O Cavaleiro em Eterna Regressão

Capítulo 475

O Cavaleiro em Eterna Regressão

475

— Você já ouviu falar de um totem?

Dizia-se ser um instrumento usado em bruxaria.

— Você já me disse.

Encrid respondeu. Ele estava sentado em uma cadeira no meio da tenda. A cadeira não tinha encosto, mas não era tão des[?25hconfortável.

À sua frente, Rem assumiu o papel de professora diária de magia e falou.

— Agora, Capitão, de hoje em diante, você é um totem humano. Você vai comer, dormir e passar o tempo aqui.

Rem falou como uma professora severa.

Encrid era astuto e logo compreendeu a situação.

Senti que tinha que fazer o que ela dizia.

Claro, foi preciso um pouco de experimentação para chegar a esse ponto.

Então, isso foi há pouco tempo.

Rem, que tinha acabado de intervir para mediar, disse imediatamente:

— Vá lá fora ver. Depressa.

Encrid fez o que ela disse. Ele saiu da tenda. Quando tinha dado cerca de três passos para fora, Rem falou, parando na entrada da tenda.

Ela acenou com a mão, mostrando as costas da mão.

— Ei, vá mais para lá.

Fiz o que ela disse.

Dunbakel saiu de sua tenda e sentou-se a um canto, segurando o nariz com uma das mãos e observando, enquanto Luagarne seguia atrás de Encrid.

— Você parece acreditar que pode evitar maldições.

Isso é o que eu digo enquanto bebo água o tempo todo.

— De jeito nenhum.

Deve ser coincidência.

Eu disse por brincadeira que havia despertado poderes divinos, mas como isso seria possível?

Além disso, eu nunca sequer tentei usar bruxaria.

Não havia necessidade de olhar para trás em minha vida até agora. Eu estava ocupado demais brandindo minha espada.

Mesmo agora, sinto vontade de relembrar as coisas com as quais lutei.

Os gêmeos atacavam em um tempo muito único.

Um tinha um tempo único, desferindo a lança com uma respiração precisa, e o outro usava meio tempo.

Enquanto eu olhava para aquilo, vários pensamentos me vinham à mente.

‘E se misturarmos os tempos?’

Ocorreu-me mais uma vez que o que Oara havia me mostrado era verdade.

A esgrima de Oara era fiel ao básico. Um desses conceitos básicos era o tempo.

Um contra-ataque que recebe o tempo de um tempo único normal, um meio tempo que divide o único, e um duplo que coloca dois movimentos em um único tempo novamente.

O tempo, em outras palavras, poderia ser considerado uma única respiração.

Ragnar às vezes encaixava três ou quatro movimentos em uma única respiração.

Então deveríamos chamar isso de tempotriplo ou quádruplo?

Eu não sabia o nome.

Oara também fazia isso. Ela dividia o tempo e o usava, e também usava um tempo único.

E ela fazia o oposto também.

Era um golpe de espada mais lento e longo.

Prendi a respiração por muito tempo e aumentei o tempo.

Como eu deveria chamar isso?

Se eu tivesse que dar um nome, diria que é um tempo lento.

Em vezes de dividir, eu o estendi. Em vez disso, combinei os movimentos dos meus pés e corpo para tornar a trajetória

a do golpe de espada infinitamente contínua.

Contra os fragmentos de Balrog, Oara exibiu sua esgrima incessante.

Sua espada não quebrava. Continuava e continuava. Era muito impressionante.

Seguindo Oara, outros também me passaram pela mente.

Ragnar costumava brandir sua espada para desferir um golpe pesado. Ele também lutava e enganava seu oponente para con

nseguir um golpe.

Mas o objetivo era o mesmo: desferir um golpe no oponente, fosse com a espada ou com o escudo.

O Rei do Leste era bom em fazer movimentos interrompidos.

O espaço entre as lâminas afiadas que voavam em ângulos estranhos, enquanto eram interrompidas abruptamente, era cort

tado.

Era um método irregular e difícil de encontrar qualquer regra.

Pensar de novo e de novo. Refletir de novo e de novo. Reproduzir com o corpo. Corrigir o erro. Desferir a espada. É r

repetição.

Enquanto ele caminhava e fazia movimentos semelhantes a um combate de espadas com as mãos, Luagarne revirava seus gra

andes olhos e o observava.

‘Uma pessoa louca por treinamento.’

Havia algumas pessoas que ocasionalmente chamavam Encrid assim.

Luagarne concordava com isso.

Treinamento, treinamento, treinamento.

Encrid era quem faziaisso sem se cansar, dividindo até mesmo suas horas de sono.

