
Volume 1 - Capítulo 16
Life Hunter
“O que porra você quer dizer com, eles já sabem que estamos aqui?” Noturno exclamou.
“Bem, eu não tentei nos esconder desde o início, sabe? Eu não apaguei completamente minha aura e quando eu enviei aqueles pássaros, eu deixei que voassem livremente. O único motivo pelo qual eu não usei o Índice Mundial foi porque o alcance e magnitude são muito grandes e isso poderia trazer problemas desnecessários.” Arima explicou calmamente.
“Por que você fez isso?”
“Por que eu queria saber o peso que uma promessa da princesa tem. Ela disse que eu seria bem-vindo. Se eles tentarem me matar, primeiro vou bater neles e depois pedir por compensação.”
A boca de Noturno se contorceu antes dele se virar e olhar para frente.
“Eu sinto dez presenças, além das treants, a dois quilômetros daqui.”
“É, eu os senti há um tempo. Se quer saber, tem uma cidade élfica a alguns quilômetros de distância. A população é em torno de quase dois milhões, e as pessoas que estão nos esperando estão há um quilômetro de distância. Eles são vinte, os que você sentiu foram os batedores.”
“…A princesa está com eles?” Noturno perguntou depois de um tempo.
“Pelo que posso ver, não. Mas mesmo que ela já tenha falado que somos amigos, enquanto for humano, eles insistirão em me encontrar sem ela. Para mantê-la segura, principalmente. Eles provavelmente vão agir assim: se não gostarem de mim, vão tentar me matar. Se eles me reconhecerem, eles irão tentar me mandar embora. Por cada cenário possível, eles irão dar uma desculpa para Lifa. Algo como ‘ele foi por conta própria’ ou ‘ele tentou nos atacar, então nós o matamos’. Bem, eu não estou dizendo que isso vai acontecer com certeza, mas as chances são altas.” Arima explicou.
Noturno grunhiu. “Minha cabeça está doendo, você pode simplificar?”
Arima meditou por um instante. “Princesa importante. Humano perigoso. Caçar humano. Proteger princesa.” Ele disse com uma expressão sombria.
“Desculpa, é minha culpa. Jamais faça isso novamente.” Noturno respondeu imediatamente.
Cinco minutos depois, os dois finalmente chegaram ao lugar onde Arima havia previsto que aconteceria o ataque. Como esperado, um grupo de elfos os cercou em um segundo. Metade deles permaneceu escondido no topo das árvores, mirando-os com seus arcos, enquanto a outra metade estava pronta para atacá-los diretamente com suas lâminas.
“Quem é você?” Um homem bonito deu um passo à frente e o questionou num tom rígido.
“Arimane Blade” Arima respondeu casualmente. Ele sorriu como se eles não estivem o ameaçando de nenhuma forma.
O elfo franziu as sobrancelhas. “Por que está aqui?”
“Para visitar.”
As sobrancelhas do elfo se franziram ainda mais. “Desculpe, mas vou ter que pedir para que se retire. Deixá-lo entrar irá causar muita agitação para nosso povo.”
“E se eu disser que tenho a permissão da princesa?”
“O quê?”
“Quero dizer que sua princesa já me disse que seria bem-vindo em seu país. Ah, como sei que vocês têm mais de uma, a que me fez essa promessa foi a princesa Lifa.”
Neste ponto, o elfo não sabia mais o que dizer ou fazer. Ele se virou para o soldado élfico ao seu lado e o mandou voltar e reportar.
Arima sorriu. Ele enviou uma ordem para um dos falcões que ele havia escondido seguir o soldado.
“Por favor espere até ele retornar” O elfo disse.
“Sem problemas.”
“ Ei, é um pouco diferente do que eu havia imaginado. Eles parecem não saber quem você é. ” Noturno enviou uma mensagem telepática para Arima “ Está tudo bem, é a mesma coisa. Lifa provavelmente não contou para ninguém sobre mim, pelo menos não publicamente. Por isso. Mesmo que pareça que eles vão perguntar a ela e me deixar entrar, isso não vai acontecer. Eles vão perguntar algo como ‘Você conhece um humano com esse nome?’. Eles não vão dizer que estou aqui esperando. E no final, voltamos ao que eu te disse antes.} ”
“ Por que tem tanta certeza? Talvez eles te deixem entrar. ”
“ Acredite em mim, o trabalho de um soldado é defender seu país e os elfos valorizam muito a sua realeza. Se forem razoáveis, eles vão tentar fazer de tudo para me manter distante. Por isso eu mandei o falcão seguir o mensageiro, para poder falar diretamente com Lifa.} ”
Noturno sorriu. “ Perturbador. ”
Arima sorriu. “ Bem-vindo ao estereótipo de um mundo de fantasia com racismo, discriminação, e uma hierarquia de merda. Mas mesmo assim… tem uma coisa que me deixou surpreso com esses elfos. ”
“Uma coisa?”
