O Cavaleiro em Eterna Regressão

Capítulo 702

O Cavaleiro em Eterna Regressão

702. Monstros e Talentos

O homem que se assemelhava a Odinkar veio aqui sob o comando do Mestre.
O Mestre disse.

“Vá e mate-o.”

Ele disse.
Por quê? Você não precisa saber. O mestre é Deus.[?25hÉ natural que um seguidor escute as palavras de Deus.
Quanto mais matar uma garota seria grande coisa? Foi por isso que ele partiu com o coração leve.
O verdadeiro trabalho que ele tinha a fazer seria depois que tudo isso terminasse. Então, isso não era muito diferente de ir aos cortiços da cidade para fazer um favor para a guilda dos ladrões e atrair uma criança que acabaria com o pulso ou a perna cortada e se tornaria um futuro batedor de carteiras ou mendigo.
Era fácil e insignificante assim.
Tudo o que ele precisava fazer era conseguir uma cobaia. Ele podia apenas ordenar aos seus subordinados.
Uma pequena faísca de descontentamento surgiu dentro dele por estar realizando uma tarefa tão sem importância.
Ele não deveria fazer algo maior? Então, por que estava fazendo isso?

‘É um desrespeito.’

O homem se repreendeu. Ele era um seguidor. Então, devia ser fiel a Deus.
O mestre devia ter um grande propósito ao organizar tudo, mesmo que não fosse visível por fora.
Não é assim que Deus é?
Ele tirou suas propriedades e matou seu filho, dizendo que era um teste para sua fé. Ele observou para ver se ele realmente acreditaria em Deus, mesmo quando estivesse prestes a se afogar em um mar de sofrimento, com furúnculos por todo o corpo. Alguns poderiam chamar isso de mau gosto, mas para o homem, era fé.
Voltando a esse assunto insignificante, nada mudava porque uma criança dos cortiços havia se rebelado.
Um grupo de monstros que haviam se tornado indivíduos especiais estava atrás dele, e ele lidava com veneno.
Então, tudo o que ele tinha que fazer era subjugar a criança rebelde.
Um único cavaleiro bloqueou seu caminho, mas isso também não deveria ser grande coisa.

“Meu veneno foi resolvido tão facilmente...”

O homem balançou a cabeça e tentou dizer algo para o desgraçado que estava praguejando em sua frente, mas suas palavras foram cortadas.
Um ruído estrondoso, como uma tempestade torrencial desabando, ecoou.

— Mentira!

Foi por causa do som de alguém brandindo uma espada, rasgando o ar.
Uma única espadona partiu o monstro, cuja pele era tão forte quanto a de um scaler[1], e cujos seguidores eram homens.
Para ser exato, o monstro estava mirando nas costas da mulher, mas aquele que segurava a espadona girou levemente e desferiu o golpe, causando aquilo.
E era um monstro venenoso.

‘Como ele está bem?’

O cavaleiro é um monstro. Ele sabe disso. É por isso que espalha veneno e drogas que derretem ossos.

Kuaaaaah!

O som das gotas de chuva preencheu a breve lacuna criada pela esgrima. Parecia que uma inundação estava prestes a acontecer.
A água que escorria do quarto invadiu o corredor, banhando o chão sob seus pés. Deve ter sido desconfortável, mas Ragnar chutou a água sem se importar, mudou a postura dos pés e brandiu a espadona com as duas mãos.

Cabrum, vush! Vush!

Dois owlbears[2] e um scaler de escamas negras que avançavam cegamente ao seu redor foram despedaçados e espalhados pelo chão.
Os olhos negros do scaler giraram pelo corredor encharcado de chuva e então pararam. Ele havia lutado com uma vitalidade tenaz, apesar de ter o corpo partido ao meio, antes de finalmente morrer.
Aquele cujos olhos estavam girando moveu a perna restante e parou.
Bem na frente dele, um monstro empunhando uma espadona segurava a arma despreocupadamente com apenas uma das mãos e girava o outro braço.
Parecia estar verificando se o ombro estava dolorido.

— Que tipo de remédio é esse? — o monstro empunhando a espadona perguntou à mulher ao seu lado.

— Não é nada. Parece uma neurotoxina rudimentar, então te dei um antídoto que fiz há um tempo. Parece uma toxina neur

roparalisante e parece ter sido extraída de uma serpente. Você captura algumas cobras venenosas, extrai a toxina e a inje

eta aos poucos em uma cabra ou camelo; o sangue desenvolverá o poder de superar a toxina, e você faz o antídoto com base

 nisso. Entendeu a minha explicação?
A mulher em questão levantou a cabeça no meio de sua fala. Seus olhos vermelhos n

não mostravam orgulho pelo que fizera. Ela parecia indiferente.

— Isso é um absurdo! — o seguidor gritou. Como poderia haver um antídoto se o veneno havia sido aprimorado várias vez

zes até recentemente?
Além disso, a receita do veneno de paralisia nervosa que ele acabara de usar havia sido desenvol

lvida no mês passado.
Portanto, o que aquela mulher dissera não fazia sentido.

— O que não faz sentido? — a mulher perguntou.

— Você não pode fazer um antídoto sem conhecer o veneno em si — o seguidor respondeu, e a mulher falou como se estive

esse colhendo uma flor na beira da estrada, algo insignificante.

— O que há de tão especial em um veneno feito de maneira tão rudimentar que qualquer um conseguiria fazer?
Sim, pa

ara que o que ela disse fizesse sentido, ele precisaria de uma hipótese.
O veneno que ele havia estudado por décadas,

 quase a vida inteira, devia ser nada mais do que uma receita rudimentar para ela.
Em outras palavras, a pesquisa de t

toda a sua vida era apenas mais uma teoria corriqueira pela qual ela passou.
Isso fazia sentido?
Se fizesse, então

 ela era um monstro entre os monstros.
Para o seguidor, ela parecia ainda mais monstruosa do que o monstro com a espad

dona. Era assim que parecia para ele.

— Morra.
Os olhos do seguidor queimavam com uma inveja fervente. Ele tinha que matar aquela desgraçada agora mesmo

o. Não sabia o porquê, mas sentiu um forte senso de dever.
Ele pegou um novo veneno. Desta vez, era um veneno que caus

saria alucinações e prazer sexual antes da morte.
Se estivessem do lado de fora, o vento e a chuva o teriam levado emb

bora, mas a sorte deles era péssima.
O seguidor esfregou o pó nas mãos. O pó se desintegritou em partículas menores e

 se dispersou no ar.
Este era outro veneno. Não havia como impedi-lo, ele murmurou enquanto soprava o pó venenoso.

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