Era a mesma coisa agora.

A mente de Encrid estava cheia de pensamentos sobre esgrima.

O que posso fazer com a primeira coisa que me vem à mente, seja bruxaria ou qualquer outra coisa?

Além disso, isso era bem divertido.

Os pensamentos continuaram.

E se eu dividisse o tempo loucamente, dividindo minha respiração?

Existia tal técnica de espada.

Na espada mercenária valenciana.

‘Achei que fosse papo furado.’

Espada mercenária valenciana, respire livremente.

Era uma maneira de controlar livrementeo tempo. Era uma técnica de brincar com a respiração e o ritmo.

Como isso é possível?

Você só precisa ser capaz de dominar todas as técnicas básicas.

É um caminho fácil? Não. É difícil. É um caminho difícil. Mas ainda assim me fazia rir. É um caminho muito prazeroso

 para Encrid.

[?25l

Pensando bem, não havia outra esgrima que exigisse um domínio tão completo do básico quanto a espada mercenária va [?25hlen

nciana.

Os sermões da espada mercenária valenciana eram ainda piores do que as reclamações de Luagarne.

Eu não ouvia de fato com meus ouvidos, mas parecia que sim.

Quando eu estava aprendendo a espada mercenária valenciana, li algo como um livro de visões, e havia algo sobre o bás

sico escrito uma vez por página.

— Comece com a postura correta. Se você não conhece o básico, não pode enganar seu oponente.

— Se você não sabe brandir corretamente, não conseguirá cortar nem um trapo.

— Deixe seu corpo em forma para que possa manter a postura adequada.

— Comece com a postura.

— Concentre-se em sua base enquanto segura a espada. Comece por aí.

— O que vem antes da habilidade, pense bem, isso mesmo, a atitude.

Se eu tivesse omitido a postura básica e o posicionamento dos pés, o livro de visões teria sido um pouco mais fino.###TAG###/p>###TAG###

Mas era igualmente importante.

A maioria das pessoas que o lia ignorava essas palavras. Passavam por cima delas. Descartavam-nas como falatório inút

til.

Encrid não fez isso. Ele não poderia ter feito isso.

Era uma época em que era preciso se agarra[?25l[?25l[?25l[?25l[?25lr até mesmo a um fiapo de palha e brandir a espada.

Então foi isso que eu fiz.

Para aprender a espada mercenária valenciana, endireitei minha postura e fiz o que me foi dito.

Aquela era uma pose realmente excelente.

Se Valen voltasse e visse isso, diria que este garoto era realmente digno de ser chamado de seu discípulo.

[?25h

Claro, se tivéssemos nos conhecido antes, ele teria perguntado se eu conseguiria ganhar a vida com esse tipo de talen

nto.

Eu teria perguntado, de qualquer forma.

De qualquer forma, há um ditado que diz que, se você quer enganar alguém, precisa misturar um pouco de verdade.

[?25h

A espada mercenária valenciana era fiel às suas palavras.

A Hwangeom, a espada mercenária estilo Valen, era uma espada que afiava seus fundamentos e os usava para realizar vár

rios truques.

Afastei-me da tenda por um tempo, pensando nisso e naquilo.

— Volte aqui!

Rem chamou de longe. Encrid virou-se e voltou para a tenda.

Havia olhos que me olhavam de tempos em tempos. Alguns eram afiados, e outros olhavam diretamente para frente, sem pe

ensar.

O dia estava claro e deslumbrante. Encrid caminhou para encontrar um lugar com sombra. Ele andou ao lado de uma grand

de tenda.

Provavelmente seria inútil. Algum outro fator teria intervindo.

Por que a maldição sumiria só porque você está confiante?

Quando me aproximei, vi que Rem havia perdido a expressão brincalhona. Parecia que ela tinha ficado bastante séria.###TAG###/p>###TAG###

— Vá. Para lá.

O tom brincalhão de Rem desapareceu. A mulher que parecia ser a mãe da criança estava de joelhos.

A feiticeira Hira continuava levando o cachimbo de tabaco à sua boca.

Uma lufada de fumaça obscureceu seu rosto.

Encrid fez o que Rem disse.

Depois de ir e voltar três vezes, Rem murmurou:

— Porra, como isso é possível?

Mas logo ela assentiu.

A situação era problemática demais até para pensar no processo. Algo tão absurdo quanto merda de cachorro estava acon

ntecendo, então não fazia sentido discutir sobre isso.

Deixando a razão de lado, Rem decidiu estabelecer um totem humano, e Encrid teve que concordar.