“Sim, alguma coisa.”
*****
Após três quilômetros, o soldado chegou na cidade.
Porque não podia fazer nada sozinho, ele foi atrás dos oficiais com maiores patentes. A notícia se espalhou de pessoa em pessoa até que um oficial de alta patente entrou no castelo, que parecia mais uma grande mansão.
A cidade era majoritariamente feita de madeira, com muitos tipos de plantas e pedras para fazer os pavimentos. A maioria das pessoas diria que esse lugar é extremamente puro e encantador.
Após a entrada do oficial, o falcão o perdeu de vista. Mas um círculo pequeno e bizarro se formou discretamente atrás do oficial e um pequeno gato preto pulou dele. O felino fofo o seguiu ao invés do pássaro.
Esse gato era feito de magia negra ao invés de raios, então discrição era sua especialidade. O gato e o oficial andaram um pouco pela mansão até chegarem diante de uma porta. O oficial bateu e entrou, ele se ajoelhou quase instantaneamente.
O gato inclinou sua cabeça para espiar o quarto com seus olhos dourados. Haviam três mulheres sentadas nos sofás tomando chá e um homem em pé atrás de uma delas.
Uma era Lifa. Ao seu lado estava uma elfa igualmente bonita que parecia mais madura e levemente mais velha. Elas pareciam ser irmãs com base nas suas semelhanças. A última mulher era surpreendentemente uma teriantropa com orelhas de raposa e uma cauda. O homem atrás dela parecia ser algum tipo de lagarto com escamas verdes sobre seus membros.
Quando o oficial entrou no quarto, a menina raposa olhou diretamente para ele. Seu ombro pra ser mais exato. “O que é isso?” Ela inquiriu com um tom elegante.
Todos os presentes reagiram e se viraram. Eles perceberam que havia um gatinho preto, do tamanho de uma palma, parado no ombro do soldado. O oficial estava mais chocado do que poderia descrever. Ele não havia percebido que tinha um animal em cima dele. Até agora, ele não sentia nenhum peso, o que o desconcertou.
Lifa se levantou, pegou o gato em suas mãos. “Tão fofo.” Ela o acariciou e ele miou em resposta. A outra elfa olhou para o gato e logo perdeu o interesse. Em contraste, a mulher raposa cerrou seus olhos e observou minuciosamente o animal. Lifa retornou ao seu assento com o gato.
“Por que está aqui?” A calma elfa perguntou ao oficial com uma voz serena.
“S-sim.” Ele se virou para Lifa. “A princesa por acaso conhece algum humano chamado Arimane Blade?”
“O quê?” Lifa estava surpresa. “Sim, eu o conheço. Onde ouviu esse nome?” O gato miou e o olhou, como se estivesse perguntando a mesma coisa.
“Esse humano passou pela floresta há um tempo atrás. Ele disse que iria deixar o continente e passaria aqui mais uma vez no futuro.” Ele disse.
Ele também mentiu.
“Ah, entendo. Que pena.” Ela parecia desapontada. A outra elfa ficou surpresa.
“Lifa, quem é essa pessoa?”
“Irmã, é o humano que salvou Layra. Eu te contei, lembra?”
“Entendo, então é ele.” A elfa assentiu. “Obrigada por nos informar. Pode ir agora.” Ela disse ao oficial.
“Sim!” Quando ele estava prestes a partir, o gato no colo de Lifa revelou uma expressão sorridente que não deveria aparecer em um gato. No momento, as elfas reagiram e olharam para ele.
“Espere um momento, soldado.” Uma voz familiar ressoou no quarto. Lifa e o oficial congelaram, enquanto a mulher elfa, a menina raposa e seu guarda encararam a origem da voz.
Lifa gritou e o gato pulou para o chão. Seus olhos se tornaram afiados e ele olhou em volta. “Oi, se eu puder me atrever.”
“A-Arima” Lifa apontou o dedo trêmulo para o gato. Ela estava envergonhada por ter segurado ele.
