo de chá e doces. Ela sorriu.

“Arimane.” Ela chamou seriamente “Sim?” Arima não esperava que ela o chamaria tão gravemente. Arima engoliu o último pedaço do bolo que ele havia pegado na mesa. “O que é?”

“Isso é algo que quis te perguntar desde que nos conhecemos. Não tem relação alguma com o plano que você mencionou.” Ela disse. Lifa estava escutando silenciosamente e Arima esperou o resto.

“Eu possuo uma habilidade especial desde o nascimento.”

Lifa estava chocada. “Tudo bem falar sobre isso?”

“Sim, tem um motivo pelo qual estou contando isso a ele. Minha habilidade é ver a emoção das pessoas.”

“Fascinante.” Arima ficou curioso quanto a isso. “Então, qual é a sua pergunta?”

“A forma como eu vejo as emoções é pela manifestação de certas cores ao redor das pessoas. Por exemplo, vermelho é raiva, rosa é amor, azul é tristeza, roxo é medo e assim por diante… Mas eu não vejo nada em você. Desde que te conheci, a cor que emana ao seu redor é branca. Nada. Não entendo e é isso que queria te perguntar. Por que eu não vejo nenhuma emoção em você?” Ela cerrou os olhos e sentou.

Os olhos de Arima se arregalaram um pouco e Noturno explodiu em risadas. “Ela disse que você não tem emoções. Talvez ela não esteja tão longe da verdade.”

“Ei, ei, eu tenho emoções, ok?” Arima retrucou. “Quanto ao que você consegue ver…” Ele sorriu para ela. “Provavelmente é porque controlar minhas emoções é uma característica inerente minha. Sempre mantenho minhas emoções em cheque. Ao menos que queira, nunca permito minhas emoções saírem do controle.”

“Eu… entendo.” Elia custou a acreditar.

Arima sorriu. “Você quer que eu te mostre?”

“O que você-” Ela parou a frase na metade. Ela estava olhando desacreditada para Arima. Ela podia finalmente ver as cores ao seu redor. “Mas… o que é isso?”

Uma única cor não permaneceu por mais de um segundo. Vermelho, azul, rosa, roxo, elas continuaram mudando sem parar até que todas apareceram ao mesmo tempo. As cores se misturaram e a cor ao redor de Arima se tornou totalmente preta, antes de voltar a ser branca. Tudo isso aconteceu enquanto ele mantinha uma expressão calma.

Elia puxou o ar. “Entendo. Eu entendo agora. Você não é humano. Irei me retirar agora. Obrigada por me mostrar isso. Sinto que posso melhorar minha habilidade.” Ela se curvou. “Irei te deixar aos cuidados de Lifa.”

Arima ficou sem palavras. Ele não conseguiu se mexer até que Elia saísse do quarto. Noturno estava dando o seu melhor para não rir. E Lifa se sentiu desconfortável. “Hm, Arima. Tenho certeza de que ela não quis te ofender. Ela só estava sendo…, honesta?”

“Pare, só pare. Estou bem. Pare de me olhar assim. Eu conheci pessoas que fizeram o mesmo antes…” Ele suspirou e se levantou. “Esqueça isso, vamos. Tenho que te incomodar.”

“Está tudo bem. Irei levá-lo à pessoa que mantém os metais que você precisa.”

“Oh, existe uma pessoa responsável por guardá-los?”

“Sim.”

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