Quando olhei em volta, havia muitos doentes. Eram mais de vinte.

Encrid olhou para eles e pensou.

Eu deveria trazer um curandeiro ou, melhor dizendo, um xamã para cá?

De qualquer forma, era várias vezes mais fácil se tornar um totem humano do que encontrar um feiticeiro e ameaçá-lo c

com uma lâmina em seu pescoço.

Depois do experimento de Rem, ocorreu o experimento de Hira.

Ele entrava em contato com os amaldiçoados e apenas se sentava ali.

Essa era a conclusão.

Tornar-se um totem humano no meio da tenda.

Uma cadeira foi providenciada. Era um substituto para o banquinho. Era sua própria cadeira especial.

Uma almofada macia foi colocada e, em vez da fumaça acre de mato, começou a queimar uma erva que exalava uma fragrânc

cia suave que só cresce no Oeste.

Vasos de cerâmica feitos de argila amarela cozida foram trazidos para cá da tenda do chefe.

Era um utensílio que queimava lentamente a erva com o calor residual após acender um fogo na parte inferior, e tinha

 quatro furos no topo.

Nos furos, a erva queimava e a fumaça subia suavemente.

— Oh, isso cheira bem.

Disse Dunbakel.

Encrid respirou fundo o aroma que afastava o cheiro de mofo e podridão vindo do corpo de Dunbakel.

Cheirava bem, exatamente como ela dissera.

Tanto que me deu vontade de bater em Dunbakel agora mesmo.

— Vá se lavar.

— Ah, por quê?

— Imediatamente.

— Na nossa aldeia, há um ditado que diz que se você se lavar com muita frequência, ficará impuro.

— Existe um ditado assim na Aldeia dos Suins?

Luagarne conhecia bem a vida dos suins. Ela sabia que eles não gostavam de se lavar, mas também sabia que não usavam

 a palavra “impuro” levianamente.

Dunbakel não disse mais nada. Pensando bem, ela não tinha morado na aldeia por muito tempo. Tinha sido expulsa quando

o era jovem.

— Você vai se lavar?

A mãe da criança, que havia se tornado algo como uma seguidora, aproximou-se.

Encrid estava um pouco cauteloso com ela.

Isso porque a atitude dela mudava como quem vira a palma da mão, e seu temperamento também parecia mudar.

[?25h

Não, pensando bem, os ocidentais eram um pouco assim.

Eram esquentados, diretos e sem muitos rodeios.

O homem de meia-idade que veio me ver depois de ouvir que a maldição havia sido interrompida era do mesmo jeito.



— Obrigado, expresso minha gratidão.

Eu não sabia quem era, então apenas assenti com a cabeça.

A mãe da criança olhou para Dunbakel.

Encrid leu os olhos dela.

Eu deveria escutar se você dissesse isso? Ou não?

A mãe parece perdida em pensamentos, segurando levemente uma adaga chamada karambit.

— Ei, vá se lavar. Não crie um clima estranho.

Encrid deu um chute na bunda de Dunbakel e a mandou sair. Não havia muito mais o que fazer.

Observar Hira falar com força, como se cuspisse as palavras, enquanto via os dentes do paciente melhorarem, era a pri

incipal ocupação.

— Por favor, proteja esta terra.

Ela continuou cuidando do paciente, murmurando.

Será que isso também era bruxaria?

Ela aplicou uma pasta cinza-escura sob os olhos do paciente, virou seu corpo e limpou seu rosto e membros. Parecia ma

ais uma forma extrema de enfermagem do que feitiçaria.

— Não teria problema se você andasse perto da tenda.

E a atitude de Hira também mudou. Ela também passou a ser educada com Encrid.

Quando saí, os gêmeos estavam guardando a frente da tenda.

Foi por causa da resposta de Rem à pergunta sobre o que ele precisava.

— Apenas prepare um parceiro de treino na área de treinamento.

— Você mesma não vai fazer isso?

— Estarei ocupada.

Rem disse isso e saiu.

Encrid tornou-se um totem. Não foi algo particularmente entediante.

Sente-se e treinei mentalmente.

Saí e movimentei meu corpo.

Como a área bem em frente à tenda havia sido deixada vazia, havia bastante espaço para brandir a espada.

Por aqui, eles não agiam de forma desajeitada como se estivessem tentando se adaptar às tribos ocidentais.

[?25h

Há quantos anos eu vivia como mercenário, ganhando o pão com a lâmina? Por que eu estaria tendo dificuldades para me

 adaptar?

Concluindo, Encrid se saiu bem.

— Por favor, coma.