O gato olhou para ela. “Ah, não se importe com isso, esse não é meu corpo de verdade ou coisa do tipo. Já faz um mês desde a última vez, né? Então, só tenho uma coisa a dizer. Estou esperando do lado de fora com uns amigos. Então, espero que você possa autorizar minha entrada. É só isso, tchau.”
O gato miou, se tornou uma sombra e desapareceu na frente de todos.
“Tenho certeza de que sabe o que fazer.” A irmã de Lifa ordenou friamente.
O soldado se curvou. “Sim! Perdão!” Ele saiu depressa do quarto. Ele sabia que seria punido depois, então não podia mais se permitir desobedecer a princesa.
*****
De volta a floresta.
Arima estava sentado de frente para Noturno, ambos em cadeiras de madeira feitas com magia. Entre eles, havia uma mesa de pedra com um sofisticado tabuleiro de xadrez. Arima usava as peças brancas e Noturno as peças pretas.
“A5 para B3” Noturno disse e o cavalo se moveu sozinho para o local designado.
“Rainha para F5, cheque.” Arima seguiu e uma peça do tabuleiro se moveu novamente. A sobrancelha de Noturno se contorceu. Ele começou a questionar todo seu intelecto. Até os elfos ao redor se interessaram no jogo.
“Rei para E7” “Torre para A3, cheque mate.”
“Merda.” Noturno estava furioso e Arima apenas riu em contentamento. Eles estavam jogando xadrez há quase trinta minutos. Naquele momento, o oficial que foi ver Lifa retornou ofegante. Ele cumprimentou Arima educadamente e acenou para que ele o seguisse. Os outros elfos ao redor ficaram chocados porque não esperavam que isso fosse acontecer.
Arima sorriu internamente. ‘Não subestime o alcance de meus círculos. Consigo formá-los a 8 quilômetros de distância se eu quiser.’. Para criar o gato preto de antes, ele havia usado um círculo de alcance para invocá-lo diretamente dentro da mansão.
Quando chegaram na cidade, Arima observou mais uma vez. Mesmo que já tenha visto pelo pássaro, estar lá era uma experiência diferente. O ar era particularmente puro e ao respirá-lo, ele se sentiu limpo.
Arima estava sendo escoltado por soldados enquanto estavam no meio da rua. Todo elfo que os via, ficava surpreso ou com medo. Arima não desviou o olhar e observou cuidadosamente as expressões e reações de todos.
Ele foi levado a mansão onde Lifa estava e foi guiado para o quarto onde ela se localizava.
“Arima, sente-se aqui.” Lifa cumprimentou Arima com um sorriso no momento em que ele entrou no lugar. A outra elfa franziu as sobrancelhas, a menina raposa sorriu e o guarda atrás dela manteve a expressão pacifica. O guarda que trouxe Arima foi dispensado em seguida.
Arima se sentou confortavelmente na poltrona, enquanto Noturno sentou no chão,perto dele antes de bocejar.
“Prazer em conhecê-los, me chamo Arimane Blade. Podem me chamar de Arima.”
A mulher élfica assentiu. “Sou Elia Drein. Lifa é minha irmã mais nova.”
“Olá pequeno humano. Sou Niria Feil, a primeira princesa da Cidade Livre. O cara frio atrás de mim é meu guarda pessoal.” A vixen levantou os cantos de seus lábios e agiu suscintamente.
“Hm, Arima?” Lifa levantou sua voz. “Desculpe pelo que aconteceu…”
“Não se preocupe, eu entendo. Seja compreensiva com aquele oficial também. Ele apenas queria proteger você e seus companheiros elfos. Eu enviei aquele gato por um motivo afinal de contas.” Ele balançou sua mão e o gato preto reapareceu a partir de um círculo mágico e pulou no ombro de Lifa. Os olhos dela brilharam e ela começou a acariciar gentilmente o gatinho. Arima riu e olhou para Elia.
“Você disse que se chamava Elia, certo? Certamente posso assumir que você é a primeira princesa do Reino Élfico, então. Você é bem famosa, sabia? Aparecendo até em livros humanos…”
Elia respondeu após alguns segundos. “…Sim, sou eu.”
“Para ser honesto, um dos motivos de eu ter vindo, foi para te conhecer.” Ele disse enquanto pegava uma xícara de chá e alguns de seus doces.
Elia estava surpresa. “Por quê?”
“Porque quero ajudar na sua causa. Você está tentando estabelecer paz com os humanos, não é? Então irei te ajudar.” Arima pausou e sorriu. “Você aceita?”