Ao lado dele, a mãe da criança o servia com a maior devoção.

Sim, aquilo era mais do que apenas cuidar de alguém; era servir.

— Comerei com gosto.

Encrid respondeu de forma moderada, saciando a sede com bagas de esquilo e comendo carne de lagarto bem cozida e cois

sas do tipo.

Suas receitas eram do tipo que já haviam sido amplamente experimentadas por Rem.

Eles pegavam um coelho marrom chamado coelho do campo, o esfolavam, removiam seus órgãos internos e depois o moíam in

nteiro para fazer uma sopa de carne ou almôndegas.

Não havia desperdício de comida, como na mesa dos nobres. Eles comiam apenas o suficiente para suprir a escassez. Mas

s ainda era nutritivo.

O gosto? Tudo era saboroso.

O hábito de comer os animais por inteiro talvez fosse uma tradição que surgiu devido à escassez de suprimentos.

[?25h

Cerca de meio dia depois, antes do anoitecer, algumas crianças andavam por ali.

Encrid olhou para as crianças distraidamente enquanto afiava sua espada.

‘Vieram me ver?’

Estão curiosos por eu ser um estranho? Vocês não pareciam particularmente interessados até agora.

Algumas das crianças demonstravam curiosidade, mas não por si mesmas.

— O Chiba está bem?

Uma criança perguntou espiando para dentro da tenda. A mãe saiu e olhou para ela.

Eu me perguntei onde já tinha visto aquele rosto antes, e descobri que era uma das meninas que costumavam se pendurar

r em cordas pela manhã.

— Eu disse para não se aproximarem daqui.

— Ouvi dizer que está tudo bem agora?

Disse uma das crianças.

Eu podia ver a preocupação em sua atitude, em sua fala e em seus olhos.

Quando o amigo deles desabou, eles ficaram rondando por perto.

Crianças são crianças, então brincam bastante, mas também se preocupam.

Encrid apenas observou. Não havia como interferir.

— Mesmo assim, não se aproximem.

A mãe, que havia recuperado a razão e esquecido seu ressentimento e ódio, enxotou as crianças.

Seria uma coisa ruim se, por acaso, vocês estivessem por perto e pegassem o azar.

— Senhor, se estiver entediado, coma isto.

A mãe então lhe deu uma ameixa seca.

Encrid a colocou na boca e mastigou. Era doce. Ao lado dele, Luagarne continuava bebendo água.

Então a mulher deu um presente para Luagarne também.

Era um inseto seco parecido com um gafanhoto.

Quando ela pegou a criatura viva e a colocou em uma cesta feita de troncos de árvores, as bochechas de Luagarne se in

nflaram de alegria.

Pensando bem, Lua parecia estar mostrando o que gostava de comer.

Encrid passava o dia todo brandindo sua espada e treinando, exceto pelo tempo que gastava comendo, bebendo e fazendo

 suas necessidades.

Senti uma mudança, e isso tornou o treinamento mais prazeroso do que antes.

Os gêmeos ocasionalmente duelavam. Rem também passava por ali.

— Eu vou morrer.

— O quê?

Perguntei, imaginando se havia alguma dificuldade. Era uma noite de luar brilhante. Mesmo sem uma única tocha, eu con

nseguia ver seus olhos, nariz e boca.

— Ayul nem sequer pensa em me ouvir.

— Como você saiu de casa?

Rem hesitou e depois disse:

— Cerca de dez dias após o casamento.

— De lá?

— Simplesmente.

— Simplesmente?

— Eu fugi no meio da noite.

Essa garota era louca. E ela andava confiante com as próprias pernas? Mesmo que ela rastejasse de volta com a cabeça

 baixa, seria perdoada?

Encrid segurou o cabo de Aker, que havia sido posicionado em ângulo.

— Olhe para o seu pescoço. Aqui, curve-se.

— Olhe para as estacas externas que sustentam a tenda — pediu Rem.

— O que você está fazendo?

— Para acalmá-la. Achei que seria mais rápido cortar a sua cabeça e levar para ela.

Não parecia haver outra maneira.

Rem deu uma risadinha.

Mas Encrid não riu.

— Você não estava brincando?

— Estou falando sério.

— Ei, por favor, pare de falar bobagens sobre a vida dos outros.

Parecia que ele a estava provocando demais. Rem virou-se com uma expressão séria.

Depois disso, não vi muito a Rem. Ela parecia ocupada.

O primeiro dia passou assim, e na segunda noite foi quando dormi no meio da tenda.

Em algum momento, meu corpo tremeu.

Balançando.

Foi acompanhado pelo som do rio se movendo.

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